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SAY HELLO TO MY BOOKS

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ESPECIAL | Thrillers Psicológicos

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Durante esta semana, decorreu um Especial Thrillers Psicológicos em vários blogues ligados à literatura e ao cinema. Em cada dia da semana um blog dava sugestões de livros e filmes dentro deste género. E o que é este género? Muitas pessoas confundem thriller psicológico com terror e não é a mesma coisa.

 

Um thriller é uma narrativa controlada por um vilão. E num thriller psicológico, os personagens não estão dependentes da força física para superar os inimigos e problemas, embora aconteça, mas dão muito uso à inteligência e facilidade em manipular quem os rodeia. Aqui, os personagens dependem das suas capacidades mentais para se desenrascarem dos problemas, tentando sempre manter-se num perfeito estado psicológico. Normalmente, têm uma mente confusa e perturbada, vivem numa procura permanente pela sua identidade e mostram um fascínio pela morte. Suspense e tensão são elementos fundamentais

 

LIVROS

Decidi falar de três thrillers, num crescente, desde um mais adolescente a um mais pesado.

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Beautiful Malice (Rebecca James)

"Não há bela sem senão" em Portugal e "Bela Maldade" no Brasil.

É um thriller psicológico YA. Há que ter em conta o público para o qual está escrito, mas acho que é um bom livro para os leitores mais jovens que querem começar a ler thrillers. 

"Não fui ao enterro de Alice", é a primeira frase do livro. Temos um pequeno prólogo, no presente, em que ficamos a saber que alguma coisa de grave aconteceu entre Katherine, a narradora da história, e a sua amiga Alice. O primeiro capítulo começa então no passado, quando as duas se conheceram e a partir daí vamos acompanhando o crescendo desta amizade pouco saudável. Vai intercalando entre passado e presente. Acho que é interessante passar esta ideia de que não temos que ceder a chantagens emocionais de amigos na adolescência só porque queremos ser aceites. E há que escolher bem as amizades, desde logo. 

Basicamente temos Katherine, que muda de cidade depois de um acontecimento trágico na família, e começa a frequentar uma nova escola. Enquanto tenta lidar com os seus problemas, acaba por fazer amizade com Alice, uma rapariga extrovertida e aparentemente simpática. De uma forma sedutora, Alice prende Katherine a si e tornam-se inseparáveis. Mas este encantamento vai passado quando Katherine começa a perceber que Alice é manipuladora, fria, que consegue tudo o que quer e que por trás da fachada de menina perfeita, esconde alguns segredos. Katherine tenta afastar-se mas Alice começa a torturá-la psicologicamente e só nos apetece entrar na história para acabar com aquilo. Uma história cliché? Talvez, já vimos coisas parecidas antes, mas acho que isso não impede a leitura.

 

O talentoso Mr. Ripley (Patricia Highsmith)

Li este mês e gostei muito. Acho que muitos já viram o filme e já conhecem a história. Mas eu quis ler primeiro o livro. Começa de forma leve e segue num crescendo de paranóia e maldade que nos vai colando à história, num verdadeiro page turner. Somos surpreendidos com as atitudes repentinas e impulsivas de Tom Ripley, de quem até gostávamos no início. Sentimos que está a ser injustiçado, quando na verdade, ele é que está mal. Fez-me pensar muitas vezes no poder que a mente tem, quando acreditamos que alguém não gosta de nós, que alguém fala mal de nós e, na verdade, é tudo fruto de inseguranças e traumas nossos. Cheguei a sentir pena de Tom. Falarei mais a fundo no livro noutro post, porque acho que merece. 

 

O Psicopata Americano (Bret Easton Ellis)

Outra história que muitos já devem conhecer pelo filme, mas todos sabemos que ler é sempre uma coisa diferente. Este é capaz de ser a sugestão mais violenta desta lista, mistura thriller com um bocadinho de terror. Patrick, um jovem rico e respeitado de 26 anos, trabalha em Wall Street e à noite participa em festas regadas a droga e álcool. Até aqui tudo bem, não fosse ter um lado muito mais obscuro de sair pelas ruas de Nova York a assassinar brutalmente mendigos e a torturar prostitutas e todos aqueles que de alguma forma o aborrecem. Sem piedade e sem culpa, como se nada se passase. Toda esta violência levantou imensa polémica quando o livro foi lançado, em 1991. É difícil compreender este tipo de mentes perturbadas, mas por isso é que gosto deste género de livros. Fazem-nos tentar compreender coisas que no fundo são incompreensíveis para pessoas normais, como eu e vocês. 

 

 

Os próximos thrillers psicológicos que quero ler (por ouvir falar tão bem):

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Segunda Vida, S. J. Watson - Um verdadeiro thriller psicológico lançado pela Editorial Presença, em 2015, que me cativou logo pela sinopse. "Ela ama o marido. Ela está obcecada por um estranho. Ela é uma mãe dedicada. Ela está preparada para perder tudo. Ela sabe o que está a fazer. Ela está a perder o controlo. Ela é inocente. Ela é totalmente culpada. Ela está a viver duas vidas. Ela pode perder ambas". Protagonista feminina em conflito interior, como eu gosto. 

No canto mais escuro, Elizabeth Haynes - Outro com uma protagonista feminina cheia de problemas. Fala sobre uma mulher com transtorno obsessivo-compulsivo vive aterrorizada por um ex-namorado instável que a persegue. Outro que me cativou pela sinopse, também publicado pela Editorial Presença, em 2013.

Caixa de Pássaros, Josh Malerman - Não está editado em Portugal, mas este "Bird Box" é tão bem falado no Booktube brasileiro que me deu imensa vontade de ler. "Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos". 

Confissões, Kanae Minato - Se há livro que anda em alta no Booktube português é este. Muitas das meninas que sigo, incluindo a Cláudia, pessoa que idealizou este especial, adoraram e aconselham o livro. A história de uma professora, cujos alunos assassinaram a sua filha. Ela não quer justiça, só vingança. Foi lançado o ano passado. Leio este ano de certeza. 

 

FILMES

As outra meninas já falaram em alguns filmes do género, por isso não me vou alongar, só referir alguns de que gosto.

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A ideia deste especial foi da Cláudia (A Mulher que Ama Livros). Espero que faça mais especiais destes porque é uma forma de conhecermos livros e filmes dentro de um género especifício, recomendados por pessoas que já seguimos e confiamos nos gostos. Podem ver os posts das outras meninas que participaram aqui: 

 

Cláudia - A Mulher que Ama Livros 

Catarina - Serão no Sofá

Vera - Menina dos Policiais

Chris - O Diário da Chris

 

O Reino do Dragão de Ouro, Isabel Allende

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Quando peguei neste livro, não esperava gostar tanto. Não se tornou num preferido, mas conseguiu fazer-me viajar até aos Himalaias e ao distante (e mágico) Reino do Dragão de Ouro. Fez-me viver uma aventura do outro lado do mundo, sentadinha e sossegada em casa. Não vou dizer que o livro me arrebatou, porque achei algumas partes um bocadinho cliché, noutras partes senti que a autora se repetia, houve um capítulo específico que achei muito enfadonho e o final foi o esperado.

 

Apesar disso acabou por ser, no geral, uma boa surpresa por se tratar de Realismo Mágico, género literário que ganhou notoriedade pelas mãos de escritores latino-americanos como Isabel Allenda, Gabriel Garcia Marquez e Júlio Cortázar. Caracteriza-se por incluir, na narrativa, experiências sobrenatuais em ambientes normai, por ter elementos mágicos ou fantásticos percebidos como parte da "normalidade" pelos personagens, por utilizar o lado intuitivo e sensorial como parte da percepção da realidade,por seguir tradições dissociadas da racionalidade moderna. Acabou por ser uma boa surpresa para quem anda a tentar ler mais Fantasia, como eu. 

 

É um livro que se destina a um público juvenil, mas não o achei demasiado "jovem". É o segundo volume de uma trilogia que se iniciou com "A Cidade dos Deuses Selvagens" e terminou com o "O Bosque dos Pigmeus". Eu não li o primeiro livro. Aliás, quando peguei neste nem sabia que era o segundo de uma trilogia. E não faz diferença nenhuma, porque não é uma história contínua. Todos os livros trazem as mesmas personagens, mas cada um relata uma aventura diferente, num país diferente. O primeiro livro passa-se na Amazónia, o segundo nos Himalaias e o terceiro em África. O jovem Alexander viaja com a sua avó, Kate Cold, jornalista da revista International Geographic, e é assim que vai conhecendo sítios e pessoas incríveis. Conhece Nádia no Brasil, no primeiro livro, e ela acaba por acompanhá-lo em todas as aventuras seguintes. 

 

Em "O Reino do Dragão de Ouro", o jovem Alexander Cold viaja com a sua avó, Kate Cold, e a sua amiga, Nadia Santos para o Reino do Dragão de Ouro, nos Himalaias, onde os espera muito mais que uma simples viagem turística. Vêem-se envolvidos com a Seita do Escorpião que foi contratada por um Coleccionador estrangeiro para roubar a estátua do Dragão de Ouro, símbolo máximo do reino, capaz de preservar a paz e prever o futuro da nação. Nessa jornada, enfrentam uma série de provações como animais selvagens, rapto e violência que põe em risco a sua vida. Acabam por ser ajudados por um monge budista e pelo seu discípulo, e ajudar também, eles próprios, a salvar o futuro daquele Reino. Pelo meio, fortalecem a amizade, conhecem lugares incríveis e vão prceber a importância de "ouvir com o coração", ter uma alma pura e confiar no poder da mente e do espírito. 

 

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Tenho que destacar o primeiro capítulo chamado "O Vale dos Yetis". É muito bom. Podia ser um conto por si só. É aqui que ficamos a conhecer o mestre Tensing e o seu discípulo Dil Bahadur, príncipe herdeiro, que passa doze anos sozinho com o monge, a receber formação fisíca e espiritual para um dia se tornar Rei.

 

"O seu papel era guiar o príncipe em cada fase da sua longa aprendizagem:

fortalecer o seu corpo e o seu carácter, cultivar a sua mente e

pôr à prova a qualidade do seu espírito."

 

É aqui que conhecemos yetis, seres quase primitivos, muitas vezes denominados como Abominável Homem das Neves, que vão ser muito importantes para a história. A autora acaba por nos fazer desejar que os yetis existissem mesmo. E tal como os yetis vão ter um papel importante, todas as personagens acabam por estar ligadas, desde o "casalinho" Alexander e Nadia, o monge e o príncipe, o Rei, a Seita do Escorpião, a jovem Pema e a estrangeira Judit Kinski. Vamos acompanhando esta aventura à medida que o enredo se desenrola, sempre guiados com um bocadinho de magia à mistura. 

 

Outra das coisas que mais gostei no livro foi, no meio de toda a ficção, as referências ao Budismo que o mestre Tensing ia fazendo. Disse-vos aqui que é um tema que me interessa bastante e foi muito bom ir apanhando certas frases e ideias que caiam ali no meio como um bombom.

 

"Cada um deve procurar a verdade ou iluminação dentro de si próprio, não nos outros ou em coisas externas. Por isso, os monges budistas não andam pregando, como os nossos missionários, passando, em vez disso, a maior parte das suas vidas em serena meditação, procurando a sua própria verdade". 

 

 (3.5*)

Título: O Reino do Dragão de Ouro 

Autor: Isabel Allende

Edição: DIFEL, 2004

Ano de publicação: 2003

 Nº páginas: 303

Fui ver A Bela e o Monstro e tenho umas coisas para dizer...

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Adoro a Disney, adoro os filmes da Disney do "meu tempo", que é como quem diz, ter crescido nos anos 90. Dêem-me uma Pequena Sereia, uma Bela e o Monstro, um Rei Leão, uma Pocahontas ou um Aladino e sou feliz. Pois, quando soube que iam fazer este filme fiquei num misto de histerismo (há que manter a criança viva dentro de nós) e o medo de apanhar uma desilusão valente e estragarem um dos filmes da minha infância. E a verdade é que, não estrangando (porque o meu amor pelos desenhos animados é muito forte), há muitas coisas que não gostei nada neste filme. Não conseguiu atingir as minhas expectativas, que já por si não eram altas. 

 

Vamos começar pela parte boa. O que gostei: 

- Os objectos do castelo! O candelabro, o relógio, o espanador, o armário, o bule e a chávena, o piano, o banco/cão...incríveis! Muito bem feitos, com muita piada, um dos pontos fortes do filme, tal como nos desenhos animados. Era das partes que mais gostava e continuou a ser. Toda a cena quando a Bela vai jantar e lhe fazem aquele número musical e mágico ao vivo está espectacular! A música, os efeitos, a personalidade de cada um está perfeita. 

- A banda sonora. Está muito boa! Não gostei de todas as músicas que acrescentaram, muito dramáticas e num nível de qualidade inferior às que já conhecemos e adoramos... Essas estavam bonitas e bem interpretadas. Aliás, estou a escrever isto a ouvir precisamente a banda sonora

- O guarda-roupa está muito bem-feito! Adaptaram as vestes dos desenhos animados de forma perfeita. 

- Os actores que deram voz e vida aos objectos! Muito bem escolhidos e uma total surpresa no final (fiz por não saber muito antes de ir ver o filme para ser surpreendida pelo menos aí).

- O Gastão e o seu amigo LeFou (que nos desenhos era apenas um gordo tontinho e aqui ganha mais protagonismo). Bem escolhidos, bem interpretados e, sem dúvida, um dos pontos fortes deste filme. 

- Terem acrescentado aquele momento de tensão entre Gastão e Maurice na floresta. Sabemos que a produção tinha que tornar o filme mais "humano" em algumas partes e acho que esta cena encaixou bem de acordo com o seguimento da história. 

- A parte de Paris, que é novidade, onde ficamos a saber o que aconteceu à mãe de Bela, está interessante.

 

O que não gostei:

- Emma Watson. Perdoem-me os fãs, mas é uma actriz muito fraquinha. Safava-se bem com 11 anos no Harry Potter, mas aqui não está nada de especial. Falei com várias pessoas sobre isto e todas da mesma opinião. Nunca achei que fosse a escolha ideal para este papel, mas dei o beneficio da dúvida e...não! A interpretação dela não foi nada de especial e não senti emoção nenhuma (sem ser o normal por já saber a história e pelas músicas por trás que dão sempre um toque). Talvez não tenha sido bem dirigida, mas não é a primeira vez que faz filmes com magia e efeitos e acho que lhe faltou um bocadinho assim (grande) para chegar onde era preciso. 

- O Monstro muito feito em efeitos especiais. Percebo que era difícil passá-lo dos desenhos para o filme, mas estava muito "falso" em alguns momentos, podiam ter trabalho mais a maquilhagem e caracterização para não terem que recorrer tanto a efeitos na personagem. 

- O actor que escolheram para fazer de príncipe (quando deixa de ser Monstro). Nos desenhos, o principe é um granda gato e ali...que desilusão para os meus olhinhos. Achei-o feiinho, com um bocado ar de saloio e não senti qualquer empatia com ele. 

- A parte da transformação do Monstro em humano podia ter sido muito mais trabalhada. Nos desenhos é um momento super emocionante e aqui passou-se em dois segundos e já está. 

- Quando Gastão fere o Monstro com uma pistola. Não precisavam inventar tanto. Podia ter sido com arco e flecha como no original. E se tivesse a chover, melhor ainda. 

- A personagem Agatha. Eu já estava a adivinhar quem era, mas o final foi forçado. Percebo que quiseram fazer diferente dos desenhos animados para surpreender o público. Mas eu pessoalmente, não gostei. 

- A parte interior do castelo. Estou a ser picuinhas, eu sei. 

- O Monstro a cantar...não não não e não. Cena forçada e muito pateta. Nem consegui levar a sério. 

 

De resto, cenários bonitos e um bom momento passado no cinema com amigas e pipocas. Valha-nos a banda sonora no Youtube e o VHS no baú com os desenhos originais (e dobrados em brasileiro como nós gostamos). 

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 Classificação: 7/10

(e leva um sete só porque a parte emotiva também conta...senão levava um 6)

101 with Books | Janeiro e Fevereiro 2017

Está na hora de fazer o update bimestral do desafio 101 with Books. Queria ter feito check em mais itens, mas isto tem que ser feito conforme vão surgindo as oportunidades e não como uma coisa obrigatória. Vamos devagarinho. E o que retiro destas imagens é que Inverno significa ler na cama e ler a comer, basicamente. 

 

JANEIRO

 

10. Ler durante o almoço

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59. Ler depois de tirar um bolo do forno 

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FEVEREIRO

 

9. Ler antes de todos acordarem

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Total: 16/101

 

Podem ver também as fotografias dos momentos registados em 2016:

Setembro / Outubro 2016

Novembro / Dezembro 2016

 

7 Mulheres Incríveis que já li

Hoje falo de sete nomes incontornáveis da História da Literatura. São escritoras famosas, com milhares de exemplares vendidos e lidos ao longo das décadas.

Mas o que é que as faz serem tão especiais?

Não quero falar das obras, apesar de serem o espelho do seu talento, quero antes falar delas mesmas, enquanto mulheres inspiradoras, corajosas e que abriram caminho para tantas outras. Mulheres que estiveram à frente do seu tempo, que souberam impôr-se num mundo liderado por homens, que conseguiram cativar leitores nos quatro cantos do planeta, ultrapassando barreiras e preconceitos sexistas, literários e sociais. Tudo por amor à escrita e à literatura. E isso é admirável. 

 

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Jane Austen (1775 - 1817)

Nasceu no século XIX, no seio de uma família com posses do Reino Unido, numa época em que as mulheres viviam para o dia em que finalmente casassem e onde o seu maior objectivo era cuidar do marido e dos filhos. Jane Austen não só nunca casou, como sonhavar ganhar o seu próprio dinheiro através das suas obras literárias. Muito diferente da maioria das mulheres da época que colocavam o seu futuro não mãos de um casamento vantajoso. Só isto já é incrível. Vejam bem as datas de que estamos a falar. Ainda assim, Jane Austen sabia ler a alma feminina e os segredos do coração com uma sensibilidade única e uma ironia irresístivel.

O retrato psicológico e social da pequena burguesia inglesa do início do século XIX é relatado nos seus romances com mestria, expondo reflexões e críticas sobre valores como vaidade, ambição, preconceito e orgulho que, ainda hoje, são muito actuais. Todos os seus romances são livros que mexem com o universo feminino, que mostram o impacto que as escolhas e valores das mulheres têm. Jane Austen tinha uma visão diferente para a época, não seguia a carneirada e merece todo o mérito por isso. 

Curiosidade: o livro Sense and Sensibility foi aceite por um editor em 1811, mas foi publicado de forma anónima, assinado apenas como "By a Lady" ("Por uma mulher").

 

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Virginia Woolf (1882 - 1941)

Escritora britânica, considerada ícone do modernismo, inovou ao criar na sua narrativa o fluxo de consciência. É uma técnica literária onde se procura transcrever o processo de pensamento de uma personagem, intercalando o raciocínio lógico com impressões pessoais e mostrando como se desenrola uma associação de ideias, ou seja, é como se entrássemos dentro da cabeça dos personagens, acompanhando os pensamentos à medida que vão surgindo. Foi pioneira neste estilo de narrativa, sem medo de inovar, de arriscar, de ir mais além do que se fazia na época. 

Woolf foi também uma importante voz na luta feminista a partir dos anos 20. Um exemplo disso é o livro "Um Quarto Só Para Si", publicado em 1929, que se baseia em duas conferências dedicadas ao tema "As Mulheres e a Ficção", realizadas em em Cambridge, para um público feminino, numa altura em que as mulheres nem sequer tinham acesso a algumas obras consideradas apenas para homens. 

A obra de Virginia Woolf acaba por ser uma crónica da época em que viveu, onde qualquer comportamento fora do normal era criticado e fortemente julgado, tendo a própria escritora sofrido isso na pele por se ter apaixonado por uma mulher, sem que isso fosse aceite pela sociedade. Suicidou-se com 59 anos. 

 

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Agatha Christie (1890 - 1976) 

Ainda que os seus pais tenham feito de tudo para que ela seguisse carreira de cantora lírica ou pianista, Agatha Christie preferia a escrita. E, se ainda hoje, é dificíl ir contra os pais quando nos querem impôr uma carreira escolhida por eles, imaginem no inicío do século XX. Felizmente, bateu o pé e seguiu o seu sonho, comandado por um enorme talento e ainda maior imaginação. Os seus mais de 90 livros publicados, e traduzidos em todo o mundo, tornaram-na na Rainha do Crime e maior escritora de romances policiais de todos os tempos. É todo um #girlpower como deve ser!

O que é ainda mais incrível é que Agatha Christie foi a verdadeira mulher dos sete "oficíos". Além de escritora, foi também enfermeira, dançarina, fazia surf, gostava de patinagem, tocava alguns instrumentos musicais, era apaixonada por arqueologia e fartou-se de viajar. De Paris à Turquia, do Havai à África do Sul, do Canadá à Nova Zelândia, fosse de comboio, barco, autocarro e, mais tarde, avião. Era uma mulher aventureira, ousada e corajosa, sobressaindo da maioria das mulheres na época, muito à frente do seu tempo, como o próprio neto a caracteriza. 

De todas estas viagens e experiências tirava material que inspirava as suas obras. Por exemplo, durante a Primeira Guerra Mundial trabalhou como enfermeira, onde assistiu a várias mortes por envenenamento e teve acesso aos mais variados tipos de venenos, informação que utilizou na sua primeira obra e que seria recorrente em várias outras. Está no Guinness como a autora (mulher) mais vendida do mundo. 

Curiosidade: O Misterioso Caso de Styles, primeiro livro que escreveu foi rejeitado por seis editoras. Acaba por ser publicado, em 1920, pela editora Bodley Head, vendendo cerca de 2.000 cópias.

 

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Florbela Espanca (1894 - 1930)

Não há quem descreva melhor os males de amor que Florbela Espanca. É a minha poetisa preferida. Sabemos que, tal como Virginia Woolf, se suicidou. Cedo demais, aos 36 anos. Viveu uma vida de grandes sofrimentos, inquietações, insatisfação, solidão e perturbação emocional, mas soube transformar todos esses sentimentos em poesia - triste, dura, melancólica, mas tão bonita e tão verdadeira. É impossível não ler os seus poemas e identificarmo-nos com alguns dos sentimentos que ali estão. Quem nunca sofreu por amor? Quem nunca passou por conflitos internos? Quem nunca dramatizou o fim de uma relação? Florbela somos todas nós. Infelizmente não conseguiu ultrapassar o sofrimento, nem encontrar o seu "final feliz", mas deixou-nos uma obra vasta para que nunca esqueçamos que um coração partido pode matar. A sua poesia é repleta de feminilidade e, se nunca leram os sonetos de Florbela Espanca, não sabem o que estão a perder. 

 

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Elena Ferrante (1943 - data actual)

A Elena Ferrante conseguiu uma coisa que nem toda a gente consegue, muito menos mulheres na indústria literária: pôr toda a gente a falar dela. E não estamos a falar de uma americana cheia de publicidade à volta, mas sim de uma italiana cuja identidade quis manter em segredo. E isto é incrível! Concede poucas entrevistas, todas elas por escrito e intermediadas pelos suas editoras italianas. Mesmo quem nunca leu a série, sabe quem é Elena Ferrante, sabe o que é a A Amiga Genial, já ouviu falar ou tem amigos que já leram. É daqueles fenómenos que são lidos desde o Presidente da República à vizinha do lado. Há quanto tempo não víamos uma coisa assim? Claro que o anonimato contribuiu para tornar isto numa novela, apetecível ao público, mas não lhe tira o mérito. 

Elena Ferrante é apenas um pseudónimo. Infelizmente, há quem não respeite nem compreenda este anonimato e foram vários os jornalistas que não descansaram enquanto não descobriram quem ela é. Por mim, até podia ser a dona de uma charcutaria em Nápoles, não me interessa nada. É a Elena Ferrante que criou a Lila e a Lenú. Isso basta-me. E é por isso que não coloco aqui nenhuma fotografia da pessoa que os jornais dizem ser. Deixemos a obra falar por ela. E, além de tudo, diz ser “feminista” e representante de um poderoso tipo de “escrita no feminino”. Perfeito!

 

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J. K. Rowling (1965 - data actual)

J. K. Rowling está nesta lista por quem é e não apenas porque escreveu Harry Potter. Podia ter escrito um best seller e não ter qualquer interesse em estar nesta lista. Está porque, mesmo quando o casamento deu para o torto, quando se viu sozinha a criar uma filha, quando recebeu um "não" de várias editoras, não baixou os braços e lutou pelo que queria e pelo que acreditava. Sabia que tinha uma boa história em mãos, não descansou enquanto não ouviu um "sim", vários anos depois de lhe ter surgido a ideia de escrever sobre um rapazinho que descobria ser feiticeito. Hoje já vendou mais de 450 milhões de cópias da série, traduzida para mais  de 74 línguas. Ganhou diversos prémios literários e, mesmo quando questionada e confrontada com a fortuna que tem e a ideia de que poderia parar de trabalhar por ter dinheiro até ao fim da vida, mostra que isso seria absurdo, porque o que gosta mesmo de fazer é escrever. Mesmo que para isso tenha que ter escondido o seu nome (de mulher) e adoptado as iniciais J. K. para assinar os livros, aconselhada por um editor que dizia que venderia mais caso achassem que era um homem a escrever a série.

Antigamente, não era muito fã dela. Assim que fui descobrindo mais sobre a sua vida e percebendo o que a move e a forma como encara a vida, passei a admirá-la! Apoia um vasto número de causas de solidariedade social e é fundadora da Lumos, uma organização que tem como objetivo a criação de melhores condições de vida para as crianças desfavorecidas. Usa o seu nome, reputação e riqueza para fazer o bem. Sem nunca esquecer que é Mulher, que é Mãe e que ainda tem uma pinta gigante a responder a criticas dos fãs no Twitter. 

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Lena Duhnam (1986 - data atual)

Actriz, argumentista, realizadora e feminista declarada. Conheci-a na série Girls, escrita, protagonizada e realizada por ela mesma, quando tinha apenas vinte e poucos anos. Pode parecer banal, mas não é. É preciso muito talento e força de vontade para o fazer. Lena escreveu a série e fez tudo para conseguir vender a ideia a um estúdio. Quando foi aceite, escolheu o resto da equipa, deu vida à personagem Hanna e ainda realizou grande parte da série. Uma demonstração de preserverança e trabalho fora do comum para a idade. Acabou por ganhar dois Golden Globes pela série e tornou-se na primeira mulher a ser premiada no Directors Guild Award pela realizalização de uma série de comédia.

Além de tudo isto, não tem pudores. Mostra o corpo na série, despida de preconceitos, o que provocu muitas críticas mas também fortes elogios: finalmente uma mulher real na televisão, fora dos padrões de beleza impostos pela sociedade. Mesmo na vida real, Lena aceita as curvas e as gordurinhas sem vergonha. Exibe o corpo com orgulho, sem medo do julgamento alheio. E isso é incrível, alem de ser uma grande inspiração para nós, como mulheres. 

Em 2013 lançou o livro "Not that kind of girl" (Não sou esse tipo de miúda), onde fala abertamente de várias situações constrangedoras e vergonhosas que passou na sua infância, adolescência e início da vida adulta. Todos nós já passámos por momentos semelhantes, conseguimos relacionar-nos com ela e sentir que não somos os únicos a pensar de certa forma em determinados assuntos. E esse sentimento de relação e proximidade faz-me admirá-la ainda mais. Lena faz-nos sentir que não tem mal ser diferente. E isso é tão bom. Está a preparar uma série sobre feminismo nos anos 60 e não se cansa de lutar pela igaldade de géneros, que defende e divulga nas redes sociais. 

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E vocês? Digam-me quais são aquelas escritoras que admiram profundamente pela vida, pelos feitos realizados e pelo carácter que demonstraram?