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SAY HELLO TO MY BOOKS

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FILMES | Hell or High Water

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Não esperava nada deste filme, não tinha expectativas e pouco sabia sobre ele. Que boa surpresa foi! Nomeado para Melhor Filme, Melhor Argumento Original e com Jeff Bridges indicado para Melhor Actor Secundário, apenas sabia que nos apresentava dois irmãos bandidos. Ninguém me disse que era um filme mesmo giro, que nos prendia do início ao fim pelo desejo de saber como tudo ia acabar e, também ninguém me disse que o Chris Pine estava a provocar várias poças de baba pelos cinemas do mundo fora. 

 

Então, resumindo, sem dar spoilers, dois irmãos, do Texas, decidem começar a assaltar bancos, nunca levando grandes quantias de dinheiro. Assaltam sempre sucursais do mesmo banco que está a penhorar a propriedade da família. Percebemos no primeiro assalto, na primeira cena, que um deles não se sente muito confortável naquele papel. Percebemos depois que esse, Toby, é divrocidado e quer apenas assegurar uma vida melhor para os filhos, enquanto Tanner, já esteve preso e faz aquilo por desporto. Este esquema parece resultar até entrar ao barulho Marcus Hamilton (Jeff Bridges), um Ranger texano, à procura de um triunfo final antes da reforma. Os caminhos deles vão-se cruzar e mais não conto.

 

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O filme tem pequenas personagens que adorei, como a empregada gordinha do restaurante que faz tudo para defender os criminosos, a empregava mais velha de outro restaurante, super mandona e autoritária, e mesmo Alberto, o colega Ranger de Marcus, com quem troca constantemente piadas de questões raciais. Adoro o diálogo da cena final entre Toby e Marcus. Acho que toda a história está bem construída, as peças vão-se encaixando e, apesar de conseguirmos prever algumas cenas, há acontecimentos que nos apanham desprevenidos. Fiquei ainda mais surpreendida quando me apercebi que o filme foi escrito por Taylor Sheridon, que também escreveu "Sicario", filme que vi o ano passado e detestei. Por fim, aquelas paisagens texanas e a banda sonora, que assenta como uma luva, fazem-nos entrar completamente no espírito dos filmes de cowboys, agora adaptados ao século XXI. Dou-lhe 8/10. 

 

Outros nomeados para Melhor Filme:

Manchester by the Sea

Hidden Figures

Fences

Moonlight

 

FILMES | Moonlight

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Posso já dizer que estou a torcer um bocadinho para que seja Moonlight a levar o Óscar de Melhor Filme. Dos todos os nomeados, foi dos que mais me marcou. Acho a história e as interpretações bastante fortes. E, se um filme como Spotlight ganhou o ano passado, derrotando o preferido (The Revenant, que levou Óscar de Melhor Realizador e Melhor Actor), é bem possível que Moonlight possa ganhar e derrotar o grande favorito La La Land (de que também gostei e falarei noutro post). Aliás, foram estes dois filmes os grandes vencedores dos Globos de Ouro deste ano para Melhor Filme porque, como sabem, Drama e Musicais/Comédia são duas categorias diferentes.

 

A história divide-se em três fases, infância, adolescência e vida adulta de Chiron, um afro-americano que vive com a mãe, drogada, e que sofre de bullying dos colegas da escola por ser mais fraco e mais introvertido. Ao mesmo tempo que tenta escapar dos problemas sociais, tem que lidar com um conflito interior quando se apercebe que não é igual à maioria dos rapazes, uma verdadeira revolução de autodescoberta que o deixa desconfortável na própria pele. Começa por ter ajuda de Juan, que conhece por acaso, interpretado por Mahershala Ali (nomeado para Melhor Actor Secundário), que lhe tenta transmitir força e confiança em si próprio enquanto é criança. Achei a cena em que Juan o leva para o mar, embaladando-o na água para lhe transmitir confiança e segurança, de uma beleza e sensibilidade enorme. 

 

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Muitas vezes, são as imagens e os olhares que nos contam o que está a sentir. Nem são precisas palavras. Acaba por ser uma história sobre ligações humanas, sobre a procura de identidade e de um lugar à medida no mundo, sobre a luta pessoal contra a solidão e o peso que a falta de apoio e carinho familiar traz. 

 

Acho que foram muito bem escolhidos os três actores que fazem o papel de Chiron. Estão os três representados no cartaz do filme, caso não tenham reparado. Naomi Harris, que faz o papel de Paula, mãe de Chiron, emocionalmente instável e constantemente drogada, está também nomeada para Melhor Actriz Secundária e, na minha opinião, levava ela a estatueta dourada caso a Viola Davis (Fences) não estivesse na corrida. 

 

A única coisa que não gostei tanto foi o final. Esperava mais daquela última cena. É a única coisa que consigo apontar de menos bom, o que não invalida o que senti durante todo o filme. É uma realidade diferente da minha, e da vossa presumo, que achamos distante, mas que não está tão distante assim. Não é só nos becos pobres de Miami que estas coisas acontecem. Bullying, pais drogados e negligentes com crianças, violência nas escolas...temas que nos chegam todos os dias pelas notícias. É importante trazer estes assuntos à baila, dar-lhes visibilidade, tentar mudar mentalidades e abrir horizontes. Dou-lhe 8/10. 

 

Outros nomeados para Melhor Filme:

Manchester by the Sea

Hidden Figures

Fences

Março Feminino | O que quero ler e ver

Falta pouco mais de uma semana para começar Março que nos vai trazer a Primavera, o horário de Verão e, em termos pessoais, uma afilhada que estou mortinha por conhecer. Os dias já estão mais bonitos, mais quentes e mais longos e vão ficar melhores ainda quando começar este projecto. Apresentei o Março Feminino aqui e já várias pessoas me disseram que vão participar nem que seja só com um livro e um filme. Fico mesmo feliz. 

 

Hoje mostro-vos os livros que quero ler e os filmes que estou a planear ver durante o mês. Claro que pode haver sempre pequenas mudanças, como agarrar em mais alguma história ou descobrir mais um filme que vale a pena. Este é apenas o plano inicial.

 

LIVROS

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Tirando J. K Rowling, nunca li nenhuma das outras autoras que escolhi para este desafio. Vão ser novidades, espero que me tragam boas surpresas. Tentei ter um bocadinho de tudo, Fantasia, Ficção Histórica, Romance e Crime. Durante o mês vou partilhar  também sugestões de outros livros escritos por mulheres que já li, que adorei e que acho que valem muito a pena qualquer pessoa ler.

 

O Reino do Dragão de Ouro - Isabel Allende

É dos livros que tenho há mais tempo na minha estante sem ser lido. Há muito que quero ler Isabel Allende. É também o livro do mês para a Volta ao Mundo em Literatura, desta vez com paragem no Chile.

 

A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata - Mary Anne Shaffer / Annie Burrows

Adoro este título. Comprei-o há uns meses numa promoção online e tenho andado desejosa de o ler. É agora. 

 

Os Pássaros de Seda - Rosa Lobato de Faria

Não podia faltar uma autora portuguesa neste desafio. Nunca li nada da Rosa Lobato de Faria, mas sei que tem vários livros bons. Vamos lá ver o que sai daqui. Nem a sinopse li. "Surripiei-o" de casa dos meus pais.  

 

Harry Potter e o Cálice de Fogo - J. K. Rowling

O livro de Março do desafio Harry Potter em 2017 é este. Ainda bem que são escritos por uma mulher. 

 

O talentoso Mr. Ripley - Patricia Highsmith

Dizem que Patricia Highsmith era insuportável como pessoa. Como escritora, era excelente e tinha uma mente um bocadinho perversa. Comecei a lê-lo em Novembro, mas na altura não terminei (na verdade foi porque entretanto comecei também o Ensaio sobre a Cegueira do Saramago que me absorveu completamente e quando terminei não me apeteceu voltar à leitura anterior). Faltam-me uns dois terços. 

 

 

FILMES

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Quanto ao cinema, tentei também escolher um bocadinho de tudo. Dramas, comédias românticas, histórias verídicas ou pura ficção. A maior parte destes filmes tem protagonistas femininas fortes, e abordam problemas femininos, o que é ser mulher, as difidulcades, a luta pela igualdade, e o poder que podemos ter. Caso veja mais filmes do que estes, vou partilhando e comentando.

 

Frida (2002) - Julie Taymor 

Há tanto tempo que quero ver este. Descobri que foi realizado por uma mulher e estou muito curiosa para descobrir se se sente uma sensibilidade diferente. 

 

A Dama de Ferro (2011) - Phyllida Lloyd

Tem a Meryl Streep maravilhosa, que ganhou Óscar de Melhor Actriz com este papel. Conta a biografia romanceada de Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica nos anos 80.

 

As Sufragistas (2015) - Sarah Gavron

Narra a história de mulheres activistas nos primórdios do movimento feminista, que lutam pelo direito de voto e igualdade de género. Acredito que seja um filme inspirador. Tem a Meryl Streep também.

 

Mustang (2015) - Deniz Gamze Ergüven

Esteve nomeado para Óscar de Melhor Filme Estrangeiro o ano passado. Cinco irmãs vivem numa pequena aldeia da Turquia com a avó e o tio. Depois de apanhadas a brincar na praia com alguns rapazes, as más interpretações feitas por familiares levam a que sejam fechadas em casa, proibindo qualquer contacto com o exterior. É inevitável não pensar no filme "As virgens suicidas". Vamos ver o que acontece.

 

By the Sea (2015) - Angelina Jolie 

Um dos filmes que tem Angelina Jolie enquanto realizadora e, se não me engano, o último em que trabalhou com Brad Pitt. A crítica não é muito favorável.

 

Mother's Day (2016) - Penny Marshall 

Tinha que encaixar uma comédia romântica fofinha aqui no meio. Ainda por cima tem três actrizes de quem gosto bastante, a minha querida Julia Roberts, a minha eterna "friend" Jennifer Aniston e a Kate Hudson que é um dos meus crushes femininos. 

 

28 Days (2000) - Betty Thomas 

Tem a Sandra Bullock como protagonista. Não que seja grande fã dela, mas é a história de uma mulher com problemas de álcool, que é internada numa clínica de reabilitação. Não sei muito mais. 

 

Big (1988) - Penny Marshall

Este filme faz parte dos 12 Filmes para 2017. É o único dessa lista de que já vi partes, mas nunca vi inteiro. E o único aqui que tem um protagonista homem. 

 

 

E vocês o que vão andar a ler e a ver neste projecto? Não se esqueçam de ir partilhando as leituras e os filmes com #marçofeminino. E, caso tenham blog, deixem aqui os links para eu ir acompanhando os vossos posts (quem ainda não sigo).

 

Algumas meninas já fizeram post sobre o desafio como a Raquel, do blog So Happy With Books e a Tânia do Baú da Tanocas. E outras miúdas dos livros também já me disseram que vão participar nem que seja só com um livro. Bora lá! 

Harry Potter e a Câmara dos Segredos, J.K. Rowling

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Voltei a Hogwarts com prazer. Duas semanas depois de ter lido Harry Potter e a Pedra Filosofal, entrei no segundo ano da Escola de Magia. Desta vez, já conhecemos bem os personagens, já temos ideias formadas de quem são os bons e os maus, o interessante é ir vivendo novas aventuras com eles, apesar de se avançar pouco, ou quase nada, no grande mistério da história: como conseguiu Harry Potter sobreviver a Voldemort em bebé e porquê? Calculo que isso só saberemos em algum dos livros mais para a frente. Depois de introduzido todo este mundo mágico no primeiro livro, noto que tanto Harry, como nós próprios enquanto leitores, já estamos mais habituados aos termos relacionados com magia, ao uso e particularidades da mesma e ao funcionamento de Hogwarts. É engraçado apercebermo-nos disso.

 

Neste segundo volume, o principal foco da história não são tanto as aulas e aprendizagem da magia como encontrámos no primeiro, mas o mistério sobre relacionado com a Câmara dos Segredos, criada por Salazar Slytherin, um dos fundadores da escola, que move os acontecimentos do livro e que concentra as atenções de alunos a professores. Todo o enredo se passa em torno da abertura da Câmara dos Segredos por alguém, sem se saber sequer onde ela fica, e de onde saiu algo que anda a petrificar alunos. Obviamente que tudo isto vai trazer à baila alguns segredos do passado, interessantes também para que o leitor compreenda mais um pouco o background do grande vilão da história. Gosto deste tipo de mistérios que só os livros de Fantasia nos trazem, onde qualquer explicação é possível e vai muito além do onde a nossa imaginação terrestre consegue chegar. Fico realmente surpreendida com as voltas que J. K. Rowling dá à história e de como tudo se encaixa no final. 

 

Em "Harry Potter e a Câmara dos Segredos", a autora acrescentou novos alementos, mas não acho que os personagens tenham tido uma grande evolução desde o livro anterior, sem ser o próprio Harry. Aliás, temos personagens com papéis importantes no primeiro volume que neste não acrescentam grande coisa como Snape, Draco Malfoy e a Professora McGonagall, por exemplo. Também esperava ver mais de Dumbledore e do próprio Hagrid. Tenho pena de J. K. Rowling não se ter focado mais em Herminione. Estava a gostar mais da miúda neste livro e, de repente, acontece algo que a faz estar "adormecida" durante vários capítulos. E não simpatizei com o elfo Dobby. 

 

Por outro lado, gostei muito do foco dado à família Weasley, aos pais de Ron, aos irmãos e à pequena Ginny. Acho-lhes imensa piada. Fiquei ainda mais fã da amizade de Harry e Ron. Adoro o bom coração do Hagrid e odiava algum dia ter que entrar naquela floresta, especialmente porque odeio aranhas e todo o capítulo "Aragog" me arrepiou até aos pelinhos da nuca. Achei engraçada a personagem da Murta Queixosa e a vaidade do professor Lockhart. E acho que este livro trouxe momentos deliciosos como a festa de fantasmas do Nick-quase-sem-cabeça, no Haloween. 

 

Confesso que, apesar de ter gostado bastante da leitura (como não?) não acho que esteja ao mesmo nível do primeiro livro. Não tive aquela ânsia de ler sem parar, não achei o enredo tão interessante. Só por isso dei-lhe 4 estrelas, em vez das 5 que dei ao primeiro. Mas já me tinham dito que seria assim durante toda a série, uns livros mais empolgantes que outros. É bom saber que ainda tenho mais cinco pela frente. Mesmo com uma visão e leitura mais adultras é interessante ver como a história nos absorve e como consigo soltar a imaginação de uma forma quase infantil. Acho que é precisamente isso que Harry Potter me tem ensinado, que nunca é tarde para ler, ver ou sentir alguma coisa e que, felizmente, mantemos sempre um lado mais inocente que nos faz vibrar com histórias que muitos dizem ser só para crianças. Não sei se vou vendo os filmes aos poucos (já vi os três primeiros há muito tempo, não me lembro praticamente de nada), ou se vejo todos quando terminar de ler a série. Agora venha o Prisioneiro de Azkaban!

 

Título: Harry Potter e a Câmara dos Segredos

Autor: J. K. Rowling 

Edição: Editorial Presença, 2000

Ano de publicação: 1998

 Nº páginas: 275

FILMES | Fences

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Se fosse só pela primeira parte do filme, não tinha gostado. Achei uma seca, estava a morrer de tédio durante a primeira hora e tive mesmo que parar e ver o resto no dia seguinte. E a verdade é que a segunda parte do filme vale muito mais a pena. É quando a história finalmente desenrola e quando os personagens se libertam a eles mesmos, em relação a mentiras, a vontades e a personalidades, o que acaba por ser muito interessante de assistir.

 

Muitos não sabem mas "Fences" era uma peça de teatro, protagonizada pelo próprio Denzel Washington, que a levou para o cinema, como actor e realizador do filme. Conhecendo este facto é muito mais fácil entender que o filme seja passado praticamente todo em apenas um cenário, a casa e o pequeno quintal nas traseiras, onde acontecem grande parte das cenas e dos diálogos. Aliás, é precisamente de diálogos que vive este filme. Não tem muita acção, é parado, é lento. Foca-se nas emoções, nas reacções, no poder das palavras e dos pequenos gestos. 

 

Denzel Washigton é Troy Maxson, um trabalhador de saneamentos de Pittsburgh que tenta ser um bom pai e marido, mas que tem imensas falhas em qualquer um destes "cargos". É casado com Rose, em segundas núpcias, tendo um filho deste casamento com quem tem uma relação complicada e um filho de uma relação anterior, que só o procura quando precisa de dinheiro. Troy é um homem amargurado, com o sonho perdido de uma carreira no baseball, proibindo o próprio filho de jogar. Rose tenta ser o seu apoio e bom senso, até lhe descobrir uma mentira dolorosa. 

 

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Está nomeado para Melhor Filme. Não lhe daria o óscar nesta categoria, mas em relação a nomeações de actores, para mim a Viola Davis levava o Óscar de Melhor Actriz Secundária. Sou muito fã dela, vejo religiosamente How To Get Away With Murder, onde faz um papelaço e acho-a uma actriz do caraças! Está farta de ganhar prémios com este filme. Se daria o Óscar de Melhor Actor a Denzel Washington já não sei... Porque gosto muito da prestação de outros actores indicados. Ainda preciso assentar ideias neste ponto. Mas o actor que faz a personagem de Gabe, irmão de Troy, que sofre de uma defiência mental causada por uma bomba na guerra, está brutal. 

 

No final, posso dizer que gostei do filme. O título acaba por ser muito maior do que o sentido literal de termos Denzel e o filho a constuir uma vedação no quintal. Na minha opinião, diz respeito àquelas barreiras que todos temos em relação às pessoas que nos rodeiam e a nós próprios. Quando não queremos deixar alguém entrar ou, por outro lado, sair da nossa vida, da nossa rotina. Proporciona-nos uma reflexão interessante. Dou-lhe 7/10.