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SAY HELLO TO MY BOOKS

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22
Dez15

Boneca de Luxo, Truman Capote

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Não há quem não conheça o filme "Breakfast at Tiffany's". É um dos clássicos de Hollywood e lançou a diva das Divas para o estrelato eterno: Audrey Hepburn. Queria ver o filme (vergonha da vida, nunca tinha visto), então decidi ler primeiro o livro. Foi uma das primeiras leituras deste ano. "Boneca de Luxo" foi a primeira obra que li de Truman Capote. É um livro pequeno, não chega a cem páginas. O melhor exemplo de que nem sempre é preciso escrever um calhamaço para contar uma boa estória. 

 

"A nossa casa é onde nos sentimos em casa. E eu ainda estou à procura". 

 

Gostei da Holly Golightly, a personagem principal, que muitos dizem ser uma versão feminina do próprio Capote, uma personagem quase autobiográfica. Capote gostava de festas, de boa vida, de luxo e conhecia muita gente famosa, atores de Hollywood, etc. Holly é assim. Gosta de estar em ambientes bonitos, com classe, como a joalharia mais famosa de Nova Iorque, Tiffany's. Gosto de personagens femininas fora do comum, diferentes, neuróticas, pouco convencionais. Mas ainda que tendo gostado, não me consegui identificar-me ou ganhar afinidade com ela. Li a história, gostei de a ler e foi só isso. Não era bem o que estava à espera. Nem sei bem o que esperava. Acontece, quando ouvimos falar muito de alguma coisa. Achei que as relações humanas não tinha grande profundidade. Não me consegui envolver com os personagens. E por isso que dei três estrelas. 

 

Achei curioso o facto de não ficarmos a saber muitos pormenores sobre quem nos conta a história. Um homem, escritor e jornalista (tal como Capote) que se torna vizinho e amigo de Holly e que a tenta ajudar em diversas ocasiões. Apenas isso. Não sabemos nome, idade ou profissão. E ao contrário do filme, o livro mostra-nos uma história sobre a amizade, ou o fascínio que se cria por alguém que mal se conhece. Mas o livro deixou-me triste. Melancólica, talvez. O desapego dela é evidente. Vive numa casa vazia, com tudo o que possui na vida fechado em caixotes. Todo o livro passa uma ideia de abandono e solidão, como consequência de uma vida em busca de luxo e dinheiro. 

 

Infelizmente achei que a tradução desta edição do Público deixa um bocadinho a desejar. Traduções literais que, por vezes, dão um toque pouco real às expressões utilizadas. Diálogos que soam a falso, porque ninguém na vida real fala assim. Quero ler o original, em inglês. 

 

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Depois vi o filme. E surpreendi-me. Gostei muito mais do filme que do livro, até porque há diferenças de peso. Se no livro, o casal Holly/narrador cria apenas uma amizade, no filme há todo um romance envolvido. E obviamente que o final é completamente diferente. 

 

Uma curiosidade engraçada é que, no livro, Holly tem o cabelo loiro, quase platinado, "cor de baunilha" como o narrador afirma a dada altura e olhos "claros como água da chuva". Como sabemos, Audrey Hepburn é o oposto. Hoje não imaginamos o filme com outra Holly que não ela, mas a verdade é que primeira opção para o papel foi Marylin Monroe, que recusou depois de ter sido aconselhada pelo manager de que interpretar uma prostituta seria mau para a sua carreira. Engraçado que, ao ler o livro sem nunca ter visto o filme, foi exatamente uma Marilyn que imaginei como Holly. A ideia que tenho da Sra. Monroe na vida real, é tal e qual a Holly do livro (tirando a parte da prostituição). Mas depois de ver o filme, tenho a certeza que ninguém faria tão bem o papel como Audrey Hepburn. Aliás, ela É o filme. 

 

Sinopse: 

Holly Golighly é mais do que uma boneca de luxo. Deslumbrante, espirituosa e ternamente vulnerável, inquietando as vidas dos que com ela se cruzam, é retratada por Truman Capote em Breakfast at Tiffany’s (Boneca de Luxo), um romance tocante e singelo sobre a amizade, que constitui uma autêntica história de sedução. Verdadeiro clássico da literatura americana contemporânea, nele se inspirou Blake Edwards para o filme homónimo protagonizado por Audrey Hepburn.

 

 

Título: Boneca de Luxo

Autor: Truman Capote

Edição: Público - Colecção Mil Folhas, 2002

Ano publicação: 1958

 Nº páginas: 96

 

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