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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

26
Dez15

2016 Reading Challenge

Vi por essa Internet fora vários Reading Challenges para 2016. Nenhum me agradou a 100%. Então decidi criar o meu próprio "2016 Reading Challenge". Vi alguns itens em desafios semelhantes em sites e blogues literários, outros criei eu.

 

Claro que cada um lê o que lhe apetece, mas se tivermos estas motivações extra, melhor. Procurar livros que encaixem nestas categorias, que nos façam sair da nossa zona de conforto, que nos obriguem a ler novos autores e géneros é sempre uma mais-valia. E confesso que acho divertido ir fazendo check à medida que vamos lendo livros que se encaixem nestes temas. São 22 categorias. Claro que pode haver livros que entrem em mais que uma. 

 

Quem quiser pode usá-lo e partilhá-lo à vontade. Vou partilhando os "checks" à medida que forem sendo feitos. 

 

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22
Dez15

Boneca de Luxo, Truman Capote

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Não há quem não conheça o filme "Breakfast at Tiffany's". É um dos clássicos de Hollywood e lançou a diva das Divas para o estrelato eterno: Audrey Hepburn. Queria ver o filme (vergonha da vida, nunca tinha visto), então decidi ler primeiro o livro. Foi uma das primeiras leituras deste ano. "Boneca de Luxo" foi a primeira obra que li de Truman Capote. É um livro pequeno, não chega a cem páginas. O melhor exemplo de que nem sempre é preciso escrever um calhamaço para contar uma boa estória. 

 

"A nossa casa é onde nos sentimos em casa. E eu ainda estou à procura". 

 

Gostei da Holly Golightly, a personagem principal, que muitos dizem ser uma versão feminina do próprio Capote, uma personagem quase autobiográfica. Capote gostava de festas, de boa vida, de luxo e conhecia muita gente famosa, atores de Hollywood, etc. Holly é assim. Gosta de estar em ambientes bonitos, com classe, como a joalharia mais famosa de Nova Iorque, Tiffany's. Gosto de personagens femininas fora do comum, diferentes, neuróticas, pouco convencionais. Mas ainda que tendo gostado, não me consegui identificar-me ou ganhar afinidade com ela. Li a história, gostei de a ler e foi só isso. Não era bem o que estava à espera. Nem sei bem o que esperava. Acontece, quando ouvimos falar muito de alguma coisa. Achei que as relações humanas não tinha grande profundidade. Não me consegui envolver com os personagens. E por isso que dei três estrelas. 

 

Achei curioso o facto de não ficarmos a saber muitos pormenores sobre quem nos conta a história. Um homem, escritor e jornalista (tal como Capote) que se torna vizinho e amigo de Holly e que a tenta ajudar em diversas ocasiões. Apenas isso. Não sabemos nome, idade ou profissão. E ao contrário do filme, o livro mostra-nos uma história sobre a amizade, ou o fascínio que se cria por alguém que mal se conhece. Mas o livro deixou-me triste. Melancólica, talvez. O desapego dela é evidente. Vive numa casa vazia, com tudo o que possui na vida fechado em caixotes. Todo o livro passa uma ideia de abandono e solidão, como consequência de uma vida em busca de luxo e dinheiro. 

 

Infelizmente achei que a tradução desta edição do Público deixa um bocadinho a desejar. Traduções literais que, por vezes, dão um toque pouco real às expressões utilizadas. Diálogos que soam a falso, porque ninguém na vida real fala assim. Quero ler o original, em inglês. 

 

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Depois vi o filme. E surpreendi-me. Gostei muito mais do filme que do livro, até porque há diferenças de peso. Se no livro, o casal Holly/narrador cria apenas uma amizade, no filme há todo um romance envolvido. E obviamente que o final é completamente diferente. 

 

Uma curiosidade engraçada é que, no livro, Holly tem o cabelo loiro, quase platinado, "cor de baunilha" como o narrador afirma a dada altura e olhos "claros como água da chuva". Como sabemos, Audrey Hepburn é o oposto. Hoje não imaginamos o filme com outra Holly que não ela, mas a verdade é que primeira opção para o papel foi Marylin Monroe, que recusou depois de ter sido aconselhada pelo manager de que interpretar uma prostituta seria mau para a sua carreira. Engraçado que, ao ler o livro sem nunca ter visto o filme, foi exatamente uma Marilyn que imaginei como Holly. A ideia que tenho da Sra. Monroe na vida real, é tal e qual a Holly do livro (tirando a parte da prostituição). Mas depois de ver o filme, tenho a certeza que ninguém faria tão bem o papel como Audrey Hepburn. Aliás, ela É o filme. 

 

Sinopse: 

Holly Golighly é mais do que uma boneca de luxo. Deslumbrante, espirituosa e ternamente vulnerável, inquietando as vidas dos que com ela se cruzam, é retratada por Truman Capote em Breakfast at Tiffany’s (Boneca de Luxo), um romance tocante e singelo sobre a amizade, que constitui uma autêntica história de sedução. Verdadeiro clássico da literatura americana contemporânea, nele se inspirou Blake Edwards para o filme homónimo protagonizado por Audrey Hepburn.

 

 

Título: Boneca de Luxo

Autor: Truman Capote

Edição: Público - Colecção Mil Folhas, 2002

Ano publicação: 1958

 Nº páginas: 96

 

17
Dez15

Comecei a ler...

1984, de George Orwell. 

Não sei se será a melhor leitura para a época natalícia. Não tem nada a ver com paz e amor. Mas como não estou a fazer leituras ligadas ao Natal, ninguém leva a mal. 

Queria lê-lo ainda em 2015. Tinha muita curiosidade. Pude confirmar nas primeiras páginas que não será uma leitura tranquila. Faz-nos pensar. Faz-nos sair da nossa zona de conforto e do nosso Portugal à beira-mar plantado, tão calmo, sereno e confortável, para uma sociedade regida pelo ódio, pela violência e por regras totalitaristas. Faz-nos confusão. É suposto que o faça.

Não dou pelas páginas a passar. Até agora estou a gostar muito. Tal como esperava. 

 

16
Dez15

Eleanor and Park, Rainbow Rowell

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Acabei ontem de ler Eleanor and Park. Dei três estrelas. Estava à espera de mais. Sabia, à partida que era um Young Adult e, a menos que fosse uma obra-prima da literatura, nunca chegaria às 5 estrelas. Recebeu vários prémios e distinções, incluindo o Goodreads Choice Award para Best Young Adult Book of the Year 2013. Ouvi tantos elogios, tantas críticas positivas, tantas opiniões excelentes sobre a história destes dois adolescentes que criei expectativas demasiado altas, talvez.

 

"O céu inteiro era da cor da pele dela". 

 

 "O rosto de Park era uma obra de arte. E não era arte esquisita nem feia. Park tinha o tipo de rosto de que se faz pintura para que a História não esqueça". 

 

O que não quer dizer que não tenha gostado. Gostei bastante. Não é uma história de amor à primeira vista. Conta-nos como é que eles se vão apaixonando a pouco e pouco, com muita vergonha, desejo e banda desenhada pelo meio. Conseguimos ter a visão de cada um, porque a narrativa vai alternando entre a Eleanor e o Park. Faz-nos lembrar o que é estar apaixonado com 16 anos. Os problemas. As dúvidas. As borboletas na barriga quando vemos a pessoa segunda-feira de manhã na escola, depois de passar o fim de semana inteiro sem falar. E, por isso, o livro tocou-me. 

 

Mas acho que lhe faltou qualquer coisa. Em certos momentos estava sempre à espera que a autora fosse por um caminho e ela foi por outro. Muitas vezes é esta imprevisibilidade que torna um livro interessante. Mas neste caso houve situações que não gostei. Muito clichés ou sem sentido dentro da história que ela própria criou. E não gostei do final. Aliás, percebo o final, não mudaria o sentido que ela quis dar. Mudaria a forma como as coisas foram feitas.

 

(SPOILER) Então a miúda passa o livro inteiro apaixonadíssima por ele e de repente decide desligar-se quando se muda para casa dos tios? Para mim não teve sentido esta mudança brusca que nem sequer percebemos bem de onde veio. A explicação é dada, mas para mim não teve sentido. Foi metida à pressão para não ter o final feliz cliché. E quando li a última frase, ainda procurei as páginas seguintes a ver se havia ali mais qualquer coisa. Mas não. (FIM DE SPOILER)

 

Ainda assim, aconselho o livro para quem goste de YA's e romances ou para quem queira ler um livro fofo. É isso que ele é. Um livro fofinho, com uma história fofinha. A escrita da autora é simples. Lê-se bem. É virada para um público jovem mas sem parecer demasiado infantil ou sem tentar facilitar-lhes demais a leitura. Já se diz que vai ser adaptado ao cinema. Mas isto não é novidade porque agora é moda adaptar TUDO quanto é livro ao cinema. Vamos esperar para ver. 

 

"Ele sabe que eu vou gostar de uma canção antes de eu a ouvir. Ele ri-se de uma anedota ainda antes de eu chegar ao fim. Há um lugar no peito dele, logo abaixo do pescoço que me dá vontade de o deixar abrir portar para mim.

Ele é único".

 

"Acordou nos braços de Park e foi apanhada completamente desprevenida. Teria achado que era apenas um sonho, mas os sonhos dela eram sempre aterradores. Eleanor nunca tinha sonhado com nada bom como aquilo,  bom como Park, a dormir macio e quentinho... Todo quentinho.

Um dia, pensou ela, um dia alguém vai acordar assim com ele todas as manhãs". 

 

Sinopse: 

Dois inadaptados. Um amor extraordinário. Eleanor é uma miúda nova na escola, vinda de outra cidade. A sua vida familiar é um caos; sendo gorda e ruiva, e com a sua forma esquisita de se vestir, atrai a atenção de todos em seu redor, nem sempre pelos melhores motivos. Park é um rapaz meio coreano. Não é propriamente popular, mas vestido de negro e sempre isolado na música através dos seus fones e livros, conseguiu tornar-se invisível. Tudo começa por ser diferente quando Park acede a que Eleanor se sente ao lado dele no autocarro da escola. A princípio nem sequer se falam, mas pouco a pouco começam por se envolver numa genuína relação de amizade e cumplicidade que mudará as suas vidas. E contra o mundo, o amor nasce. Porque o amor é um superpoder.

 

 

Título: Eleanor and Park

Autor: Rainbow Rowell

Edição: Chá das Cinco, 2015

Ano publicação: 2013

 Nº páginas: 320