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SAY HELLO TO MY BOOKS

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O Reino do Dragão de Ouro, Isabel Allende

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Quando peguei neste livro, não esperava gostar tanto. Não se tornou num preferido, mas conseguiu fazer-me viajar até aos Himalaias e ao distante (e mágico) Reino do Dragão de Ouro. Fez-me viver uma aventura do outro lado do mundo, sentadinha e sossegada em casa. Não vou dizer que o livro me arrebatou, porque achei algumas partes um bocadinho cliché, noutras partes senti que a autora se repetia, houve um capítulo específico que achei muito enfadonho e o final foi o esperado.

 

Apesar disso acabou por ser, no geral, uma boa surpresa por se tratar de Realismo Mágico, género literário que ganhou notoriedade pelas mãos de escritores latino-americanos como Isabel Allenda, Gabriel Garcia Marquez e Júlio Cortázar. Caracteriza-se por incluir, na narrativa, experiências sobrenatuais em ambientes normai, por ter elementos mágicos ou fantásticos percebidos como parte da "normalidade" pelos personagens, por utilizar o lado intuitivo e sensorial como parte da percepção da realidade,por seguir tradições dissociadas da racionalidade moderna. Acabou por ser uma boa surpresa para quem anda a tentar ler mais Fantasia, como eu. 

 

É um livro que se destina a um público juvenil, mas não o achei demasiado "jovem". É o segundo volume de uma trilogia que se iniciou com "A Cidade dos Deuses Selvagens" e terminou com o "O Bosque dos Pigmeus". Eu não li o primeiro livro. Aliás, quando peguei neste nem sabia que era o segundo de uma trilogia. E não faz diferença nenhuma, porque não é uma história contínua. Todos os livros trazem as mesmas personagens, mas cada um relata uma aventura diferente, num país diferente. O primeiro livro passa-se na Amazónia, o segundo nos Himalaias e o terceiro em África. O jovem Alexander viaja com a sua avó, Kate Cold, jornalista da revista International Geographic, e é assim que vai conhecendo sítios e pessoas incríveis. Conhece Nádia no Brasil, no primeiro livro, e ela acaba por acompanhá-lo em todas as aventuras seguintes. 

 

Em "O Reino do Dragão de Ouro", o jovem Alexander Cold viaja com a sua avó, Kate Cold, e a sua amiga, Nadia Santos para o Reino do Dragão de Ouro, nos Himalaias, onde os espera muito mais que uma simples viagem turística. Vêem-se envolvidos com a Seita do Escorpião que foi contratada por um Coleccionador estrangeiro para roubar a estátua do Dragão de Ouro, símbolo máximo do reino, capaz de preservar a paz e prever o futuro da nação. Nessa jornada, enfrentam uma série de provações como animais selvagens, rapto e violência que põe em risco a sua vida. Acabam por ser ajudados por um monge budista e pelo seu discípulo, e ajudar também, eles próprios, a salvar o futuro daquele Reino. Pelo meio, fortalecem a amizade, conhecem lugares incríveis e vão prceber a importância de "ouvir com o coração", ter uma alma pura e confiar no poder da mente e do espírito. 

 

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Tenho que destacar o primeiro capítulo chamado "O Vale dos Yetis". É muito bom. Podia ser um conto por si só. É aqui que ficamos a conhecer o mestre Tensing e o seu discípulo Dil Bahadur, príncipe herdeiro, que passa doze anos sozinho com o monge, a receber formação fisíca e espiritual para um dia se tornar Rei.

 

"O seu papel era guiar o príncipe em cada fase da sua longa aprendizagem:

fortalecer o seu corpo e o seu carácter, cultivar a sua mente e

pôr à prova a qualidade do seu espírito."

 

É aqui que conhecemos yetis, seres quase primitivos, muitas vezes denominados como Abominável Homem das Neves, que vão ser muito importantes para a história. A autora acaba por nos fazer desejar que os yetis existissem mesmo. E tal como os yetis vão ter um papel importante, todas as personagens acabam por estar ligadas, desde o "casalinho" Alexander e Nadia, o monge e o príncipe, o Rei, a Seita do Escorpião, a jovem Pema e a estrangeira Judit Kinski. Vamos acompanhando esta aventura à medida que o enredo se desenrola, sempre guiados com um bocadinho de magia à mistura. 

 

Outra das coisas que mais gostei no livro foi, no meio de toda a ficção, as referências ao Budismo que o mestre Tensing ia fazendo. Disse-vos aqui que é um tema que me interessa bastante e foi muito bom ir apanhando certas frases e ideias que caiam ali no meio como um bombom.

 

"Cada um deve procurar a verdade ou iluminação dentro de si próprio, não nos outros ou em coisas externas. Por isso, os monges budistas não andam pregando, como os nossos missionários, passando, em vez disso, a maior parte das suas vidas em serena meditação, procurando a sua própria verdade". 

 

 (3.5*)

Título: O Reino do Dragão de Ouro 

Autor: Isabel Allende

Edição: DIFEL, 2004

Ano de publicação: 2003

 Nº páginas: 303

O Adversário Secreto, Agatha Christie

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Durante toda a leitura há duas perguntas que queremos ver respondidas: "Onde está Jane Finn?" e "Quem é Mr. Brown?". Este é segundo livro publicado por Agatha Christie e o primeiro com a maravilhosa dupla Tommy e Tuppence. Ficamos a saber como se conheceram, como começaram a trabalhar juntos e como se apaixonaram. Fiquei fã! Conhecemo-los solteiros, dois amigos de infância que se reencontram e que se envolvem, quase sem querer, numa arriscada aventura para encontrar uns documentos importantes para o governo britânico, antes que o misterioso e perigoso Mr. Brown lhes deite as mãos. Mas será que podem confiar em todos aqueles que se cruzam pelo seu caminho? As minhas desconfianças quanto à verdadeira identidade de Mr. Brown estavam certas e só me apetecia poder falar com os personagens e dizer-lhes "abram os olhos, não confiem nesse"!

 

Para quem só lê Poirot, não sabe o que está a perder. Sinto que estes dois personagens vivem na sombra da grande fama de outros detetives mais conhecidos de Christie, como Poirot e Miss Marple, e é uma pena. Vale a pena conhecer Tuppence Cowley, exuberante e "forreta", sempre atenta a novas formas de poupar uns tostões e Tommy Beresford, mais discreto, com gosto pela boa vida, inteligente e desenrascado. São uma dupla que se completa, com muita vida, energia, humor, desembaraço e romantismo pelo meio.

 

Lançado em 1922, neste livro notamos que Agatha Christie estava no início da carreira. Acho que o enredo traz um bocadinho de "palha" a mais e algumas voltas desnecessárias para o desenrolar da história. Tendo em conta que ela lançou mais de 80 policiais e este foi apenas o segundo, damos o desconto. Gostei muito, mais ainda do que "A primeira investigação de Poirot" ou "O Misterioso Caso de Styles", o primeiro livro que lançou e que li o ano passado.

 

Na verdade, comecei a ler os livros de Agatha Christie por ordem cronológica. Felizmente os meus pais têm, há muitos anos, a coleção Vampiro Gigante (da editora Livros do Brasil), que editou todos os policiais da autora, de acordo com a ordem de publicação. Aproveitando o projeto #bloodyqueen2017, criado pelas Marauders, voltei a encontrar-me com a rainha do crime, em Fevereiro. Nome incontornável da literatura mundial, em geral, e dos policiais, em particular, Agatha Christie tem o dom de nos fazer entrar nos livros à procura de pistas, sentindo-nos nós próprios verdadeiros detectives à procura de decifrar as charadas antes mesmo da autora nos apresentar a solução

 

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Sinopse:

1915. O navio de passageiros Lusitânia é bombardeado por forças alemãs. A bordo, um homem misterioso entrega uns documentos a uma jovem desconhecida, na esperança do naufrágio, pois ela teria maiores chances de sobreviver ao desastre, sendo mulher e tendo prioridade nos botes salva-vidas. Se os documentos caíssem nas mãos erradas, o futuro dos países aliados estaria comprometido. Alguns anos depois, Tuppence Cowley e Tommy Beresford, amigos de infância, encontram-se por acaso, em Londres. Tommy é discreto, Tuppence é exuberante. Juntos, formam o par perfeito para combater o crime. Pelo menos, é o que pensam quando se unem numa parceria a que chamam "Jovens Aventureiros Lda". Eles dizem-se "dispostos a tudo" mas quando os seus sonhos de aventura se realizam com muita rapidez e ainda mais perigo, sãoo obrigados a questionar os seus próprios limites.  Acabam envolvidos num mistério que envolve os tais documentos, o paradeiro desconhecido da rapariga misteriosa do navio e de um tal de Mr. Brown que deseja utilizar os documentos para ampliar seu poder pelo mundo. Tommy e Tuppence terão que usar tudo o que sabem para se antecipar a Mr. Brown e sua assustadora onipresença.

 

Título: O Adversário Secreto

Autor: Agatha Christie 

Edição: Livros do Brasil (colecção Vampiro Gigante)

Ano de publicação: 1922

 Nº páginas: 267

Óscares 2017 | Os meus palpites e desejos

É hoje a 89ª cerimónia dos Óscares!!! Depois de ver quase todos os filmes nomeados, digo-vos quais são os meus palpites para os vencedores e se vão ao encontro daqueles que gostava mesmo que ganhassem. 

 

MELHOR FILME

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Depois de ver os nove filmes posso dizer que este ano, em comparação com o ano passado, não houve nenhum que não gostasse (em 2016 achei A Queda de Wall Street chato e Brooklyn terrível). Este ano, gostando de todos, não nego que tenho os meus preferidos e que Fences e Arrival foram os que gostei menos, ainda que tenha gostado bastante.

A primeira parte de Fences entediou-me e há outros filmes de ficção científica que mexeram mais comigo que Arrival. As maiores surpresas foram Hell or High Water, que vi sem expectativas e fiquei presa ao ecrã, e Hacksaw Ridge que achava que não ia gostar e adorei. Manchester by the Sea foi o primeiro que vi e é, sem dúvida, o maior drama da lista.Está bem feito, tem as pausas dramáticas necessárias para a coisa funcionar e é muito real. A história de Lion está no meu coração, mas já tinha lido o livro e comparando os dois, o filme é inferior. La La Land não defraudou as minhas expectativas, mas entre isso e ser o melhor filme de sempre como muitos dizem, vai um longo caminho. Moonlight é muito bom, os actores são excelentes, conta uma história que tanto se passa em Miami como podia ser nos bairros pobres de Lisboa, por exemplo. 

Estou a torcer por Moonlight. Mas poderá ganhar La La Land. O ano passado fiquei surpreendida por Spotlight ter ultrapassado The Revenant na corrida e levar o Óscar para casa. Pode ser que Moonlight consiga também ganhar ao grande favorito. 

 

Podem ver a minha opinião mais pormenorizada sobre cada um dos filmes aqui: 

Moonlight / La La Land / Hacksaw Ridge / Manchester by the Sea

Hell or High Water / Arrival / Hidden Figures / Fences

 

 

MELHOR REALIZADOR

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O grande preferido é Damien Chazelle com La La Land. Todos os prémios de cinema que existem antes dos Óscares têm-no consagrado. Se fosse eu a escolher dividia-me entre Chazelle e Mel Gibson com Hacksaw Ridge. Está envolvido em várias polémicas, mas separando o homem insuportável do realizador, há planos de pormenores incríveis no filme. Mas acho que é mesmo Chazelle a levar a estatueta para casa. 

 

 

MELHOR ACTOR PRINCIPAL

 

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Depois de torcer com unhas, dentes e todas as partes do corpo pelo Leo DiCaprio, o ano passado, e ter feito uma festa quando ganhou (sim, estava acordada a ver em directo), este ano não torço dessa forma por nenhum dos actores. 

Captain Fantastic foi, talvez, o melhor filme de 2016, para mim. Viggo Mortensen está muito bem, mas não chega para um óscar. Depois temos Andrew Garfield, um miúdo que se portou à altura do papel. A cantar e a dançar entra o meu querido Ryan Gosling com todo o mérito da nomeação mas, comparando com um Denzel...são dois patamares diferentes, porque temos um Denzel Washington incrível em Fences, a fazer de Trox Maxson, papel que trouxe do teatro. Brilhante nos diálogos (quase monólogos) e em fazer-nos odiá-lo.

E, por mim, existe o Casey Affleck em Manchester by the Sea. Não tirando mérito aos outros, é "fácil" fazer um grande papel quando nos põem a dançar e a cantar ou quando nos põem num cenário de guerra...são ambientes que ajudam. Mas fazer o público sentir dor, angústia e desespero em pequenos gestos, olhares ou simples palavras não é tão fácil assim. Por isso, para mim ganhava o Casey Affleck. Acho mesmo que o Óscar estará entre ele e o Denzel. Qualquer dos dois que ganhe, fico feliz. 

 

 

MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL

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Começo por dizer que não vi Loving, portanto só vou falar das outras quatro nomeadas (perdoem-me!). Que quatro actrizes do caraças!

Meryl Streep não sabe o que é ser má actriz... Acredito que mesmo papel seja mau, seja incrivelmente interpretado por aquela mulher. É a actriz mais nomeada de sempre nos Óscares. Está óptima em Florence, mas acaba por ser a protagonista com menos intensidade de todas, na minha opinião. Quando soube que Natalie Portman ia fazer de Jackie pensei que não podiam ter escolhido melhor. E estava certa. Natalie mudou a voz, a postura, tudo para se parecer com a verdadeira. Merece, sem dúvida, esta nomeação (por outro lado achei o filme, no geral, fraquinho). A maior surpresa para mim foi Isabelle Huppert. Mal sabia do que se tratava Elle e fui completamente surpreendida pela sua interpretação. Adorei o filme, adorei a personagem dela e confesso, estou dividida entre Isabelle e Emma Stone, que está maravilhosa no papel de Mia, em La La Land. Conseguimos notar os seus toques pessoais na personagem e se fosse outra pessoa qualquer naquele papel não tinha a mesma piada. Entre Isabelle Huppert e Emma Stone, as duas vencedoras dos Globos de Ouro deste ano, não sei qual prefiro que ganhe. Sei que adorava ver a Emma com a estatueta na mão, mas se ganhar a Isabelle vou ficar muito feliz na mesma. 

 

 

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO 

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Não vi Nocturnal Animals, não posso falar do Michael Shannon, mas já ouvi dizer que é um dos preferidos. Gostei muito do Lucas Hedges, o actor mais novo desta categoria, em Manchester by the Sea e era bem capaz de lhe dar o óscar. O Dev Patel está bem em Lion mas já o vi a fazer melhor. Mahershala Ali é também um nome que tem sido muito falado, mas tenho pena de não o ter visto mais em Moonlight. Só entra na primeira parte das três em que o filme é dividido. Será que é o suficiente para levar o óscar para casa? Em Hell ou High Water, Jeff Bridges interpreta um Ranger do Texas, atrás de dois ladõres de bancos, mas não simpatizei com o personagem por aí além. É capaz de ser a categoria onde tenho mais dúvidas, por não tem um preferido. Mas dos quatro que posso falar, talvez vá para o Mahershala Ali

 

 

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA 

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Viola. Viola. Viola. Tem que ganhar a Viola Davis. Sou muito fã dela, é uma actriz brilhante que merece todo o reconhecimento possível. Se não estivesse a Viola nesta categoria, daria o prémio a Naomi Harris, por Moonlight, onde intepretra a mãe drogada do personagem principal. Vi-a há pouco tempo no filme Beleza Colateral e tinha-a achado uma actriz mediana. Fez-me olhar para ela com outros olhos depois deste papel. A Octavia Spencer está bem em Hidden Figures, mas não vamos comparar esta nomeação com a que teve em 2012 (e que ganhou) pelo papel de Minnie Jackson em As Serviçais. Temos também a Nicole Kidman em Lion que não está mal, mas é um papel normalzinho. E da Michelle Williams nem vou falar... Onde é que as três aparições da mulher no filme são motivo para uma nomeação a um óscar? 

 

 

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL 

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Aqui vou torcer por La La Land, acho que foi realmente uma lufada de ar fresco em Hollywood. Até porque muitas vezes os musicais que aparecem são a puxar ao drama e este, por outro lado, é bem alegre. 

Manchester by the Sea e Hell or High Water têm histórias que já vimos parecidas por aí. 20th Century Women é um filme que se vê bem, tem alguns pormenores no argumento que são interessantes, mas não é assim tão bom para ganhar um óscar. The Lobster não vi, é o único de que não posso falar. 

 

 

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO 

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Fences é adaptado de uma peça de teatro, e acredito que seja uma adaptação de qualidade. Os outros são adaptados de livros. O único livro que li foi A Longa Estrada para Casa (Lion), portanto em termos de comparação só posso falar desse. Sendo uma boa adaptação, não acho que seja a melhor do mundo. Há coisas que faria diferente. Quanto aos restantes três, talvez Arrival fosse o mais difícil de adaptar, ter que criar algo que não é real. Talvez vá para Fences, eu daria ao Arrival. 

 

Outros:

Quanto aos Filmes de Animação o único que vi foi Zootopia e, achando divertido e com pormenores muito bem apanhados, não me arrebatou. Se compararmos com Inside Out, que ganhou o ano passado e que adorei, Zootopia está um nível abaixo, na minha opinião.

Acho que La La Land irá levar os óscares de Melhor Banda Sonora, Melhor Fotografia e Melhor Guarda-Roupa. 

Não vi os filmes estrangeiros, os documentários nem as curtas-metragens, portanto não posso dar opinião nessas categorias. E também me abstenho de comentar aquelas mais técnicas como Melhor Montagem, Melhor Direccção Artística e Melhores Efeitos Especiais

 

Só por curiosidade... Repararam no cruzamento d actores entre Moonlight e Hidden Figures? Mahershala Ali, o Juan de Moonlight era o coronel que se casou com Katherine (Taraji P. Henson) em Hidden Figures, filme que tinha Janelle Monae como uma das três protagonistas que, por sua vez, entra também em Moonlight, como Teresa, mulher do Mahershala Ali. 

 

E vocês? Palpites, apostas, desejos? Quem acham que serão os grandes vencedores da noite? Vão ver em directo ou esperar para saber quem ganhou amanhã? 

 

Harry Potter e a Câmara dos Segredos, J.K. Rowling

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Voltei a Hogwarts com prazer. Duas semanas depois de ter lido Harry Potter e a Pedra Filosofal, entrei no segundo ano da Escola de Magia. Desta vez, já conhecemos bem os personagens, já temos ideias formadas de quem são os bons e os maus, o interessante é ir vivendo novas aventuras com eles, apesar de se avançar pouco, ou quase nada, no grande mistério da história: como conseguiu Harry Potter sobreviver a Voldemort em bebé e porquê? Calculo que isso só saberemos em algum dos livros mais para a frente. Depois de introduzido todo este mundo mágico no primeiro livro, noto que tanto Harry, como nós próprios enquanto leitores, já estamos mais habituados aos termos relacionados com magia, ao uso e particularidades da mesma e ao funcionamento de Hogwarts. É engraçado apercebermo-nos disso.

 

Neste segundo volume, o principal foco da história não são tanto as aulas e aprendizagem da magia como encontrámos no primeiro, mas o mistério sobre relacionado com a Câmara dos Segredos, criada por Salazar Slytherin, um dos fundadores da escola, que move os acontecimentos do livro e que concentra as atenções de alunos a professores. Todo o enredo se passa em torno da abertura da Câmara dos Segredos por alguém, sem se saber sequer onde ela fica, e de onde saiu algo que anda a petrificar alunos. Obviamente que tudo isto vai trazer à baila alguns segredos do passado, interessantes também para que o leitor compreenda mais um pouco o background do grande vilão da história. Gosto deste tipo de mistérios que só os livros de Fantasia nos trazem, onde qualquer explicação é possível e vai muito além do onde a nossa imaginação terrestre consegue chegar. Fico realmente surpreendida com as voltas que J. K. Rowling dá à história e de como tudo se encaixa no final. 

 

Em "Harry Potter e a Câmara dos Segredos", a autora acrescentou novos alementos, mas não acho que os personagens tenham tido uma grande evolução desde o livro anterior, sem ser o próprio Harry. Aliás, temos personagens com papéis importantes no primeiro volume que neste não acrescentam grande coisa como Snape, Draco Malfoy e a Professora McGonagall, por exemplo. Também esperava ver mais de Dumbledore e do próprio Hagrid. Tenho pena de J. K. Rowling não se ter focado mais em Herminione. Estava a gostar mais da miúda neste livro e, de repente, acontece algo que a faz estar "adormecida" durante vários capítulos. E não simpatizei com o elfo Dobby. 

 

Por outro lado, gostei muito do foco dado à família Weasley, aos pais de Ron, aos irmãos e à pequena Ginny. Acho-lhes imensa piada. Fiquei ainda mais fã da amizade de Harry e Ron. Adoro o bom coração do Hagrid e odiava algum dia ter que entrar naquela floresta, especialmente porque odeio aranhas e todo o capítulo "Aragog" me arrepiou até aos pelinhos da nuca. Achei engraçada a personagem da Murta Queixosa e a vaidade do professor Lockhart. E acho que este livro trouxe momentos deliciosos como a festa de fantasmas do Nick-quase-sem-cabeça, no Haloween. 

 

Confesso que, apesar de ter gostado bastante da leitura (como não?) não acho que esteja ao mesmo nível do primeiro livro. Não tive aquela ânsia de ler sem parar, não achei o enredo tão interessante. Só por isso dei-lhe 4 estrelas, em vez das 5 que dei ao primeiro. Mas já me tinham dito que seria assim durante toda a série, uns livros mais empolgantes que outros. É bom saber que ainda tenho mais cinco pela frente. Mesmo com uma visão e leitura mais adultras é interessante ver como a história nos absorve e como consigo soltar a imaginação de uma forma quase infantil. Acho que é precisamente isso que Harry Potter me tem ensinado, que nunca é tarde para ler, ver ou sentir alguma coisa e que, felizmente, mantemos sempre um lado mais inocente que nos faz vibrar com histórias que muitos dizem ser só para crianças. Não sei se vou vendo os filmes aos poucos (já vi os três primeiros há muito tempo, não me lembro praticamente de nada), ou se vejo todos quando terminar de ler a série. Agora venha o Prisioneiro de Azkaban!

 

Título: Harry Potter e a Câmara dos Segredos

Autor: J. K. Rowling 

Edição: Editorial Presença, 2000

Ano de publicação: 1998

 Nº páginas: 275

Diário de Anne Frank, Anne Frank

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Tenho tanto para dizer sobre este livro mas, por outro lado, sinto que nada do que possa dizer é suficiente para descrever tudo o que me fez sentir. Várias vezes durante a leitura, especialmente quando Anne reforçava a esperança e planos que tinha para o futuro, quando a guerra acabasse, fechava os olhos uns instantes e sofria, por saber que esse futuro nunca lhe chegou. O leitor sabe, desde o início, como termina a história. E, por essa razão, toda a leitura tem um gosto amargo. 

 

Li-o a primeira vez com 14 anos. Reli-o agora, com 29, na mesma edição, mas com outros olhos, outra maturidade e outra emoção. Se da primeira vez tentava imaginar o que seria uma adolescente, como eu, viver escondida, isolada e privada da liberdade e dos amigos, enquanto está em constante crescimento e formação, hoje não consigo sequer imaginar o que terão sido aqueles dois anos para ela e todos os que ali viviam. A angústia constante, a incerteza, a fome que nunca é satisfeita e a falta de coisas tão simples como, tomar um banho como deve ser, beber café ou sentir a brisa no rosto. 

 

Acho que todos conhecem a história de Anne e da sua família, judeus de nacionalidade alemã que viviam há vários anos na Holanda. Com o cerco nazi a apertar, escondem-se para evitar a ida para os campos de concentração. Criam artimanhas para que se pense que fugiram para a Suíça e “mergulham” no anexo da empresa onde Otto Frank, pai de Anne, trabalhara, com mais quatro pessoas. Enquanto o escritório tivesse a funcionar durante o dia, não podiam fazer barulho, não podiam usar a casa de banho, ligar a água, falar alto, nada. Alguns dos colegas de Otto tornam-se aliados e protetores deste segredo, levando-lhes comida, livros, roupa, entre outras coisas. Em baixo, os oito moradores do anexo, e na última linha, os quatro protectores. 

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Anne recebe o diário em Junho de 1942, no 13º aniversário, ainda em liberdade. Percebemos que era uma miúda “saída da casca”, extrovertida, sociável, vaidosa, curiosa e desafiadora. Por isso, quando se vê presa, toda essa energia e sede de mundo transformam-se em frustração, momentos de depressão misturados com euforia e uma grande dose de contradição, comum a qualquer adolescente. O problema é que está num espaço limitado com mais sete pessoas com as quais não se identifica. O pai, que adora, a irmã, muito diferente dela, a mãe, com quem tem problemas, o casal “van Dann” (nomes que inventou para proteger a identidade deles) e o filho Peter, uns chatos, e ainda o dentista a quem chama Dussel, com quem divide o quarto e com quem tem variadas discussões. Isso traz-lhe uma grande solidão. Dá respostas tortas aos adultos, é chamada de malcriada, preguiçosa, insolente. Numa idade crucial de formação de personalidade, mentalidade e carácter, Anne está condicionada a nível físico, social e mental. E nós acompanhamos esses conflitos e esse crescimento doloroso. Ainda assim, nunca perde o sentido de humor e somos testemunhas disso em várias passagens do diário. 

 

“Combinámos não abrir as torneiras e não puxar o autoclismo no WC.

Mas como o susto provocou o mesmo efeito em todos nós, podes imaginar o cheirete num certo sitio..."

 

É por se sentir sozinha e incompreendida que o diário ganha uma importância vital, funcionando como uma terapia durante aquele tempo. Dá-lhe o nome de Kitty e escreve como se estivesse a contar o dia-a-dia, as coisas mais simples como as rotinas de almoço e jantar, ou assuntos mais sérios como os avanços da guerra, a uma amiga que mora longe. 

 

"Não tenho uma verdadeira amiga, pois ninguém pode compreender que uma rapariga de treze anos

se sinta só. (...) Não consigo abrir-me, sinto-me como que abotoada. Por tudo isto é que escrevo um diário.

Este diário há-de ser a minha amiga".

  

"Mais tarde, nem eu nem ninguém, achará interesse nos desabafos de uma rapariga de treze anos.

Mas não importa. Apetece-me escrever e quero aliviar o meu coração de todos os pesos".

 

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Anne nunca deixou de estudar. Geografia, Álgebra, História e Línguas. Adorava ver e recortar revistas de cinema. Lia muito e escreveu, além do diário, vários contos naqueles anos.

 

"As pessoas que estão em liberdade e que fazem uma vida normal, não podem calcular

o que significam os livros para gente isolada do mundo exterior".

 

Tinha uma mente avançada para a época, não queria viver só para o marido. Queria viajar, estudar no estrangeiro, ser jornalista e depois escritora. Era culta, interessada e com reflexões profundas sobre o mundo, a alma humana e sobre si própria. Por vezes, senti-me até um pouco culpada por entrar de forma tão intensa no íntimo de uma miúda de 15 anos. Mas em muitos posts conta-nos acontecimentos banais do dia-a-dia. Narra-os como se de histórias literárias se tratassem, com diálogos e pormenores interessantes. O armazém, que ficava em baixo do anexo, foi assaltado diversas vezes naqueles anos. Anne conta esses acontecimentos como se tivesse a escrever ficção. Lia muito, portanto tem uma sensibilidade narrativa grande. Sabe criar picos de tensão e dar peso dramático nos momentos certos. 

 

Anne ensina-nos a manter a sanidade mental, vivendo numa angústia constante. Ensina-nos a encontrar escapes e a manter o bom humor, não deixando que o medo nos consuma. Uma das características de Anne que mais me impressionou, foi a fé inabalável de que tudo ia acabar bem. Nunca perdeu a esperança, sempre acreditou que o fim da guerra ia chegar e que voltariam à vida normal. 

 

"Muitas roupas nossas estão nas casas de outras pessoas, mas só depois da guerra poderemos ir buscá-las".

“A Margot diz que eu talvez já possa voltar à escola em Setembro ou Outubro”.

"Podemos pensar nos vestidos e livros que havemos de comprar."

“O meu desejo é neutralizar-me holandesa depois da guerra”.

 

As várias versões do Diário e a polémica sobre a fraude

Anne fez vários planos para o pós-guerra. Um deles era publicar o seu diário. Assim que ouvi na rádio, em 1944, o governo holandês sugerir que quem tinha diários e escritos sobre aquele período os conservasse pois podiam teriam interesse em ser publicados no futuro, Anne começou a editar o seu próprio diário. Voltou ao início e começou a cortar certas partes e a acrescentar outras. Essa é a versão B. Mais tarde, quando Otto teve acesso ao diário (já depois da guerra, a amiga da familía Miep que o encontrou, devolveu-o ao pai), decidiu publicá-lo, fazendo uma edição minuciosa e omitindo algumas partes que considerava mais privadas, como passagens onde Anne falava da sua sexualidade, por exemplo. Essa é a versão C e a que chega à maior parte das pessoas. Sabe-se também que várias entradas do diário se perderam, principalmente de 1943. Talvez por isso, ou pela maior necessitado de desabafar no último ano, quando já estava saturada daquele local e tinha as ideias mais no sítio, é visível a diferença de número de postagens. Anne escreveu 54 entradas no primeiro ano em que esteve fechada e 110 no segundo, de Julho de 1943 a início de Agosto de 1944.  

Mas nem tudo é o que parece. Durante anos, várias foram as acusações feitas de que teria sido Otto a escrever o diário. Chegou mesmo a ser acusado e ir a julgamento. Diz-se que pegou em alguns apontamentos escritos pela filha e acrescentou muita informação, fabricando o diário na sua maioria. Se pararmos para pensar, não é de todo impossível. Há várias teorias espalhadas pela Internet. Leiam este artigo, vale muito a pena. E se quiserem vejam também este post, como há muitos espalhados por aí. 

 

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Admitindo que foi mesmo a própria a escrevê-lo, um dos pontos mais interessantes do diário é acompanhar o amadurecimento de ideias e reflexões. Com 13 anos já mostrava uma capacidade de análise fora do comum para a idade, mas à medida que o tempo vai passando, assistimos a uma evolução de Anne, tanto que o próprio pai disse em público, mais tarde, não ter ideia da profundidade de sentimentos e pensamentos da filha. Ganha uma maturidade incrível naqueles dois anos. Não só nas reflexões sobre o Mundo e a Humanidade, como na forma de agir com quem a rodeia, na forma como consegue admitir quando erra e é injusta, no amor que ganha pela natureza e as coisas simples da vida. Anne Frank escrevia de forma eloquente, tinha vocabulário alargado, esperteza e sensibilidade para perceber a atmosfera à volta dela. Era muito autocrítica, com instropecções profundas e uma constante procura por aperfeiçoar-se e conhecer-se a si própria. Quantas miúdas de 15 anos têm esta capacidade? Claro que a o isolamento forçado a obrigou a ter uma vida menos agitada do que qualquer adolescente normal, mas ainda assim, Anne era especial. 

 

"Tenho de me aperfeiçoar sozinha, sem exemplo e sem ajuda, só assim hei-de ser um dia forte e resistente".

“Sei o que quero, tenho uma finalidade, uma opinião, tenho fé e amor. Tenho consciência de ser uma mulher com força interior e muita coragem.”

"Não podes, nem deves, considerar-me uma rapariga de catorze anos. A nossa tragédia tem-me envelhecido".

 

Vamos notando também que Anne se torna mais fria. A realidade era dura, as notícias da guerra e da perseguição aos judeus aterradoras, e tudo isso a moldou-a numa época em que ainda estaria a desenhar o seu carácter. Tem noção do bem e do mal, não é hipócrita, diz tudo o que lhe vem à cabeça, mesmo que isso magoe alguém, especialmente a mãe com quem tem uma relação agridoce. Todas as referências sobre a relação são tristes e, ao mesmo tempo, de frontalidade imensa. Anne chega a dizer que não tem sentimentos pela mãe e tem pena disso. "Sou em tudo o contrário da mãe, por isso é inevitável que nos choquemos. (...) Vejo-a apenas como minha mãe. E ela não é para mim a mãe que idealizei".

                                                                                                                  

Sabemos que não é fácil quando várias pessoas são fechadas num espaço pequeno meses e meses a fio. É de levar qualquer um à loucura. Basta vermos o que acontece nos reality shows, onde várias personalidades diferentes em pouco tempo estão a discutir pelos mais pequenos pormenores da vida quotidiana. Naquele anexo, aconteceu a mesma coisa. Não têm muitas distrações, não podem sair para espairecer, não têm novos estímulos. Ao fim de algum tempo dá molho. É assim a natureza humana. 

 

Já no último ano no anexo, Anne apaixona-se por Peter, filho do outro casal do esconderijo, que nada tem a ver com ela. A própria admite que em condições normais de liberdade, não se teria interessado por ele. É aqui que nos lembramos que é apenas uma adolescente, cujo maior medo devia ser levar uma nega do rapaz que gosta ou chumbar num exame da escola. Em vez disso, vive sob a sombra da guerra, num medo e angústia constantes.

 

"Proibimos a Margot, que anda terrivelmente constipada, de tossir de noite". 

"Qualquer pequeno desleixo podia trair-nos."

 

"Aflige-me a ideia de não se poder sair daqui e tenho medo que nos descubram e nos fuzilem".

 

Este não é apenas o diário de uma miúda. É um documento histórico sobre a perseguição aos judeus, a Segunda Guerra Mundial e o que acontece quando a deseumanidade chega ao poder. Anne relata várias vezes as privações e regras que os alemães impuseram aos judeus, como não poder sair à rua depois das 20h, não poder andar de bicicleta nem nos transportes públicos, não poder frequentar teatros e cinema nem praticar qualquer desporto, fazer compras apenas num horários específico, etc. Depois começaram a desaparecer e ouvia-se falar em câmaras de gás, mas ninguém sabia ao certo o que estava a acontecer.

 

"Não poupam ninguém: velhos, crianças, grávidas, doentes...todos têm de entrar na dança da morte.

E nós aqui tão bem guardados. (...) Quando estou deitada na minha cama, tão quente e confortável,

enquanto as minhas amigas sofrem lá fora, talvez expostas ao vento e à chuva, mortas até, sinto-me quase má. (...) ao lembrar-me de que estão entregues aos mais cruéis carrascos que a historia dos homens ja conheceu.

E tudo isto só por serem judeus!". 

 

"E lembrar-me que também já fui alemã! Hitler tirou-nos a nacionalidade há muito! Entre aquela espécie de alemães - os hitlerianos - e os judeus, existe uma inimizade como não pode haver mais forte em todo o mundo." 

 

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Anne tornou-se a voz de todos aqueles que não tiveram tempo de dizer o que pensavam, o que sentiam, que foram levados e mortos sem poder deixar nenhum testemunho.

 

A última entrada do diário, a 1 de Agosto de 1944, três dias antes de serem capturados, Anne escreve algumas das passagens mais pessoais de todo o livro: “Não tenho só uma alma, mas sim duas. Uma dá-me a minha alegria, exuberante, a minha vontade de viver. Esta primeira alma está sempre à espreita e faz tudo para suplantar a outra que é mais bela, mais pura, mais profunda. Essa alma boa da Anne ninguém a conhece. E é por isso que pouca gente gosta de mim. (…) No meu interior, a Anne pura é que me indica o caminho”.

 

 "Goza a tua liberdade enquanto for possível", disse Otto Frank a Anne, em Julho de 1942, antes de terem que se esconder. Eu nasci em liberdade, num país livre sem guerras, nem ditadura. Não sei o que é sentir preconceito e censura na pele. Tenho uma vida privilegiada. Posso sair de casa e passear onde quiser, receber o sol no rosto, a brisa, a chuva. Posso viajar, ir ao cinema, à praia e ao campo. Posso comer o que me apetecer, ler os livros que quiser, tomar banho com privacidade e dormir em paz. Às vezes esquecemo-nos a importância que a liberdade tem. Não a posso tomar como garantida, não sei o dia de amanhã.

 

Anne morreu no início de 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen, poucas semanas antes de ser libertado pelos aliados. Ela e Margot morreram doentes, com tifo, a pensar que os pais tinham também morrido. Relatos de pessoas que sobreviveram e lidaram com ela nos campos, dizem que tinha perdido a vontade de vida. Custa-nos imaginá-la assim, depois de ler o diário. 

 

O destino da Anne Frank faz parte da Historia. Ela ensinou-nos que a vida vale a pena ser vivida, todos os dias. “Não quero ficar insignificante. Quero conquistar o meu lugar no Mundo e trabalhar para a Humanidade”. Ela queria ser lembrada e continuar a viver para além da sua morte. Conseguiste, querida Anne.

 

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Têm todas as imagens, biografias e informação sobre todas as pessoas envolvidas na história, o que lhes aconteceu e pormenores muito interessantes no site oficial: http://www.annefrank.org/pt/ . É um complemento que vale a pena explorar. 

Título: Diário de Anne Frank

Autor: Anne Frank

Edição: Livros do Brasil, 2001

Ano de publicação: 1947

 Nº páginas: 350