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SAY HELLO TO MY BOOKS

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O primeiro livro que me fez chorar e porquê

Pela boca morre o peixe e ainda há pouco tempo disse em conversas com algumas meninas dos livros que nunca tinha chorado com nenhum. Sou uma chorona em filmes, séries e documentários, mas estranhamente com livros nunca tinha chorado. Já me tinha emocionado, ficado com um apertozinho no coração, mas sair realmente uma lagriminha salgada do olho...nunca. E aconteceu com um livro do qual não estava nada à espera que isso acontecesse: "Apenas Miúdos", de Patti Smith. Não é um dramalhão, um romance sofrido, é apenas uma espécie de autobiografia sobre os primeiros anos passados em Nova Iorque no final dos 60's e 70's, sobre as dificuldades que enfrentou, o amor crescente pela arte, pela poesia e pela música, sobre as pessoas que conheceu, os lugares que a marcaram e, sobretudo, sobre a sua relação com Robert Mapplethorpe. Um amor bonito que começou com uma relação amorosa e passou para uma amizade, com um companheirismo, uma entreajuda e um respeito únicos e muito bonitos. 

 

Foi precisamente a Amizade deles que me emocionou. (Escrevo com "A" grande porque quando é genuína, forte e eterna, a Amizade deve mesmo escrever-se assim.) Há temas e histórias que tocam cada pessoa de forma diferente. Patti e Robert, foram crescendo a nível de personalidade, gostos e modo de viver diferentes, mas sempre ao lado um do outro, a apoiar, a ajudar, a aconselhar e a proteger. Tão bonito. Durante mais de 300 páginas acompanhamos tudo o que passaram juntos e começamos a olhar para eles até como nossos amigos, distantes. Ele morreu em 1989, com SIDA. Ela já estava casada, com filhos, a viver noutro estado dos EUA. E, ainda assim, o sentimento entre eles continou sempre igual. As páginas finais do livro emocionaram-me imenso. Ela a perder o seu melhor amigo, companheiro de uma vida. Prometeu-lhe escrever a história deles, e assim fez, vinte anos depois da sua morte. Quando conseguiu.

 

Vale a pena envolvermo-nos em tudo o que eles passaram, deixar que o livro nos envolva...só assim conseguimos perceber a dimensão daquela amizade, daquele sentimento bonito um pelo outro. Sorte a de quem encontra uma pessoa assim durante a vida. Li aquelas últimas páginas cheia de lágrimas nos olhos, a sentir mesmo o que estava a ler. Foi bom. Gosto de livros assim, que marcam, que nos fazem viver experiências novas, pensar como seria se fosse connosco. Acho que foi por isso que me marcou tanto. Deixei- me ir. Dificilmente um romance fará o mesmo. São as histórias reais que me comovem e, principalmente, a ligação e o amor entre as pessoas. 

 

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