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SAY HELLO TO MY BOOKS

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O Vermelho e o Negro, Stendhal

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Na semana passada dediquei-me a este clássico francês do séc. XIX, obra escolhida para o Clube dos Clássicos Vivos. Fiz uma coisa que nunca faço antes de começar a ler um livro: fui pesquisar informação sobre a obra, o autor (caso nunca tenha lido nada dele) e tentar pôr-me a par de todo o contexto histórico de quando foi escrito. Sabia apenas que se tratava de um romance histórico, publicado em 1830, em França, e achei por bem saber mais antes de mergulhar 400 páginas que nos contam a jornada do protagonista Julien Sorel. Fugindo de spoilers, essa pesquisa ajudou-me muito a compreender todo o ambiente do enredo, principalmente no início. 

 

É um livro com um ritmo de leitura mais lento, pelo menos para mim, que pede atenção redobrada aos parágrafos, às expressões, às ideias que o autor quis contar. Por isso fui lendo no ritmo que o próprio livro ditava e gosto muito quando isso acontece, são eles que nos levam. É um daqueles clássicos que impunha respeito e, até, algum preconceito sobre ser "chato e pesado". Li-o de uma ponta à outra, sem nunca perder o interesse nem o ritmo. O século XIX é riquíssimo em histórias e acontecimentos que ditaram a evolução do século seguinte, interessantíssimo cultural e socialmente e, por isso, fiquei muito envolvida com a história.

 

O PROTAGONISTA 

Acompanhamos a jornada de Julien Sorel, desde que é o pobre filho de um simples camponês, em Verriéres, passando pelo seminário e, depois, tornando-se no braço direito de um importante marquês de Paris. Mas, mais do que a sucessão de acontecimentos na vida de Julien, acompanhamos a sua evolução enquanto homem, a nível de personalidade, sentimentos e compreensão do mundo, algo que tornou este livro inesquecível, para mim. No início chamei-lhe nomes, critiquei-o, considerei-o detestável, até começar a simpatizar e a torcer por ele, e chegar ao fim apenas com pena e compaixão. Tornamo-nos cúmplices do protagonista e, mesmo não concordando com o que ele faz, acabamos por compreendê-lo.

 

Julien é hipócrita assumido, egoísta, ambicioso, calculista e provocador. Sem qualquer sentimento sincero de amizade ou amor por alguém. Mesmo depois de terminar, não acredito que tenha amado ninguém. Queria apenas o que não podia ter e, assim que conseguia o que desejava, deixava de o querer. Era a conquista que lhe dava gozo, mas nunca estava satisfeito por muito tempo. Apesar da aparente segurança que quer transmitir, vivendo num clima de aparências, vamos conhecendo os seus receios e até fraquezas. O que o torna num personagem muito completo. Ainda assim, é uma sensação de falsa proximidade com o leitor, porque creio que apesar de entrarmos na sua cabeça em todos os momentos, nunca o ficamos a conhecer na totalidade. 

 

"Naquela singular criatura, quase todos os dias eram de tempestade."

 

 O AUTOR 

Stendhal vai conduzindo o leitor ao longo da obra. Considerada como um romance psicológico, conseguimos saber o que várias personagens estão a pensar, não só o protagonista. Achei interessante a crítica social aqui presente, pois numa sociedade com uma hierarquia fortemente estabelecida, Stendhal situou Julien em várias classes sociais e pôde, assim, alfinetar todas elas, desde os camponeses, ao clero, à nobreza e a monarquia. É um livro que realmente transcende o período em que foi escrito. O próprio Julien tem algumas particularidade de Stendhal como a pouca sorte no amor ou o pouco jeito para andar a cavalo. Dono de pensamentos liberais e admiração por Napoleão, assim como o seu protagonista, Stendhal é um dos pseudónimos utilizados pelo francês Henri-Marie Beyle. Gosto muito do facto de o narrador falar diretamente com o leitor durante toda a obra.

 

"Desde que não se troçasse nem de Deus, nem dos padres, nem do rei, nem das pessoas de posição,

nem dos artistas protegidos pela corte, nem de qualquer instituição; desde que não se dissesse bem dos jornais da oposição, nem de Voltaire, nem de Rousseau, nem de tudo o que permita um pouco de abertura; desde, sobretudo, que nunca se falasse de política, podia-se livremente comentar tudo."

 

O TÍTULO 

"O Vermelho e o Negro" já teve várias interpretações ao longo dos anos. A mais comum é "vermelho" ser referente às fardas militares da época napoleónica e "negro" às batinas próprias do clero, duas áreas em que Julien Sorel se viu dividido, pesando sempre qual seria aquela que lhe daria mais riqueza e prestígio. Mas, por outro lado, (e falámos disto no Clube) penso que podemos olhar para o título como sendo o vermelho do coração em estado puro e vivo, a cor da paixão em comparação com o negro da tristeza, da depressão, do sofrimento sempre muito presente na jornada de Julien. 

 

SRA. DE RÊNAL vs. MATHILDE

Será que as duas amaram Julien? E que foram as duas amadas por ele? Na minha opinião, o único sentimento de amor verdadeiro que vimos nesta obra foi da Sra. de Rênal por Julien. Mathilde é apenas uma miúda rica, mimada, caprichosa que só achou ter algum sentimento quando foi desprezada ou diminuída a nível de importância, como no final. Já Julien não creio que amou verdadeiramente nenhuma das duas. "Usou-as" quando lhe deram jeito, fosse para atingir certos fins de estatuto, por vingança dos homens que o rodeavam, por capricho também ou por uma ilusão nascida do fraco amor-próprio que as atenções delas lhe despertavam. 

 

A GRANDE LIÇÃO 

"É singular, contudo, que só tenha aprendido a arte de gozar a vida depois de lhe avistar o termo tão próximo". Não é preciso dizer mais nada. 

 

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Título: O Vermelho e o Negro

Autor: Stendhal

Edição: EDICLUBE 

Ano de publicação: 1830

 Nº páginas: 406

I'm a reader

Quando confrontada com o facto de não ter televisão em casa, Shailene Woodley (que fez A culpa é das estrelas, Divergente, Big Little Lies) afirma que não tem televisão em casa desde saiu de casa dos pais, aos dezoito anos, e que não percebe como é que os amigos têm tempo para ver televisão... Acaba por justificar, encolhendo os ombros e dizendo "I'm a reader" (Sou uma leitora) com aquele olhar que muitos entendem como snobismo, ao passo que quem também o é, recebe quase como um código secreto, como se fizéssemos parte de uma comunidade, e só quem está lá dentro, sabe o bom que é. 

 

 

Clube dos Clássicos Vivos | Setembro 2017

Ontem aconteceu mais um encontro do Clube dos Clássivos Vivos, o terceiro feito ao vivo e a cores e o segundo onde estive. Para quem não conhece, é um clube de leitura criado pela Cláudia, do blog e canal A Mulher que Ama Livros, no Goodreads. É aberta uma votação entre vários clássicos, o escolhido tem um prazo de dois meses para ser lido e entretanto vai-se discutindo o que se achou do livro. Eu só comecei a participar no Clube este ano e, felizmente, começou a ser presencial. O primeiro encontro aconteceu em Óbidos, em Abril (não consegui ir...snif snif), para falar de Paris é uma Festa do Hemingway; o segundo foi em Junho, na Feira do Livro de Lisboa, sobre Boneca de Luxo do Capote e agora, em Setembro, o terceiro encontro aconteceu ontem, na Fábrica das Palavras, em Vila Franca de Xira, onde falámos de O Vermelho e o Negro, de Stendhal. 

 

Comentámos que este foi um clássico um bocadinho "desprezado" ou deixado a meio pela maioria. Tenho pena, mas compreendo... Eu não votei neste e quando vi que ganhou pensei "que seca...deve ser chato e pesado". Não podia estar mais enganada e ainda bem que foi escolhido e pude conhecer a grande jornada de Julien Sorel, protagonista incrível que Stendhal criou. É daqueles livros que se não fosse pelo Clube, provavelmente não tinha lido já. 

 

A distância física também não é desculpa. Moro em Oeiras e fui até Vila Franca, mudar de ares e conhecer um sítio bonito. Saiam da vossa zona conforto, seja em relação a livros, sítios e pessoas. Bom, demos uma volta pela Biblioteca, que tem o brilhante nome de Fábrica das Palavras, e depois sentámo-nos na esplanada, ao lado do rio, a conversar sobre este clássico, as nossas impressões, o que gostámos muito ou nem tanto, as nossas interpretações sobre o título, os factos da vida do próprio autor e tanto mais. É tão bom poder trocar opiniões com quem lê o mesmo que nós.

 

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Todas sofremos um bocadinho do mesmo: não ter um número grande de amigos à nossa volta que goste muito de ler. Todas nós sentimos falta, em algum momento da nossa vida, de ter com quem falar de livros e partilhar o que lemos e, por isso mesmo, todas nós criámos blogs, canais e entrámos em clubes literários para ocupar esse espaço em branco. Portanto, a ideia principal que sai deste post, e deste encontro no geral, é que OS LIVROS UNEM PESSOAS. Foi esta frase que dissémos a uma senhora que nos abordou a meio do encontro. Estava sentada numa mesa ao nosso lado e decidiu interromper a nossa conversa para dizer o quão emocionada estava por nos ver ali, sentadas e felizes, a discutir uma obra clássica. Apresentou-se, disse que era Professora de Português e que trabalha com o Ministério da Educação num projecto para divulgar a língua portuguesa em vários países. Emocionou-se mesmo, quis saber mais sobre nós e foi com muita sinceridade e sensibilidade que elogiou a nossa iniciativa, o nosso amor aos livros e ainda pediu para nos tirar uma fotografia para partilhar no seu Facebook como um bom exemplo a seguir. 

 

Depois de dissecarmos O Vermelho e o Negro, fomos à procura de um sítio para almoçar e, quando nos sentámos, as horas passaram a voar. A conversa fluiu por muitos assuntos, tendo sempre os livros como protagonistas, mas também muita conversa boa sobre muitos outros temas. Que inspiração é estar com pessoas assim. 

 

O clássico de Setembro e Outubro é Dom Casmurro do Machado de Assis. O encontro será no início de Novembro, num local a ser decidido. E podem também fazer parte do Clube aqui e seguir o blog.

 

Post da Cláudia aqui. Post da Carolina aqui

 

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Próximos lançamentos que podiam vir cá para casa

O Observador fez um apanhado dos próximos lançamentos de várias editoras e ter tudo organizadinho assim num só artigo facilita muito a vida. Desde a Feira do Livro de Lisboa que não compro nada (já vai para três meses) - mostrei as compras aqui e aqui - porque estiquei-me por lá e decidi não comprar mais livros até final do ano. Acho que só compro se encontrar algum livro que queira muito com um preço imperdível. 

 

Bom, o Observador partilhou então quais são os títulos que as editoras vão lançar no mercado nestes próximos meses. Vai sair muuuita coisa boa, minha gente. E há alguns que podiam claramente vir cá para casa. São eles:

 

SETEMBRO

AntígonaSei Porque Canta o Pássaro na Gaiola, Maya Angelou

QuetzalO Caminho Imperfeito, José Luis Peixoto

Companhia das LetrasDois Irmãos, de Miltom Hatoum

Porto EditoraBanda desenhada do diário de Anne Frank, com texto de Ari Folman e ilustrações de David Polonsky

Livros do BrasilCidadela, obra póstuma de Antoine de Saint-Exupéry

ElsinoreAs Últimas Testemunhas, Svetlana Alexievich - sobre a Segunda Guerra!!!

BertrandPortugal visto pela CIA, Luís Naves e Eric Frattini

Oficina do LivroCharlie e a Fábrica de Chocolate, Roald Dahl - um clássico da literatura infantil que tenho em inglês.

 

OUTUBRO

Relógio d’Água

Jack e Alice & Amor e Amizade, Jane Austen

Os Diários, Virginia Woolf

 

NOVEMBRO

QuetzalDetetives SelvagensRoberto Bolaño

Editorial PresençaO Lápis Mágico da Malala, Malala Yousafzai - livro infantil da autora 

 

 

Durante estes meses chegam também as novidades de Ken Follett, Dan Brown, o novo prémio Pulitzer de Colson Whitehead, o quinto volume da saga Millenium, mais Saramago, mais Stephen King, muuuita poesia, entre tantas outras coisas. Para todos os gostos. 

 

TAG | Livros Não Lidos

Há muuuito tempo que não faço uma tag literária por aqui, portanto hoje é o dia. Vi esta no canal da Dora, só tem sete categorias e fala dos livros que tenho na estante mas ainda não li. 

 

1 - Livro não lido mais antigo da estante 

O Mundo de Sofia, Jostein Gaarder 

Tenho-o há muito, muito tempo. Alguém me ofereceu durante a adolescência (tanto que a capa actual já nem é esta), mas nunca o li. Fez muito sucesso, houve uma época em que toda a gente o lia mas, não sei porquê, foi ficando na estante até hoje... Mas como eu gosto de filosofia e acho que vale a pena conhecer pelo impacto que teve, será lido...só não sei quando. 

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2 - Livro que foi comprado por impulso

O Herói Discreto, Mario Vargas Llosa

Comprei-o, há uns anos, na Feira do Livro de Lisboa pura e simplesmente porque estava como Livro do Dia com 50% de desconto. Nunca li nada do Vargas Llosa e na altura pouco sabia sobre ele ou sobre o livro. Foi mesmo uma compra por impulso, parada na estante até hoje... 

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3 - Livro que recebeste e não estava na tua wishlist

Os Filhos do Edén, Ken Follett

Foi-me oferecido num aniversário, depois de ter comentado com uns familiares que tinha lido dois livros do autor (por sinal dois dos mais antigos e dos quais não tinha gostado assim tanto). Lá continua o Follett na estante à espera de uma nova oportunidade...

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4 - Livro que te arrependeste de ter comprado

Alguns da série Guerra dos Tronos, George R. R. Martin

Simplesmente porque comprei logo alguns dos últimos, numa promoção, sem sequer ainda ter lido os primeiros. E depois de ler o primeiro, com a série já mais avançada, nunca mais lhes peguei... 

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5 - Livro muito desejado mas, quando adquiriste, perdeste a vontade

A rapariga que roubava livros, Markus Zusak

Não foi bem perder a vontade porque continuo a querer lê-lo, mas comprei-o há muito tempo com uma vontade enorme de o ler e acabou por ir passando o tempo e nada... Vai ser lido ainda este ano. 

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6 - Livro que tens vergonha de ainda não ter lido

Jane Eyre, Charlote Bronte

Comprei-o há cerca de três anos e tenho a certeza que vou adorar. Houve uma altura que comecei a ler, mas por algum motivo parei logo no início... Porque é que ainda não o li? Não faço ideia... Toda a gente que leu, adorou e é daqueles clássicos imperdíveis.

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7 - Quantidade de livros não lidos na estante

Contando apenas com aqueles que são mesmo meus (excluindo os que "roubei" aos meus pais ou  os que tenho emprestados de amigos) são cerca de 45.  Oh-my-God! #respirafundo