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SAY HELLO TO MY BOOKS

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VIDA | EM OUTUBRO QUERO...

 

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Compras velas para a época. 

Tornar a decoração da casa mais Outonal. 

Comprar mais sabores de chá. 

Voltar às sobremesas de forno.

Comprar uma manta nova, daquelas fofinhas e quentinhas. 

Festejar os 6 meses da minha afilhada querida, dia 15.

Voltar à meditação. 

Ter o novo Cartão de Cidadão e o novo passaporte nas mãos. 

Pagar o resto da viagem que vou fazer no final do ano.

Aumentar o exercicio físico para mais vezes durante a semana. 

Fazer a revisão do carro.

Ver o filme do mês para os 12 Filmes para 2017

Ver os regressos das séries que acompanho. 

Ler o livro para o Clube dos Clássicos Vivos. Ler um livro para o mês do horror.  Ler mais um Harry Potter. Ler mais um livro para os 12 meses, 12 livros. 

Ouvir muita música. Ir acrescentando sempre novas músicas às minhas playlists do Spotify (embora tenha o  grátis que só me deixa ouvir em "aleatório").

 

VIDA | Um dia inspirador

Começo por dizer-vos que este "Vida" no título vai aparecer em todos os posts do blog que não tenham nada a ver com livros (ou filmes) e, assim, quem não tiver interesse nem precisa abrir o post. Usarei quando achar que faz sentido partilhar algo mais pessoal, quando quiser falar de temas do dia-a-dia, sem ser de leituras. 

 

Hoje quero partilhar alguns momentos do meu dia de ontem. Porque foi um dia inspirador, um dia em que saí da minha zona de conforto de várias formas e que me fez acordar, hoje, mais leve. Acho que partilhar boas experiências e mensagens positivas, acaba por transmitir boas energias à minha volta e, quem sabe, inspirar alguém a sair também da sua zona de conforto, a procurar o que lhe faz bem e fazer algo por si mesmo. Nem que seja resolver que é hoje que começa a fazer exercicio, que é hoje que vai ver aquele filme adiado há tantas semanas, que é hoje que manda mensagem àquele amigo com quem não fala há meses, que hoje vai parar de pensar em trabalho e aproveitar o dia lindo que está. 

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Ontem acordei bem-disposta, com um sol lindo, brilhante e quente lá fora. Decidi que era o dia perfeito para voltar ao ginásio, que andava a adiar há muito (é o mal da preguicite aguda). Vem aí o verão e é preciso tonificar. Não quero ter o corpo perfeito, não preciso perder peso, apenas sentir-me bem e mais leve. Andava a sentir-me sem energia e a verdade é que o exercício muda isso. Mas não me apetecia ir para as máquinas, para a passadeira, para bicicleta ou elíptica. Queria nadar, que é o meu desporto preferido. E foi o que fiz. Tirei o fato-de-banho, os ósculos e a toca do armário e lá fui. É um dos sítios onde mais me consigo libertar do mundo exterior. Aproveitei e fiz uma aula de hidroginástica também. É óptimo. Saí de lá muito mais leve, de corpo e de espírito. E mal sabia que isso foi apenas o início do dia. 

 

Trabalhei sem pressões. Ao meu ritmo, sem prazos loucos e gente chata à volta. Almocei ao ar livre. Comida saudável e um tempo maravilhoso que me aqueceu a pele e o coração. Entretanto recebo a mensagem de uma amiga: "Vou hoje a uma sessão de budismo, gostava mesmo que viesses". Na noite anterior, num jantar entre amigas, surgiu o tema religião, porque uma está grávida e tem dúvidas se baptiza ou não o filho. Levantou-se a questão. E eu, que não sou baptizada, não sou católica e não acredito (desculpem se ofendo alguém com estas palavras, mas para fazer um post destes tenho que ser totalmente sincera) disse que mais valia deixar o miúdo escolher um dia se quer ou não ser baptizado pela Igreja Católica. Um dia mais tarde pode informar-se e escolher o que lhe fizer mais sentido. Acabei por confessar que de todas as religiões, aquela cujos valores e filosofia me faziam mais sentido é o Budismo, por algumas coisas que já li. Acredita que devemos procurar a verdade dentro de nós e não nos outros e em coisas externas. No Budismo, o poder de mudança e equilibrio vem de dentro, não depende de factores exteriores, não põe nas mãos de nenhuma entidade celestial a responsabilidade de mudar a nossa vida. É por isso que a meditação tem um peso importante. É por isso que a mudança tem que ser dentro de nós e não esperar que seja no mundo. Porque quando queremos alguma coisa, não é rezar e esperar que um milagre aconteça, é termos a força para ir atrás, para fazer, para mudar e valorizarmo-nos neste processo. É uma filosofia muito mais vasta, mas não adianta entrar em grandes pormenores aqui. 

 

Confesso que já faço isso, há muito, por mim e não por nenhuma religião. Procuro crescer a nível emocional e ser eu própria a minha maior força. A cabeça comanda tudo. Devemos cuidar bem desta ferramenta, é a nossa maior arma contra a tristeza, negativismo, irritabilidade. Passei por várias coisas menos boas nos últimos dois anos. Todas as áreas da minha vida foram afectadas, numa corrente de azares e tristezas. Mas tenho tentado sempre ultrapassá-las com força de vontade e uma cabeça sã. Por isso, quando a minha amiga me mandou ontem aquela mensagem (ela que não sendo budista, já foi a várias sessões inspirada por outra amiga que o é efectivamente), não hesitei. Marcámos hora e local e lá fomos, ao fim da tarde. Não foi num núcleo budista. Foi uma sessão privada, erámos oito. A parte inicial foi a que estranhei mais, enquanto durou o Daimoku, a reza, em voz alta. Para perceberem: "Quando se entoa o Daimoku, a natureza de Buda dormente dentro das nossas vidas é convocada. Recita-se, em voz alta, para que a natureza de Buda (que está dentro de cada um de nós) se revele e nos acompanhe". É durante aquela reza que conseguimos abrir o nosso espirito e a nossa cabeça para o que precisamos. Absorvi tudo o que se passava naquele momento. Depois, passámos ao diálogo, à partilha de experiências, à informação sobre a história e a filosofia do Budismo, ao impacto que tem na vida de cada um. Foi muito bom. Fez-me muito sentido. Cada vez mais estou mais aberta a coisas que me façam sentir bem, que me acrescentem, que me façam evoluir. Sou uma curiosa do Mundo. E estou em constante evolução para me tornar numa pessoa melhor, mais calma, mais sábia, e que saiba ir levando a vida de uma forma cada vez mais leve e verdadeira. Não precisamos ter uma vida perfeita ou como imaginávamos que ia ser. Nunca é. E está tudo bem. Fui muito bem acolhida, sai de lá com a cabeça ainda mais aberta. E não meteu incensos, músicas zen ou barulhos de água a correr, ninguém fumou cenas estranhas, ninguém usou roupas esquisitas ou tentou evangelizar o vegetarianismo. São ideias pré-concebidas sobre o Budismo, que não correspondem à realidade. Vou voltar certamente. 

 

Para terminar, fui jantar com um amigo de quem estava afastada há muito tempo, de quem já fui muito próxima, e por vários motivos que agora parecem sem sentido, me fui afastando. Há pouco tempo ele passou por um acontecimento triste. Quis estar lá para ele. E estive. E ontem foi a prova de que quando a amizade é verdadeira, não se perde. A conversa fluiu, as piadas aconteceram e os desabafos também. Comemos bem, bebemos melhor ainda e fomos buscar o que erámos antes e que tinha ficado perdido pelo caminho com o tempo. 

 

A conclusão é que há dias que nos esfregam na cara o quão boa a vida é. Dias que nos mostram, como se nos quisessem provar algo que tinhamos esquecido, que há vários motivos para não nos deixarmos ir abaixo com o que não conseguimos mudar e que, aquilo que conseguimos efetivamente mudar, só depende de nós. Que podemos ser um sol, para nós mesmos e para os outros, nos dias mais cinzentos. E esse poder está na nossa mente. Ontem foi um dia inesperadamente bom. Foi um dia que fez sentido. E que me fez querer parar de me chatear no trânsito, parar de me queixar ao fim do dia quando as coisas correm menos bem, parar de ficar frustrada quando não atinjo todos os meus objetivos nos prazos a que me propus, parar de arranjar desculpas. E fazer acontecer.