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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

Quando desconhecidos te despertam a vontade de ler certo livro

A Feira do Livro abriu-me horizontes literários. De entre os milhares de livros das editoras onde estava a trabalhar, muitos já conhecia, alguns já tinha na minha wishlist, mas não posso negar que trabalhar ali me deu a conhecer muito mais autores e títulos. Entre capas lindas, que me despertavam curiosidade, e sinopses intrigantes que me faziam querer sentar logo ali e ler o primeiro capítulo, foram vários os livros que me ficaram debaixo de olho. 

 

Mas isso também aconteceu com dicas de pessoas desconhecidas. Enquanto estava ali a trabalhar, iam aparecendo clientes, pessoas de todas as idades, formas e feitios que me perguntavam se tinha ali tal livro. Invariavelmente, aconteceu ficar na conversa com os clientes sobre um livro específico ou um autor. Pediam-me sugestões e eu acabava por recebê-las também, de bom grado, numa troca literária muito interessante que me encheu a lista de livros "para ler". Pessoas que falavam de tal livro ou tal autor com uma paixão e admiração tão grandes, que era impossível não ser influenciada por esse amor literário. Ou então, por outro lado, livros que eram tão procurados - ao nível de apanhar todos os dias pessoas à procura desses títulos - que foi impossível não querer lê-los também para perceber a loucura à sua volta (tirando a Bíblia, vá). Foram vários os títulos que me ficaram na cabeça e são, certamente, obras que quero ler. 

 

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Partilho estes quinze, mas podia pôr aqui muitos mais. Já leram algum? Dêem-me as vossas opiniões, quais os que valem mesmo a pena. 

 

"Where'd You Go, Bernadette?" vai mesmo virar filme

Quando li "Até ao Fim do Mundo" (título em português) há dois ou três anos, já se falava na possibilidade de se tornar filme. E, a verdade, é que a forma original como está escrito (com troca de notas, emails, recados) não nos retira a capacidade de visualizar aquelas cenas como se de um filme se tratasse. A própria autora, Maria Semple, escreve argumentos para séries de televisão, portanto tem todo um know-how em tornar a escrita interessante neste sentido. O livro, lançado em 2012, tem uma das capas mais giras que vivem na minha estante. Passada em Seattle, é uma história divertida, que nos faz passar um bom bocado, apesar de ter achado o final pouco credível.

 

Na altura, já se falava que podia ir para o cinema e cheguei a ler várias notícias sobre as possíveis atrizes que fariam o papel de Bernadette Fox, arquiteta e mãe, meia louca, que tem fobia a pessoas, no geral, e a gente estúpida em particular. Mulheres com personalidade forte e um bocadinho apanhadas da cabeça são as minhas personagens preferidas, sempre. Enfim, nunca mais li notícias sobre o filme e calculei que o assunto tivesse ficado em águas de bacalhau. Mas esta semana, a atriz Troian Bellisario, que sigo no Instagram (a Spencer de Pretty Little Liars), partilhou uma fotografia onde mostra que faz parte do projeto e que está, finalmente, a andar para a frente.

 

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Realizado por Richard Linklater, o filme conta com nomes de peso no elenco. Ao que parece será Cate Blanchett a assumir o papel de Bernardette Fox e, confesso, que gosto muito da escolha. Acho que vai encarnar a personagem na perfeição. Mas só vamos conseguir ver o resultado no ano que vem, já que está previsto estrear só em Maio de 2018

 

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Como foi trabalhar na Feira do Livro?

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Quero começar por dizer que nada do que escreva ou conte vai conseguir transmitir tudo o que vivi e senti nestas semanas. Muitos pormenores vão ficar por contar, mas quero deixar-vos uma ideia geral de como é viver a FLL por dentro. 

 

Para quem trabalha, a Feira começa sempre uma hora antes do horário de abertura ao público. É preciso abrir os pavilhões, tirar os plásticos dos cestos e expositores, carregar caixotes e mais caixotes de livros para os pavilhões a que se destinam, repôr exemplares nas prateleiras, encher os cestos de promoções, trocar os Livros do Dia nos expositores, enfim... Uma azáfama para estar tudo em ordem quando começarem a chegar clientes. Se for fim-de-semana ou feriado é certo que mal as caixas abram, já há pessoas a fazerm as primeiras compras do dia.

Podemos trabalhar apenas 4h como passar lá o dia inteiro. O máximo de horas que fiz foram 11, mas há quem tenha feito 14h. É cansativo, sim, mas ninguém se queixa. São "só" 18 dias. A maior parte das vezes entrava às 14h e ficava até ao fecho, fosse às 23h ou às 24h. A hora de jantar variava. Podia ir às 21h como às 18h30. Fins de semana e feriados era a loucura. Muita, muita gente. Verdadeiras multidões para cima e para baixo. Pais com crianças e bebés de colo, pessoas mais velhas, grupos de adolescentes, pessoas vestidas de forma festiva ou com roupa de ginásio, viu-se de tudo. Até os noivos de Santo António por lá desfilaram. Vi muita, muita gente na Feira do Livro. Fosse de manhã, de tarde, de noite, nunca estava vazia e por vezes até se tinha que pedir 'com licença' para passar. Quantas vezes, na hora de fecho, tínhamos que tentar "expulsar" com jeitinho os clientes que não queriam sair por nada. Íamos fechando as luzes, pondos os plásticos nos cestos...e eles lá continuavam. Mesmo nos dias com 40º graus, as pessoas não faltaram. Levavam leques, água, roupa fresca, mas iam.

 

Raios part'o calor!

As maiores dificuldades foram o cansaço fisico e o calor. Houve vários dias seguidos em que trabalhei entre 9h a 11h, apenas com uma hora de paragem para comer, o que significa sempre 8h a 10h em pé. Custa. Principalmente quando começou a ficar muito calor e deixei de conseguir ir de ténis. Levava sandálias para estar mais fresquinha, mas toda a gente sabe que sandálias rasas não são a coisa mais confortável do mundo quando se está tanto tempo a depositar-lhes o peso do corpo em cima. Quando o calor intenso chegou, tudo piorou. Cansava o triplo. Tínhamos que estar ao ar livre sem ter para onde fugir. Os pavilhões absorvem o calor como estufas. Ao sol era impossível estar, íamo-nos aglomerando nas sombras boas, aquelas onde, com sorte, podia passar uma brisa de vez em quando. A sorte é que tínhamos borrifadores (aqueles das plantas), que enchíamos com água e gelo, e só assim aqueles últimos dias de feira foram suportáveis. Molhávamos os braços, a cara, o pescoço, as pernas, tudo. Um verdadeiro banho. Os clientes passavam por nós e riam-se. Alguns pediam para os borrifarmos também. Outros pensavam que estávamos a nadar em suor e ouvía-os comentar, entre dentes, "ai coitados!". Não me posso esquecer do meu querido leque de papel, preciosidade de merchandising da Sveva, que muito me ajudou e que era cobiçado por todos os clientes. "Desculpem, já não há mais e guardo este com a vida". Eles riam-se e percebiam. De vez em quando ia às caixas de cima, onde havia ventoínhas, e borrifava o ar com água que vinha fresquinho com o vento da ventoinha. Um truque que aprendi lá. Maravilha. Os próprios chefinhos, a sofrer também com o calor, foram super compreensivos e, nos últimos três dias, pudemos ter mais momentos de descanso, sentados, enquanto o ambiente da Feira estava mais parado, até às 18h.  Eles próprios pediam para ser borrifados. Chegámos a fechar as caixas de baixo porque batia o sol de chapa e só a partir da hora de jantar era possível trabalhar lá. Nem à noite arrefecia um bocadinho. Nesse último fim-de-semana, todos os eventos e sessões de autógrafos foram adiados para uma hora mais tardia, precisamente por causa do calor. Vocês não imaginam o que foi aguentar os 41º na Feira. Sem vento, sem uma aragem, sem ar condicionado, sem poder estar com roupa fresca como gostaria, além do colete quente que tínhamos que usar. Chegava a casa exausta. Dorida. Suada. E só três dias depois da Feira acabar é que senti que recuperei as forças e que voltei a ter pés. 

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O Ambiente 

Tive colegas incríveis. Ao contrário do que se pensa, e como é um trabalho provisório, davamo-nos todos muito bem, desde os mais novos com 18, aos mais velhos com 50. Criou-se um espírito de equipa muito grande.  Fartámo-nos de rir juntos com situações caricatas. Ajudávamo-nos sempre, em qualquer situação, afinal estávamos todos a remar para o mesmo lado. Se era preciso ir repôr livros no pavilhão X, íamos dois ou três. Se um de nós não conhecia uma autora ou um título, quem estava ali ao lado, intervinha. Se naquele momento não podíamos ir pesquisar no computador, ia alguém por nós. Se precisávamos de fazer uma pausa para descansar os pés, beber água, comer um gelado para refrescar, os outros aguentavam as pontas até voltarmos. Sem reclamar, sem má cara ou sorriso amarelo. No final do dia, depois de apagar as luzes, fechar e trancar os pavilhões, cobrir os cestos e expositores, ficávamos a convervar. Alguns levavam bolinhos de casa e distribuíam. Nos eventos, os chefinhos davam-nos espetadas de fruta e canapés, assim de fininho, porque "os miúdos merecem".

O último sábado foi memorável. Nem sei bem explicar. Aquele calor dos infernos aproximou-nos ainda mais. Sofrimento coletivo é união, na certa. A compreensão e amizade nesse dia foi de ficar gravada na memória. À hora de jantar o céu encobriu. Uns riam-se quando alguém dizia que ainda vinha lá chuva. De repente, começa a chover. Tínhamos dezenas de livros em cima de mesas no espaço onde acontecem as sessões de autográfos, tínhamos os cestos abertos e os expositores ao ar.  Alguém grita "OS LIVROOOOOS". Em dois segundos, desatámos todos a correr para salvar os livros da chuva. Uns foram apanhar os das mesas, outros buscar os plásticos para tapar os cestos e os expositores. Todos a correr de um lado para o outro. Foram uns cinco minutos de adrenalina livreira. Mal terminámos, pusémo-nos debaixo da chuva. Sabia-nos bem. Alguém pôs a tocar o "Singing in the rain", do Sinatra, e a seguir o "It's raining men". Rímos, dançámos e foi memorável. Enquanto os clientes se abrigavam da chuva dentro dos pavilhões, nós fazíamos a festa. Conheci pessoas incríveis. De várias idades, de várias cidades, de várias áreas de trabalho. Tenho os meus horizontes abertos e gosto de conhecer pessoas novas. E sabem o melhor? Todos os dias aprendi alguma coisa com alguma delas. E isso é incrível!

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Os Clientes

Apanhei pessoas muito simpáticas que me perguntavam o nome e diziam que ia falar bem de mim ao chefe. Que me perguntavam se ganhava à comissão, porque merecia. Que me agradeciam muito quando os ajudava, porque em outras bancas ninguém o tinha feito. Pessoas que me deram sugestões de livros, pessoas com quem troquei dois dedos de conversa muito interessantes, pessoas que gostam mais de livros do que eu. Vi homens e mulheres dar gritinhos de alegria quando descobriam um livro que queriam há muito, ainda por cima com desconto. Vi crianças felicissímas por levarem novas histórias para casa. Pessoas que me fizeram soltar uma gargalhada com algum comentário. Ajudei muita gente a sair dali feliz. 

Também há os mal educados. Que não agradecem. Que viram a cara quando a resposta que damos não é o que querem ouvir. Quando insistem que um livro é da Bertrand, mesmo quando dizemos que não é. Que nos fazem ficar 10 minutos à espera enquanto procuram no telemóvel o título do livro que querem. Os que em Hora H não percebem que temos mais 15643 pessoas para atender. 

E depois há aqueles que nem sabem bem o que querem. "Olhe eu quero encontrar um livro que fala de viagens, dois amigos que foram viajar. Sabe onde está?". Pergunto o título. Não sabe. Pergunto o autor. Não faz ideia. Só sabe que talvez seja passado na Ásia. Assim fica díficil. Digo-lhe que sem título ou autor não o consigo ajudar sequer a procurar no computador. Encolhe os ombros, bufa um bocadinho e vai à vida dele. Vem outro: "Olhe eu queria um livro que tem assim uma capa amarela...é de uma autora...ai como é que ela se chama? A capa é muito bonita!". Fico na mesma. "Olhe onde é que estão os livros do Rentes de Carvalho?", pergunta-me outro. Levo-o lá e indico, a seu pedido, qual é o mais recente. "E fala do quê?". Respondo que não sei. Ri-se na minha cara. "E aquele ali em baixo...passe-mo lá...também não sabe do que se trata?". Apetecia-me ter-lhe respondido que tomara eu saber do que é que se tratam todos os milhares de livros que estavam ali na Feira, tomara eu já os ter lido a todos ou, pelo menos, todas as sinopses. Era muito bom sinal. Sei muito sobre vários livros, muitos que até ainda não li. Mas as pessoas acham que temos o dever de saber de cor o conteúdo de todos. Uma colega dizia que eu era querida demais para esse tipo de clientes, que devia responder-lhes à altura da ignorância e arrogância deles. Nunca o fiz. Perguntaram-me se achava bom o conteúdo de um livro de receitas que lá estava. Perguntaram-me dicas de autores parecidos com Daniel Silva para depois não aceitarem nenhuma das minhas sugestões. Perguntaram-me por um "Ensaio não sei de quê...que está como livro do dia...de um José...ai, esqueci-me do nome!". Pediram-me livros que fossem todos escritos com maiúsculas. Perguntaram-me por livros que tivessem apenas finais felizes. Queriam saber se a tradução nova da Bíblia estava realmente boa e quiseram impingir-me os livros do Augusto Cury e do Robin Sharma. Passei a conhecer o monge que vendeu o seu ferrari, a perceber que o mindfulness também funciona com crianças e a ter noção de como se fazem gelados caseiros. Também ouvi, da boca de adolescentes, que "se são autores portugueses então não prestam". Ou então que livros de bolso não têm a história completa. 

 

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Brincámos, muitas vezes entre nós, com o facto de que se ganhássemos cinco cêntimos por cada vez que nos pediam para explicar como funcionam as etiquetas, ou nos perguntavam "onde se paga?", estávamos ricos. Foi a pergunta que mais ouvi "E agora onde é que se paga?". Mas não dá para ver as caixas? "Pode pagar ali em baixo, ou nas caixas lá em cima, desde que não saia dos limites do nosso espaço". Às vezes nem perguntavam. Chegavam ao pé de mim com um toquezinho de cabeça como quem diz "quero pagar", e com dinheiro na mão. Lá repetia a lenga-lenga toda outra vez. E ainda houve uma alminha que chegou no último sábado de manhã, convencida que a Hora H era das 10h às 11h da manhã.  

 

Posso dizer que foi muito mais giro e muito mais cansativo do que alguma vez imaginei. Inscrevi-me não tanto pelo dinheiro, mas pela experiência. Poder fazer parte da Feira do Livro, vivê-la por dentro foi o que me motivou. Em 18 dias de Feira, só não trabalhei quatro. E os 14 em que lá estive valeram por muitos mais, porque a Feira é vivida intensamente. Ninguém está lá pela metade. Está-se lá inteiro, de alma, corpo e espírito focados naquele espaço e naquelas pessoas. Esquecia-me de todos os problemas, preocupações, afazeres que tivesse fora dali. Cheguei a sonhar com a Feira, com as prateleiras cheias, quando havia um "buraco" lá tinha eu que ir tapar. 

 

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Senti uma imensa nostalgia no dia seguinte à Feira terminar. Punha-me a fazer contas do que estaria a fazer àquela hora se estivesse lá. É sempre assim quanto termina um projeto que gostámos muito. Não sei se volto para o ano. Gostava. Vai depender da minha disponibilidade. Posso tentar fazer só fins de semana e feriados. Agora vou guardar esta experiência com carinho, que me acrescentou tanto a nível humano. Que me fez perceber um bocadinho mais como funciona o mundo editorial. Que meu deu uma cultura enorme (mais ainda) sobre livros, autores, literatura em geral. Um dia, quando tiver filhos e os levar à Feira para comprar uma banda desenhada qualquer ou uma colecção infantil que esteja na berra, vou poder dizer-lhes que a mãe já trabalhou ali, no meio dos livros. Que os livros já eram uma parte importante da vida da mãe, antes de eles chegarem ao mundo, como espero que sejam para eles, sempre. 

 

Para além do que vos conto aqui, se quiserem saber mais algumas curiosidades sobre trabalhar na Feira do Livro, há uma entrevista minha no blog A Mulher que Ama Livros sobre o tema. Respondi a tudo o que a Cláudia me perguntou. Há coisas lá que não conto aqui. Vão ler! 

 

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Dia Internacional da Lembrança do Holocausto

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Dia 27 de Janeiro é o dia Internacional da lembrança das vítimas do Holocausto. A data foi designada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2005,  por ser o dia que marca a libertação do campo de concentração de Auschwitz, em 1945, pelo Exército Soviético, há 72 anos. 

 

Todos sabemos o que aconteceu nos campos de concentração comandados pelo regime nazi. É díficil, impossível até, imaginar o sofrimento de quem passou por lá. Felizmente há quem tenha sobrevivido e conseguido contar ao mundo como era a vida(?) lá dentro. Há muitos livros, filmes e documentários sobre o tema, que contribuem para que a Humanidade nunca se esqueça que o Holocausto aconteceu, que houve um genocídio de judeus com contornos de malvadez que parecem tirados de um filme de terror. Ainda há pessoas que duvidam da veracidade das histórias, de que certas atrocidades tenham mesmo sido cometidas. Há pessoas que tentam ignorar que tudo aquilo aconteceu. E, hoje em dia, notícias como esta são preocupantes. É por isso que este é um tema que não pode morrer, tem que se continuar a falar disto, por mais anos que passem. E mais impactante do que ler um livro qualquer sobre o tema ou ver um filme, para mim, é ter acesso a documentários que mostram sem polimentos literários ou de realização, a verdade nua e crua.

 

E é por isso que hoje quero falar-vos do documentário "Night will fall" (A Noite cairá), que mostra as primeiras filmagens feitas pelos aliados, quando chegaram aos campos de concentração. Foram precisos 70 anos para essas imagens chegarem ao público. As fitas foram encontradas no Imperial War Museum, em Londres. Imagens de 1945 que os Aliados quiseram silenciar com medo de voltar a humilhar os alemães, como tinha acontecido no final da I Guerra Mundial, e que eles se quisessem vingar e voltasse tudo a acontecer. O realizador André Singer reuniu, então, as primeiras filmagens feitas pelos aliados, trabalhadas em 1945 por Sidney Bernstein em colaboração com Alfred Hitchcock. 

 

O documentário, de 2014, passou na RTP na comemoração dos 70 anos da libertação de Auschwitz, há dois anos. Vi-o nessa altura e fiquei marcada para a vida. Imagens de cadáveres empilhados em valas comuns como bonecos. Pessoas ali sem vida, ao monte, que certamente tinham filhos, tinham pais, tratadas de forma cruel e às quais nem na morte lhes foi dada um pouco de dignidade. É um murro no estômago valente. É impossível não se emocionarem com a crueldade e, infelizmente, veracidade das imagens. Tem testemunhos de sobreviventes. Tem depoimentos de antigos soldados dos aliados que contam como encontraram os campos, o cheiro que ainda havia nas câmaras de gás, o que sentiram quando se aperceberam o que se passava ali. Até àquele momento, ninguém além dos nazis, sabia bem o que acontecia nos campos de concentração. Ficaram chocados. Tem testemunhos verdadeiramente impressionantes. Alguns pormenores interessantes sobre as reacções dos soldados quando chegaram a Auschwitz estão neste artigo, do Público. 

 

Não consigo transmitir-vos o que é este documentário. Têm que ver. Toda a gente devia ver. Tem imagens muito fortes. É preciso ter estômago e aguentar o coração. É duro. Vejam, partilhem! Contribuam para que nunca se esqueça e para que nunca mais volte a acontecer. 

 

Vejam o trailer.

 

Neste mês, para marcar a data, a Dora criou o projeto #hol72, que consiste em ler livros sobre o Holocausto. Reli "O Diário de Anne Frank" e estou a terminar "Se isto é um homem", de Primo Levi. Falarei deles aqui no blog nos próximos dias. 

Novidades da Relógio D' Água

Não é segredo para ninguém que a Relógio D'Água é uma das minhas editoras portuguesas preferidas. Tem uma identidade visual marcante - sei identificar, de longe, um livro pelo tipo de capa - as traduções são excelentes e tem um catálogo de clássicos de babar. 

 

Recebi ontem a newsletter com as Novidades para o primeiro semestre de 2017, ordenadas por mês entre Janeiro e Maio. Dos 45 títulos há alguns que me saltaram à vista: 

 

O Homem Duplo, de Philip K. Dick (JANEIRO)

Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare (FEVEREIRO)

O Regresso de Mary Poppins, de P. L. Travers (FEVEREIRO)

O Rapaz Que Seguiu Ripley, de Patricia Highsmith (MARÇO)

Os Miseráveis, de Victor Hugo (MARÇO)

Os Diários, de Virginia Woolf (ABRIL)

Na Penúria em Paris e em Londres, de George Orwell (MAIO)

A Casa Abandonada, de Charles Dickens (MAIO)

 

De todos estes, sem dúvida que "Os Miseráveis" conseguiu criar-me aqui uma ânsia pecadora, já a fazer contas à vida e à carteira. Mas continuo firme e forte na ideia de não comprar mais que 12 livros este ano. Um já está. Só posso cair em tentação mais onze vezes.