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SAY HELLO TO MY BOOKS

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Comer, Orar, Amar - Elizabeth Gilbert

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É curioso como realmente há livros que nos chegam no momento certo, na altura ideal para os compreendermos, para nos identificarmos e até para nos ajudarem a olhar para a vida de outra forma. Li o "Comer Orar Amar" em Abril deste ano. Já sabia do que se tratava, queria um livro leve e que me acrescentasse algo e foi assim que entrei na aventura de Elizabeth Gilbert, que durante um ano viajou sozinha para três destinos à procura de experiências diferentes em cada um.

 

Acredito que muitos de vocês já conhecem a história. Elizabeth tinha tudo o que uma mulher americana nos seus 30 podia querer, um bom emprego, uma boa casa, um casamento aparentemente feliz. Mas não se sentia realizada e depois de um processo complicado de divórcio, decidiu viajar durante um ano, dividindo o tempo entre Itália, Índia e Indonésia. E este livro é isso. A história verídica e uma quase autobiografia dessa sua jornada à procura de paz, equilíbrio, devoção, prazer e amor. Mas Elizabeth Gilbert conseguiu contar o que passou sem ser apenas um relato das experiências vividas em cada cultura, sem ser um diário de viagem puro e duro... Conseguiu romantizar a sua própria história, sair de si mesma e contá-la como qualquer outro romance. E é isso que torna o livro envolvente. Gostei muito do facto de abrir completamente o coração e a mente, sem pudores, para nos dar a conhecer os seus pensamentos mais profundos.

 

"A depressão e a solidão perseguem-me há cerca de dez dias em Itália. (...) Há anos que brincamos

ao jogo do gato e do rato. Embora confesse que fiquei surpreendida por encontrá-las naquele

elegante jardim italiano ao crepúsculo. Elas não pertencem ali."

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Elizabeth Gilbert 

 

"Wayan foi enumerando os seis elementos do seu tratamento para a cura do coração despedaçado:

Vitamina E, dormir muito, beber muita água, viajar para um lugar distante da pessoa que amávamos,

meditar e ensinar o coração que isso é o destino". 

 

O livro divide-se em três partes, os três "i's" de Itália, índia e Indonésia. 

COMER: Não se consegue ler a parte de Itália sem babar para cima das páginas, sem sairmos a correr para ir à pizzaria mais próxima. E é engraçado ver que ela, como americana, se surpreende com coisas em Itália que para nós, europeus, são normais como a pronúncia de certas palavras, a arquitectura, a forma de estar das pessoas. Além de que já estive em Roma e "voltei" completamente para lá enquanto lia o livro.  

ORAR: A parte da Índia foi, para mim, a menos interessante das três, ainda que muito válida para todo o percurso e crescimento dela enquanto pessoa, na procura do equilíbrio e na aprendizagem das melhores técnicas de meditação para se encontrar a si mesma. Tem algumas reflexões interessantes que me deixaram céptica e curiosa ao mesmo tempo.

AMAR: O final da jornada passa pela Indonésia onde acaba por encontrar, inesperadamente, um amor que lhe deu a paz que tanto procurava. Esta parte do livro fez-me ter vontade de ir a correr para uma agência de viagens marcar o próximo voo para lá e não voltar tão cedo. 

 

"Estou a aprender cerca de vinte palavras italianas por dia. (...) Onde é que vou arranjar espaço

no meu cérebro para armazenar essas palavras? Espero que a minha cabeça tenha decidido

eliminar alguns antigos pensamentos negativos e memórias tristes e os tenha substituído

por estas palavras novinhas em folha".

 

A verdade é que é impossível ler este livro sem ficar com uma vontade incontrolável de comer coisas boas, de conhecer pessoas novas, de acreditar em algo superior que nos dê tranquilidade de espírito e, sobretudo, de viajar para locais paradisíacos onde nos podemos perder em nós próprios. 

 

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Elizabeth Gilbert na Índia

 

"Na tua próxima vida podes muito bem voltar como uma dessas pobres mulheres indianas

que partem pedra à beira da estrada e achares que a vida não é muito divertida.

Portanto, trata de apreciar o que tens agora, está bem?".

 

Identifiquei-me muito com ela, ainda que ela tenha 34 anos e eu 28, ainda que ela tenha passado por um divórcio complicado enquanto eu nunca me casei, ainda que ela seja religiosa e eu não. Somos jornalistas, somos do signo caranguejo, temos tendência para a melancolia, fazemos amigos com facilidade noutros países, viajamos para aprender novas línguas, somos sensíveis e muito ligadas à família. Identifico-me com pensamentos dela, com reflexões sobre o mundo e a vida. Muitas das palavras dela me fizeram sentido e guardo este livro com um grande carinho. 

 

É um livro simples, com uma mensagem importante. A intenção de Gilbert era despertar nas pessoas a vontade de mudar o que não está bem. Acaba por ser uma leitura fluída e com muito significado. E, mesmo dez anos depois de ser lançado, continua a ser uma história actual e muito válida. Além de que nos dá uma experiência de leitura diferente, porque o que importa não é o final, não temos aquela ansiedade de chegar ao fim para saber o que vai acontecer, porque o interessante é seguir calmamente a aventura de Elizabeth e tirar o melhor de cada cultura por onde ela passou.

 

Este livro fez o maior sucesso nos EUA quando foi lançado, em 2006, e ainda mais quando a Oprah o indicou para o seu clube de leitura, com milhões de seguidores em todo o mundo.

 

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Vi o filme depois e digo-vos que nem a Julia Roberts nem o Javier Bardem lhe safam a pouca qualidade, até porque não concordo na escolha dos actores. Deviam ter escolhido uma actrz menos conhecida, porque ninguém se consegue separar da imagem da Julia Roberts como a conhecemos de outras comédias românticas e o Bardem é espanhol...porque raio o escolheram para fazer de brasileiro? Zero credibilidade. 

 

No filme, a história é contada a correr e confesso que se não tivesse lido primeiro o livro, havia partes do filme que nem percebia. Não faz juz, nem de perto nem de longe, à profundidade do livro. Está uma história básica. Se só viram o filme, não sabem o que estão a perder. 

 

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"As pessoas pensam que uma alma gémea é o par perfeito e é isso que toda a gente quer.

Mas uma verdadeira alma gémea é um espelho, uma pessoa que te mostra tudo aquilo que te retém,

a pessoa que faz com que te centres em ti mesma para que possas mudar a tua vida.

Uma verdadeira alma gémea é provavelmente a pessoa mais importante que alguma vez conhecerás,

porque deita abaixo as tuas defesas e desperta a tua consciência.

Mas viver com uma alma gémea para sempre? Não. É demasiado doloroso.

As almas gémeas entram na nossa vida para nos revelarem uma outra camada de nós mesmos

e depois vão-se embora. E graças a Deus que assim é".

 

Título: Comer, Orar, Amar

Autor: Elizabeth Gilbert

Edição: Bertrand Editora, 2009

Ano de publicação: 2006

 Nº páginas: 373

 

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