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SAY HELLO TO MY BOOKS

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A Minha Pequena Livraria, Wendy Welch

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"Os bibliófilos sabem que os livros não são apenas ideias encurraladas entre capas,

mas artefactos, marcos na nossa vida".

 

Tenho como absoluta certeza que qualquer livro que fale de livrarias aquece o coraçãozinho de um bibliófilo. E este não é diferente. Wendy Welch dá-nos uma visão muito engraçada vs. assustadora do que é abrir uma livraria independente, contra tudo e todos, e faz-nos querer abrir uma também, seguindo os conselhos que nos deixa nestas páginas. Ela e o marido, Jack, mudaram-se para uma cidadezinha no interior dos EUA, chamada Big Stone Gap - com apenas cinco mil habitantes - cheios de vontade de mudar de vida, recuperar a sanidade mental perdida em empregos que não os faziam felizes e recomeçar do zero, rodeados de paz, amigos novos e muitos livros. Compraram uma vivenda grande, gastando as suas economias, com o objetivo de viver no andar de cima e abrir a livraria em baixo. E assim nasceu a Tales of Lonesome Pine Used Books, uma livraria de livros usados que nem eles tinham noção o quanto ia mudar a sua vida. 

 

Sem saberem bem no que se estavam a meter, conseguiram realizar um sonho, admitindo, mais tarde, a inexperiência inicial a gerir um negócio próprio. A autora partilha qual foi a reação inicial da comunidade, como foram ganhando clientes, descobrindo novas formas de fazer publicidade, sem custos, como fizeram novos amigos e também como se sentiram outsiders ali durante muito tempo. Conta-nos o que correu bem e o que correu menos bem, os pormenores a que devia ter dado mais atenção, os erros cometidos e as ideias que acabaram por salvar o negócio. Para além dos números, lucros e contas a pagar, tiveram que lidar com os mexericos de uma cidade pequena, a falta de clientes inicial, a desconfiança dos habitantes locais e até alguns maus tratos. Wendy conta-nos, de forma descontraída, todos os problemas de que os sonhadores nunca se lembram quando vão atrás do seu sonho. No início, nem livros suficientes tinham para abrir a livraria. Ficamos a saber como conseguiram arranjá-los e como foram fazendo crescer o negócio, ganhando a confiança dos habitantes locais e chegando a mais gente, de outras cidades. Ficamos a conhecer todas as boas e más surpresas que surgiram ao longo do tempo, e todos os novos amigos que entraram nas suas vidas por causa da livraria.

 

"Talvez a melhor coisas que os livreiros fazem pelo mundo não é vender histórias às pessoas,

mas escutar as histórias delas". 

 

É engraçado que estava à espera de um livro sobre livros mas, em vez disso, e como uma nota escondida no bolso de um casaco antigo, encontrei um livro sobre pessoas dos livros. Afinal de contas, quando se tem uma livraria, quem está atrás do balcão não é apenas vendedor, torna-se também psicólogo, ouvinte profissional e conselheiro de serviço. Sendo baseado em factos reais, mais força ganham as histórias contadas por Wendy sobre os clientes que por lá passam.

 

"Em abono da verdade, as histórias mais assustadoras, mais duras, mais tristes, mais importantes

que se encontram numa livraria não estão nos livros, estão nos seus clientes". 

 

Transversal a todo o livro é também a discussão sobre e-readers e livrarias online. A autora traz-nos várias reflexões sobre a utilidade e praticidade dos e-readers actualmente e questiona-se se poderão roubar o lugar ao papel, assim como se as livrarias online poderão acabar com as físicas. Na verdade (exactamente o mesmo que eu própria penso), há espaço para tudo. Continua a haver leitores que não dispensam o papel, assim como leitores que só lêem no digital; abrem-se lojas online, mas as físicas continuam presentes na vida das pessoas. Até porque a Internet nunca vai substituir o prazer de uma boa conversa cara-a-cara

 

"Os livreiros, pelo menos até conseguirem ser replicados online, são o motivo por que as pequenas livrarias ainda existirão. (...) As livrarias físicas são pontos de convergência para os espíritos e intelectos humanos. Os e-readers e as livrarias online não nos permitem contar a histórias por trás da compra de determinado livro". 

 

Foi uma boa surpresa. Bendita a hora em que encontrei o livro num alfarrabista, na Feira do Livro de Lisboa, a cinco euros (mesmo tendo sido publicado só há cinco anos) e o trouxe comigo. Sem grandes pretensões, é um testemunho sincero, envolvente e cativante, que ilustra o poder que os livros têm para unir as pessoas, o papel essencial possuem, não só para os leitores, mas na vida de uma comunidade. É uma história que nos recorda o poder transformador dos livros e, se lerem este, vão perceber porquê. É uma leitura fácil e fluída que nos deixa com vontade de ir abraçar a nossa estante e agradecer aos livros o bem que nos fazem.

 

"Sabiam que uma das primeiras coisas que a vítima de um incêncio substitui

é os seus livros preferidos de infância?

 

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Tales of Lonesone Pine Used Books - Fotografia da Livraria (Imagem retirada do Google)

 

 (3.5)

Título: A minha pequena livraria

Autor: Wendy Welch

Edição: Noites Brancas (Clube do Autor), 2013

Ano de publicação: 2012

 Nº páginas: 275

Travessia de Verão, Truman Capote

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Capote morreu em 1984. Travessia de Verão foi publicada pela primeira vez em 2006. Confusos? Na verdade, é mais um daqueles casos polémicos e divisores de opiniões em que terceiros publicam obras que não sabemos ao certo se os autores gostariam de ver tornadas públicas (como o Vai e Põe uma Sentinela, de Harper Lee). Será ético? O que aconteceu foi o seguinte: Capote começou a escrever este livro em 1943, mas acabou por deixá-la de lado quando as suas atenções se viraram para aquela que seria a sua estreia literária, "Outras Vozes, Outros Quartos", publicada em 1948. Apesar disso, Capote continuou a retocar aquela obra durante alguns anos até a pôr definitivamente de parte. Em 1966, depois do sucesso estrondoso de "A Sangue Frio" (um dos meus preferidos de sempre), Capote deixou o apartamento onde vivia em Brooklyn, abandonando todo o seu recheio, dando ordens ao porteiro para deitar no lixo o que tivesse ficado para trás. Não sei que onda divina passou pela cabeça do dito porteiro na altura, mas a verdade é que "salvou" uma caixa cheia de papéis e documentos e guardou-a consigo. Caixa essa que passou incógnita durante décadas, até à morte do senhor em 2004, quando um parente encontrou a caixa e decidiu vendê-la à Sotheby's que, por sua vez, pôs em leilão aquele espólio desconhecido de Capote, que incluía manuscritos de várias obras publicadas, cartas, fotografias e aquilo que parecia ser um romance inédito: quatro cadernos de escola e sessenta e duas páginas de notas que formavam o manuscrito de Travessia de Verão. O Fundo Literário Truman Capote detinha direitos de publicação de todas as obras de Capote e acabou por convencer a Biblioteca Pública de Nova Iorque, onde outros manuscritos e documentos do autor estão guardados, a comprar o resto dos documentos. 

 

Romance com pouco mais de cem páginas, passado em Nova Iorque logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, conta a história de Grady McNeil, jovem de uma família rica, prestes a completar 18 anos, que os pais deixam sozinha durante o Verão, no apartamento onde vivem na 5ª Avenida, enquanto viajam pela Europa. Grady acaba por se envolver num romance com um judeu que vive em Brooklyn, um pouco mais velho, e que à primeira vista não parece ser o melhor para ela. Lembra-vos alguma comédia romântica de domingo à tarde? Pois. Mas esta foi escrita há 70 anos, quando a sociedade, as mentalidades, os hábitos e o socialmente aceitável não eram o que são hoje. Antes de qualquer comédia romântica de adolescentes ser pensada para cinema, já Capote escrevia uma. E bem. Uma história de amor, de juventude e de amor na juventude. Tão actual que podia ter sido escrita a semana passada. Tão actual que nos parece banal, mas não vamos esquecer-nos que foi escrita em 1943. E, por isso mesmo, o final surpreendeu-me. Deixa à imaginação de cada um, apesar de se perceber o que aconteceu. 

 

São 115 páginas, uma história curta, talvez até curta demais. Tenha pena que Capote não tenha aprofundado mais os personagens, não os tenha feito evoluir como poderia, não tenha desenvolvido e tornado mais complexo o enredo. Gostava de saber mais sobre a família de Clyde, o namorado - temos um cheirinho, bem bom por sinal, mas não passa disso - gostava de saber mais sobre os seus amigos, gostava de ver aprofundada a relação de Grady com a irmã, gostava de ver Peter, o amigo-apaixonado mais envolvido no final, enfim... A história acaba por ser demasiado rápida para deixar marcas a longo prazo, ainda que nos consiga envolver no momento da leitura e mostrar-nos como um romance simples, tão simples, pode ser bom. Porque Capote tinha uma escrita poética, um talento enorme em construir frases bonitas umas atrás das outras e assim formar uma obra segura, ainda que a escrita estivesse mais verdinha e menos polida nesse início de carreira. Ia sem expectativas, sem ter ouvido falar muito da obra, apenas com a certeza de que quero ler tudo de Capote. Foi uma boa surpresa.

 

Título: Travessia de Verão

Autor: Truman Capote

Edição: Dom Quixote, 2007

Ano de publicação: 2006

 Nº páginas: 115

O Ano do Sim, Shonda Rhimes

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- Tu nunca dizes sim a nada. 

 Bastou esta frase, dita pela irmã num jantar de Thanksgiving, para que Shonda Rhimes tivesse um click e percebesse que tinha que mudar muita coisa. Ao longo dos anos tinha-se dedicado apenas ao trabalho e às filhas adotivas (de quem é mãe solteira) e tinha deixado o resto do mundo de lado, incluindo a própria saúde. Tinha medo de falar em público, de dar entrevistas, de grandes eventos, de sítios com muita gente e de ter os holofotes virados para si. Até que a irmã lhe disse essa simples frase, enquanto cortava cebolas na cozinha, que se tornou num verdadeiro "abre olhos" para Shonda. Decidiu passar um ano a dizer "Sim" a tudo o que antes respondia automaticamente "não". Fosse entrevistas nos maiores programas de TV, como Jimmy Kimmel e Oprah, fosse falar em público em cerimónias de entregas de prémios, fazer discursos em formaturas de Universidades, ou simplesmente a dizer "sim" à sua saúde em resposta à obesidade. Dizer "sim" a conversas difíceis em resposta a amizades tóxicas. Dizer sim a diversão, para além do trabalho. Dizer sim a tirar um tempo para brincar com as filhas. E isso mudou a vida dela. E são essas experiências que nos conta neste livro. 

 

"Perdermo-nos não acontece de repente. Perdermo-nos acontece um "não" de cada vez.

Não a sair esta noite. Não a rever aquela colega da universidade. Não a ir àquela festa. Não a tirar férias.

Não a fazer uma nova amiga. Perdermo-nos acontece um quilo de cada vez.

Quanto mais trabalhava, mais tensa andava. Quanto mais tensa andava, mais comia". 

 

Maaas (há sempre um mas) o livro não foi bem o que eu esperava. Tem reflexões interessantes, conselhos pertinentes e relatos de experiências que nos podem motivar a sair do conformismo e fazermos mais por nós próprios. Mas também tem muuuita palha. Tanta palha!!! Além de que repete várias vezes as mesmas ideias. Chega a ser um bocadinho aborrecido em certas partes. É, apenas, um livro engraçado em que ficamos a conhecer mais sobre uma mulher, negra, que conseguiu marcar o seu lugar num mundo de homens (brancos), conseguindo ainda levar para a televisão uma grande diversidade de personagens, que gerou bastante polémica, e pouco vista até então. Desde várias raças a todos os gostos sexuais, nas suas séries há de tudo. Quem acompanha Anatomia de Grey, por exemplo, sabe do que estou a falar. E é muito interessante entrar dentro da cabeça criadora deste mundo e de personagens tão icónicas como Meredith Grey e Christina Yang. Talvez por isso lhe tenha dado três estrelas (arrancadas a ferros). Entramos um bocadinho dentro de Shondaland (a sua produtora) e para quem é fã de Grey's Anatomy, Scandal e How to get away with murder isso tem algum significado. 

 

"Isto é quem sou. Silenciosa. Calada. Interior. Mais confortável com livros do que com situações novas.

Satisfeita por viver dentro da minha imaginação." 

 

Shonda confessa que "Christina Yang" era a sua voz no mundo. Tudo o que tinha receio de dizer ou fazer, punha a personagem a dizê-lo e fazê-lo. Sem medos. Também gostei, particularmente, de uma parte em que disserta sobre as amizades verdadeiras. Amizades que a vida se encarregou de autoselecionar. Deixou os bons, foi levando os tóxicos, os que não valiam a pena, aqueles que desistem de nós só porque ouvem uns "nãos". Aqueles que se aproveitam e que só lá estão porque precisam. Shonda mudou com o Ano do Sim, ficou mais aberta, mais disponível para a vida, mas também menos "capacho" dos outros. E com isto perdeu amizades. 

 

"Hoje vejo as pessoas pelo que são. E por quem sou com elas. Porque não se trata apenas

de me rodear de pessoas que me tratam bem. Também é rodear-me de pessoas cujos autoestima,

autorespeito e valores me inspirem a elevar o meu próprio comportamento."

 

Mas também faz sentido dizermos "sim" a quem vale a pena. Vamos adiando aquele café prometido há tanto tempo, vamos adiando aquele telefonema, aquele jantar, aquela conversa...até que o tempo passa e fica cada vez mais dificil retomar contacto. Porque a conversa já não flui tão bem, porque já se passou tanta coisa entretanto. E as pessoas vão-se afastando. Já aconteceu comigo. E com vocês também, certamente. Vamos dizendo "não" às vezes por preguiça, cansaço, estupidez, e a vida encarrega-se de ir fechando portas a cada "não" que damos. Acho que esta foi a parte que me fez mais sentido do livro. 

 

Concluindo, Shonda podia transmitir a mesma mensagem em metade das páginas. Também não fiquei com uma grande impressão dela como pessoa. Achei-a arrogante, convencida e até um pouco cliché, tentando não sê-lo. Mas fica o conselho "Sejam fazedores, não sonhadores" e a ideia de que qualquer pessoa que vos diga que está a fazer tudo perfeitamente bem é mentirosa. Toda a gente precisa de ajuda. Trabalhar em equipa, seja no emprego ou em casa, é sempre muito mais compensador. E aceitar que somos o melhor que temos, abrir um sorriso e dizer "sim" à vida. 

 

"Começo a apreciar os elogios. O facto de alguém se deter para me fazer um elogio significa algo para mim. 

Ninguém é obrigado a elogiar-nos. Fazem-no por gentileza. Fazem-no porque querem.

Fazem-no porque acreditam no elogio. Por isso, quando negamos o elogio de alguém,

estarmos a dizer-lhes que estão errados, que perderam o seu tempo.

Questionamos o seu gosto e a sua avaliação. Estamos a insultá-los.

Se alguém quiser elogiar-te, deixa-o elogiar-te."

 

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Título: O Ano do Sim

Autor: Shonda Rhimes

Edição: Marcador (2016)

Ano de publicação: 2015

 Nº páginas: 254

Nos Bastidores de Hollywood, Mário Augusto

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Este é daqueles livros que eu tinha tanto para dizer, que mais vale não dizer muito e apenas aconselhar-vos a lê-lo. Para quem gosta de cinema - ao ponto de não gostar só de ver os filmes, mas de saber o que está para lá do resultado final que nos chega no grande ecrã - para quem gosta de saber curiosidades dos actores, das gravações, do funcionamento de todo daquele mundo hollywoodesco, este livro é um petisco

 

Mário Augusto desperta em nós uma inveja miúdinha. O jornalista, que há muitos anos se dedica à área do cinema, já teve oportunidade de entrevistar, conversar e conviver com as maiores estrelas de Hollywood (entre actores, realizadores e produtores) já visitou vários estúdios de cinema e marcou presença nas mais diversas festas, rodeado pelos maiores nomes da indústria. Teve, durante anos, uma visão privilegiada daquele mundo. Portanto, não #somostodosmarioaugusto, mas gostávamos de ser. E não podendo sê-lo, conseguimos ter acesso a esses momentos e encontros neste livro, que não é mais que um apanhado de várias curiosidades sobre os bastidores do cinema, o que se passa para lá das câmaras, as impressões pessoais do autor sobre as grandes estrelas e histórias caricatas que passou nas viagens que faz pelo mundo atrás das melhores histórias ligadas à sétima arte. 

 

Todo o primeiro capítulo relata o que acontece nos bastidores dos Óscares. Como se preparam as reportagens, como é o ambiente entre os jornalistas de todo o mundo lá presentes (as "cotoveladas" pelo melhor lugar), os truques para apanhar as estrelas na passadeira ("colando-se" a grandes canais americanos, com quem os actores param para falar de certeza), etc. E é muito interessante conhecer a própria história dos Óscares nos meios portugueses... No final dos anos 80, Portugal não dava grande destaque à noite dos Óscares. Só existia a RTP, que passava um resumo da cerimónia duas semanas depois da data. Até que um jovem jornalista, cinéfilo, que trabalhava na RDP Antena 1, propôs aos chefes fazer a cobertura do evento, pela primeira vez, na rádio. Mas, sem repórter no local, nem imagens disponíveis em direto para que pudesse ir fazendo o relato, safou-se apanhando uma transmissão pirata da TVE (espanhola), com emissão dobrada, e foi assim que foi relatando para os ouvintes portugueses tudo o que acontecia do outro lado do Atlântico. Em 1991 tornou-se no primeiro jornalista português a ser enviado para Los Angeles, para fazer reportagem no local, in loco, diretamente da passadeira vermelha. E fê-lo durante vários anos seguidos. Conta-nos como foi ver de perto todo o glamour de Hollywood, que actores foram mais simpáticos nesses primeiros anos, as gafes que cometeu e o ambiente que se vivia. 

 

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Depois chegam os capítulos sobre actores e realizadores que entrevistou ao longo dos anos. Este livro vai ao outro lado dessas entrevistas, propondo uma viagem fascinante pelos factos, realidades e experiências pessoais de quem faz parte deste mundo. Histórias e segredos que só alguém com uma posição privilegiada nos podia trazer. O livro foi publicado em 2005, quando Mário Augusto já levava 15 anos de entrevistas. São vários os atores que entrevistou várias vezes ao longo dos anos, conseguindo até manter uma relação de próximidade com alguns. Ficamos a conhecer, pelos seus olhos e palavras, quais são os mais simpáticos, aqueles que não dizem duas para a caixa, os mais divertidos, os que têm família portuguesa, e tudo o que por vezes é dito e feito em off no momento dessas entrevistas.

 

Conta-nos curiosidades interessantes (ou nem tanto), como o facto de Winona Ryder, que filmou "A Casa dos Espíritos" no Alentejo, ficar surpreendida ao ver que as camponesas levavam garrafas de água para o campo...porque, para ela, o certo era irem de jarrões ao ombro. Certamente pensava que Portugal estava parado no séc. XV e que ainda não chegou cá essa maravilha que é água engarrafada. Ficamos a saber que Spielberg filmava a família nas férias quando era criança e hoje essas imagens estão guardadas nos cofres do American Film Institute. Que Diane Keaton achou que Mário Augusto tinha um cabelo óptimo. Que Liza Minelli foi filmada na entrevista com uma meia de vidro a tapar a lente da câmara para dar mais brilho ao seu rosto. Que Glenn Close já viveu em Milfontes. Que os avós maternos de Tom Hanks eram dos Açores. E até que Marion Cotillard tirou uma fotografia a Mário Augusto, com a sua câmara ainda analógica. E pude constatar a prepotência de Pierce Brosnan, a arrogância de Denzel Washington, o mau-feitio de Russel Crowe e o pãozinho sem sal do Ben Affleck. 

 

Mas, além das palavras, este livro dá-nos imagens. Vem com um DVD onde estão vários momentos das entrevistas feitas que nunca foram para o ar. Porque, obviamente, numa reportagem de televisão com 2 minutos, é impossível pôr toda a conversa que normalmente dura 15 minutos. Grande parte do sumo das conversas ficava de fora e só ia para o ar aquilo que fosse mais ligado aos filmes que promoviam na época. São essas pérolas, nunca antes vistas, que Mário Augusto partilha com os leitores. E, digo-vos, vale muito a pena. 

 

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Título: Nos Bastidores de Hollywood

Autor: Mário Augusto

Edição: PrimeBooks, 2005

Ano de publicação: 20005

 Nº páginas: 244

UPDATE | 2017 Reading Challenge

Já passámos a primeira metade do ano e começamos a fazer balanços às leituras ou, pelo menos, a ver como estão os desafios que agarrámos este ano. Este foi o reading challenge anual que defini para mim mesma. Todos os anos faço um. Com 14 categorias, já fiz check em cinco (podiam ser seis, mas não quero repetir livros). Não chega ainda a metade, mas está tudo bem. Já sei exactamente os livros que vou ler para enquadrar nas restantes. 

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Um livro sobre o Holocausto - Se isto é um homem, Primo Levi

Um livro com uma mulher na capa - Trinta e Oito e Meio, Maria Ribeiro 

Um livro escrito por um autor antes dos 30 - leite e mel, Rupi Kaur 

Um livro de uma autora portuguesa - Os pásaros de seda, Rosa Lobato de Faria 

Reler um livro lido há mais de 10 anos - O Diário de Anne Frank, Anne Frank