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SAY HELLO TO MY BOOKS

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Até ao Fim do Mundo, Maria Semple

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Posso começar por dizer que adoro esta capa e detesto este título. A capa é colorida, alegre e muito chamativa. Acho que 70% da vontade de comprar o livro na altura (há dois anos) foi culpa desta capa. Quanto ao título...esta tradução/adaptação do original deixa-me um bocadinho os nervos em franja. Como é que passam de "Where'd you go Bernadette?" para "Até ao Fim do Mundo"? Bem, quem lê o livro percebe o significado que está por trás do título português. Refere-se ao final de toda a aventura daquela família. Mas o título original é tão giro, tão próprio e tão focado na personagem principal que não concordo com esta mudança. Por exemplo, no Brasil ficou "Cadê você Bernardette?". Prende a atenção do leitor e deixa no ar, logo à partida, a dúvida sobre o que irá acontecer à Bernadette. Mas adiante...

 

A Bernadette é uma daquelas protagonistas femininas que eu adoro. Personalidade forte, sem papas na língua e um bocadinho louca. Uma loucura saudável que lhe cria problemas porque, além de anti-social, com fobia a pessoas no geral, é instável e tem uma personalidade peculiar, que acaba por divertir o leitor. É um livro leve, despretensioso e divertido, daqueles bons para ler entre leituras pesadas ou em momentos de descontração. A forma como a história está contada desperta-nos uma grande curiosidade para acompanhar a vida daquela família e, na segunda parte do livro, saber para onde é que a Bernadette foi. Lembro-me de dar uma gargalhada com uma saída dela, coisa rara na minha vida de leitora, porque não sou de exteriorizar emoções enquanto leio. Emociono-me quando toda a gente chora litros, sorrio quando toda a gente ri à gargalhada e por aí fora. 

 

Tudo começa quando Bee passa de ano com boas notas e, como recompensa, pede aos pais uma viagem à Antárctida. A ideia fica em stand by e todos continuam com as suas vidas normais, até Bernadette desaparecer após vários acontecimentos na família e na comunidade onde vivem, em Seattle. É a filha Bee que tenta juntar os pontos e procurar os motivos do desaparecimento da mãe, tentando reunir toda a informação que a ajude a encontrá-la. Parece coisa de romance policial, mas acreditem que é uma história soft. 

 

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O mais interessante deste livro é a forma original como a história está construída. Todos os factos, pormenores, informações importantes e diálogos são contados através de mensagens, emails, bilhetes, notas, cartas e documentos trocados entre os personagens e é assim que vamos conhecendo os pensamentos, preocupações e sentimentos deles. Temos a Bernadette, uma arquitecta famosa e bem sucedida, a sua filha Bee, uma miúda de quinze anos muito inteligente, o marido Elgin, guru de Informática, as mães da escola da filha que a vêem como uma ameaça, a assistente indiana, etc. Quem organiza toda esta informação e faz a ponte entre os personagens é a filha Bee, numa tentativa de perceber o que aconteceu à mãe, para onde foi e porquê.

 

A única parte que gostei menos foi o final. O início prendeu-me muito e todo o enredo foi crescendo até à parte em que Bernadette desaparece e nós, leitores, seguimos este mistério sedentos de saber para onde foi e o que lhe aconteceu. Estamos neste pico de curiosidade e envolvência com a história quando nos começamos a aperceber para onde a autora está a levar as coisas e o entusiasmo desce de nível. Não gostei do final. Foi um bocadinho sem sentido e a intenção da Bernadette nunca ficou muito clara, para mim. Se já leram o livro percebem o que quero dizer. 

 

 A autora é argumentista de séries de TV, por isso trouxe um bocadinho dessa "escola" para o romance, porque percebemos claramente que algumas cenas estão descritas quase como se pudessem ser passadas tal e qual para o ecrã. Confesso que gostava muito de ver este livro adaptado ao cinema. Houve rumores sobre isso e algumas actrizes foram até apontadas como possíveis Bernadettes, mas até agora não avançou. 

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Sinopse

A fama de Bernadette Fox precede-a. No círculo restrito e elitista do design mundial, ela é uma arquiteta revolucionária. Para o marido, um guru da Microsoft, ela é a prodigiosa e atormentada paixão da sua vida. Segundo os vizinhos e conhecidos, ela representa uma afronta e uma ameaça. Mas aos olhos da filha, Bee, ela é, simplesmente, a Mãe. E um dia Bernadette desaparece. Quando todos parecem reagir à sua ausência com diversos graus de alívio, Bee é a única disposta a tudo para a encontrar. Mas a instável e agorafóbica Bernadette não quer ser encontrada e tem meios e inteligência suficientes para se manter incógnita… mesmo que para tal tenha de encetar uma impossível viagem ao fim do mundo. Neste retrato de uma mulher pouco convencional, a autora explora a fragilidade e a inadequação das mentes criativas face à voracidade uniformizadora do mundo moderno. A incómoda Bernadette e a sua família disfuncional são paradigmas das relações humanas do século XXI.

 

Título: Até ao Fim do Mundo

Autor: Maria Semple

Edição: Teorema, Leya, 2014

Ano de publicação: 2012

Nº páginas: 355