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SAY HELLO TO MY BOOKS

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Como foi trabalhar na Feira do Livro?

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Quero começar por dizer que nada do que escreva ou conte vai conseguir transmitir tudo o que vivi e senti nestas semanas. Muitos pormenores vão ficar por contar, mas quero deixar-vos uma ideia geral de como é viver a FLL por dentro. 

 

Para quem trabalha, a Feira começa sempre uma hora antes do horário de abertura ao público. É preciso abrir os pavilhões, tirar os plásticos dos cestos e expositores, carregar caixotes e mais caixotes de livros para os pavilhões a que se destinam, repôr exemplares nas prateleiras, encher os cestos de promoções, trocar os Livros do Dia nos expositores, enfim... Uma azáfama para estar tudo em ordem quando começarem a chegar clientes. Se for fim-de-semana ou feriado é certo que mal as caixas abram, já há pessoas a fazerm as primeiras compras do dia.

Podemos trabalhar apenas 4h como passar lá o dia inteiro. O máximo de horas que fiz foram 11, mas há quem tenha feito 14h. É cansativo, sim, mas ninguém se queixa. São "só" 18 dias. A maior parte das vezes entrava às 14h e ficava até ao fecho, fosse às 23h ou às 24h. A hora de jantar variava. Podia ir às 21h como às 18h30. Fins de semana e feriados era a loucura. Muita, muita gente. Verdadeiras multidões para cima e para baixo. Pais com crianças e bebés de colo, pessoas mais velhas, grupos de adolescentes, pessoas vestidas de forma festiva ou com roupa de ginásio, viu-se de tudo. Até os noivos de Santo António por lá desfilaram. Vi muita, muita gente na Feira do Livro. Fosse de manhã, de tarde, de noite, nunca estava vazia e por vezes até se tinha que pedir 'com licença' para passar. Quantas vezes, na hora de fecho, tínhamos que tentar "expulsar" com jeitinho os clientes que não queriam sair por nada. Íamos fechando as luzes, pondos os plásticos nos cestos...e eles lá continuavam. Mesmo nos dias com 40º graus, as pessoas não faltaram. Levavam leques, água, roupa fresca, mas iam.

 

Raios part'o calor!

As maiores dificuldades foram o cansaço fisico e o calor. Houve vários dias seguidos em que trabalhei entre 9h a 11h, apenas com uma hora de paragem para comer, o que significa sempre 8h a 10h em pé. Custa. Principalmente quando começou a ficar muito calor e deixei de conseguir ir de ténis. Levava sandálias para estar mais fresquinha, mas toda a gente sabe que sandálias rasas não são a coisa mais confortável do mundo quando se está tanto tempo a depositar-lhes o peso do corpo em cima. Quando o calor intenso chegou, tudo piorou. Cansava o triplo. Tínhamos que estar ao ar livre sem ter para onde fugir. Os pavilhões absorvem o calor como estufas. Ao sol era impossível estar, íamo-nos aglomerando nas sombras boas, aquelas onde, com sorte, podia passar uma brisa de vez em quando. A sorte é que tínhamos borrifadores (aqueles das plantas), que enchíamos com água e gelo, e só assim aqueles últimos dias de feira foram suportáveis. Molhávamos os braços, a cara, o pescoço, as pernas, tudo. Um verdadeiro banho. Os clientes passavam por nós e riam-se. Alguns pediam para os borrifarmos também. Outros pensavam que estávamos a nadar em suor e ouvía-os comentar, entre dentes, "ai coitados!". Não me posso esquecer do meu querido leque de papel, preciosidade de merchandising da Sveva, que muito me ajudou e que era cobiçado por todos os clientes. "Desculpem, já não há mais e guardo este com a vida". Eles riam-se e percebiam. De vez em quando ia às caixas de cima, onde havia ventoínhas, e borrifava o ar com água que vinha fresquinho com o vento da ventoinha. Um truque que aprendi lá. Maravilha. Os próprios chefinhos, a sofrer também com o calor, foram super compreensivos e, nos últimos três dias, pudemos ter mais momentos de descanso, sentados, enquanto o ambiente da Feira estava mais parado, até às 18h.  Eles próprios pediam para ser borrifados. Chegámos a fechar as caixas de baixo porque batia o sol de chapa e só a partir da hora de jantar era possível trabalhar lá. Nem à noite arrefecia um bocadinho. Nesse último fim-de-semana, todos os eventos e sessões de autógrafos foram adiados para uma hora mais tardia, precisamente por causa do calor. Vocês não imaginam o que foi aguentar os 41º na Feira. Sem vento, sem uma aragem, sem ar condicionado, sem poder estar com roupa fresca como gostaria, além do colete quente que tínhamos que usar. Chegava a casa exausta. Dorida. Suada. E só três dias depois da Feira acabar é que senti que recuperei as forças e que voltei a ter pés. 

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O Ambiente 

Tive colegas incríveis. Ao contrário do que se pensa, e como é um trabalho provisório, davamo-nos todos muito bem, desde os mais novos com 18, aos mais velhos com 50. Criou-se um espírito de equipa muito grande.  Fartámo-nos de rir juntos com situações caricatas. Ajudávamo-nos sempre, em qualquer situação, afinal estávamos todos a remar para o mesmo lado. Se era preciso ir repôr livros no pavilhão X, íamos dois ou três. Se um de nós não conhecia uma autora ou um título, quem estava ali ao lado, intervinha. Se naquele momento não podíamos ir pesquisar no computador, ia alguém por nós. Se precisávamos de fazer uma pausa para descansar os pés, beber água, comer um gelado para refrescar, os outros aguentavam as pontas até voltarmos. Sem reclamar, sem má cara ou sorriso amarelo. No final do dia, depois de apagar as luzes, fechar e trancar os pavilhões, cobrir os cestos e expositores, ficávamos a convervar. Alguns levavam bolinhos de casa e distribuíam. Nos eventos, os chefinhos davam-nos espetadas de fruta e canapés, assim de fininho, porque "os miúdos merecem".

O último sábado foi memorável. Nem sei bem explicar. Aquele calor dos infernos aproximou-nos ainda mais. Sofrimento coletivo é união, na certa. A compreensão e amizade nesse dia foi de ficar gravada na memória. À hora de jantar o céu encobriu. Uns riam-se quando alguém dizia que ainda vinha lá chuva. De repente, começa a chover. Tínhamos dezenas de livros em cima de mesas no espaço onde acontecem as sessões de autográfos, tínhamos os cestos abertos e os expositores ao ar.  Alguém grita "OS LIVROOOOOS". Em dois segundos, desatámos todos a correr para salvar os livros da chuva. Uns foram apanhar os das mesas, outros buscar os plásticos para tapar os cestos e os expositores. Todos a correr de um lado para o outro. Foram uns cinco minutos de adrenalina livreira. Mal terminámos, pusémo-nos debaixo da chuva. Sabia-nos bem. Alguém pôs a tocar o "Singing in the rain", do Sinatra, e a seguir o "It's raining men". Rímos, dançámos e foi memorável. Enquanto os clientes se abrigavam da chuva dentro dos pavilhões, nós fazíamos a festa. Conheci pessoas incríveis. De várias idades, de várias cidades, de várias áreas de trabalho. Tenho os meus horizontes abertos e gosto de conhecer pessoas novas. E sabem o melhor? Todos os dias aprendi alguma coisa com alguma delas. E isso é incrível!

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Os Clientes

Apanhei pessoas muito simpáticas que me perguntavam o nome e diziam que ia falar bem de mim ao chefe. Que me perguntavam se ganhava à comissão, porque merecia. Que me agradeciam muito quando os ajudava, porque em outras bancas ninguém o tinha feito. Pessoas que me deram sugestões de livros, pessoas com quem troquei dois dedos de conversa muito interessantes, pessoas que gostam mais de livros do que eu. Vi homens e mulheres dar gritinhos de alegria quando descobriam um livro que queriam há muito, ainda por cima com desconto. Vi crianças felicissímas por levarem novas histórias para casa. Pessoas que me fizeram soltar uma gargalhada com algum comentário. Ajudei muita gente a sair dali feliz. 

Também há os mal educados. Que não agradecem. Que viram a cara quando a resposta que damos não é o que querem ouvir. Quando insistem que um livro é da Bertrand, mesmo quando dizemos que não é. Que nos fazem ficar 10 minutos à espera enquanto procuram no telemóvel o título do livro que querem. Os que em Hora H não percebem que temos mais 15643 pessoas para atender. 

E depois há aqueles que nem sabem bem o que querem. "Olhe eu quero encontrar um livro que fala de viagens, dois amigos que foram viajar. Sabe onde está?". Pergunto o título. Não sabe. Pergunto o autor. Não faz ideia. Só sabe que talvez seja passado na Ásia. Assim fica díficil. Digo-lhe que sem título ou autor não o consigo ajudar sequer a procurar no computador. Encolhe os ombros, bufa um bocadinho e vai à vida dele. Vem outro: "Olhe eu queria um livro que tem assim uma capa amarela...é de uma autora...ai como é que ela se chama? A capa é muito bonita!". Fico na mesma. "Olhe onde é que estão os livros do Rentes de Carvalho?", pergunta-me outro. Levo-o lá e indico, a seu pedido, qual é o mais recente. "E fala do quê?". Respondo que não sei. Ri-se na minha cara. "E aquele ali em baixo...passe-mo lá...também não sabe do que se trata?". Apetecia-me ter-lhe respondido que tomara eu saber do que é que se tratam todos os milhares de livros que estavam ali na Feira, tomara eu já os ter lido a todos ou, pelo menos, todas as sinopses. Era muito bom sinal. Sei muito sobre vários livros, muitos que até ainda não li. Mas as pessoas acham que temos o dever de saber de cor o conteúdo de todos. Uma colega dizia que eu era querida demais para esse tipo de clientes, que devia responder-lhes à altura da ignorância e arrogância deles. Nunca o fiz. Perguntaram-me se achava bom o conteúdo de um livro de receitas que lá estava. Perguntaram-me dicas de autores parecidos com Daniel Silva para depois não aceitarem nenhuma das minhas sugestões. Perguntaram-me por um "Ensaio não sei de quê...que está como livro do dia...de um José...ai, esqueci-me do nome!". Pediram-me livros que fossem todos escritos com maiúsculas. Perguntaram-me por livros que tivessem apenas finais felizes. Queriam saber se a tradução nova da Bíblia estava realmente boa e quiseram impingir-me os livros do Augusto Cury e do Robin Sharma. Passei a conhecer o monge que vendeu o seu ferrari, a perceber que o mindfulness também funciona com crianças e a ter noção de como se fazem gelados caseiros. Também ouvi, da boca de adolescentes, que "se são autores portugueses então não prestam". Ou então que livros de bolso não têm a história completa. 

 

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Brincámos, muitas vezes entre nós, com o facto de que se ganhássemos cinco cêntimos por cada vez que nos pediam para explicar como funcionam as etiquetas, ou nos perguntavam "onde se paga?", estávamos ricos. Foi a pergunta que mais ouvi "E agora onde é que se paga?". Mas não dá para ver as caixas? "Pode pagar ali em baixo, ou nas caixas lá em cima, desde que não saia dos limites do nosso espaço". Às vezes nem perguntavam. Chegavam ao pé de mim com um toquezinho de cabeça como quem diz "quero pagar", e com dinheiro na mão. Lá repetia a lenga-lenga toda outra vez. E ainda houve uma alminha que chegou no último sábado de manhã, convencida que a Hora H era das 10h às 11h da manhã.  

 

Posso dizer que foi muito mais giro e muito mais cansativo do que alguma vez imaginei. Inscrevi-me não tanto pelo dinheiro, mas pela experiência. Poder fazer parte da Feira do Livro, vivê-la por dentro foi o que me motivou. Em 18 dias de Feira, só não trabalhei quatro. E os 14 em que lá estive valeram por muitos mais, porque a Feira é vivida intensamente. Ninguém está lá pela metade. Está-se lá inteiro, de alma, corpo e espírito focados naquele espaço e naquelas pessoas. Esquecia-me de todos os problemas, preocupações, afazeres que tivesse fora dali. Cheguei a sonhar com a Feira, com as prateleiras cheias, quando havia um "buraco" lá tinha eu que ir tapar. 

 

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Senti uma imensa nostalgia no dia seguinte à Feira terminar. Punha-me a fazer contas do que estaria a fazer àquela hora se estivesse lá. É sempre assim quanto termina um projeto que gostámos muito. Não sei se volto para o ano. Gostava. Vai depender da minha disponibilidade. Posso tentar fazer só fins de semana e feriados. Agora vou guardar esta experiência com carinho, que me acrescentou tanto a nível humano. Que me fez perceber um bocadinho mais como funciona o mundo editorial. Que meu deu uma cultura enorme (mais ainda) sobre livros, autores, literatura em geral. Um dia, quando tiver filhos e os levar à Feira para comprar uma banda desenhada qualquer ou uma colecção infantil que esteja na berra, vou poder dizer-lhes que a mãe já trabalhou ali, no meio dos livros. Que os livros já eram uma parte importante da vida da mãe, antes de eles chegarem ao mundo, como espero que sejam para eles, sempre. 

 

Para além do que vos conto aqui, se quiserem saber mais algumas curiosidades sobre trabalhar na Feira do Livro, há uma entrevista minha no blog A Mulher que Ama Livros sobre o tema. Respondi a tudo o que a Cláudia me perguntou. Há coisas lá que não conto aqui. Vão ler! 

 

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Compras na Feira do Livro 2017 II

A Feira do Livro de Lisboa acabou. O balanço de compras é muito positivo - para a minha estante, porque para a minha carteira pende para o outro lado. Já vos mostrei as primeiras compras feitas na Feira deste ano, em várias editoras, hoje mostro as restantes, todas do Grupo Bertrand/Porto Editora.

 

Três livros do dia com 50% de desconto (O tempo entre costuras, Apenas Miúdos e Dentro do Segredo), um livrinho muito barato encontrado nos cestos de promoções (Cartas de Amor de Grandes Mulheres), outro que saiu muito barato também por entrar na promoção de 5€ de desconto em compras de 30€ (Provavelmente Alegria) e dois livros GRÁTIS (Joyland e A Contadora de Histórias), por ter pago com MB Way, que em compras de 25€ nos dava a possibilidade de trazer um livro de etiqueta laranja à escolha (a minha mãe comprou um de 25€, eu aproveitei-me da situação). Acho que não podia pedir melhor. 

 

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O tempo entre costuras (María Dueñas) - Já ouvi falar bem e mal deste livro. A sinopse interessou-me, ainda para mais quando mete Lisboa ao barulho. É um calhamacinho, mas a ver se damos cabo dele este verão. 

 

Apenas Miúdos (Patti Smith) - É daqueles livros que quero ler praticamente desde que foi publicado. Apanhei-o a 50% e não resisti a trazê-lo comigo. 

 

Dentro do Segredo (José Luis Peixoto) - Outro que quero ler desde que saiu. É sobre a viagem que o escritor fez à Coreia do Norte, que é daqueles países que me desperta uma curiosidade enorme por ser tão fechado, tão rígido, tão desumano até. Conseguir entrar um bocadinho naquelas barreiras impostas ao resto do mundo, pelos olhos e palavras de um português que lá esteve é maravilhoso. Além de que é um tema que está na ordem do dia depois de ter sido anunciada a morte do estudante norte-americano que foi preso lá, voltou a semana passada em coma para os EUA e faleceu ontem. 

 

Provavelmente Alegria (José Saramago) - Saramago também escrevia poesia. Saramago dava títulos lindos aos livros de poesia. Saramago veio comigo por 3,60€. E não vejo a hora de lhe pegar. 

 

Cartas de Amor de Grandes Mulheres (Ursula Doyle) - Adoro cartas. Tenho muita pena de viver num mundo conduzido por emails e mensagens de texto. Confesso a minha veia indiscreta, talvez um pouco bisbilhoteira até, que quando viu este livro a 3,50€ teve que o trazer. De Catarina de Aragão a Ana Bolena, passando pela Rainha Vitória, Florbela Espanca, Ofélia Queiroz e mais umas quantas. Adoro. 

 

A Contadora de Histórias (Jodi Picoult) - Nunca li nada da autora, mas falam tão bem dela e tão bem deste livro que quando percebi que o conseguia trazer a custo zero, nem pensei duas vezes. 

 

Joyland (Stephen King) - O título, a capa, a vontade mórbida de ler coisas de terror a ver se tem alguma influência em mim (os filmes têm...muita!). Outro livro que, podendo trazer gratuitamente, não podia lá ficar. 

 

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Agora é ir dando cabo desta pilha aos poucos. Com sorte, vai tudo até à Feira do próximo ano, entre os outros que continuam em fila de espera na estante cá em casa. 

Ao todo foram 14 livros. 12 comprados e 2 grátis.

8 Editoras: Relógio D'Água, Tinta-da-China, Bertrand, Porto Editora, Quetzal, Dom Quixote, Editorial Presença e Asa. 

Caso tivesse comprado todos em livraria, a preço de catálogo, tinha gasto 212,40€. Gastei 90,95€. O que dá uma média de 6,5€ por livro. E tendo em conta que não pretendo comprar livros nos próximos meses, quiçá mesmo até final do ano, acho que foi um dinheiro bem gasto. Ora, se dividirmos os 90€ por 6 (meses), dá 15€. Seria o mesmo que comprar um livro por mês até Dezembro (e na verdade, por este dinheiro, trouxe mais que o dobro). 

 

Compras na Feira do Livro 2017

As primeiras compras na Feira do Livro deste ano foram sete e ainda estou de olho em mais dois ou três. Não sei se os trago para casa ou não. Ainda há mais de uma semana de Feira para decidir. Gasta-se dinheiro, sim. Mas a verdade é que compensa muito quando sabemos aproveitar as promoções que a Feira nos dá, quando fazemos boas escolhas e compras com cabeça. Sobretudo para quem não anda sempre em livrarias (físicas ou online) a gastar dinheiro, podemo-nos dar ao luxo de gastar um bocadinho mais na Feira, principalmente se só comprarmos livros que tenham 50% de desconto. Além de que, como já li em vários sítios, os livros comprados na Feira do Livro têm outro sabor. Parece que são mais especiais. Isto parece uma coisa tonta, mas de certeza que  alguns de vocês também já o sentiram. Foram cinco livros em Hora H, um que era Livro do Dia e outro num alfarrabista. 

 

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Pela Estrada Fora (Jack Kerouac) - Era um dos que queria comprar este ano na Feira. Toda a gente diz maravilhas. Acho que vou amar. 

 

A cor do Hibisco (Chimamanda Ngozi Adichie) - É uma das autoras que quero começar a ler. Nada melhor que pegar no romance de estreia. 

 

A minha pequena livraria (Wendy Welsh) - Livro de 2012 a cinco euros num alfarrabista. Não consegui deixá-lo lá ficar. Uma história verídica sobre um casal que abre uma livraria numa cidade do interior dos EUA. Uma história sobre o papel transformador dos livros. 

 

Travessia de Verão (Truman Capote) - Romance póstumo de Capote. É daqueles autores que quero ler a obra toda. 

 

Caviar é uma ova (Gregório Duvivier) - É um livro de crónicas. Sou fã deste homem deste que comecei a seguir A Porta dos Fundos, há uns anos. Fui vê-los ao vivo no São Jorge e estou sempre a par dos projectos deles. O livro tinha que vir. 

 

Trinta e Oito e Meio (Maria Ribeiro) - Outro livro de crónicas. A Maria é actriz, apresentadora, cronista e escreve tão, tão bem. 

 

O Tigre Branco (Aravind Adiga) - Escritor indiano que ganhou o Man Booker Prize com este livro, em 2008. Mais um livro para o meu projeto Volta ao Mundo em Literatura.

 

De barriga cheia com estas compras. Preciso arranjar espaço na estante. Vou lê-los todos até à próxima Feira do Livro. É a minha regra. 

A minha relação com a Feira do Livro e porque é que este ano vai ser diferente

 

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A Feira do Livro de Lisboa é dos meus eventos preferidos do ano (a par com os Santos Populares e o meu aniversário, que calham todos em Junho, vejam a sorte). Gosto da FLL não só para comprar, mas para passear, para estar, para respirar e relaxar. A Feira relaxa-me. Mesmo nos dias das enchentes de pessoas, do calor extremo, do cansaço, dos pés a doer... . Adoro ir andando, devagarinho, ver as bancas com calma, pegar num livro, ler a sinopse, folheá-lo, pousá-lo e pegar no do lado. E assim ir subindo e descendo o Parque Eduardo VII. Com tempo. Não me apressem. 

 

Isto faz com que se tenha que escolher muito bem as pessoas que nos acompanham à Feira. São pessoas que também gostam de ler? Então vão estar no mesmo ritmo que nós. Se forem amigos que levamos só para não irmos sozinhos...esqueçam. Eles vão querer ver tudo a correr, despachar rápido as bancas dos livros para se irem sentar na esplanada a beber uma imperial. Por isso, às vezes mais vale ir sozinho. Vou muitas vezes sozinha. No meu próprio ritmo, sem ninguém a acelerar, a chamar, a tirar-me daquela hipnose boa que a Feira nos dá. 

 

Antes da Feira consulto sempre o site para ver os livros do dia, em cada dia. Faço uma lista dos livros que quero mesmo comprar (ajuda a não cair em tentações impulsivas). E é com essa lista que vou coordenando as minhas idas à Feira. Costumo ir sempre vários dias. No primeiro, vou com amigos, faço um reconhecimento do espaço, vejo onde está cada editora, ponho-me a par das novidades, sinto o ambiente. Depois vou mais um ou dois dias especificos para fazer compras, especialmente na Hora H, que é o que realmente compensa em termos de poupança. Compro sempre os livros que quero na Hora H (das 22h às 23h, durante a semana). O ano passado comprei 5, todos com 50% de desconto. Compensou. E já os li todos (exepto um, vá). Compro apenas livros que quero mesmo ler durante os próximos meses. No ano anterior comprei 12 e, pensando bem, é um exagero. 

 

Desde pequena que me lembro de ir à Feira do Livro com os meus pais. Nos últimos anos tenho ido ainda com mais vontade, mais paixão, mais carinho por aquele espaço. E este ano vai ser diferente. Pela primeira vez vou estar lá a trabalhar, como colaboradora numa das editoras. Tenho bastante flexibilidade a nível de trabalho porque sou freelancer e pensei "porque não?". Não sei se para o ano poderei fazer o mesmo, ou nos anos seguintes. É já este! Eu adoro a Feira e, assim, junta-se o útil ao agradável. Passo vários dias lá a trabalhar como colaboradora no meio dos livros, ao ar livre e ainda ganho uns trocos. Perfeito. E assim será. Vai ser uma experiência incrível, de certeza. 

 

A Feira do Livro começa já na quinta-feira. Vai estar sol. O Parque vai encher-se de pessoas que gostam de ler. Estamos rodeados de pessoas dos livros por todo o lado e isso é tão bom. A procura pelos livros físicos não está a morrer. Está mais viva que nunca. E nós vamos lá beber um bocadinho dessa vida. 

 

Ah! E dia 4 de junho (domingo) há encontro do Clube dos Clássicos Vivos lá. Cereja no topo do bolo. E vocês, vão? Contem-me. Pode ser que nos encontremos por lá. 

 

Compras na Feira do Livro 2016

Ainda está a valer mostrar as compras feitas na Feira do Livro de Lisboa deste ano? Também só passou um mês e pouco... Fui duas vezes à Feira (metade do que fui o ano passado). A primeira para passear, conviver, ver como estava o espaço, como estavam organizadas as bancas, as novidades das editoras, etc. Fui logo no primeiro dia, feriado, um caos de pessoas e de calor. Depois voltei outro dia à noite, sozinha, para fazer as compras que queria, sem ninguém a apressar-me o passo. A Feira do Livro é para se fazer ao nosso ritmo. Gosto de ver as bancas com calma, mexer nos livros, ler sinopses, reparar em pormenores, fazer contas às promoções... Depois de uma análise intensa ao site da Feira (sim, sou dessas) e de me pôr a par dos "Livros do Dia" para cada dia, já fui com uma ideia pré-definida do que queria comprar.

 

E comprei 5 livros. Quatro com 50% de desconto na Hora H e um com desconto de 40%. O ano passado trouxe 12 livros e ainda não li metade dessa lista. Controlei-me e trouxe apenas aqueles que queria mesmo ter na estante. Infelizmente sem nenhum autor português. Andei a namorar livros do Afonso Cruz, mas os que queria não entravam na Hora H, tinham um desconto quase nulo, deixei-os ficar... 

 

Só trouxe autores que nunca li. Quatro livros adultos e um infanto-juvenil. Três da Relógio D' Água (que é claramente a minha editora preferida), um da Quetzal e um da Alfaguara. 

 

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A Amiga Genial (Elena Ferrante)

O único que não estava a 50%, mas era Livro do Dia. Já ouvi tanta, mas tanta gente falar bem deste livro e desta série da Elena Ferrante que não consegui vir para casa sem ele. Era um dos que queria mesmo comprar na Feira. Estou muito curiosa para começar a lê-lo. Vou levá-lo para férias. Tenho a certeza que o único problema vai ser querer ter logo o segundo à mão.

 

O Talentoso Mr. Ripley (Patricia Highsmith)

Nunca vi o filme. Nem tinha curiosidade para ler o livro até ter visto um vídeo da Tatiana Feltrin (booktuber brasileira) a falar dele. Adoro esta capa e espero não me desiludir com a história. 

 

Mary Poppins (P.L. Travers)

Amo o filme, já vi vezes sem conta. É uma história encantadora, apesar de saber que a Disney floreou um bocado alguns dos factos. Depois de ver o filme "Saving Mr. Banks", que nos conta como Walt Disney fez de tudo para convencer a autora a vender-lhe os direitos do livro, fiquei com imensa vontade de conhecer a escrita dela, de perceber o amor todo que ela pôs nestes personagens e nesta história que ela queria defender com unhas e dentes de ser mal aproveitada pela indústria cinematográfica. Vai ser lido agora no verão. 

 

À espera no centeio (J.D. Salinger)

Sabem aqueles livros que nunca leram mas têm quase a certeza que vão amar? É o sentimento que tenho com este livro. Já ouvi falar tão bem, de bocas tão diferentes. E sendo o meu género preferido os "clássicos", ainda que sejam clássicos modernos, este tinha que vir comigo.

 

Pulp (Charles Bukowski)

Há muito que quero ler Bukowski. Pulp foi o último livro que escreveu antes de morrer. Já ouvi muito sobre a escrita dele, sobre ele próprio, o seu problema com álcool, com a má vida e com o mundo em geral... Foi-me recomendado por amigos (e alguns que lêem pouco mas adoram Bukowski). Estou curiosa. Espero mesmo gostar. 

 

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A ver se leio estes cinco até ao final do ano. Querida Feira do Livro, voltamos a ver-nos em Junho de 2017.