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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

A minha relação com a Feira do Livro e porque é que este ano vai ser diferente

 

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A Feira do Livro de Lisboa é dos meus eventos preferidos do ano (a par com os Santos Populares e o meu aniversário, que calham todos em Junho, vejam a sorte). Gosto da FLL não só para comprar, mas para passear, para estar, para respirar e relaxar. A Feira relaxa-me. Mesmo nos dias das enchentes de pessoas, do calor extremo, do cansaço, dos pés a doer... . Adoro ir andando, devagarinho, ver as bancas com calma, pegar num livro, ler a sinopse, folheá-lo, pousá-lo e pegar no do lado. E assim ir subindo e descendo o Parque Eduardo VII. Com tempo. Não me apressem. 

 

Isto faz com que se tenha que escolher muito bem as pessoas que nos acompanham à Feira. São pessoas que também gostam de ler? Então vão estar no mesmo ritmo que nós. Se forem amigos que levamos só para não irmos sozinhos...esqueçam. Eles vão querer ver tudo a correr, despachar rápido as bancas dos livros para se irem sentar na esplanada a beber uma imperial. Por isso, às vezes mais vale ir sozinho. Vou muitas vezes sozinha. No meu próprio ritmo, sem ninguém a acelerar, a chamar, a tirar-me daquela hipnose boa que a Feira nos dá. 

 

Antes da Feira consulto sempre o site para ver os livros do dia, em cada dia. Faço uma lista dos livros que quero mesmo comprar (ajuda a não cair em tentações impulsivas). E é com essa lista que vou coordenando as minhas idas à Feira. Costumo ir sempre vários dias. No primeiro, vou com amigos, faço um reconhecimento do espaço, vejo onde está cada editora, ponho-me a par das novidades, sinto o ambiente. Depois vou mais um ou dois dias especificos para fazer compras, especialmente na Hora H, que é o que realmente compensa em termos de poupança. Compro sempre os livros que quero na Hora H (das 22h às 23h, durante a semana). O ano passado comprei 5, todos com 50% de desconto. Compensou. E já os li todos (exepto um, vá). Compro apenas livros que quero mesmo ler durante os próximos meses. No ano anterior comprei 12 e, pensando bem, é um exagero. 

 

Desde pequena que me lembro de ir à Feira do Livro com os meus pais. Nos últimos anos tenho ido ainda com mais vontade, mais paixão, mais carinho por aquele espaço. E este ano vai ser diferente. Pela primeira vez vou estar lá a trabalhar, como colaboradora numa das editoras. Tenho bastante flexibilidade a nível de trabalho porque sou freelancer e pensei "porque não?". Não sei se para o ano poderei fazer o mesmo, ou nos anos seguintes. É já este! Eu adoro a Feira e, assim, junta-se o útil ao agradável. Passo vários dias lá a trabalhar como colaboradora no meio dos livros, ao ar livre e ainda ganho uns trocos. Perfeito. E assim será. Vai ser uma experiência incrível, de certeza. 

 

A Feira do Livro começa já na quinta-feira. Vai estar sol. O Parque vai encher-se de pessoas que gostam de ler. Estamos rodeados de pessoas dos livros por todo o lado e isso é tão bom. A procura pelos livros físicos não está a morrer. Está mais viva que nunca. E nós vamos lá beber um bocadinho dessa vida. 

 

Ah! E dia 4 de junho (domingo) há encontro do Clube dos Clássicos Vivos lá. Cereja no topo do bolo. E vocês, vão? Contem-me. Pode ser que nos encontremos por lá. 

 

VIDA | Uma desgraça nunca vem só

Neste caso, desgraças tecnológicas.

Em Janeiro, a minha máquina fotográfica Canon começou a dar problemas. A lente principal deixou de focar, deixou de fazer zoom, deixou de tirar boas fotos. Em Março foi o computador. O ecrã deixou de dar imagem, problemas na placa gráfica e mais uns quantos mais pequenos. Agora, foi o telemóvel. Já andava a ameaçar e foi à vida de vez. Não me posso queixar, toda a gente me dizia que os iphones só duravam três anos, o meu durou quase seis. Tinha planeado comprar um telemóvel novo em Junho, no meu aniversário, aquela altura em que acabamos por receber um dinheirinho extra. Era só ter esperado mais dois meses. Vou ter que adiantar a compra de um novo, num mês em que não me dava jeito financeiramente. 

Por outro lado, estou há dois dias em modo detox de telemóvel e não me tem feito confusão nenhuma. Até me sabe bem não andar com ele atrás, não estar sempre a receber notificações disto e daquilo. Só estou preocupada em conseguir recuperar algumas coisas mais recentes que lá tinha, como fotografias e vídeos. Mas já me disseram que é quase impossível. O que me dá uma neura gigante. 

O que vem a seguir? O carro empanar? A televisão dar o berro? O frigorifico deixar de funcionar? Já espero tudo. Mandem boas energias para esta fase passar!

 

RESUMO | MARÇO 2017

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Mais vale tarde, que nunca, não é verdade? Estamos quase na Páscoa, mas o resumo de Março ainda vai muito a tempo. Não li nem vi tudo o que tinha destinado, mas está tudo bem. Vi filmes óptimos, vi muuuitos episódios de séries e li livros dentro da média que costumo ler.  

 

Li 5 Livros

Não segui exatamente a TBR que tinha para este mês. Não li alguns que estavam na lista, li outros que não estavam. Fui até ao Chile dentro do projeto 12 países, 12 países, 12 livros, li ficção e não ficção, e o meu preferido do mês foi "O Talentoso Mr. Ripley".

 

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O Reino do Dragão de Ouro, Isabel Allende - 3/5

A Gata Branca, Condessa de Aulnoy - 3/5

O Talentoso Mr. Ripley, Patricia Highsmith - 5/5 

Os Pássaros de Seda, Rosa Lobato de Faria, 4/5

Muito mais que 5inco minutos, Kéfera Buchman - 2/5

 

 

Vi 7 Filmes

Ter ficado sem computador a meio do mês dificultou-me a vida. Vejo tudo no computador. Mas, ainda assim, consegui ver vários dos filmes que queria. Realizadoras mulheres, personagens femininas fortes, o meu projecto 12 meses para 2017, a magia da Disney...houve de tudo. Preferido do mês: Mustang

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A Dama de Ferro, Phillyda Lloyd (2011) - 7/10                         

Mustang, Deniz Gamze Erguven (2015) - 9/10                           

As Sufragistas, Sarah Gavron (2015) - 6/10                             

Big, Penny Marshall (1988) - 7/10                                             

Beauty and the Beast, Biil Condon (2017) - 7/10

O talentoso Mr. Ripley, Anthony Minghella (1999) - 8/10

Taken, Pierre Morel (2008) - 6/10

 

Vi 6 Séries (40 episódios)

Como disse, no mês passado, queria começar a ver House do início. E comecei. Uma temporada por mês. Entretanto terminei a terceira temporada de HTGAWM e dei seguimento e outras que ando a ver.

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House - Temporada 1 (1-22) - Maravilhoso. Um dos melhores personagens de sempre. A série é incrível. Nunca a tinha visto toda seguida, ia vendo episódios soltos. Há coisas que fazem mais sentido agora. 

How to get away with murder - Temporada 3 (10-15) - Foi a temporada que menos gostei, mas ainda assim, gostei muito. Numa época em que sinto que vários filmes e séries são previsiveis, esta consegue SEMPRE surpreender-me, mesmo quando acho que sei o que vai acontecer. Adoro. 

Big Little Lies - Temporada 1 (3-6) - A série foi-me conquistando. Quero fazer um post sobre ela. 

Grey's Anatomy - Temporada 13 (15-17) - Continua chatinha, sem graça, longe de me pôr o coração a bater e os olhos a lacrimejar como nos bons velhos tempos. 

The Crown - temporada 1 (4-5) - É uma série muito bem feita. É. Mas há qualquer coisa que me deixa enfadada e ainda não consegui terminá-la. Só vi dois episódios o mês todo. 

Modern Family -Temporada 8 (15-17) - Põe-me sempre bem-disposta. Não há como não amar o Cam e o Phill.

 

 

RESUMO | JANEIRO 2017

RESUMO | FEVEREIRO 2017

 

TOTAL 2017: 11 livros / 26 filmes / 82 episódios (11 séries)

VIDA | Amizade

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As amizades que temos aos trinta, não são as mesmas que temos aos vinte. Nem nós próprios somos o mesmo tipo de amigos que já fomos. Aos vinte temos muitos amigos. Um grupo grande. Da escola, da faculdade, do bairro onde moramos, do trabalho, o que seja. Muitos amigos para ir a festas, a festivais de verão, ao café, ao shopping, à praia. Andamos sempre acompanhados de vários amigos. Os nossos aniversários são quase casamentos. Perdemos horas ao telefone com eles, porque são muitos. Todos sabem da nossa vida. Não temos grandes problemas, mas inventamo-los. Dramatizamos um namoro que termina, uma amiga que não nos respondeu logo à mensagem, mas também relativizamos o mundo. Nada é pesado o suficiente. Levamos a vida leve e os nossos amigos ajudam-nos nisso. Com eles ao lado é muito mais fácil e que sorte serem tantos. Temos amigos em todo o lado. Conhecemos muitas pessoas e divertimo-nos com a maior parte. Depois vêm os primeiros empregos. Os segundos. Os namoros sérios. O sair de casa dos pais e assumir responsabilidades de contas para pagar. Não podemos ir jantar tantas vezes fora. Festivais de verão já não dá. Só temos duas semanas de férias no verão e são para outras paragens. Praia com eles só aos fins de semana e vão poucos, porque os outros já não têm paciência para as filas da ponte. Vários cansaram-se de discotecas. Os telefonemas diminuem. As mensagens são mais espaçadas. Chegámos aos trinta.

 

Aos trinta há menos amigos. Uns ficaram pelo caminho. Foi duro fazer a transição. Olhar para trás e apercebermo-nos disso. Pessoas que achavámos que iam crescer ao nosso lado, ser nossos amigos quando tivessemos setenta. E afastaram-se, ou afastamo-los, a certa altura. É porque não era para ser. Depois há aqueles que a vida filtrou. Que não entravam dentro do verdadeiro significado da palavra amizade. Que estavam lá para marcar aquele período da nossa vida e nada mais. Deram a sua contribuição à nossa existência e foram à sua vida. Foram importantes nessa altura. Não fazem falta hoje. A vida a andou para a frente. Ficam as recordações e os álbuns de fotografias em discos externos com nomes estranhos. Hoje os convívios são outros. Começar a trabalhar, a ter namoros sérios, o peso da rotina e os horários loucos atrapalham. E afastam. As jantaradas em Lisboa mudam para jantarzinhos em casa de alguém. As noitadas até às 7h da manhã transformam-se em beber um copo e às 2h estar a cair para o lado. A conversa de café é mais séria, adulta, ninguém conta o último boato sobre a Ana que se enrolou com o Manel. Fala-se dos chefes autoritários e das folgas rotativas. Fala-se dos projectos a curto prazo, do carro novo que se quer comprar mas ainda não há dinheiro e da renda da casa que é alta como a merda. E se se fala disso, ainda bem. É sinal que ainda cá estão. Sobreviveram à batalha da mudança para a vida adulta. 

 

Porque há amizades que não resistem ao tempo. Uns mudam-se para outra cidade ou, até, para outro país. Há amizades que não resistem à distância. Há amigos que mudam, como nós mudámos. A forma de pensar, de estar, os gostos até. Crescimento é mudança. Amadurecimento. E às vezes amadurecemos trilhando caminhos diferentes. Tornamo-nos pessoas mais calmas ou mais enérgicas, mais caseiras ou mais viajantes, adoptamos uma vida fit ou somos mais sedentários, deixamos de ter vontade de sair à noite ou andamos sempre em festas. E, muitas vezes, as personalidades deixam de combinar. Nem todos vemos o horizonte com as mesmas cores. Nem todos sentimos a brisa no rosto da mesma maneira. Os anos passaram e a vida de cada um moldou-o de formas tão assimétricas que hoje já não encaixam em nós. Já não nos identificamos com o seu estilo de vida ou a maneira de pensar. Não percebemos como conseguiu votar naquele palerma. Não suportamos que só se queixe e nada faça para mudar. Não aguentamos que só olhe para o seu umbigo. E vamo-nos afastando, porque temos outros sítios e outras pessoas com quem preferimos estar. Vamos adiando aquele jantar combinado há muito, ou aquele café ao fim da tarde para pôr a conversa em dia. Nunca mais vai ficar em dia. As mensagens são menos frequentes. Telefonar já nem tem sentido.  Até que um dia nos apercebemo-nos que não estamos com eles há quatro meses. Que estranho. Há seis meses. Ah mas este fim de semana também não me dá jeito. E o tempo passa. 

 

Também há os que ficam. Os que são essenciais ao nosso bem-estar, aqueles que queremos levar para a vida. Aqueles que, mesmo que se tornem pessoas com as quais não nos identificamos a 100%, estamos ali para eles e eles para nós. Mesmo que tenham emigrado ou que já  tenham três filhos e só falem de bebés. Acompanhamos os desgostos e conquistas. Desabafamos. Ouvimos e somos ouvidos. Pessoas que estão lá com um abraço e uma palavra amiga quando estamos mal. Que, mesmo falando só uma vez por semana, sabemos que estão lá. Pessoas com quem continuamos a ter programas e a divertirmo-nos. Pessoas com quem queremos estar porque é bom. 

 

Depois, quem tem muita, muita sorte, tem aquele amigo. Que é como um irmão de outros pais. Que nos compreende e conhece como ninguém. Que sofre connosco as nossas dores e fica radiante com a nossa felicidade. Aquele amigo que nos adivinha os pensamentos e com quem o silêncio é confortável. Com quem as gargalhas chegam às lágrimas. Com quem tens uma linguagem própria. Aquele com quem te apetece estar, mesmo quando não te apetece estar com ninguém. A quem telefonamos só para contar aquela novidade a meio do intervalo da tarde no trabalho. Com quem trocas diariamente mensagens sobre tudo e mais alguma coisa. De quem sabes pormenores do namoro. De quem conheces de cor a decoração da casa. Aquele amigo que sabes que não gosta de tomate na salada, mas que põe canela em tudo. Aquele amigo que é "casa". Aquele amigo que é a outra metade da tua alma. Porque almas gémeas são os amigos. Aos trinta, ter um amigo assim é ouro. E o nosso coração brilha. E agradece.