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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

31
Mar17

O que foi lido no Março Feminino?

Mulheres a ler e mulheres a ser lidas. Este Março bombou! Várias pessoas entraram na onda do Março Feminino e foram às prateleiras buscar livros escritos por mulheres, fizeram posts sobre isso, partilharam fotografias no Instagram, foi uma festa! E agora, que o mês chegou ao fim, faço um apanhado de todas as autoras que foram lidas este mês por quem entrou neste desafio (se me escapou alguma, avisem-me). De autoras clássicas a contemporâneas, portuguesas a estrangeiras, das loucas às mais românticas, houve um bocadinho de tudo. Foram cerca de 40 mulheres a ser lidas este mês, só neste desafio. Aqui estão algumas das imagens partilhadas no Instagram com #marçofeminino. 

 

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Vejam a lista de autoras e guardem as que não conhecem como sugestões para leituras futuras:

 

Jane Austen

Agatha Christie

Anne Bronte

Simone de Beauvoir

Colleen Hoover

Dorothy Koomson

Elena Ferrante

Malala Youzafzai

Suzanne Collins

Jojo Moyes

Jennifer Niven 

J. K. Rowling 

Amy Hatvany

Ruta Sepetys

Camila Lackberg

Emma Healey

Sharon Dogar 

Selma Lagerlöf

Nicola Yoon

Rupi Kaur

Nina Lugovskaia

Liane Moriarty

Patricia Highsmith

Pearl S. Buck 

Rowan Coleman

Banana Yoshimoto

Emma Cline

Cinda Williams Chima

Rosa Lobato de Faria

Joana Santos Silva

Yeonmi Park

Helena Sacadura Cabral 

Sarah Andersen 

Sue Grafton

Isabel Allende

Catarina Duarte

Robin Roe

Mafalda Rodrigues de Almeida

Shirley Jackson

Diane Setterfield

Célia Correia Loureiro

 

Em Março de 2018 estamos cá outra vez a ler apenas mulheres. Mas não deixem de dar atenção à literatura no feminino durante o resto do ano.

 

12
Dez16

Volta ao Mundo em Literatura: 12 meses, 12 países, 12 livros

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A ideia é simples: durante 2017 ler um livro por mês que seja de um país diferente do nosso, num desafio de conhecer outras culturas através da literatura. Eu já o faço e sei que muitos já o fazem, mas um incentivo extra nunca fez mal a ninguém. É só escolher 12 países diferentes e toca a andar. Diversificar leituras, ler histórias que nos chegam dos quatro cantos do mundo é o objectivo deste projecto. Viajar para sítios onde nunca fomos através de autores e culturas completamente diferentes da nossa.

 

Hoje partilho a minha escolha dos 12 países, espalhados pelos vários continentes. Escolhi apenas autores que nunca li para cada nacionalidade. No início de cada mês partilho o livro que irá ser lido de cada um. E no final de cada mês será publicada a opinião sobre esse livro. Não é necessariamente esta a ordem de leitura. 

 

Alemanha: Thomas Mann

Angola: Pepetela      

Austrália: Markus Zusak    

Canadá: Alice Munro  

Chile: Isabel Allende

França: Gustave Flaubert

Índia: Aravind Adiga

Itália: Primo Levi

Japão: Haruki Murakami

Nigéria: Chimamanda Ngozi Adichie      

Perú: Mário Vargas Llosa  

Rússia: Fiódor Dostoiévski

 

Para além de Portugal, exlcuí também deste projeto Inglaterra, EUA e Brasil, porque são os autores que mais leio e, como disse, o objetivo é diversificar. Se tiverem sugestões de outros países ou autores serão muito bem-vindas.

 

Quem quiser entrar neste desafio está à vontade para escolher os escritores e os países que quiser. Desde que sejam todos diferentes entre si e que não haja Portugal pelo meio... Vou partilhando os livros e os updates de leituras no Instagram a partir do início do ano. Ansiosa para começar. 

14
Nov16

Mrs. Dalloway, Virgina Woolf

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"Mrs. Dalloway disse que ela mesma compraria as flores". É assim que começa este romance de Virginia Woolf, publicado em 1925, que narra um dia na vida de Clarissa Dalloway, uma senhora de alta sociedade, em Londres. Vamos acompanhar Mrs. Dalloway, durante todo aquele dia solarengo de Junho, nos preparativos para a festa que dará em casa nessa noite. E o que à partida pode ser simples, torna-se numa histórias com várias camadas na narrativa que requer a atenção do leitor. Mrs. Dalloway é uma personagem complexa, que vive numa melancolia incurável e numa ansiedade dolorosa que nos faz lembrar a própria autora, que como se sabe tinha algumas perturbações psicológicas, por isso não admira que transportasse essa densidade emocional à protagonista. 

 

A obra é escrita com a técnica do fluxo de consciência e, por isso mesmo, diferente de tudo o que li antes. É uma técnica literária onde se procura transcrever o processo de pensamento de uma personagem, intercalando o raciocínio lógico com impressões pessoais e mostrando como se desenrola uma associação de ideias. É como se estivessemos dentro da mente de alguém, a acompanhar ao pormenor os pensamentos que lhe passam pela cabeça. Não sabemos apenas o que pensam, mas como pensam e todo o fluxo de ideias que acontece durante um período de tempo. Dizem que demoramos a entrar neste tipo de leitura e que depois flui muito bem. Eu não achei. Custou-me entrar nesta história e não foi um livro que li de forma rápida, ainda que seja curto. 

 

O desenrolar da história acaba por dar protagonismo também a outros personagens, que à primeira vista nos parecem secundários, como Peter Walsh, velho amigo e apaixonado de Clarissa, que regressa a Londres passados muitos anos fora, e que acaba por fazê-la reviver o passado, ou Septimus Warren Smith, um ex-soldado perturbado depois da Primeira Guerra Mundial. Logo no início da obra, enquanto Clarissa compra flores, Septimus passa na mesma rua com a mulher, a caminho do psicólogo. É um personagem triste, com pensamentos suicídas, que muitos dizem ser um retrato da própria autora que, como é de conhecimento geral, acabou com a própria vida em 1941. Há várias semelhanças entre as condições de Septimus e a luta de Woolf com o seu transtorno bipolar (spoiler: ambos alucinam que pássaros cantam em grego e Woolf tentou, uma vez, mandar-se de uma janela, como a personagem de Septimus faz). 

 

Uma das coisas que mais gostei na obra foi a forma como Virginia Woolf nos faz sentir a passagem das horas. O tempo da narrativa é marcado pelas badaladas do Big Ben de hora em hora. É genial! Nesse ritmo, Mrs. Dalloway transporta-nos à análise de uma vida socialmente agitada, na Inglaterra do Pós Primeira Guerra, intercalando com memórias da juventude. Acabamos por regressar várias vezes ao passado das personagens, por lembranças ou conversas de Mrs. Dalloway com Peter Walsh ou Sally Seton, sua velha amiga também, que recordam os verões passados no campo, onde a paixão era o motor de felicidade entre Clarissa e Peter, Clarissa e Sally e até Clarissa e Mr. Dalloway que se tornou seu marido. Alguns desses momentos tornam-se maçadores como, por exemplo, as vinte e tal páginas em que entramos na cabeça de Peter e parece que nunca mais de lá saímos... 

 

Foi a primeira obra de Virginia Woolf que li. Ouvia muita gente falar bem desta obra, comprei-a na Feira do Livro de Lisboa em 2015 e li-a no Outono desse ano. Acho esta capa do "Clube do Autor" linda, linda, linda. Gostei da história e foi, sem dúvida, uma mais valia enquanto leitora. Mas não se tornou um dos meus preferidos, como achei que se ia tornar. Não foi o que imaginei que ia ser. Talvez tenha que o reler um dia para chegar a camadas mais profundas da narrativa, para absorver melhor todos os pensamentos e metáforas da vida que Virginia Woolf nos quis transmitir. Dei três estrelas. 

 

Entretanto também vi a adaptação do romance ao cinema, "Mrs. Dalloway" de 1997, e não achei nada de especial. Paradíssimo. Uma seca. 

 

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Sinopse:

A I Guerra terminou, o Verão apodera-se de Londres e Clarissa prepara-se para dar mais uma das suas festas. Mas o aparecimento de , o seu primeiro amor, vai atiçar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos de juventude. E de súbito, Clarissa Dalloway toma consciência da força da vida em seu redor. A singularidade da obra vem dessa espécie de sósia de Mrs.Dalloway, que é Septimus Warren Smith, um homem prestes a enlouquecer com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência. Septimus é contraponto de Clarissa: uma chaga aberta, a sua dor exposta ao mundo. Clarissa, por outro lado, esconde o seu silêncio, cobrindo-o com festas sociais. Virginia Woolf expõe neste romance diferentes modos sentir, evocando, mais que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada personagem.

 

Título: Mrs. Dalloway

Autor: Virginia Woolf

Edição: Clube do Autor

Ano de publicação: 1925

 Nº páginas: 202

 

09
Nov16

Comer, Orar, Amar - Elizabeth Gilbert

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É curioso como realmente há livros que nos chegam no momento certo, na altura ideal para os compreendermos, para nos identificarmos e até para nos ajudarem a olhar para a vida de outra forma. Li o "Comer Orar Amar" em Abril deste ano. Já sabia do que se tratava, queria um livro leve e que me acrescentasse algo e foi assim que entrei na aventura de Elizabeth Gilbert, que durante um ano viajou sozinha para três destinos à procura de experiências diferentes em cada um.

 

Acredito que muitos de vocês já conhecem a história. Elizabeth tinha tudo o que uma mulher americana nos seus 30 podia querer, um bom emprego, uma boa casa, um casamento aparentemente feliz. Mas não se sentia realizada e depois de um processo complicado de divórcio, decidiu viajar durante um ano, dividindo o tempo entre Itália, Índia e Indonésia. E este livro é isso. A história verídica e uma quase autobiografia dessa sua jornada à procura de paz, equilíbrio, devoção, prazer e amor. Mas Elizabeth Gilbert conseguiu contar o que passou sem ser apenas um relato das experiências vividas em cada cultura, sem ser um diário de viagem puro e duro... Conseguiu romantizar a sua própria história, sair de si mesma e contá-la como qualquer outro romance. E é isso que torna o livro envolvente. Gostei muito do facto de abrir completamente o coração e a mente, sem pudores, para nos dar a conhecer os seus pensamentos mais profundos.

 

"A depressão e a solidão perseguem-me há cerca de dez dias em Itália. (...) Há anos que brincamos

ao jogo do gato e do rato. Embora confesse que fiquei surpreendida por encontrá-las naquele

elegante jardim italiano ao crepúsculo. Elas não pertencem ali."

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Elizabeth Gilbert 

 

"Wayan foi enumerando os seis elementos do seu tratamento para a cura do coração despedaçado:

Vitamina E, dormir muito, beber muita água, viajar para um lugar distante da pessoa que amávamos,

meditar e ensinar o coração que isso é o destino". 

 

O livro divide-se em três partes, os três "i's" de Itália, índia e Indonésia. 

COMER: Não se consegue ler a parte de Itália sem babar para cima das páginas, sem sairmos a correr para ir à pizzaria mais próxima. E é engraçado ver que ela, como americana, se surpreende com coisas em Itália que para nós, europeus, são normais como a pronúncia de certas palavras, a arquitectura, a forma de estar das pessoas. Além de que já estive em Roma e "voltei" completamente para lá enquanto lia o livro.  

ORAR: A parte da Índia foi, para mim, a menos interessante das três, ainda que muito válida para todo o percurso e crescimento dela enquanto pessoa, na procura do equilíbrio e na aprendizagem das melhores técnicas de meditação para se encontrar a si mesma. Tem algumas reflexões interessantes que me deixaram céptica e curiosa ao mesmo tempo.

AMAR: O final da jornada passa pela Indonésia onde acaba por encontrar, inesperadamente, um amor que lhe deu a paz que tanto procurava. Esta parte do livro fez-me ter vontade de ir a correr para uma agência de viagens marcar o próximo voo para lá e não voltar tão cedo. 

 

"Estou a aprender cerca de vinte palavras italianas por dia. (...) Onde é que vou arranjar espaço

no meu cérebro para armazenar essas palavras? Espero que a minha cabeça tenha decidido

eliminar alguns antigos pensamentos negativos e memórias tristes e os tenha substituído

por estas palavras novinhas em folha".

 

A verdade é que é impossível ler este livro sem ficar com uma vontade incontrolável de comer coisas boas, de conhecer pessoas novas, de acreditar em algo superior que nos dê tranquilidade de espírito e, sobretudo, de viajar para locais paradisíacos onde nos podemos perder em nós próprios. 

 

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Elizabeth Gilbert na Índia

 

"Na tua próxima vida podes muito bem voltar como uma dessas pobres mulheres indianas

que partem pedra à beira da estrada e achares que a vida não é muito divertida.

Portanto, trata de apreciar o que tens agora, está bem?".

 

Identifiquei-me muito com ela, ainda que ela tenha 34 anos e eu 28, ainda que ela tenha passado por um divórcio complicado enquanto eu nunca me casei, ainda que ela seja religiosa e eu não. Somos jornalistas, somos do signo caranguejo, temos tendência para a melancolia, fazemos amigos com facilidade noutros países, viajamos para aprender novas línguas, somos sensíveis e muito ligadas à família. Identifico-me com pensamentos dela, com reflexões sobre o mundo e a vida. Muitas das palavras dela me fizeram sentido e guardo este livro com um grande carinho. 

 

É um livro simples, com uma mensagem importante. A intenção de Gilbert era despertar nas pessoas a vontade de mudar o que não está bem. Acaba por ser uma leitura fluída e com muito significado. E, mesmo dez anos depois de ser lançado, continua a ser uma história actual e muito válida. Além de que nos dá uma experiência de leitura diferente, porque o que importa não é o final, não temos aquela ansiedade de chegar ao fim para saber o que vai acontecer, porque o interessante é seguir calmamente a aventura de Elizabeth e tirar o melhor de cada cultura por onde ela passou.

 

Este livro fez o maior sucesso nos EUA quando foi lançado, em 2006, e ainda mais quando a Oprah o indicou para o seu clube de leitura, com milhões de seguidores em todo o mundo.

 

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Vi o filme depois e digo-vos que nem a Julia Roberts nem o Javier Bardem lhe safam a pouca qualidade, até porque não concordo na escolha dos actores. Deviam ter escolhido uma actrz menos conhecida, porque ninguém se consegue separar da imagem da Julia Roberts como a conhecemos de outras comédias românticas e o Bardem é espanhol...porque raio o escolheram para fazer de brasileiro? Zero credibilidade. 

 

No filme, a história é contada a correr e confesso que se não tivesse lido primeiro o livro, havia partes do filme que nem percebia. Não faz juz, nem de perto nem de longe, à profundidade do livro. Está uma história básica. Se só viram o filme, não sabem o que estão a perder. 

 

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"As pessoas pensam que uma alma gémea é o par perfeito e é isso que toda a gente quer.

Mas uma verdadeira alma gémea é um espelho, uma pessoa que te mostra tudo aquilo que te retém,

a pessoa que faz com que te centres em ti mesma para que possas mudar a tua vida.

Uma verdadeira alma gémea é provavelmente a pessoa mais importante que alguma vez conhecerás,

porque deita abaixo as tuas defesas e desperta a tua consciência.

Mas viver com uma alma gémea para sempre? Não. É demasiado doloroso.

As almas gémeas entram na nossa vida para nos revelarem uma outra camada de nós mesmos

e depois vão-se embora. E graças a Deus que assim é".

 

Título: Comer, Orar, Amar

Autor: Elizabeth Gilbert

Edição: Bertrand Editora, 2009

Ano de publicação: 2006

 Nº páginas: 373

 

02
Ago16

Pulp, Charles Bukowski

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Fiquei fã do Bukowski depois de ler este livro. Foi o primeiro que li do autor e o último que ele escreveu. "Pulp" fala-nos de um detetive privado sem sucesso, que mal consegue pagar o aluguer do escritório e que de repente se vê com vários casos na mão sem saber como resolver nenhum. Enquanto vai tentanto por os planos em prática, aproveita para percorrer vários bares da cidade e saciar a sua sede de álcool. E sempre que acha estar num bom caminho para descobrir algo, acaba por se envolver em confusões, lutas, perseguições, enganos e desenganos que lhe dificultam ainda mais a vida. Uma história aparentemente simples, mas com um enredo que nos prende. Li-o em dois dias, não damos pelas páginas a passar. 

 

"Terminei a bebida e pirei-me dali para fora. Estava-se melhor na rua. (...)

Comecei a contar os parvos que iam passando por mim.

Cheguei a 50 em dois minutos e meio, e enfiei-me no bar seguinte". 

 

Dizem os critícos que "Pulp" é a única obra que não é explicitamente autobiográfica. Ainda assim, a personagem principal, que é também o seu narrador, apresenta algumas parecenças com o próprio autor, escondidas subtilmente na personalidade de Nick Belane. 

 

Filho de uma alemã e de um norte-americano, Charles Bukowski nasceu na Alemanha em 1920, mas viveu praticamente a vida toda em Los Angeles. É este o cenário de grande parte das suas obras, mas sem o brilho de Hollywood. Bukowski é um daqueles autores rotulados de "malditos". O seu pessimismo e visão negra do mundo são conhecidos e, apesar do talento comprovado em prosa e poesia, foi também um homem de excessos, álcool, tabaco e outros vícios durante toda a sua vida. E é essa vida que passa para os seus livros. E é essa vida que passa para o protagonista desta obra. Mas qualquer opinião que escreva sobre este personagem nunca vai ser tão boa como conhecerem-no através da escrita irónica, desinibida, objectiva e despretensiosa de Bukowski. 

 

Imortalizava as peripécias deste detetive privado enquanto lutava contra uma leucemia. Vários críticos acreditam que a obra foi escrita numa atitude de aceitação da sua própria mortalidade. Que o diga a Senhora Morte, uma das personagens, que contrata Belane para encontrar um antigo escritor francês. É a verdadeira personificação do sentimento que acompanhou Bukowski no período em que escreveu a obra, já a sofrer com a doença que o viria a matar, em 1994, ano da publicação de "Pulp".

 

E porquê "Pulp"? Bukowski começou a escrever o livro sem planear deviadamente o decorrer da história, o que colocou frequentemente Nicky Belane em apuros, para os quais o autor não teve imediata solução, segundo o próprio. Talvez esta informação seja pertinente para compreendermos o título do livro. Se procurarmos o significado de "Pulp" no dicionário, entre várias definições, encontramos esta: "popular or sensational writing that is generally regarded as being of poor quality", sendo sinónimo de trashy, cheap, rubbishy, ou seja, algo ordinário, quase um lixo, algo sem valor. E talvez seja por isso que Bukowski acaba por dedicar o livro à "má escrita". Sem dúvida um autor que entrou para a minha lista de favoritos. 

 

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Sinopse:

O romance conta as desventuras de Nick Belane, detetive particular em Los Angeles. A procura do escritor clássico francês, Céline, é a desculpa perfeita para o detetive privado percorrer os bares da cidade e saciar a sua sede de álcool. A par desse caso, Belane ainda tem de perseguir uma esposa adúltera e investigar uma extraterreste de formas voluptuosas que anda a aterrorizar a vida de um agente funerário. Tudo isto se mistura num cocktail de pesadelo existencial para Nick Belane. Uma espiral de personagens e aventuras naquela que viria a ser a última obra de Bukowski.

 

Título: Pulp

Autor: Charles Bukowski

Edição: Alfaguara (2012)

Ano de publicação: 1994

 Nº páginas: 237

 

01
Fev16

O que quero ler em Fevereiro

Janeiro foi um mês de poucas leituras, por várias razões que, como diz a outra, agora não interessam nada. Terminei o "1984" (que não consegui terminar em Dezembro)  e estou a acabar de ler "A sangue frio", de Capote. Venho falar dessas duas leituras mais para a frente. 

 

Fevereiro traz uma das efemérides anuais mais fofinhas, o Dia dos Namorados. Eu acho que é um óptimo tema para compôr as leituras do mês. E por isso, escolhi três obras de alguma forma ligadas ao "Amor".

 

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Sense and sensibility, Jane Austen 

Quero ler todas as novels que ela escreveu. Esta vai ser a segunda, depois de ter lido "Orgulho e Preconceito" há muitos anos. Tenho esta edição LINDA que mandei vir da Amazon (depois mostro com mais pormenores) e, por isso, será uma leitura em inglês.

 

Contos escolhidos, Guy de Maupassant

Vou ler a Parte I do livro, que está dividido em três. Esta primeira parte agrega "Contos mundados, amorosos, eróticos e galantes". Muito curiosa. 

 

O Diário da Nossa Paixão, Nicholas Sparks

Acreditem ou não, nunca li Sparks. Mas este é um dos meus filmes românticos preferidos, portanto acho que é mais que justo ler o livro. 

 

No fim do mês conto-vos como foram estas leituras. O que vão ler em Fevereiro?

 

01
Out15

Say hello to my books

O nosso Saramago dizia que ler é, provavelmente, outra forma de estar num sítio. 

George R. R. Martin acredita que "Um leitor vive mil vidas antes de morrer, o homem que nunca lê vive apenas uma".

E, já dizia o músico Frank Zappa, "So many books, so little time".

 

Eu cá digo que ler é uma terapia. Um escape à rotina, talvez. É, sem dúvida, uma forma de viajar no tempo e no espaço, sem sair do lugar. É conhecer o mundo através das páginas que nos chegam às mãos. É sentir amizade por pessoas que só existem no papel. É não estar sozinho, mesmo nos dias em que não temos ninguém à volta. É completar a nossa realidade de todos os dias com outras...mais poéticas, mais aventureiras, mais dramáticas e entusiasmantes. 

 

Há tantos livros bons e tantos livros por ler, que não devemos perder uma oportunidade de ter um na mão. Assim mantemos o tempo e a cabeça ocupados. Alimentamos a alma e os sonhos. Construímos alicerces para o pensamento. Assentamos ideias, criamos outras. Definimos a nossa personalidade. Vivemos outras tantas.

 

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Escreveu Almada Negreiros n' "A Invenção do Dia Claro": “Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão… estou perdido.” 

 

Vamos perder-nos nos livros. E falar sobre eles. 

Say hello to my books. 

 

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