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SAY HELLO TO MY BOOKS

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As Leituras de 2016

Em 2016 li 25 livros. Para os meus amigos, que pouco lêem, é um número elevado. Para muitos de vocês, pessoas dos livros, é um número baixo. Eu gosto, é um número redondinho, que me trouxe muitas leituras com qualidade. E já sabem que, para mim, nisto da Qualidade vs Quantidade, é a primeira que ganha sempre. 

Em 2016 li mais livros que em 2015. 

Li mais homens que mulheres, mas por uma diferença pequena. Foi um ano equilibrado nesse sentido.

Li livros clássicos, contemporâneos, infanto-juvenis, policiais, de não-ficção, contos e poesia. 

Li livros do século XIX, do século XX e do século XXI. 

Li autores portugueses, brasileiros, ingleses, italianos, norte-americanos, moçambicanos, indianos e espanhóis. 

Comprei menos livros que o ano passado (20), mas ainda assim comprei mais do que devia (15). Em 2017 não vou comprar mais do que dez. 

Em 2016 participei em maratonas literárias pela primeira vez. 

Em 2016 pus este blog e o Instagram a funcionarem como deve ser. Fiz posts dos quais me orgulho muito, lancei discussões interessantes, tirei fotografias bonitas a livros. 

Conheci novos canais literários muito bons. Criei empatia com pessoas dos livros. 

Em 2016 falhei alguns géneros como ficção cientifica e não li tantas biografias como queria.

Em 2016 falhei três categorias do 2016 Reading Challenge.

 

A nível literário estou muito contente com o ano que passou. Três dos livros lidos entraram para a minha lista de preferidos da vida! No Goodreads marquei a meta de 36 livros para 2017. Dá uma média de três por mês. Vamos ver como corre. Não me pressiono. E agora mostro-vos um resumo das leituras do ano, incluindo as minhas preferidas. 

 

 

Livros preferidos do ano (Ficção):

The Help (As Serviçais), Kathryn Stockett

Ensaio sobre a cegueira, José Saramago

Capitães da Areia, Jorge Amado

A Amiga Genial, Elena Ferrante

 

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Livros preferidos do ano (Não Ficção):

A Sangue Frio, Truman Capote

A longa estrada para casa, Saroo Brierley

Comer, Orar, Amar, Elizabeth Gilbert

 

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Outros livros de Não-Ficção:

Mais bastidores de Hollywood, Mário Augusto

Não sou esse tipo de miúda, Lena Dunham

 

Leituras de que gostei muito:

Sensibilidade e Bom Senso, Jane Austen

Crónica dos Bons Malandros, Mário Zambujal

Pulp, Charles Bukowski

A primeira investigação de Poirot, Agatha Christie

 

Poesia e Contos:

Mensagem, Fernando Pessoa

Vinte poemas de amor e uma canção desesperada, Pablo Neruda

Contos do Nascer da Terra, Mia Couto

Contos de Terror, Stephen King

A Christmas Carol, Charles Dickens

 

Livros Infanto-Juvenis e YA:

Mary Poppins, PL Travers,

Azeitona, Bruno Miranda

A Lagartixa Casadoira, Luísa Chaves

Um rapaz chamado Natal, Matt Haig

 

As desilusões do ano:

No meu peito não cabem pássaros, Nuno Camarneiro

O Diário da Nossa Paixão, Nicholas Sparks

Uma palavra tua, Elvira Lindo

 

Comer, Orar, Amar - Elizabeth Gilbert

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É curioso como realmente há livros que nos chegam no momento certo, na altura ideal para os compreendermos, para nos identificarmos e até para nos ajudarem a olhar para a vida de outra forma. Li o "Comer Orar Amar" em Abril deste ano. Já sabia do que se tratava, queria um livro leve e que me acrescentasse algo e foi assim que entrei na aventura de Elizabeth Gilbert, que durante um ano viajou sozinha para três destinos à procura de experiências diferentes em cada um.

 

Acredito que muitos de vocês já conhecem a história. Elizabeth tinha tudo o que uma mulher americana nos seus 30 podia querer, um bom emprego, uma boa casa, um casamento aparentemente feliz. Mas não se sentia realizada e depois de um processo complicado de divórcio, decidiu viajar durante um ano, dividindo o tempo entre Itália, Índia e Indonésia. E este livro é isso. A história verídica e uma quase autobiografia dessa sua jornada à procura de paz, equilíbrio, devoção, prazer e amor. Mas Elizabeth Gilbert conseguiu contar o que passou sem ser apenas um relato das experiências vividas em cada cultura, sem ser um diário de viagem puro e duro... Conseguiu romantizar a sua própria história, sair de si mesma e contá-la como qualquer outro romance. E é isso que torna o livro envolvente. Gostei muito do facto de abrir completamente o coração e a mente, sem pudores, para nos dar a conhecer os seus pensamentos mais profundos.

 

"A depressão e a solidão perseguem-me há cerca de dez dias em Itália. (...) Há anos que brincamos

ao jogo do gato e do rato. Embora confesse que fiquei surpreendida por encontrá-las naquele

elegante jardim italiano ao crepúsculo. Elas não pertencem ali."

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Elizabeth Gilbert 

 

"Wayan foi enumerando os seis elementos do seu tratamento para a cura do coração despedaçado:

Vitamina E, dormir muito, beber muita água, viajar para um lugar distante da pessoa que amávamos,

meditar e ensinar o coração que isso é o destino". 

 

O livro divide-se em três partes, os três "i's" de Itália, índia e Indonésia. 

COMER: Não se consegue ler a parte de Itália sem babar para cima das páginas, sem sairmos a correr para ir à pizzaria mais próxima. E é engraçado ver que ela, como americana, se surpreende com coisas em Itália que para nós, europeus, são normais como a pronúncia de certas palavras, a arquitectura, a forma de estar das pessoas. Além de que já estive em Roma e "voltei" completamente para lá enquanto lia o livro.  

ORAR: A parte da Índia foi, para mim, a menos interessante das três, ainda que muito válida para todo o percurso e crescimento dela enquanto pessoa, na procura do equilíbrio e na aprendizagem das melhores técnicas de meditação para se encontrar a si mesma. Tem algumas reflexões interessantes que me deixaram céptica e curiosa ao mesmo tempo.

AMAR: O final da jornada passa pela Indonésia onde acaba por encontrar, inesperadamente, um amor que lhe deu a paz que tanto procurava. Esta parte do livro fez-me ter vontade de ir a correr para uma agência de viagens marcar o próximo voo para lá e não voltar tão cedo. 

 

"Estou a aprender cerca de vinte palavras italianas por dia. (...) Onde é que vou arranjar espaço

no meu cérebro para armazenar essas palavras? Espero que a minha cabeça tenha decidido

eliminar alguns antigos pensamentos negativos e memórias tristes e os tenha substituído

por estas palavras novinhas em folha".

 

A verdade é que é impossível ler este livro sem ficar com uma vontade incontrolável de comer coisas boas, de conhecer pessoas novas, de acreditar em algo superior que nos dê tranquilidade de espírito e, sobretudo, de viajar para locais paradisíacos onde nos podemos perder em nós próprios. 

 

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Elizabeth Gilbert na Índia

 

"Na tua próxima vida podes muito bem voltar como uma dessas pobres mulheres indianas

que partem pedra à beira da estrada e achares que a vida não é muito divertida.

Portanto, trata de apreciar o que tens agora, está bem?".

 

Identifiquei-me muito com ela, ainda que ela tenha 34 anos e eu 28, ainda que ela tenha passado por um divórcio complicado enquanto eu nunca me casei, ainda que ela seja religiosa e eu não. Somos jornalistas, somos do signo caranguejo, temos tendência para a melancolia, fazemos amigos com facilidade noutros países, viajamos para aprender novas línguas, somos sensíveis e muito ligadas à família. Identifico-me com pensamentos dela, com reflexões sobre o mundo e a vida. Muitas das palavras dela me fizeram sentido e guardo este livro com um grande carinho. 

 

É um livro simples, com uma mensagem importante. A intenção de Gilbert era despertar nas pessoas a vontade de mudar o que não está bem. Acaba por ser uma leitura fluída e com muito significado. E, mesmo dez anos depois de ser lançado, continua a ser uma história actual e muito válida. Além de que nos dá uma experiência de leitura diferente, porque o que importa não é o final, não temos aquela ansiedade de chegar ao fim para saber o que vai acontecer, porque o interessante é seguir calmamente a aventura de Elizabeth e tirar o melhor de cada cultura por onde ela passou.

 

Este livro fez o maior sucesso nos EUA quando foi lançado, em 2006, e ainda mais quando a Oprah o indicou para o seu clube de leitura, com milhões de seguidores em todo o mundo.

 

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Vi o filme depois e digo-vos que nem a Julia Roberts nem o Javier Bardem lhe safam a pouca qualidade, até porque não concordo na escolha dos actores. Deviam ter escolhido uma actrz menos conhecida, porque ninguém se consegue separar da imagem da Julia Roberts como a conhecemos de outras comédias românticas e o Bardem é espanhol...porque raio o escolheram para fazer de brasileiro? Zero credibilidade. 

 

No filme, a história é contada a correr e confesso que se não tivesse lido primeiro o livro, havia partes do filme que nem percebia. Não faz juz, nem de perto nem de longe, à profundidade do livro. Está uma história básica. Se só viram o filme, não sabem o que estão a perder. 

 

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"As pessoas pensam que uma alma gémea é o par perfeito e é isso que toda a gente quer.

Mas uma verdadeira alma gémea é um espelho, uma pessoa que te mostra tudo aquilo que te retém,

a pessoa que faz com que te centres em ti mesma para que possas mudar a tua vida.

Uma verdadeira alma gémea é provavelmente a pessoa mais importante que alguma vez conhecerás,

porque deita abaixo as tuas defesas e desperta a tua consciência.

Mas viver com uma alma gémea para sempre? Não. É demasiado doloroso.

As almas gémeas entram na nossa vida para nos revelarem uma outra camada de nós mesmos

e depois vão-se embora. E graças a Deus que assim é".

 

Título: Comer, Orar, Amar

Autor: Elizabeth Gilbert

Edição: Bertrand Editora, 2009

Ano de publicação: 2006

 Nº páginas: 373

 

3 Contos de Terror de Stephen King

Queridas pessoas dos livros,

Bem-vindas a Novembro, mês que vai ser animado por aqui, com posts todos os dias, com muitas opiniões, muitos temas e muitos livros. Para começar, e na ressaca da noite de Halloween, vamos falar de 3 contos de terror escritos por Stephen King, um mestre deste género literário, como muitos afirmam. Os contos são do livro "O Turno da Noite" (Night Shift, no original), uma colectânea de pequenas histórias escritas por King entre 1976 e 1978. 

Confesso que não me assustei verdadeiramente com nenhum deles, adivinhei o final de um, outro conseguiu surpreender-me e um ainda me conseguiu enojar. Não é um género que leia muito, mas faz bem sair da zona de conforto de vez em quando e aproveitei o Halloween nesse sentido. 

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 PRIMAVERA VERMELHA

 

Num campus universitário nos EUA, em 1968, várias raparigas estudantes foram mortas misteriosamente e com contornos de malvadez, durante o mês de Março, quando o clima ainda gelava os ossinhos. Tudo aconteceu na chamada Primavera Vermelha, que dizem existir apenas de dez em dez anos. O assassino nunca foi descoberto, como nos conta o narrador, no presente. É também assim que ficamos a saber que agora, dez anos depois, novas mortes voltam a surgir, com as mesmas características e na mesma época do ano... 

 

King é mestre a descrever cenários. Conseguimos ter uma visão clara dos locais onde os acontecimentos se passam, conseguimos até sentir frio com as suas descrições do clima e do ambiente em que a acção se passa e conseguimos imaginar os personagens com os pormenores que nos conta sobre eles.

 

Como na maioria das histórias de horror, o tempo está frio, gelado, há neve, dias nublados e noites com nevoeiro cerrado, que nos transportam automaticamente para um ambiente misterioso. Confesso que desconfiei do final, e estava efetivamente certa sobre quem era o assassino, mas gostei bastante do conto. Até achei curto demais. 4

 

 "Veio o crepúsculo, e com ele a neblina, subindo pelas avenidas arborizadas devagar, quase pensativamente, borrando um a um os contornos dos prédios. Era uma névoa suave, mas de algum modo implacável e assustadora. Jack Salto-de-Molas era um homem, ninguém parecia duvidar disso, mas a neblina era sua cúmplice e era feminina...ou pelo menos assim me parecia."

 

 

 O HOMEM QUE ADORAVA FLORES 

 

Nova Iorque num final de tarde em 1963. Um homem com ar apaixonado desvia olhares por onde passa. Pára numa florista para comprar um bouquet a alguém especial, onde se perde numa conversa sobre flores e amor com o próprio florista. Tudo isto parece simples até chegarmos à penúltima página do conto. Não estava à espera deste desenvolvimento, apanhou-me de surpresa e gostei disso.

 

Adoro o facto de King ter conseguido passar a mensagem através do tempo e do clima, mais uma vez. Enquanto estamos no final de tarde, em modo lusco-fusco, com aquela luz maravilhosa de final de dia, toda a envolvente da história é romântica, fala-se de amor, de olhares apaixonados, mas quando chegamos à parte do crime a luz bonita dá lugar a uma noite escura e sombria. Gostei bastante deste conto. 4

 

"O ar estava leve e agradável, o céu escurecia aos poucos passando do azul ao suave e adorável violeta do crepúsculo. Há pessoas que amam a cidade e essa era umas das noites que justificava tal amor". 

 

 

O HOMEM DO CORTADOR DE RELVA

 

Harold Parkette, um pai de família dos subúrbios, desleixa o cuidado com a relva do jardim depois de um acidente com o seu cortador de relva ter morto o gato do vizinho. Decide vender a máquina e quando a relva já está completamente fora de controlo, meses depois, aceita finalmente contratar um serviço de jardinagem. Mal sabe ele o que está para vir... O novo contratado possui um método de trabalho pouco convencional que Harold vai descobrir da pior maneira...  

 

Sinto que este conto está dentro de um subgénero de terror nonsense, que ultrapassa um bocadinho os limites do bizarro. Ainda assim vale a pena ler. 3

 

"Harold não disse nada. Uma palavra ecoava sem cessar na sua mente e essa palavra era 'sacrifício'. Viu mentalmente a marmota ser expelida por baixo do velho cortador de relva vermelho. Levantou-se devagar como um velho paralítico. 

- É claro - disse, e só conseguiu acrescentar apenas - Deus abençoe a relva."

 

5 Livros que quero ler no Outono

O Outono já começou há mais de duas semanas, mas só termina perto do Natal e, por isso, acho que esta é uma TBR facilmente concretizável. São cinco livros que, para mim, combinam com esta estação, com aqueles dias em que já precisamos de uma mantinha nas pernas, um cházinho quente ao lado e umas velas acesas enquanto lá fora começam a cair as primeiras chuvas e sentimos aquele conforto de estar a ler quentinhos em casa. 

 

O monte dos vendavais (Emily Bronte) - Um clássico que estou há muuuito tempo para ler.

Misery (Stephen King) - Tem que haver qualquer coisa de terror/thriller no Outono...

A sombra do vento (Carlos Ruíz Zafón) - Até tenho vergonha de ainda não o ter lido...

À espera no centeio (J.D. Salinger) - Não sei se é pela cor da capa, mas acho que liga com o Outono. 

O adversário secreto (Agatha Christie) - É o segundo livro publicado por Agatha Christie, e quero lê-lo para a continuação do meu projeto de ler os livros da autora por ordem cronológica.

 

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Quando um filme nos marca tanto que temos que pegar no livro já!

Apanhei na televisão, há uns dias, "As serviçais". No meio do zapping vi que estava a começar e pensei "vou ver só uma cena ou duas" por curiosidade, porque já tinha ouvido falar muito desta história. Não queria ver o filme todo porque tinha o livro em casa e queria lê-lo antes. Passadas as cenas iniciais, pousei o comando e pensei "só mais cinco minutos"... "só mais esta cena"... "só para ver como ela se desenrasca disto"... E foi assim que fiquei mais de duas horas colada ao ecrã até chegar ao "The End".

 

Que história incrível. Que filme maravilhoso. Sem dúvida um dos melhores que vi este ano e um dos que vai ficar no meu coração. Gostei tanto, tanto. As personagens são maravilhosas. Eu adoro a Viola Davis (ou não fosse o How to get away with murder uma das minhas séries preferidas), gosto muito da Jessica Chastain e a Octavia Spencer está impecável no papel de Minny Jackson (acabou por ganhar o Óscar de Melhor Actriz Secundária nesse ano). 

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Mal terminou o filme, fui à minha estante pegar no livro. Comprei-o há cerca de um ano em Cambridge, no Reino Unido. Queria trazer um livro de lá, em inglês, uma espécie de souvenir literário em vez de um íman para o frigorífico. Na altura entrei em várias livrarias, incluindo a Waterstones (uma das mais famosas por lá, com todos os clássicos e todas as novidades que podemos imaginar), mas acabei por comprar o "The Help" numa livraria pequenina no centro de Cambridge. 

 

Quando o abri para ler o primeiro parágrafo, percebi que estava escrito com o narrador na primeira pessoa (neste caso Aibeleen, umas das empregadas negras), a escrever exatamente como fala, ou seja, com erros gramaticais, tal e qual falavam as empregadas com poucos estudos na época (passa-se em 1962 nos EUA). Voltei para Portugal e ficou na estante até agora.

 

Mas mal acabei de ver o filme, a vontade de pegar no livro foi incontrolável. É um livro de bolso, com esta lombada linda e esta capa ilustrativa da história. Também gosto muito da capa portuguesa, amarela e roxa, com as personagens do filme, e pode ser que compre essa versão para tê-la na minha estante. Li umas sessenta páginas até agora e não acho que ter visto o filme me esteja a atrapalhar a leitura. Pelo contrário. É uma experiência diferente e claro que há pormenores que não são iguais ao filme, mas está a fazer-me viver a história de uma forma muito envolvente. Acho que mal termine o livro, vou rever o filme. Adoro histórias que nos envolvem assim. 

 

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