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SAY HELLO TO MY BOOKS

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3 Autores Portugueses que vale a pena ler

Fugindo aos grandes Eça de Queirós, Fernando Pessoa e Saramago e tentando contornar os da moda, Afonso Cruz, Valter Hugo Mãe e Nuno Camarneiro, quero falar de três autores portugueses, com nome e talento mais que provados, que não vejo muitos blogs e canais literários a sugerirem. Se o Sousa Tavares me prendeu pelos enredos e simplicidade, foi a ironia e humor de Zambujal que me conquistaram, não esquecendo a forma deliciosa como Miguel Esteves Cardoso joga com as palavras. Caso ainda não tenham lido nada deles (o que duvido muito) acreditem que vale a pena.

 

Mário Zambujal 

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Escritor e jornalista português tem vários livros publicados desde 1980 quando lançou o divertido, irónico e muito português "Crónica dos Bons Malandros". Em 1986 publicou "À noite logo se vê", a primeira obra que li dele e que é um livro igualmente engraçado, com a sinopse original de que durante quatro anos não nasceu nenhuma criança na aldeia do Roseiral e vamos tentar perceber porquê. O nome dos personagens só por sí é o máximo, e as suas caraterísticas tão portuguesas tornam impossível não nos identificarmos com elas ou nos lembrarmos de alguém que conhecemos. Acho que o autor sabe apanhar muito bem as tontices e manias portuguesas e traduzi-las para histórias com trocadilhos e expressões que deliciam os leitores. Dos três livros que lançou durante os anos 80, só me falta ler "Histórias do fim da rua". De lá até agora, já lançou mais uma dúzia de romances e digo-vos que se querem um momento bem passado, Zambujal é uma aposta ganha. 

 

Miguel Sousa Tavares

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Goste-se ou não do Miguel Sousa Tavares como pessoa, como comentador político ou como adepto do seu clube de futebol, aqui olhamos para ele apenas como autor de romances. E se nunca se aventuraram a ler algo escrito por ele, acho que estão a perder boas histórias. Pelo menos, as duas que li. Em 2008 (já lá vão 8 anos!!!) li "Equador", quando fiz Erasmus em Salamanca, e lembro-me que foi um livro marcante. Enquanto estava noutro país, com História e Cultura diferentes da minha, dava por mim a voltar à sociedade portuguesa de 1905, a regressar aos últimos momentos da Monarquia em Portugal, a passear pelos serões mundanos da capital na época e a viajar até São Tomé e Príncipe. Acredito que muitos de vocês já leram o "Equador", mas se por acaso há alguém que ainda não lhe tenha pegado, façam-no assim que conseguirem, porque é uma obra que merece. 

No verão seguinte, li "No teu deserto". Este 'quase romance', como o próprio livro se caracteriza, é contado por duas personagens, Cláudia e o narrador, que nos relatam uma viagem ao deserto do Sahara. Uma história simples, uma aventura marcada pela amizade, companheirismo, amor e saudade. Não tem um grande enredo, mas prende o leitor. Acho que é a simplicidade que nos cativa. 

 

Miguel Esteves Cardoso 

744351.jpgO Miguel Esteves Cardoso dispensa apresentações. Acho que não há ninguém que fique indiferente à sua escrita, especialmente nas crónicas que publica há vários anos em jornais e revistas. Foi assim que comecei a lê-lo e a admirá-lo. Das crónicas, a nível geral, a que mais me marcou pela beleza, verdade e sentimento, foi a que escreveu quando a mulher, Maria João, foi internada no IPO. E é por isso que o seu livro de crónicas "Como é linda a puta da vida" veio morar cá para casa mal foi publicado, em 2013. Mas muito antes disso, confesso que foi um dos seus títulos que me chamou a atenção para este autor, há vários anos, ainda era adolescente. "O amor é fodido" é daquelas coisas que já toda a gente disse, ou pensou, pelo menos uma vez na vida. E é também o título de um romance publicado em 1994. A opinião sobre ele não é consensual, o estilo é um pouco maníaco-depressivo e está longe de ser uma escrita parecida com as crónicas. Mas vale a pena ler. 

 

Crónica dos Bons Malandros, Mário Zambujal

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São sete os "bons malandros" que dão vida a esta história. Temos Renato "o Pacífico" mais a sua Marlene. Temos a Adelaide Magrinha, Pedro Justiceiro, Flávio "o Doutor", Arnaldo Figurante e Silvino Bitoque. Cada um mais tonto que o outro e cada um com uma história de vida mais estranha que a anterior. Formam um bando de criminosos que se preparam para um assalto ao Museu Gulbenkian. Podia ser o ponto de partida para mais um policial de suspense como tantos outros, não estivessemos nós a falar de Mário Zambujal, que dispensa os ladrões profissionalizados de quadrilhas norte-americanas, para nos oferecer um grupo de larápios à portuguesa. Com muito humor à mistura, como já é habitual na escrita dele.

 

Foram 144 páginas que me divirtiram muito. Zambujal não falha nesta missão. Brinca com as palavras, com as frases-feitas, mexe com trocadilhos que só a nossa língua permite e usa expressões tipicamente portuguesas que enchem as medidas do leitor. 

 

Conhecemos as personagens com um capítulo dedicado a cada um, à sua história de vida e ao que os levou, mais tarde, a encontrarem-se no Bar do Japonês e a entrar no mundo do crime. Cada história é melhor que a anterior, repleta de situações cómicas, personagens caricatas e um bocadinho da desgraça do quotidiano com que qualquer português de gema se consegue identificar. E a forma como estes sete personagens, liderados por Renato "o Pacífico" planeiam o roubo é, no minímo, original.

 

Aconselho este livro a todos aqueles que gostam e querem ler mais literatura portuguesa (sem levarem sempre com os mesmos autores) e a quem queira uma leitura leve e divertida, seja para ir de férias ou para intercalar com leituras mais pesadas. Vale a pena conhecer estes bons malandros que ganharam não só a minha, mas a afeição de muitos leitores ao longo de mais de trinta anos. "Se eles vos divertirem, cumprem o seu destino", disse Mário Zambujal, numa recente reedição da obra. 

 

 

Título: Crónica dos Bons Malandros

Autor: Mário Zambujal

Edição: Livraria Bertrand - 7ª edição (Novembro 1980)

Ano de publicação: 1980

 Nº páginas: 144

 

Maratona Literária Fusão - O primeiro dia

A Maratona Literária Fusão começou à meia-noite. Depois de um dia de praia, o sono não me deu tréguas e, portanto, só li o primeiro capítulo do "Crónica dos bons malandros" antes de adormecer. Foram 27 páginas. Hoje à hora de almoço li mais três capítulos e antes do jantar outros três. Já vou a mais de meio, o livro é curtinho. Acabo hoje ou amanhã.

Estou a gostar muito. Já conhecia a escrita do Mário Zambujal, li "À noite logo se vê" o ano passado e gostei bastante, mas estou a gostar ainda mais deste. Gosto muito do humor com que escreve estas histórias, usa expressões populares que fazem toda a diferença na narrativa, dão-lhe um toque especial e faz com que pareça que nada nesta escrita foi pensado, que cada frase lhe saiu espontaneamente como em qualquer conversa de café. 

Quero ler mais livros dele.