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SAY HELLO TO MY BOOKS

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FILMES | Hacksaw Ridge

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Confesso que torço sempre um bocado o nariz a filmes de guerra. Sinto que vai sair dali mais do mesmo. Parvoíce minha porque vou perdendo ou adiando boas histórias. Hacksaw Ridge foi uma boa surpresa. Gostei muito mais do que estava à espera. Era daqueles filmes que se não tivesse nomeado para os Óscares provavelmente não via, para já. Até deixei cair ali uma lagriminha no momento em que o homem desce da ribanceira, completamente cansado com a admiração de todos. Momento bonito. 

 

Baseado numa história verídica, Desmond Doss, o herói do filme, foi o um soldado americano que, durante a 2ª Guerra Mundial, lutou na frente de batalha sem nunca pegar numa arma. Declarou-se objector de consciência, isto é, alguém que segue princípios religiosos, morais ou éticos e se recusa a fazer algo que vá contra esse princípios. Ser contra o uso de armas acaba por ser praticamente incompatível com o serviço militar. Por isso mesmo, durante os treinos, Desmond negou pegar sequer numa arma e foi gozado, maltratado e julgado por causa disso. Conseguiu aguentar todas as provações e garantir o seu lugar na guerra como médico. E foi assim que, contra os japoneses, na batalha de Hacksaw Ridge, se tornou num verdadeiro heroi. Enquanto os colegas combiatiam os inimigos, Desmond tentava salvar os que ficavam feridos, acreditando que os podia salvar quando já ninguém dava nada por eles. Conseguiu evacuar dezenas de soldados feridos, que ficaram caídos em território inimigo e que morreriam sem a ajuda dele, arriscando a própria vida. 

 

O filme é bastante gráfico. Sugiro que não estejam a comerquando chegar à parte da batalha. Mas teve alguns planos que achei incríveis, por exemplo, quando Desmond enterra um dos colegas para o salvar dos olhares dos japoneses a passar por ali, deixando-lhe apenas um olho de fora...que cena maravilhosa!

 

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Gostei da história, gostei da forma como foi contada. Mas não gostei de alguns pontos especifícos. Sei que o verdadeiro Desmond Doss era religioso. Aparecem imagens do próprio, no final do filme, contando como naquele momento de aperto pediu a Deus "só mais um, só mais um", até conseguir ajudar um total de 75 homens. Sei que Mel Gibson, realizador do filme, é também bastante religioso. Mas achei que todas as referências à Bíblia e as tiradas religiosas eram demais. Então aquela cena final quando ele desce na maca e a câmara muda a mostrar um plano quase como se ele estivesse a ir para o céu... Por favor! Achei mega piroso. Também acho que a relação de Desmond com o pai podia ter sido mais explorada. E achei que podia ter havido mais cenas com o irmão, ao início, antes de partirem para a Guerra. 

 

Andrew Garfield, nomeado para Melhor Actor, está bem no papel. Mas com uma boa direcção de actores, é difícil não se estar bem num papel destes. O papel em si já tem muita força. É só isso que me faz ter outro preferido para o Óscar. Mel Gibson está nomeado para Melhor Realizador, também não acho que ganhe. Ainda assim é capaz de ser o único filme de guerra que poderei um dia querer rever. E isso diz muito. Dou-lhe 8/10.

 

Outros nomeados para Melhor Filme:

Manchester by the Sea

Hidden Figures

Fences

Moonlight

Hell or High Water

 

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