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SAY HELLO TO MY BOOKS

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O Ano do Sim, Shonda Rhimes

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- Tu nunca dizes sim a nada. 

 Bastou esta frase, dita pela irmã num jantar de Thanksgiving, para que Shonda Rhimes tivesse um click e percebesse que tinha que mudar muita coisa. Ao longo dos anos tinha-se dedicado apenas ao trabalho e às filhas adotivas (de quem é mãe solteira) e tinha deixado o resto do mundo de lado, incluindo a própria saúde. Tinha medo de falar em público, de dar entrevistas, de grandes eventos, de sítios com muita gente e de ter os holofotes virados para si. Até que a irmã lhe disse essa simples frase, enquanto cortava cebolas na cozinha, que se tornou num verdadeiro "abre olhos" para Shonda. Decidiu passar um ano a dizer "Sim" a tudo o que antes respondia automaticamente "não". Fosse entrevistas nos maiores programas de TV, como Jimmy Kimmel e Oprah, fosse falar em público em cerimónias de entregas de prémios, fazer discursos em formaturas de Universidades, ou simplesmente a dizer "sim" à sua saúde em resposta à obesidade. Dizer "sim" a conversas difíceis em resposta a amizades tóxicas. Dizer sim a diversão, para além do trabalho. Dizer sim a tirar um tempo para brincar com as filhas. E isso mudou a vida dela. E são essas experiências que nos conta neste livro. 

 

"Perdermo-nos não acontece de repente. Perdermo-nos acontece um "não" de cada vez.

Não a sair esta noite. Não a rever aquela colega da universidade. Não a ir àquela festa. Não a tirar férias.

Não a fazer uma nova amiga. Perdermo-nos acontece um quilo de cada vez.

Quanto mais trabalhava, mais tensa andava. Quanto mais tensa andava, mais comia". 

 

Maaas (há sempre um mas) o livro não foi bem o que eu esperava. Tem reflexões interessantes, conselhos pertinentes e relatos de experiências que nos podem motivar a sair do conformismo e fazermos mais por nós próprios. Mas também tem muuuita palha. Tanta palha!!! Além de que repete várias vezes as mesmas ideias. Chega a ser um bocadinho aborrecido em certas partes. É, apenas, um livro engraçado em que ficamos a conhecer mais sobre uma mulher, negra, que conseguiu marcar o seu lugar num mundo de homens (brancos), conseguindo ainda levar para a televisão uma grande diversidade de personagens, que gerou bastante polémica, e pouco vista até então. Desde várias raças a todos os gostos sexuais, nas suas séries há de tudo. Quem acompanha Anatomia de Grey, por exemplo, sabe do que estou a falar. E é muito interessante entrar dentro da cabeça criadora deste mundo e de personagens tão icónicas como Meredith Grey e Christina Yang. Talvez por isso lhe tenha dado três estrelas (arrancadas a ferros). Entramos um bocadinho dentro de Shondaland (a sua produtora) e para quem é fã de Grey's Anatomy, Scandal e How to get away with murder isso tem algum significado. 

 

"Isto é quem sou. Silenciosa. Calada. Interior. Mais confortável com livros do que com situações novas.

Satisfeita por viver dentro da minha imaginação." 

 

Shonda confessa que "Christina Yang" era a sua voz no mundo. Tudo o que tinha receio de dizer ou fazer, punha a personagem a dizê-lo e fazê-lo. Sem medos. Também gostei, particularmente, de uma parte em que disserta sobre as amizades verdadeiras. Amizades que a vida se encarregou de autoselecionar. Deixou os bons, foi levando os tóxicos, os que não valiam a pena, aqueles que desistem de nós só porque ouvem uns "nãos". Aqueles que se aproveitam e que só lá estão porque precisam. Shonda mudou com o Ano do Sim, ficou mais aberta, mais disponível para a vida, mas também menos "capacho" dos outros. E com isto perdeu amizades. 

 

"Hoje vejo as pessoas pelo que são. E por quem sou com elas. Porque não se trata apenas

de me rodear de pessoas que me tratam bem. Também é rodear-me de pessoas cujos autoestima,

autorespeito e valores me inspirem a elevar o meu próprio comportamento."

 

Mas também faz sentido dizermos "sim" a quem vale a pena. Vamos adiando aquele café prometido há tanto tempo, vamos adiando aquele telefonema, aquele jantar, aquela conversa...até que o tempo passa e fica cada vez mais dificil retomar contacto. Porque a conversa já não flui tão bem, porque já se passou tanta coisa entretanto. E as pessoas vão-se afastando. Já aconteceu comigo. E com vocês também, certamente. Vamos dizendo "não" às vezes por preguiça, cansaço, estupidez, e a vida encarrega-se de ir fechando portas a cada "não" que damos. Acho que esta foi a parte que me fez mais sentido do livro. 

 

Concluindo, Shonda podia transmitir a mesma mensagem em metade das páginas. Também não fiquei com uma grande impressão dela como pessoa. Achei-a arrogante, convencida e até um pouco cliché, tentando não sê-lo. Mas fica o conselho "Sejam fazedores, não sonhadores" e a ideia de que qualquer pessoa que vos diga que está a fazer tudo perfeitamente bem é mentirosa. Toda a gente precisa de ajuda. Trabalhar em equipa, seja no emprego ou em casa, é sempre muito mais compensador. E aceitar que somos o melhor que temos, abrir um sorriso e dizer "sim" à vida. 

 

"Começo a apreciar os elogios. O facto de alguém se deter para me fazer um elogio significa algo para mim. 

Ninguém é obrigado a elogiar-nos. Fazem-no por gentileza. Fazem-no porque querem.

Fazem-no porque acreditam no elogio. Por isso, quando negamos o elogio de alguém,

estarmos a dizer-lhes que estão errados, que perderam o seu tempo.

Questionamos o seu gosto e a sua avaliação. Estamos a insultá-los.

Se alguém quiser elogiar-te, deixa-o elogiar-te."

 

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Título: O Ano do Sim

Autor: Shonda Rhimes

Edição: Marcador (2016)

Ano de publicação: 2015

 Nº páginas: 254

Nos Bastidores de Hollywood, Mário Augusto

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Este é daqueles livros que eu tinha tanto para dizer, que mais vale não dizer muito e apenas aconselhar-vos a lê-lo. Para quem gosta de cinema - ao ponto de não gostar só de ver os filmes, mas de saber o que está para lá do resultado final que nos chega no grande ecrã - para quem gosta de saber curiosidades dos actores, das gravações, do funcionamento de todo daquele mundo hollywoodesco, este livro é um petisco

 

Mário Augusto desperta em nós uma inveja miúdinha. O jornalista, que há muitos anos se dedica à área do cinema, já teve oportunidade de entrevistar, conversar e conviver com as maiores estrelas de Hollywood (entre actores, realizadores e produtores) já visitou vários estúdios de cinema e marcou presença nas mais diversas festas, rodeado pelos maiores nomes da indústria. Teve, durante anos, uma visão privilegiada daquele mundo. Portanto, não #somostodosmarioaugusto, mas gostávamos de ser. E não podendo sê-lo, conseguimos ter acesso a esses momentos e encontros neste livro, que não é mais que um apanhado de várias curiosidades sobre os bastidores do cinema, o que se passa para lá das câmaras, as impressões pessoais do autor sobre as grandes estrelas e histórias caricatas que passou nas viagens que faz pelo mundo atrás das melhores histórias ligadas à sétima arte. 

 

Todo o primeiro capítulo relata o que acontece nos bastidores dos Óscares. Como se preparam as reportagens, como é o ambiente entre os jornalistas de todo o mundo lá presentes (as "cotoveladas" pelo melhor lugar), os truques para apanhar as estrelas na passadeira ("colando-se" a grandes canais americanos, com quem os actores param para falar de certeza), etc. E é muito interessante conhecer a própria história dos Óscares nos meios portugueses... No final dos anos 80, Portugal não dava grande destaque à noite dos Óscares. Só existia a RTP, que passava um resumo da cerimónia duas semanas depois da data. Até que um jovem jornalista, cinéfilo, que trabalhava na RDP Antena 1, propôs aos chefes fazer a cobertura do evento, pela primeira vez, na rádio. Mas, sem repórter no local, nem imagens disponíveis em direto para que pudesse ir fazendo o relato, safou-se apanhando uma transmissão pirata da TVE (espanhola), com emissão dobrada, e foi assim que foi relatando para os ouvintes portugueses tudo o que acontecia do outro lado do Atlântico. Em 1991 tornou-se no primeiro jornalista português a ser enviado para Los Angeles, para fazer reportagem no local, in loco, diretamente da passadeira vermelha. E fê-lo durante vários anos seguidos. Conta-nos como foi ver de perto todo o glamour de Hollywood, que actores foram mais simpáticos nesses primeiros anos, as gafes que cometeu e o ambiente que se vivia. 

 

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Depois chegam os capítulos sobre actores e realizadores que entrevistou ao longo dos anos. Este livro vai ao outro lado dessas entrevistas, propondo uma viagem fascinante pelos factos, realidades e experiências pessoais de quem faz parte deste mundo. Histórias e segredos que só alguém com uma posição privilegiada nos podia trazer. O livro foi publicado em 2005, quando Mário Augusto já levava 15 anos de entrevistas. São vários os atores que entrevistou várias vezes ao longo dos anos, conseguindo até manter uma relação de próximidade com alguns. Ficamos a conhecer, pelos seus olhos e palavras, quais são os mais simpáticos, aqueles que não dizem duas para a caixa, os mais divertidos, os que têm família portuguesa, e tudo o que por vezes é dito e feito em off no momento dessas entrevistas.

 

Conta-nos curiosidades interessantes (ou nem tanto), como o facto de Winona Ryder, que filmou "A Casa dos Espíritos" no Alentejo, ficar surpreendida ao ver que as camponesas levavam garrafas de água para o campo...porque, para ela, o certo era irem de jarrões ao ombro. Certamente pensava que Portugal estava parado no séc. XV e que ainda não chegou cá essa maravilha que é água engarrafada. Ficamos a saber que Spielberg filmava a família nas férias quando era criança e hoje essas imagens estão guardadas nos cofres do American Film Institute. Que Diane Keaton achou que Mário Augusto tinha um cabelo óptimo. Que Liza Minelli foi filmada na entrevista com uma meia de vidro a tapar a lente da câmara para dar mais brilho ao seu rosto. Que Glenn Close já viveu em Milfontes. Que os avós maternos de Tom Hanks eram dos Açores. E até que Marion Cotillard tirou uma fotografia a Mário Augusto, com a sua câmara ainda analógica. E pude constatar a prepotência de Pierce Brosnan, a arrogância de Denzel Washington, o mau-feitio de Russel Crowe e o pãozinho sem sal do Ben Affleck. 

 

Mas, além das palavras, este livro dá-nos imagens. Vem com um DVD onde estão vários momentos das entrevistas feitas que nunca foram para o ar. Porque, obviamente, numa reportagem de televisão com 2 minutos, é impossível pôr toda a conversa que normalmente dura 15 minutos. Grande parte do sumo das conversas ficava de fora e só ia para o ar aquilo que fosse mais ligado aos filmes que promoviam na época. São essas pérolas, nunca antes vistas, que Mário Augusto partilha com os leitores. E, digo-vos, vale muito a pena. 

 

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Título: Nos Bastidores de Hollywood

Autor: Mário Augusto

Edição: PrimeBooks, 2005

Ano de publicação: 20005

 Nº páginas: 244

UPDATE | 2017 Reading Challenge

Já passámos a primeira metade do ano e começamos a fazer balanços às leituras ou, pelo menos, a ver como estão os desafios que agarrámos este ano. Este foi o reading challenge anual que defini para mim mesma. Todos os anos faço um. Com 14 categorias, já fiz check em cinco (podiam ser seis, mas não quero repetir livros). Não chega ainda a metade, mas está tudo bem. Já sei exactamente os livros que vou ler para enquadrar nas restantes. 

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Um livro sobre o Holocausto - Se isto é um homem, Primo Levi

Um livro com uma mulher na capa - Trinta e Oito e Meio, Maria Ribeiro 

Um livro escrito por um autor antes dos 30 - leite e mel, Rupi Kaur 

Um livro de uma autora portuguesa - Os pásaros de seda, Rosa Lobato de Faria 

Reler um livro lido há mais de 10 anos - O Diário de Anne Frank, Anne Frank 

 

Trinta e Oito e Meio, Maria Ribeiro

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A Maria é brasileira. É actriz. É apresentadora. E é escritora. A Maria é muito humana. Daquele tipo de pessoas que sabem descrever um sentimento com letra maíuscula, vírgulas e pontos de exclamação. "Maria escreve como quem conversa, e conversa como ninguém", descreve Gregório Duvivier, e ainda acrescenta "Ler a Maria é ganhar uma amiga de infância". Foi isso que senti. Que estava a ler uma amiga. Uma "miúda" como eu e como as minhas amigas, com inseguranças, certezas, angústias e dúvidas. A Maria fala do quotidiano de uma forma despretensiosa e muito natural. Os gostos e as referências, musicais e cinematográficas, vão acrescentando sabor a estas crónicas cheias do que é ser mulher, mãe, filha, amiga e mais um pontinho neste mundo grande. A Maria também não perde uma oportunidade para caricaturar alguns dos seus defeitos e é quase inexistente a vergonha ou pudor que tem a falar de coisas como a primeira vez, o sofrimento com a separação do ex-marido (actor Paulo Betti), de quando discutiu injustamente com uma das melhores amigas (Carolina Dieckman) ou até do partido que toma no estado político do Brasil. Fala muito de música, de cinema, de literatura e ficamos cheios de referências para ir pesquisar. Além de ser mentora de um canal no Youtube onde vários artistas brasileiros fazem sugestões de leitura: Você é o que lê, que sigo e gosto muito. 

 

Identifiquei-me com ela, apesar de não ter filhos, ela tem dois. Acabei de entrar nos 30, ela já passou os 40. Sou portuguesa de gema, ela é brasileirissíma. Tenho uma família unida, os pais dela separaram-se quando era adolescente. Tirando estas pequenas diferenças e o meu amor pelo verão (que ela dispensa) temos muito em comum. Lê-la, em algumas partes, foi como se entrasse na minha própria cabeça e conseguisse pôr em palavras muito do que já vivi e senti. Lê-la foi como fazer várias viagens ao fundo de mim, a memórias longínquas, ao meu passado, aos primeiros amores, às férias de família, a chegada à fase adulta sentindo que não estava preparada para isso, foi reviver desgostos de amor, reforçar o amor pelos amigos, e mais tanta coisa. Como dizem por lá, ela é muito "gostosa" de ler. Acho que se nota pela quantidade de marcações cor-de-rosa que se pode ver na foto. 

 

"É que, assim como qualquer pessoa com um mínimo de angústia, não sou quem gostaria de ser.

Meu «eu ideal» conheceria Machu Picchu e as savanas africanas, teria lido toda a obra do Tolstói

(em vez da colecção do Tintim) e pediria, com água na boca, salada com grelhado em todos os restaurantes". 

 

As suas crónicas são lidas  por milhões de brasileiros, semanalmente. Publicadas no jornal O Globo e na revista TPM, chegam-nos, agora, na forma de livro. Um livro bom de ler, que é um docinho ao final do dia, e que não queremos que chegue ao fim. Já era fã dela, dos valores e ideais que partilha (porque acompanho o seu trabalho) e agora, ainda mais. Só não percebo como é que não gosta do Verão. 

 

Título: Trinta e Oito e meio

Autor: Maria Ribeiro

Edição: Tinta da China (2016)

Ano de publicação: 2015

 Nº páginas: 174

O Talentoso Mr. Ripley, Patricia Highsmith

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Há aqueles livros que sabemos à priori que vamos gostar. Além da capa maravilhosa da Relógio d'Água, o pouco que sabia sobre Tom Ripley interessava-me. Nunca tinha visto sequer o filme. E depois de ver a Tatiana Feltrin falar dele, trouxe-o para casa na FLL de 2016 e li-o em Março deste ano.

 

Publicado em 1955, é um thriller psicológico que nos guia pelos pensamentos mais macabros de Tom Ripley, ambicioso e manipulador. Sonha com dinheiro, sucesso e prestígio e é, por isso, que mal surge uma oportunidade para recomeçar a vida na Europa, não pensa duas vezes. Num bar, em Nova Iorque, é abordado por Herbert Greeleaf, empresário norte-americano, que o contrata - pensando que Tom era grande amigo do seu filho - para ir até Itália convencer Dickie Greeleaf a voltar para os EUA. Na verdade, Tom mal conhecia Dickie, mas aceitou a proposta com os olhos postos no pagamento e na possibilidade de conseguir fugir dos problemas e mudar de vida. Viaja, então, para Mongibello, em Itália, e é a partir daqui que a história se desenrola. Vamos descobrir aos poucos que Ripley, aparentemente tímido e educado, tem afinal um fundo negro e revoltado, insatisfeito com a vida. O seu grande talento é enganar os outros, é especialista em imitar pessoas - no jeito de falar, de vestir, de arrumar o cabelo - e até na falsificação de assinaturas. Acaba por conseguir enganar Dickie, que após estranhar este "amigo" que lhe aparece, passa a recebê-lo de braços abertos, apresentando-o a toda a gente na vila e a deixando-o ficar em sua casa, mesmo contra a vontade da namorada, Marge. Mas Tom, num misto de fascínio e inveja por Dickie, quer tomar o seu lugar, incorporando os seus tiques, roupas e modo de viver. Não vou contar mais para não entrar em spoilers mas posso dizer que Tom Ripley vai dar muitas voltas neste enredo, enrolando-se nas próprias mentiras e tentando safar-se de situações complicadas em que se mete. 

 

O mais engraçado é que, mesmo quando o círculo parece fechar-se, começamos a temer e a torcer por ele. Na verdade, queremos vê-lo dar a volta aos problemas, apesar de todos os crimes. E isto só é possível porque a autora nos faz entrar dentro da cabeça dele. O narrador segue o protagonista o tempo todo, sabemos sempre o que ele está a pensar, a planear e até os seus receios mais profundos. E isso é muito interessante. Acabamos a torcer por ele sabendo que é um criminoso e mau carácter. Estamos sempre à espera que seja apanhado, ao mesmo tempo que torcemos, em segredo, para que se safe. Achei a história muito bem montada. Dava por mim não só a pensar como Ripley ia sair daquelas embrulhadas, mas como é que a própria autora tinha envolvido tantos locais, pormenores e acontecimentos tão bem, que à medida que vamos avançando tudo se vai resolvendo e encaixando. Nem eu mesma imaginaria um caminho tão bom para o personagem. Patricia Highsmith soube encaminhar Tom Ripley numa história verosímel, interessante, de virar páginas atrás de páginas. Não caiu na tentação do facilitismo para explicar as coisas.  

 

Por fim, tenho que dizer que este livro foi como voltar a Itália. Ripley viaja por várias cidades italianas, algumas onde já estive, como Roma e Veneza, e bateu assim uma saudadezinha. 

 

Título: O talentoso Mr. Ripley

Autor: Patricia Highsmith

Edição: Relógio D´Água (2013)

Ano de publicação: 1955

 Nº páginas: 253

 

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Depois, vi finalmente o filme, de 1999. É bom, mas tem muitaaa coisa diferente do livro e não num sentido que me tenha agradado. Percebo que as adaptações são isso mesmo, adaptações. Mas acrescentarem personagens com muito peso na história que o livro não tem, mudarem radicalmente as atitudes e reacções de alguns personagens sobre certos acontecimentos ou, pior, alterarem completamente o final, não me deixa muito feliz. A personagem de Cate Blanchett não existe no livro e é a única mudança que não me faz tanta confusão. Percebo porque é que a introduziram no filme. Mas, por exemplo, no livro lemos como Tom se transforma para ficar parecido com Dickie. No filme não vemos isso, fica dificil acreditar que Tom (Matt Damon) se está a fazer passar por Dickie (Jude Law) e acabam por mudar radicalmente algumas cenas importantes da história por causa disso. E muito mais pormenores que se já leram e viram o filme vão perceber - não conto mais para não "spoilar". 

Portanto, mesmo que tenham visto o filme, não deixem de ler o livro, porque é bastante diferente. No livro entramos dentro da cabeça de Tom Ripley duma forma que o filme não consegue e, para mim, a história é muito mais vibrante quando lida.