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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

Abandonar livros ou não...eis a questão!

Esta é daquelas "manias" que cada um tem a sua. Muita gente tem facilidade em abandonar um livro quando não está a gostar, outros lêem até ao fim mesmo que seja a empurrar com a barriga. É daqueles temas em que cada um sabe de si e, por isso, vou apenas dar a minha opinião e contar as minhas experiências. 

 

Não sou pessoa de abandonar livros. Não gosto de sensação de deixar um livro a meio ainda que não esteja a gostar muito da leitura. Mas confesso que é raro não gostar de uma leitura. Porquê? Porque tenho cuidado nas minhas escolhas e tento pegar em livros que sei, à partida, que vou gostar minimamente. Informo-me sobre a obra, leio opiniões, vejo a classificação no Goodreads e tento escolher livros dentro dos géneros literários que mais gosto. Se já tive desilusões ainda que tente escolher bem as leituras? Claro que sim. Há livros que têm uma sinopse brutal, escritos por autores de que a maioria gosta, que estão dentro dos géneros que mais prazer me dão ler, mas depois a história não prende, os personagens não cativam, está mal escrito e não me agarra à história. Ainda assim, tento terminar a leitura. 

 

Secalhar isto é mais fácil com exemplos. Ora vejamos o caso de O Diário da Nossa Paixão. Adoro o filme (é um dos meus preferidos) gosto muito da história, dos personagens e do romance bonito do Noah e da Allie. Estava convencidíssima que ia adorar o livro, até porque Nicholas Sparks é um caso sério de sucesso com vários best-sellers no currículo. Nunca tinha lido nada dele, porque sempre tive ideia que era um bocadinho piroso, virado para clichés baratos, longe de ser a minha praia. Mas decidi dar uma oportunidade. E foi uma desilusão. Confirmei os clichés, os personagens eram menos profundos que no filme, cheguei mesmo a não simpatizar com eles no livro. Ainda assim, li-o até ao fim.

 

Proquê ler até ao fim? Primeiro, porque há livros em que a segunda parte é muito mais dinâmica que a primeira, é onde a acção se começa realmente a desenrolar e é aí que nos chega a ansiedade para saber onde e como irá terminar aquela história. Depois, porque gosto de pontos finais. Tenho um sério problema com reticências, com deixar tudo em aberto... No caso de "O Diário da Nossa Paixão" já sabia como terminava a história - ainda que algumas adaptações cinematográficas modifiquem os finais - mas na maior parte dos livros não faço ideia dos caminhos que o autor quer dar aos personagens e só o vou saber, lendo. Gosto de sentir que aquele livro é um capítulo fechado na minha história de leituras.

 

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Para terem uma noção, entre 2015 e 2016 só houve dois livros de que não gostei nada. Um já sabem qual é, o outro foi "O Mensageiro", de Andy Andrews. Tinha o livro parado na estante há algum tempo, oferecido por alguém que já nem me lembro quem foi. Nunca tinha ouvido falar muito sobre ele, mas a capa e o título deixaram-me curiosa. Imaginei como seria o enredo mas, em vez de uma história empolgante e bem escrita, sai-me uma espécie de auto-ajuda disfarçada de ficção, carregadinha dos maiores clichés que possam imaginar, com diálogos fraquíssimos, personagens criadas de forma amadora e uma escrita que quase parecia uma redação de um miúdo do secundário. Quanto mais lia, mais chocada ficava por perceber que é um autor conceituadíssimo nos EUA, com milhentas cópias vendidas e dezenas de livros publicados. Bem sei que os americanos não são exemplo para ninguém em termos intelectuais - falando no geral - mas, mais uma vez, li até ao fim.  

 

Esta mania de ler até ao fim serve para todas a obras? Estas duas de que falei têm em comum não passar das 200 páginas. Isso ajudou, claro. Confesso que no dia em que me meter num calhamaço de 700 páginas e se, chegando às primeiras duzentas, continuar intragável...talvez pense duas vezes se vale a pena estar a sofrer por mais 500 dolorosas páginas. Quando isso acontecer irei ponderar bem o caso. 

 

Agora vou contar-vos o único livro que "abandonei" sem abandonar na realidade. Trata-se de "Cem anos de solidão". O que aconteceu? Comecei a lê-lo há alguns anos, numas férias de verão, mas percebi que aquela não era a idade e muito menos a época do ano certa para lê-lo. Não tinha maturidade suficiente para entender tudo o que Gabriel García Marquez queria passar e muito menos capacidade de concentração para não me perder no meio das gerações da família Buendía, entre bolinhas de Berlim e putos a gritar na areia. Preferi parar, guardá-lo e pegar-lhe quando sentisse que era o momento certo. Hoje tenho a certeza que foi a melhor opção. 

 

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E vocês, costumam abandonar livros? Com facilidade ou com dor no coração? Têm um número de páginas até onde esperam que o livro fique bom? Contem-me as vossas experiências! 

 

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