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SAY HELLO TO MY BOOKS

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01
Nov16

3 Contos de Terror de Stephen King

Queridas pessoas dos livros,

Bem-vindas a Novembro, mês que vai ser animado por aqui, com posts todos os dias, com muitas opiniões, muitos temas e muitos livros. Para começar, e na ressaca da noite de Halloween, vamos falar de 3 contos de terror escritos por Stephen King, um mestre deste género literário, como muitos afirmam. Os contos são do livro "O Turno da Noite" (Night Shift, no original), uma colectânea de pequenas histórias escritas por King entre 1976 e 1978. 

Confesso que não me assustei verdadeiramente com nenhum deles, adivinhei o final de um, outro conseguiu surpreender-me e um ainda me conseguiu enojar. Não é um género que leia muito, mas faz bem sair da zona de conforto de vez em quando e aproveitei o Halloween nesse sentido. 

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 PRIMAVERA VERMELHA

 

Num campus universitário nos EUA, em 1968, várias raparigas estudantes foram mortas misteriosamente e com contornos de malvadez, durante o mês de Março, quando o clima ainda gelava os ossinhos. Tudo aconteceu na chamada Primavera Vermelha, que dizem existir apenas de dez em dez anos. O assassino nunca foi descoberto, como nos conta o narrador, no presente. É também assim que ficamos a saber que agora, dez anos depois, novas mortes voltam a surgir, com as mesmas características e na mesma época do ano... 

 

King é mestre a descrever cenários. Conseguimos ter uma visão clara dos locais onde os acontecimentos se passam, conseguimos até sentir frio com as suas descrições do clima e do ambiente em que a acção se passa e conseguimos imaginar os personagens com os pormenores que nos conta sobre eles.

 

Como na maioria das histórias de horror, o tempo está frio, gelado, há neve, dias nublados e noites com nevoeiro cerrado, que nos transportam automaticamente para um ambiente misterioso. Confesso que desconfiei do final, e estava efetivamente certa sobre quem era o assassino, mas gostei bastante do conto. Até achei curto demais. 4

 

 "Veio o crepúsculo, e com ele a neblina, subindo pelas avenidas arborizadas devagar, quase pensativamente, borrando um a um os contornos dos prédios. Era uma névoa suave, mas de algum modo implacável e assustadora. Jack Salto-de-Molas era um homem, ninguém parecia duvidar disso, mas a neblina era sua cúmplice e era feminina...ou pelo menos assim me parecia."

 

 

 O HOMEM QUE ADORAVA FLORES 

 

Nova Iorque num final de tarde em 1963. Um homem com ar apaixonado desvia olhares por onde passa. Pára numa florista para comprar um bouquet a alguém especial, onde se perde numa conversa sobre flores e amor com o próprio florista. Tudo isto parece simples até chegarmos à penúltima página do conto. Não estava à espera deste desenvolvimento, apanhou-me de surpresa e gostei disso.

 

Adoro o facto de King ter conseguido passar a mensagem através do tempo e do clima, mais uma vez. Enquanto estamos no final de tarde, em modo lusco-fusco, com aquela luz maravilhosa de final de dia, toda a envolvente da história é romântica, fala-se de amor, de olhares apaixonados, mas quando chegamos à parte do crime a luz bonita dá lugar a uma noite escura e sombria. Gostei bastante deste conto. 4

 

"O ar estava leve e agradável, o céu escurecia aos poucos passando do azul ao suave e adorável violeta do crepúsculo. Há pessoas que amam a cidade e essa era umas das noites que justificava tal amor". 

 

 

O HOMEM DO CORTADOR DE RELVA

 

Harold Parkette, um pai de família dos subúrbios, desleixa o cuidado com a relva do jardim depois de um acidente com o seu cortador de relva ter morto o gato do vizinho. Decide vender a máquina e quando a relva já está completamente fora de controlo, meses depois, aceita finalmente contratar um serviço de jardinagem. Mal sabe ele o que está para vir... O novo contratado possui um método de trabalho pouco convencional que Harold vai descobrir da pior maneira...  

 

Sinto que este conto está dentro de um subgénero de terror nonsense, que ultrapassa um bocadinho os limites do bizarro. Ainda assim vale a pena ler. 3

 

"Harold não disse nada. Uma palavra ecoava sem cessar na sua mente e essa palavra era 'sacrifício'. Viu mentalmente a marmota ser expelida por baixo do velho cortador de relva vermelho. Levantou-se devagar como um velho paralítico. 

- É claro - disse, e só conseguiu acrescentar apenas - Deus abençoe a relva."