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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

30
Nov17

Até meio de Dezembro

Quando estiverem a ler isto, provavelmente já estarei a sobrevoar o Atlântico, para aproveitar dez dias de férias no calor! Vou fugir do frio, mas volto para o nosso Natal português à lareira - que não imagino de outra forma. 

 

Tenho tantas opiniões e posts em atraso aqui no blog, que me dá assim uma angustiazinha manhosa. Em Dezembro vou ter que compensar. Novembro foi um mês cheio, muito mais do que o planeado. Muito trabalho, consultas, exames médicos, problemas com o carro, oficinas, problemas com a máquina fotográfica, arranjos, aniversários, duzentas marcações, combinações, obrigações e, para finalizar, apanhei uma mega gripe a quatro dias de viajar. A sacana mandou-me para a cama e deixou pendentes mil coisas que tinha que tratar antes da viagem. Conclusão, a véspera foi um caos. Viajo com o ritmo a mil, mas chegando lá, espero desligar o botão. 

 

Vou para as Caraíbas. Não será a primeira vez. Em 2012 estive uma semana em Punta Cana, na República Dominicana e foi inesquecível. Tanto que vou voltar, mas desta vez para outra ilha. Não digo já qual é, para não agoirar, mas vou tentar pôr algumas fotografias no Instagram, se conseguir. Internet é coisinha quase inexistente por aquelas bandas. E ainda bem. Vou desconectar-me, no sentido mais humano da palavra. Vou conhecer um país novo, daqueles que quero visitar desde que me lembro de ser gente. E isso merece atenção, dedicação e entrega total. Não podia estar mais entusiasmada. A primeira parte da viagem é em modo cidade, a segunda parte é em modo praia. Calor, água quente, mojitos, diversão e descanso - mais para a cabeça do que para o corpo. Levo apenas dois livros Sei que no avião não me consigo concentrar a ler durante grandes períodos de tempo. Já me conheço. E, estando lá, acredito que só vá conseguir ler quando estiver na zona de praia. Por isso levo apenas dois. E um guia do país que planeio reler na viagem de ida. 

 

Não gosto de andar de avião. Já viajei bastante e esta angústia só piora com os anos. É um mal necessário para viajar, bem sei, mas fico nervosa e tensa até chegar ao destino. Desta vez são quase 10h de viagem e programei mil coisas para fazer durante o voo (não, não consigo dormir). Ler, jogar, ver filmes, escrever, fazer os roteiros dos passeios, pôr a conversa em dia, comer doces e, quem sabe, beber um copinho de vinho porque o momento pede. 

 

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18
Nov17

TAG | Clube dos Clássicos Vivos

 A tag foi criada pela Cláudia do blog A Mulher que Ama Livros e pela Carolina do blog Holly Reader. Diz respeito a livros clássicos e ao Clube dos Clássicos Vivos, que encontram no Goodreads e ao qual se podem também juntar. Somos muitos por lá, mas cabe sempre mais um!

 

  1. Há quanto tempo estás no Clube dos Clássicos Vivos?

Creio que entrei no clube no final de 2016, mas só comecei a participar no início de 2017. A primeira leitura do ano não acompanhei, porque já tinha lido o livro escolhido ("O Crime do Padre Amaro"). Foi com "Paris é uma Festa", livro de Março/Abril, que comecei a participar mais activamente. 

 

  1. O que mais gostas no Clube e o que menos gostas?

O que mais gosto é a partilha de opiniões e visões sobre as obras. Cada pessoa tem a sua teoria e cada um repara em pormenores que passam despercebidos aos outros. Toda essa troca é muito enriquecedora. Gosto MUITO dos encontros ao vivo. Não gosto que o tempo passe a correr. Não há nada que goste menos, até agora. Quando houver, certamente comunicarei às responsáveis. ahahahah 

 

 3. Tens alguma sugestão para o clube? Qual? 

Que continue por muito tempo :) Gosto da ideia da Cláudia, sobre o passaporte. Acho que além dos encontros de discussão dos livros, podíamos planear algumas visitas/passeios a locais ligados a autores/livros. 

 

  1. De todos os clássicos lidos no Clube qual foi a leitura mais surpreendente e a aquela que mais te desiludiu?

Falando apenas dos livros que li até agora no Clube, que ainda não foram muitos, posso dizer que a mais surpreendente foi “O Vermelho e o Negro”, de Stendhal. Não estava à espera de gostar tanto. Achava que ia ser uma seca e adorei.

A que mais me desiludiu, mas já tinha lido e já sabia ao que ia, foi "A Boneca de Luxo", de Truman Capote. Acho que falta ali qualquer coisa. 

 

  1. Houve algum clássico que te fez mudar a percepção de clássico? Qual?

Eu nunca tive uma perceção má dos clássicos, sempre gostei. Talvez porque tenha tido contacto desde cedo com livros deste género. Mas se tiver que escolher um dentro dos que li no Clube, será "D. Casmurro" de Machado de Assis. Quebra qualquer preconceito de tão leve, divertido e envolvente que é.

 

  1. Que clássico recomendariam a alguém para começar a ler clássicos?

Capitães da Areia, Jorge Amado (1937) / Orgulho e Preconceito, Jane Austen (1813)

 

 7. Qual foi a personagem mais interessante e a personagem mais irritante que conheceste nas leituras dos clube? 

Nas leituras do Clube foi, sem dúvida, Julien Sorel, protagonista de "O Vermelho e o Negro". Marcou-me muito. Indico-o para os dois lados, porque tanto me irritava como o achava super interessante. 

 

  1. Indica dois Clássicos que gostavas de ver no Clube.

Como referi no último encontro, gostava de ver Ficção Científica, títulos como "20.000 léguas submarinas" ou "A Guerra dos Mundos". Gostava também de ver aqueles clássicos que imaginamos quase "a preto e branco" como "Germinal" de Émile Zola ou  "A Mulher de 30 anos" de Balzac. E até, quem sabe, um Ulisses, de James Joyce. (Foram mais que dois, mas vocês percebem).

 

  1. Indica dois dos teus Clássicos preferidos de sempre.

Desculpem se isto vos vai parecer cliché, mas tenho que responder com a verdade.

Hoje em dia é quase regra ler Jane Austen. No mundo dos blogs e canais literários fala-se nela só para não se ficar de fora (é aquela cultura de serem todos iguais e a ler o mesmo, da qual eu tento fugir), gente que lê só para não dizer que não leu. Mas a minha história com Jane Austen já é antiga. Conheci-a numa altura em que ninguém lia Jane Austen (ninguém da minha idade e dos meus relacionamentos, entenda-se). Li Orgulho e Preconceito quando tinha uns 13 anos e amei. Foi um presente da minha mãe que me aconselhava a ler Jane Austen, precisamente para me fazer conhecer os clássicos ingleses e me abrir horizontes. Orgulho e Preconceito foi o livro da viragem, para mim, foi com ele que comecei a ler livros mais adultos. Por isso tem um cantinho muito especial no meu coração.

Outro que amo de paixão é “Os Maias”, porque foi o livro que me fez perceber que gostava a sério de clássicos, que conseguia lê-los, compreendê-los e divertir-me com eles. Eça de Queirós era um monstro de sete cabeças para a maioria dos miúdos na escola, pela linguagem mais clássica, mas eu adorei. Tenho um carinho imenso por este livro.

 

  1. Onde gostavas que houvesse um encontro?

Em locais ligados a Literatura, sejam cafés, museus, bibliotecas, jardins…qualquer sítio que nos enriqueça a nível cultural e literário. Este país tem tanta coisa boa. Gostava de conhecer mais livrarias bonitas com o Clube. 

 

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P.S. - Entretanto, há alguns livros que já foram lidos anteriormente no Clube e que quero, sem falta, ler em 2018:

Lolita, O Monte dos Vendavais, O retrato de Dorian Gray, Madame Bovary.

 

16
Nov17

Jorge Amado, Saramago, Pilar e vinho tinto. Como foi a apresentação do livro?

Aconteceu ontem, às 18h30, na Fundação José Saramago, em Lisboa, a apresentação do livro "Com o mar por meio - Uma amizade entre cartas", do qual falei aqui. Combinei com algumas meninas dos livros (#vivaoclube) e lá fomos, ansiosas para conhecer esta obra que já tinha sido publicada no Brasil, em Julho. 

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O evento era no quarto andar. Decidimos ir pelas escadas e excusado será dizer que paramos em todos os pisos. Nunca tinha ido à Fundação (shame on me...eu sei) e achei lindo as paredes forradas de edições antigas e recentes dos livros de Saramago, edições de vários países, cadernos pessoais, fotografias, objetos que pertenceram ao escritor e que instigam a imaginação de qualquer fã. ("Era nesta máquina que ele escrevia" ... "Por onde terá este caderno viajado?"). Entre exclamações de admiração, partilha de curiosidades e vistoria pela loja, como já era de esperar, chegámos alguns minutos atrasadas à sala do evento, já sem cadeiras disponíveis para as cinco. E como todos os malandros têm sorte, indicaram-nos um banco mesmo à frente, onde nos sentámos e podemos assistir à apresentação em primeira fila.

 

Um representante da Fundação e uma das responsáveis da Companhia das Letras Portugal abriram as hostilidades. O livro chega a Portugal precisamente na data de aniversário de Saramago, faz hoje (16 Novembro) 95 anos do seu nascimento. Estava presente Pilar del Rio, companheira de tantos anos de Saramago e presidente da Fundação. Confessou que os livros sairam ontem mesmo da gráfica e que, devido a um problema, por pouco não chegavam a tempo do evento. Felizmente chegaram e eu trouxe o meu exemplar para casa. 18€ redondos. Tnha conseguido com desconto se comprasse online, mas a verdade é que comprando ali podia ser assinado por Pilar. Hesitámos em pedir-lhe que assinasse, questionámo-nos se seria de bom tom, mas visto que ela foi parte fundamental no trabalho de recolha e organização do livro, tal como Paloma, filha de Jorge Amado, achámos que não teria mal. Pusemos a vergonha de lado e fomos falar com ela, à espera de um sorriso amarelo e uma simpatia forçada. Mais uma vez, a vida a mostrar-me que as aparências iludem, desta vez para o bem. Pilar foi super simpática, acessível, com bom humor. Assinou os livros, com dedicatória, fazendo referência ao aniversário de Saramago, na página em que é publicada uma fotografia sua com Paloma. Quantos mais livros houvesse, mais assinava. Depois, tirámos fotografias, sempre de sorriso na cara, como podem ver, e ainda fizemos um brinde. A organização ofereceu um copo de vinho tinto a quem estava presente, Pilar distribui os copos por nós, que estávamos ao seu lado no momento, e brindámos juntas. Ao livro, a Saramago e à Amizade. Ela mandou um "Salud" em espanhol e eu agradeci-lhe, em bom português, "Obrigado por ter feito este livro incrível". Ela sorriu, certamente orgulhosa por dar mais este miminho "Saramaguiano" aos fãs e poder dar a conhecer mais de José, o homem, que ficava tantas vezes soterrado debaixo do apelido como escritor.

 

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Da esquerda para a direita: Jéssica (Companhia Literária), Pilar del Rio, Sandra (say hello to my books),

Cristina (Books and Beers), Carolina (Holly Reader) e Sónia (Livraria Imperfeita). 

 

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Foi feita uma leitura de excertos das cartas por Marcello Urgeghe (a ler Saramago) e Mariano Marovatto (a ler Amado), também com interpretação de algumas músicas brasileiras e portuguesas por parte deste último. Foram momentos bonitos, tocantes e que nos fizeram realmente sentir a união destes dois países irmãos. No final, os dois abraçaram-se, como Amado e Saramago certamente teriam feito. Foram, também, abraçados por Pilar e acredito que todas as cerca de cinquenta pessoas que estavam naquela sala se comoveram. Fico feliz por ter estado presente. Este evento sim, acrescentou muito. E, quando terminou, ainda muita conversa saiu dali. Juntem cinco mulheres interessantes, com gosto pela Literatura e tanto mais, e ninguém as cala. (novamente #vivaoclube)

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À noite comecei a ler o livro. Não dava para esperar. Posso, desde já, dizer que me comove muito a admiração que tinham um pelo outro. A preocupação e respeito mútuos. Amado era dez anos mais velho que Saramago e começou a ter alguns problemas de saúde, que acompanhamos e percebemos aí, nas trocas de palavras de apoio, a amizade bonita que partilhavam. Noutras partes, sorrimos com o sentido de humor dos dois em relação a temas como o prémio Nobel ou qualquer acontecimento mais comum do quotidiano. Com o mar pelo meio, esticavam os braços para longos abraços traduzidos em palavras nestas cartas. 

 

Uma curiosidade gira é que tanto um como o outro assinam todas as cartas não só por eles, mas também pelas respectivas mulheres. Os votos, abraços e beijinhos são sempre feitos de casal para casal. Não acham bonito? Num mundo de egocentrismos, viver e socializar a dois é realmente um desafio. 

 

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Vejam também o vídeo da Cristina sobre a apresentação. 

 

08
Nov17

Uma grande novidade chega finalmente a Portugal!

Há uns meses soube da publicação de um livro chamado "Com o Mar por Meio". Para quem ainda não ouviu falar, prepare-se: é, nada mais nada menos, uma obra que reúne a correspondência trocada entre Saramago e Jorge Amado, durante os vários anos, já numa idade avançada, em que se tornaram bons amigos. Conheceram-se em 1990, em Roma, quando foram jurados do prêmio União Latina. Saramago tinha 68 anos e Jorge Amado, 78. Uma amizade tardia, mas com laços fortes, que resultou numa troca de ideias regular entre ambos, de 1992 a 1998, que só imagino ser do melhor que há. Além de cartas, este livro publica também "bilhetes, cartões e faxes, além de fotos do acervo pessoal dos autores". Um rebuçado gigante para quem gosta dos dois. Acho Saramago genial e tenho um carinho gigante por Jorge Amado, que tem um dos capítulos mais bonitos que li até hoje, chamado "As luzes do Carrossel", em "Capitães da Areia".

 

Paloma Jorge Amado, filha do escritor brasileiro, e Pilar del Río, mulher do autor português, são as responsáveis por detrás da iniciativa. A reunião da correspondência foi lançada em Julho, pela Companhia das Letras, no Brasil. O evento decorreu na Casa José Saramago, em Paraty, onde estava a decorrer a FLIP (feira internacional de literatura). 

 

Desde que li sobre isto, fiquei em pulgas e cheia de vontade de meter as mãos neste livro na hora. Mas depois de um tempo percebi que tinha sido editado apenas no Brasil. No sábado passado este assunto foi comentado no Clube dos Clássicos Vivos. Então o livro foi lançado há quatro meses no Brasil e em Portugal, país de Saramago, nada? Nem de propósito, esta semana saiu a notícia do seu lançamento neste cantinho à beira-mar plantado. 

 

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É no próximo dia 15 de Novembro, quarta-feira, às 18h30 na Fundação José Saramago, em Lisboa. Vou tentar ir!

Podem ver o evento no Facebook aqui

Dois artigos sobre o lançamento desta obra que vale a pena ler, em O Benetido e no Diário de Notícias

 

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