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SAY HELLO TO MY BOOKS

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"Where'd You Go, Bernadette?" vai mesmo virar filme

Quando li "Até ao Fim do Mundo" (título em português) há dois ou três anos, já se falava na possibilidade de se tornar filme. E, a verdade, é que a forma original como está escrito (com troca de notas, emails, recados) não nos retira a capacidade de visualizar aquelas cenas como se de um filme se tratasse. A própria autora, Maria Semple, escreve argumentos para séries de televisão, portanto tem todo um know-how em tornar a escrita interessante neste sentido. O livro, lançado em 2012, tem uma das capas mais giras que vivem na minha estante. Passada em Seattle, é uma história divertida, que nos faz passar um bom bocado, apesar de ter achado o final pouco credível.

 

Na altura, já se falava que podia ir para o cinema e cheguei a ler várias notícias sobre as possíveis atrizes que fariam o papel de Bernadette Fox, arquiteta e mãe, meia louca, que tem fobia a pessoas, no geral, e a gente estúpida em particular. Mulheres com personalidade forte e um bocadinho apanhadas da cabeça são as minhas personagens preferidas, sempre. Enfim, nunca mais li notícias sobre o filme e calculei que o assunto tivesse ficado em águas de bacalhau. Mas esta semana, a atriz Troian Bellisario, que sigo no Instagram (a Spencer de Pretty Little Liars), partilhou uma fotografia onde mostra que faz parte do projeto e que está, finalmente, a andar para a frente.

 

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Realizado por Richard Linklater, o filme conta com nomes de peso no elenco. Ao que parece será Cate Blanchett a assumir o papel de Bernardette Fox e, confesso, que gosto muito da escolha. Acho que vai encarnar a personagem na perfeição. Mas só vamos conseguir ver o resultado no ano que vem, já que está previsto estrear só em Maio de 2018

 

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UPDATE | 2017 Reading Challenge

Já passámos a primeira metade do ano e começamos a fazer balanços às leituras ou, pelo menos, a ver como estão os desafios que agarrámos este ano. Este foi o reading challenge anual que defini para mim mesma. Todos os anos faço um. Com 14 categorias, já fiz check em cinco (podiam ser seis, mas não quero repetir livros). Não chega ainda a metade, mas está tudo bem. Já sei exactamente os livros que vou ler para enquadrar nas restantes. 

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Um livro sobre o Holocausto - Se isto é um homem, Primo Levi

Um livro com uma mulher na capa - Trinta e Oito e Meio, Maria Ribeiro 

Um livro escrito por um autor antes dos 30 - leite e mel, Rupi Kaur 

Um livro de uma autora portuguesa - Os pásaros de seda, Rosa Lobato de Faria 

Reler um livro lido há mais de 10 anos - O Diário de Anne Frank, Anne Frank 

 

Trinta e Oito e Meio, Maria Ribeiro

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A Maria é brasileira. É actriz. É apresentadora. E é escritora. A Maria é muito humana. Daquele tipo de pessoas que sabem descrever um sentimento com letra maíuscula, vírgulas e pontos de exclamação. "Maria escreve como quem conversa, e conversa como ninguém", descreve Gregório Duvivier, e ainda acrescenta "Ler a Maria é ganhar uma amiga de infância". Foi isso que senti. Que estava a ler uma amiga. Uma "miúda" como eu e como as minhas amigas, com inseguranças, certezas, angústias e dúvidas. A Maria fala do quotidiano de uma forma despretensiosa e muito natural. Os gostos e as referências, musicais e cinematográficas, vão acrescentando sabor a estas crónicas cheias do que é ser mulher, mãe, filha, amiga e mais um pontinho neste mundo grande. A Maria também não perde uma oportunidade para caricaturar alguns dos seus defeitos e é quase inexistente a vergonha ou pudor que tem a falar de coisas como a primeira vez, o sofrimento com a separação do ex-marido (actor Paulo Betti), de quando discutiu injustamente com uma das melhores amigas (Carolina Dieckman) ou até do partido que toma no estado político do Brasil. Fala muito de música, de cinema, de literatura e ficamos cheios de referências para ir pesquisar. Além de ser mentora de um canal no Youtube onde vários artistas brasileiros fazem sugestões de leitura: Você é o que lê, que sigo e gosto muito. 

 

Identifiquei-me com ela, apesar de não ter filhos, ela tem dois. Acabei de entrar nos 30, ela já passou os 40. Sou portuguesa de gema, ela é brasileirissíma. Tenho uma família unida, os pais dela separaram-se quando era adolescente. Tirando estas pequenas diferenças e o meu amor pelo verão (que ela dispensa) temos muito em comum. Lê-la, em algumas partes, foi como se entrasse na minha própria cabeça e conseguisse pôr em palavras muito do que já vivi e senti. Lê-la foi como fazer várias viagens ao fundo de mim, a memórias longínquas, ao meu passado, aos primeiros amores, às férias de família, a chegada à fase adulta sentindo que não estava preparada para isso, foi reviver desgostos de amor, reforçar o amor pelos amigos, e mais tanta coisa. Como dizem por lá, ela é muito "gostosa" de ler. Acho que se nota pela quantidade de marcações cor-de-rosa que se pode ver na foto. 

 

"É que, assim como qualquer pessoa com um mínimo de angústia, não sou quem gostaria de ser.

Meu «eu ideal» conheceria Machu Picchu e as savanas africanas, teria lido toda a obra do Tolstói

(em vez da colecção do Tintim) e pediria, com água na boca, salada com grelhado em todos os restaurantes". 

 

As suas crónicas são lidas  por milhões de brasileiros, semanalmente. Publicadas no jornal O Globo e na revista TPM, chegam-nos, agora, na forma de livro. Um livro bom de ler, que é um docinho ao final do dia, e que não queremos que chegue ao fim. Já era fã dela, dos valores e ideais que partilha (porque acompanho o seu trabalho) e agora, ainda mais. Só não percebo como é que não gosta do Verão. 

 

Título: Trinta e Oito e meio

Autor: Maria Ribeiro

Edição: Tinta da China (2016)

Ano de publicação: 2015

 Nº páginas: 174

O Talentoso Mr. Ripley, Patricia Highsmith

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Há aqueles livros que sabemos à priori que vamos gostar. Além da capa maravilhosa da Relógio d'Água, o pouco que sabia sobre Tom Ripley interessava-me. Nunca tinha visto sequer o filme. E depois de ver a Tatiana Feltrin falar dele, trouxe-o para casa na FLL de 2016 e li-o em Março deste ano.

 

Publicado em 1955, é um thriller psicológico que nos guia pelos pensamentos mais macabros de Tom Ripley, ambicioso e manipulador. Sonha com dinheiro, sucesso e prestígio e é, por isso, que mal surge uma oportunidade para recomeçar a vida na Europa, não pensa duas vezes. Num bar, em Nova Iorque, é abordado por Herbert Greeleaf, empresário norte-americano, que o contrata - pensando que Tom era grande amigo do seu filho - para ir até Itália convencer Dickie Greeleaf a voltar para os EUA. Na verdade, Tom mal conhecia Dickie, mas aceitou a proposta com os olhos postos no pagamento e na possibilidade de conseguir fugir dos problemas e mudar de vida. Viaja, então, para Mongibello, em Itália, e é a partir daqui que a história se desenrola. Vamos descobrir aos poucos que Ripley, aparentemente tímido e educado, tem afinal um fundo negro e revoltado, insatisfeito com a vida. O seu grande talento é enganar os outros, é especialista em imitar pessoas - no jeito de falar, de vestir, de arrumar o cabelo - e até na falsificação de assinaturas. Acaba por conseguir enganar Dickie, que após estranhar este "amigo" que lhe aparece, passa a recebê-lo de braços abertos, apresentando-o a toda a gente na vila e a deixando-o ficar em sua casa, mesmo contra a vontade da namorada, Marge. Mas Tom, num misto de fascínio e inveja por Dickie, quer tomar o seu lugar, incorporando os seus tiques, roupas e modo de viver. Não vou contar mais para não entrar em spoilers mas posso dizer que Tom Ripley vai dar muitas voltas neste enredo, enrolando-se nas próprias mentiras e tentando safar-se de situações complicadas em que se mete. 

 

O mais engraçado é que, mesmo quando o círculo parece fechar-se, começamos a temer e a torcer por ele. Na verdade, queremos vê-lo dar a volta aos problemas, apesar de todos os crimes. E isto só é possível porque a autora nos faz entrar dentro da cabeça dele. O narrador segue o protagonista o tempo todo, sabemos sempre o que ele está a pensar, a planear e até os seus receios mais profundos. E isso é muito interessante. Acabamos a torcer por ele sabendo que é um criminoso e mau carácter. Estamos sempre à espera que seja apanhado, ao mesmo tempo que torcemos, em segredo, para que se safe. Achei a história muito bem montada. Dava por mim não só a pensar como Ripley ia sair daquelas embrulhadas, mas como é que a própria autora tinha envolvido tantos locais, pormenores e acontecimentos tão bem, que à medida que vamos avançando tudo se vai resolvendo e encaixando. Nem eu mesma imaginaria um caminho tão bom para o personagem. Patricia Highsmith soube encaminhar Tom Ripley numa história verosímel, interessante, de virar páginas atrás de páginas. Não caiu na tentação do facilitismo para explicar as coisas.  

 

Por fim, tenho que dizer que este livro foi como voltar a Itália. Ripley viaja por várias cidades italianas, algumas onde já estive, como Roma e Veneza, e bateu assim uma saudadezinha. 

 

Título: O talentoso Mr. Ripley

Autor: Patricia Highsmith

Edição: Relógio D´Água (2013)

Ano de publicação: 1955

 Nº páginas: 253

 

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Depois, vi finalmente o filme, de 1999. É bom, mas tem muitaaa coisa diferente do livro e não num sentido que me tenha agradado. Percebo que as adaptações são isso mesmo, adaptações. Mas acrescentarem personagens com muito peso na história que o livro não tem, mudarem radicalmente as atitudes e reacções de alguns personagens sobre certos acontecimentos ou, pior, alterarem completamente o final, não me deixa muito feliz. A personagem de Cate Blanchett não existe no livro e é a única mudança que não me faz tanta confusão. Percebo porque é que a introduziram no filme. Mas, por exemplo, no livro lemos como Tom se transforma para ficar parecido com Dickie. No filme não vemos isso, fica dificil acreditar que Tom (Matt Damon) se está a fazer passar por Dickie (Jude Law) e acabam por mudar radicalmente algumas cenas importantes da história por causa disso. E muito mais pormenores que se já leram e viram o filme vão perceber - não conto mais para não "spoilar". 

Portanto, mesmo que tenham visto o filme, não deixem de ler o livro, porque é bastante diferente. No livro entramos dentro da cabeça de Tom Ripley duma forma que o filme não consegue e, para mim, a história é muito mais vibrante quando lida.