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SAY HELLO TO MY BOOKS

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Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, J.K. Rowling

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Alguns meses depois de ter lido Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara dos Segredos, peguei no terceiro livro da série, com a certeza de que me ia saber muito bem voltar a este mundo mágico. Aqui levanta-se um bocadinho o véu sobre o passado da família de Harry Potter. Descobrimos mais pormenores sobre os seus pais, sobre as as amizades que tinham, sobre o que aconteceu no dia em que morreram, quem é culpado e quem não é. Acredito que ao longo dos vários livros sejam feitas mais descobertas sobre todos os mistérios que envolvem a família Potter. É esse o fio condutor que passa de livro para livro e nos deixa presos a esta história, além de ser delicioso conhecer a rotina, as particularidades e as peripécias que acontecem numa escola de magia. Percebo, hoje, o fascínio que Hogwarts desperta em tanta gente. 

 

Neste livro ficamos a conhecer melhor o funcionamento da prisão de Azkaban, aprendemos o que são DementorsPatronusAnimagus, conhecemos algumas passagens secretas de Hogwarts, torcemos no torneio de Quidditch e estamos sempre à espera do que vai acontecer a seguir. As personagens ganham profundidade aqui. Vamos conhecendo melhor cada uma, embora tenha pena de não ter visto mais da Professora McGonagall e do casal Weasley neste livro. Confesso que sempre achei a Hermione chatinha, desde o início da série, mas comecei a gostar mais dela no final deste volume. Sinto que o Harry está mais destemido, mais corajoso e mais confiante. Sempre gostei muito do Ron, e dos seus irmãos, e isso confirmou-se aqui também. Gosto da amizade dos três. Pura, com sinceridade e muito companheirismo, como as boas amizades devem ser. Sinto um enorme carinho por Dumbledore, pelo Hagrid, pelas corujas e todos os animais fantásticos que por lá andam, acho graça às figuras dos retratos, ao fantasma Peeves e aos Professores (a maioria, porque o Snape continua a irritar-me). Sinto estes livros como um bombom, aquele docinho no final da refeição que nos dá um verdadeiro prazer, sabem? 

 

Este livro teve um efeito interessante sobre mim. Sou pessoa de Verão, adoro o calor, sofro imenso com o frio e fico a sonhar com o regresso do tempo quente de Novembro a Abril. Adoro que Portugal tenha estes dias bons no Outono e, por mim, nunca descíamos dos 20º. Mas, enquanto lia esta história, fui ficando com vontade de ter uma mantinha em cima das pernas, de ir fazer um chá, acender umas velas e estar aconchegada no quentinho, enquanto chove lá fora. Fiquei com saudades do Natal, das luzes, da lareira acesa e dos doces da época. O bom é saber que ainda tenho mais quatro livros para ler até ao final do ano, que vão certamente apanhar esse clima.

 

Decidi que não vou ver os filmes só quando terminar os sete livros. Vou ver os três primeiros já. 

 

Título: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Autor: J. K. Rowling

Edição: Editorial Presença, 2000

Ano de publicação: 1999

 Nº páginas: 411

Feira do Livro de Belém

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Fui, pela primeira vez, à Feira do Livro de Belém. Nunca tinha visitado os Jardins do Palácio, achei que era um bom 2 em 1 e lá fui, sábado de manhã. Estava calmo, nada de filas para entrar, nada de confusão lá dentro, deu para passear e ver as bancas à vontade. Estavam representadas a maior parte das editoras, não dei conta de nenhuma falta. Obviamente que não tinham lá todo o portefólio, cada uma levou um número limitado de títulos. Senti falta de mais obras, principalmente na Bertrand, na Leya e na Relógio D'Água. Os descontos não eram nada por aí além, sempre entre 10% a 20%, e 30% apenas em algumas editoras e obras muito especifícas. Tinha uma zona de alimentação com umas cinco ou seis barraquinhas, um espaço para as crianças, uma zona de espetáculos e muitos recantos bonitos. Acho que a mais-valia desta Feira é, realmente, poder passear pelos jardins, mesmo que não se compre nada. É um sítio muito agradável, bonito, só pensava o bom que seria morar assim num palacete com um jardim destes, privado, à disposição. Que sonho de princesa! Sem dúvida que Marcelo Rebelo de Sousa (ele próprio amante de livros) sabe a importância que a literatura tem e faz por criar e promover este tipo de eventos, incentivando a leitura e abrindo as portas do palácio ao público. Obrigada Sr. Presidente, é cá dos nossos! 

 

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Entre compras minhas e da minha família resultaram cinco livros, todos de não ficção, todos de autores portugueses e com muita portugalidade envolvida. Estou contente com estas compras e com vontade de pegar em todos. 

 

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Turista Infiltrado - Bernardo Gaivão

Vale a pena? Conversas com escritores - Inês Fonseca Santos

As Praias de Portugal, Guia do Banhista e do Viajante - Ramalho Ortigão

Lisboa, o que o turista deve ver - Fernando Pessoa

Paula Rego por Paula Rego - Anabela Mota Ribeiro 

O Vermelho e o Negro, Stendhal

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Na semana passada dediquei-me a este clássico francês do séc. XIX, obra escolhida para o Clube dos Clássicos Vivos. Fiz uma coisa que nunca faço antes de começar a ler um livro: fui pesquisar informação sobre a obra, o autor (caso nunca tenha lido nada dele) e tentar pôr-me a par de todo o contexto histórico de quando foi escrito. Sabia apenas que se tratava de um romance histórico, publicado em 1830, em França, e achei por bem saber mais antes de mergulhar 400 páginas que nos contam a jornada do protagonista Julien Sorel. Fugindo de spoilers, essa pesquisa ajudou-me muito a compreender todo o ambiente do enredo, principalmente no início. 

 

É um livro com um ritmo de leitura mais lento, pelo menos para mim, que pede atenção redobrada aos parágrafos, às expressões, às ideias que o autor quis contar. Por isso fui lendo no ritmo que o próprio livro ditava e gosto muito quando isso acontece, são eles que nos levam. É um daqueles clássicos que impunha respeito e, até, algum preconceito sobre ser "chato e pesado". Li-o de uma ponta à outra, sem nunca perder o interesse nem o ritmo. O século XIX é riquíssimo em histórias e acontecimentos que ditaram a evolução do século seguinte, interessantíssimo cultural e socialmente e, por isso, fiquei muito envolvida com a história.

 

O PROTAGONISTA 

Acompanhamos a jornada de Julien Sorel, desde que é o pobre filho de um simples camponês, em Verriéres, passando pelo seminário e, depois, tornando-se no braço direito de um importante marquês de Paris. Mas, mais do que a sucessão de acontecimentos na vida de Julien, acompanhamos a sua evolução enquanto homem, a nível de personalidade, sentimentos e compreensão do mundo, algo que tornou este livro inesquecível, para mim. No início chamei-lhe nomes, critiquei-o, considerei-o detestável, até começar a simpatizar e a torcer por ele, e chegar ao fim apenas com pena e compaixão. Tornamo-nos cúmplices do protagonista e, mesmo não concordando com o que ele faz, acabamos por compreendê-lo.

 

Julien é hipócrita assumido, egoísta, ambicioso, calculista e provocador. Sem qualquer sentimento sincero de amizade ou amor por alguém. Mesmo depois de terminar, não acredito que tenha amado ninguém. Queria apenas o que não podia ter e, assim que conseguia o que desejava, deixava de o querer. Era a conquista que lhe dava gozo, mas nunca estava satisfeito por muito tempo. Apesar da aparente segurança que quer transmitir, vivendo num clima de aparências, vamos conhecendo os seus receios e até fraquezas. O que o torna num personagem muito completo. Ainda assim, é uma sensação de falsa proximidade com o leitor, porque creio que apesar de entrarmos na sua cabeça em todos os momentos, nunca o ficamos a conhecer na totalidade. 

 

"Naquela singular criatura, quase todos os dias eram de tempestade."

 

 O AUTOR 

Stendhal vai conduzindo o leitor ao longo da obra. Considerada como um romance psicológico, conseguimos saber o que várias personagens estão a pensar, não só o protagonista. Achei interessante a crítica social aqui presente, pois numa sociedade com uma hierarquia fortemente estabelecida, Stendhal situou Julien em várias classes sociais e pôde, assim, alfinetar todas elas, desde os camponeses, ao clero, à nobreza e a monarquia. É um livro que realmente transcende o período em que foi escrito. O próprio Julien tem algumas particularidade de Stendhal como a pouca sorte no amor ou o pouco jeito para andar a cavalo. Dono de pensamentos liberais e admiração por Napoleão, assim como o seu protagonista, Stendhal é um dos pseudónimos utilizados pelo francês Henri-Marie Beyle. Gosto muito do facto de o narrador falar diretamente com o leitor durante toda a obra.

 

"Desde que não se troçasse nem de Deus, nem dos padres, nem do rei, nem das pessoas de posição,

nem dos artistas protegidos pela corte, nem de qualquer instituição; desde que não se dissesse bem dos jornais da oposição, nem de Voltaire, nem de Rousseau, nem de tudo o que permita um pouco de abertura; desde, sobretudo, que nunca se falasse de política, podia-se livremente comentar tudo."

 

O TÍTULO 

"O Vermelho e o Negro" já teve várias interpretações ao longo dos anos. A mais comum é "vermelho" ser referente às fardas militares da época napoleónica e "negro" às batinas próprias do clero, duas áreas em que Julien Sorel se viu dividido, pesando sempre qual seria aquela que lhe daria mais riqueza e prestígio. Mas, por outro lado, (e falámos disto no Clube) penso que podemos olhar para o título como sendo o vermelho do coração em estado puro e vivo, a cor da paixão em comparação com o negro da tristeza, da depressão, do sofrimento sempre muito presente na jornada de Julien. 

 

SRA. DE RÊNAL vs. MATHILDE

Será que as duas amaram Julien? E que foram as duas amadas por ele? Na minha opinião, o único sentimento de amor verdadeiro que vimos nesta obra foi da Sra. de Rênal por Julien. Mathilde é apenas uma miúda rica, mimada, caprichosa que só achou ter algum sentimento quando foi desprezada ou diminuída a nível de importância, como no final. Já Julien não creio que amou verdadeiramente nenhuma das duas. "Usou-as" quando lhe deram jeito, fosse para atingir certos fins de estatuto, por vingança dos homens que o rodeavam, por capricho também ou por uma ilusão nascida do fraco amor-próprio que as atenções delas lhe despertavam. 

 

A GRANDE LIÇÃO 

"É singular, contudo, que só tenha aprendido a arte de gozar a vida depois de lhe avistar o termo tão próximo". Não é preciso dizer mais nada. 

 

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Título: O Vermelho e o Negro

Autor: Stendhal

Edição: EDICLUBE 

Ano de publicação: 1830

 Nº páginas: 406

I'm a reader

Quando confrontada com o facto de não ter televisão em casa, Shailene Woodley (que fez A culpa é das estrelas, Divergente, Big Little Lies) afirma que não tem televisão em casa desde saiu de casa dos pais, aos dezoito anos, e que não percebe como é que os amigos têm tempo para ver televisão... Acaba por justificar, encolhendo os ombros e dizendo "I'm a reader" (Sou uma leitora) com aquele olhar que muitos entendem como snobismo, ao passo que quem também o é, recebe quase como um código secreto, como se fizéssemos parte de uma comunidade, e só quem está lá dentro, sabe o bom que é. 

 

 

Clube dos Clássicos Vivos | Setembro 2017

Ontem aconteceu mais um encontro do Clube dos Clássivos Vivos, o terceiro feito ao vivo e a cores e o segundo onde estive. Para quem não conhece, é um clube de leitura criado pela Cláudia, do blog e canal A Mulher que Ama Livros, no Goodreads. É aberta uma votação entre vários clássicos, o escolhido tem um prazo de dois meses para ser lido e entretanto vai-se discutindo o que se achou do livro. Eu só comecei a participar no Clube este ano e, felizmente, começou a ser presencial. O primeiro encontro aconteceu em Óbidos, em Abril (não consegui ir...snif snif), para falar de Paris é uma Festa do Hemingway; o segundo foi em Junho, na Feira do Livro de Lisboa, sobre Boneca de Luxo do Capote e agora, em Setembro, o terceiro encontro aconteceu ontem, na Fábrica das Palavras, em Vila Franca de Xira, onde falámos de O Vermelho e o Negro, de Stendhal. 

 

Comentámos que este foi um clássico um bocadinho "desprezado" ou deixado a meio pela maioria. Tenho pena, mas compreendo... Eu não votei neste e quando vi que ganhou pensei "que seca...deve ser chato e pesado". Não podia estar mais enganada e ainda bem que foi escolhido e pude conhecer a grande jornada de Julien Sorel, protagonista incrível que Stendhal criou. É daqueles livros que se não fosse pelo Clube, provavelmente não tinha lido já. 

 

A distância física também não é desculpa. Moro em Oeiras e fui até Vila Franca, mudar de ares e conhecer um sítio bonito. Saiam da vossa zona conforto, seja em relação a livros, sítios e pessoas. Bom, demos uma volta pela Biblioteca, que tem o brilhante nome de Fábrica das Palavras, e depois sentámo-nos na esplanada, ao lado do rio, a conversar sobre este clássico, as nossas impressões, o que gostámos muito ou nem tanto, as nossas interpretações sobre o título, os factos da vida do próprio autor e tanto mais. É tão bom poder trocar opiniões com quem lê o mesmo que nós.

 

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Todas sofremos um bocadinho do mesmo: não ter um número grande de amigos à nossa volta que goste muito de ler. Todas nós sentimos falta, em algum momento da nossa vida, de ter com quem falar de livros e partilhar o que lemos e, por isso mesmo, todas nós criámos blogs, canais e entrámos em clubes literários para ocupar esse espaço em branco. Portanto, a ideia principal que sai deste post, e deste encontro no geral, é que OS LIVROS UNEM PESSOAS. Foi esta frase que dissémos a uma senhora que nos abordou a meio do encontro. Estava sentada numa mesa ao nosso lado e decidiu interromper a nossa conversa para dizer o quão emocionada estava por nos ver ali, sentadas e felizes, a discutir uma obra clássica. Apresentou-se, disse que era Professora de Português e que trabalha com o Ministério da Educação num projecto para divulgar a língua portuguesa em vários países. Emocionou-se mesmo, quis saber mais sobre nós e foi com muita sinceridade e sensibilidade que elogiou a nossa iniciativa, o nosso amor aos livros e ainda pediu para nos tirar uma fotografia para partilhar no seu Facebook como um bom exemplo a seguir. 

 

Depois de dissecarmos O Vermelho e o Negro, fomos à procura de um sítio para almoçar e, quando nos sentámos, as horas passaram a voar. A conversa fluiu por muitos assuntos, tendo sempre os livros como protagonistas, mas também muita conversa boa sobre muitos outros temas. Que inspiração é estar com pessoas assim. 

 

O clássico de Setembro e Outubro é Dom Casmurro do Machado de Assis. O encontro será no início de Novembro, num local a ser decidido. E podem também fazer parte do Clube aqui e seguir o blog.

 

Post da Cláudia aqui. Post da Carolina aqui

 

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