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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

Livros da minha Juventude

Tenho vindo a mostar, ao longo deste mês, livros que fizeram parte da minha formação e crescimento enquanto leitora. Primeiro, falei dos livros da minha infância e depois dos livros da minha adolescência, ali até aos 14 anos. Hoje quero falar-vos de livros que fizeram parte da minha juventude, entre os 15 e os 20. São livros que, de formas diferentes, me mostraram uma literatura mais "adulta", me fizeram refletir sobre diversos temas e me levaram para outras épocas e realidades que me formaram enquanto leitora e pessoa. 

 

 

 

Orgulho e Preconceito, Jane Austen (1813)

 Li-o quando tinha 15 anos, nesta edição de clássicos da Europa-América, que vem com a capa da série da BBC que vi na época e que é MA-RA-VI-LHO-SA (mil vezes melhor que os filmes). O livro foi-me oferecido pela minha mãe, que achava que eu não podia ficar sem conhecer Jane Austen e este clássico intemporal. Agradeço-lhe por isso até hoje, por me incentivar sempre a crescer e a ser melhor, inclusive nas leituras que faço. Comecei a lê-lo a medo, nunca tinha lido grandes clássicos. Mas as dúvidas quanto à linguagem, ao vocabulário, à força da própria história em si, dissiparam-se nos primeiros capítulos. Fiquei agarrada à história de Elizabeth Bennet e da sua família desde logo, fiquei a torcer para que o Mr. Darcy se chegasse à frente, para que se entendessem, para que corresse tudo bem. Não é um amor fácil, não é um amor instântaneo que tanto se lê por aí, é uma história de valor e de conquista. E mais não preciso dizer porque certamente a maior parte de vocês já o leu. Eu tive a sorte de o ler há quase quinze anos e de ter crescido com esta história a acompanhar-me e com o Mr. Darcy como expoente máximo de crush literário. 

 

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O Diário de Anne Frank, Anne Frank (1947)

 Li-o na mesma altura que o anterior, também oferta da minha mãe que me queria abrir os olhos para o mundo. O Diário de Anne Frank dispensa apresentações. Acho que não há ninguém no mundo que nunca tenha ouvido falar do livro, da Anne ou do que lhe aconteceu. Lê-lo, na altura, foi um murro no estômago. Ela era só uma adolescente como eu, com sonhos, ideias, sedenta de poder ver e conhecer o mundo, de ter amigos, passear, apaixonar-se. Morreu com 15 anos num campo de concentração. Morreu com a idade com que eu li o livro. Mexeu muito comigo na altura. Sei que foi a partir daí que o tema do Holocausto começou a interessar-me, comecei a ler mais sobre o assunto, a procurar informações, fotografias e, mais tarde, a ver documentários e filmes que abordassem o assunto. É, ainda hoje, um dos temas que mais me atrai e que mais mexe comigo. 

 

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Os Maias, Eça de Queiroz (1888)

 Tive que ler Os Maias para a disciplina de Português no 12º ano. Era uma das obras que podia sair no Exame Nacional, em 2005. E eu, que até gostava de alguns dos livros obrigatórios que tínhamos que ler na escola, estava com medo deste pequeno calhamaço. Era uma responsabilidade ler Eça de Queiroz. O que eu não sabia era que se ia tornar num dos meus livros preferidos da vida. O que ninguém me tinha dito é que Eça escreve como ninguém, com humor, ironia e sarcasmo sobre tudo o que o rodeia e que nós, mesmo vivendo mais de um século depois dele, conseguimos rir e identificar particularidades da vida social comuns ainda hoje. O Carlos da Maia, a Maria Eduarda, o João da Ega, e outros personagens, acompanharam essa altura da minha vida quase como meus amigos. Acabei por lê-lo com um prazer imenso, quando muitos dos meus colegas só liam os resumos para poderem passar no Exame. Que livro brutal! 

 

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O Crime do Padre Amaro, Eça de Queiroz (1875)

 Um ano depois de ter lido Os Maias, queria ler mais de Eça de Queiroz. Felizmente em minha casa havia a coleção completa das obras queirosianas. Peguei n' O Crime do Padre Amaro com as expectativas altas. Seria díficil igualar o sentimento que Os Maias despertou em mim. Mas, para minha surpresa, conseguiu chegar muito perto. Outra história incrível e brilhantemente escrita e contada. E, por se tratar de uma obra polémica, que causou protestos da Igreja Católica, mais piada achei. 

 

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O Código DaVinci, Dan Brown (2003)

 Este livro está um bocadinho deslocado nesta lista, porque não tem nada a ver com os anteriores, sem ser ter sido lido naquele período da minha vida. Não se tornou num dos meus preferidos, nem é um grande clássico da literatura mundial. Mas é um livro que põe em causa muita coisa e que, por isso mesmo, me fez refletir muito na altura em que o li. Despertou-me para temas que não ocupavam muito espaço no meu dia-a-dia (aos 16 anos os nossos interesses são outros). O suspense e mistério que abrangem toda a história deixou-me muito curiosa e marcou a minha vida de leitora na época, porque queria falar do livro com toda a gente, queria que o lessem para poder debater os factos com as pessoas que me rodeavam. E acho de valor quando um livro provoca uma reação assim. 

 

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Sei lá (1999) / Português Suave (2008), Margarida Rebelo Pinto 

 Sim, Margarida Rebelo Pinto está nesta lista, porque fez parte da minha juventude como leitora e não posso, nem quero, ignorar isso. Hoje em dia, não me identifico com a escrita dela, apesar de não ter legitimidade para falar das obras mais recentes, porque não as li. Então vamos voltar um bocadinho atrás para o Sei Lá. Li-o nesta edição antiga, talvez a primeira, e voltei a lê-lo uns anos mais tarde para ver se a minha opinião mudava. Claro que uma miúda de 16 anos e uma jovem mulher de vinte e poucos têm opiniões diferentes e, efectivamente, a minha opinião mudou. Hoje em dia acho-o um bocadinho superficial, com um enredo previsível ainda que com umas reviravoltas engraçadas. Quando o li pela primeira vez, lembro-me de gostar muito. Um romance em que quatro amigas na casa dos 20, vivem e falam dos problemas, amores e desamores, trabalho, sucessos e fracassos. Isto na cabeça de uma miuda de 16 é giro porque imaginamos se o nosso futuro será igual. 

Uns anos depois li Português Suave. Uma escrita e uma história mais maduras em que temos três narradores. Três mulheres, três gerações da mesma família. Lembro-me que o li em poucos dias, em viagens de comboio para a faculdade, e que gostei bastante. É um livro light mas foi o primeiro livro que li em que tínhamos mais que um narrador e, consequentemente, mais que um ponto de vista. Como leitora, foi importante. 

 

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