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SAY HELLO TO MY BOOKS

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Pulp, Charles Bukowski

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Fiquei fã do Bukowski depois de ler este livro. Foi o primeiro que li do autor e o último que ele escreveu. "Pulp" fala-nos de um detetive privado sem sucesso, que mal consegue pagar o aluguer do escritório e que de repente se vê com vários casos na mão sem saber como resolver nenhum. Enquanto vai tentanto por os planos em prática, aproveita para percorrer vários bares da cidade e saciar a sua sede de álcool. E sempre que acha estar num bom caminho para descobrir algo, acaba por se envolver em confusões, lutas, perseguições, enganos e desenganos que lhe dificultam ainda mais a vida. Uma história aparentemente simples, mas com um enredo que nos prende. Li-o em dois dias, não damos pelas páginas a passar. 

 

"Terminei a bebida e pirei-me dali para fora. Estava-se melhor na rua. (...)

Comecei a contar os parvos que iam passando por mim.

Cheguei a 50 em dois minutos e meio, e enfiei-me no bar seguinte". 

 

Dizem os critícos que "Pulp" é a única obra que não é explicitamente autobiográfica. Ainda assim, a personagem principal, que é também o seu narrador, apresenta algumas parecenças com o próprio autor, escondidas subtilmente na personalidade de Nick Belane. 

 

Filho de uma alemã e de um norte-americano, Charles Bukowski nasceu na Alemanha em 1920, mas viveu praticamente a vida toda em Los Angeles. É este o cenário de grande parte das suas obras, mas sem o brilho de Hollywood. Bukowski é um daqueles autores rotulados de "malditos". O seu pessimismo e visão negra do mundo são conhecidos e, apesar do talento comprovado em prosa e poesia, foi também um homem de excessos, álcool, tabaco e outros vícios durante toda a sua vida. E é essa vida que passa para os seus livros. E é essa vida que passa para o protagonista desta obra. Mas qualquer opinião que escreva sobre este personagem nunca vai ser tão boa como conhecerem-no através da escrita irónica, desinibida, objectiva e despretensiosa de Bukowski. 

 

Imortalizava as peripécias deste detetive privado enquanto lutava contra uma leucemia. Vários críticos acreditam que a obra foi escrita numa atitude de aceitação da sua própria mortalidade. Que o diga a Senhora Morte, uma das personagens, que contrata Belane para encontrar um antigo escritor francês. É a verdadeira personificação do sentimento que acompanhou Bukowski no período em que escreveu a obra, já a sofrer com a doença que o viria a matar, em 1994, ano da publicação de "Pulp".

 

E porquê "Pulp"? Bukowski começou a escrever o livro sem planear deviadamente o decorrer da história, o que colocou frequentemente Nicky Belane em apuros, para os quais o autor não teve imediata solução, segundo o próprio. Talvez esta informação seja pertinente para compreendermos o título do livro. Se procurarmos o significado de "Pulp" no dicionário, entre várias definições, encontramos esta: "popular or sensational writing that is generally regarded as being of poor quality", sendo sinónimo de trashy, cheap, rubbishy, ou seja, algo ordinário, quase um lixo, algo sem valor. E talvez seja por isso que Bukowski acaba por dedicar o livro à "má escrita". Sem dúvida um autor que entrou para a minha lista de favoritos. 

 

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Sinopse:

O romance conta as desventuras de Nick Belane, detetive particular em Los Angeles. A procura do escritor clássico francês, Céline, é a desculpa perfeita para o detetive privado percorrer os bares da cidade e saciar a sua sede de álcool. A par desse caso, Belane ainda tem de perseguir uma esposa adúltera e investigar uma extraterreste de formas voluptuosas que anda a aterrorizar a vida de um agente funerário. Tudo isto se mistura num cocktail de pesadelo existencial para Nick Belane. Uma espiral de personagens e aventuras naquela que viria a ser a última obra de Bukowski.

 

Título: Pulp

Autor: Charles Bukowski

Edição: Alfaguara (2012)

Ano de publicação: 1994

 Nº páginas: 237