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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

Sex | 09.09.16

101 with Books

Meti-me em mais um projeto literário. Não resisto a estas coisas que nos fazem sair da zona de conforto em relação a leituras, com uns desafios giros pelo meio. Desta vez não tem tanto a ver com os livros que lemos, mas sim onde os lemos e o tipo de experiências que podemos ter enquanto os lemos. 

 

A ideia foi da Cláudia, mais conhecida como A Mulher que Ama Livros, que anda sempre a magicar ideias destas. É um projeto para se fazer com tempo, sem desafios com data fixa e muito menos prazo para terminar. 

 

A ideia é fazer check em 101 momentos de leitura que nos são propostos. Uns que facilmente encaixamos no nosso dia-a-dia como "ler antes de todos acordarem" ou "ler ao almoço" e outros mais complicados como ler num barco, num farol ou de pernas para o ar. Alguns desafios vão obrigar-nos a puxar pela imaginação e a criar situações de leitura em certos locais onde nunca pensámos ler. O objectivo é, precisamente, incentivar a leitura e mostrar as inúmeras possibilidades de locais e momentos em que podemos pegar num livro. 

 

Os desafios são: 

 

1 Ler num parque campismo
2. Ler na cidade
3. Ler no campo
4. Ler no jardim
5. Ler no centro comercial
6. Ler na sala de cinema
7. Ler na biblioteca
8. Ler e ver o pôr do sol
9. Ler antes de todos acordarem
10. Ler durante o almoço
11. Ler na pizzaria
12. Ler no comboio
13. Ler no avião
14. Ler a ouvir música
15. Ler com uma bebida a acompanhar
16. Ler na tua estação do ano preferida
17. Ler numa fila de espera
18. Ler num restaurante
19. Ler numa pousada ou hostel
20. Ler enquanto esperas por alguém
21. Ler de pernas para o ar
22. Ler num dia de chuva
23. Ler no elevador
24. Ler no teu lugar preferido de sempre
25. Ler na praia
26. Ler à luz das velas
27. Ler na companhia de um animal
28. Ler em voz alta
29. Ler perto do rio
30. Ler numa feira
31. Ler no museu
32. Ler num spa
33. Ler numa roulote ou autocaravana
34. Ler com silêncio total
35. Ler no quintal
36. Ler debaixo de uma árvore
37. Ler no terraço
38. Ler dentro de um carro
39. Ler na tua livraria preferida
40. Ler depois de uma massagem
41. Ler à janela
42. Ler num lugar especial
43. Ler no barco
44. Ler na rede
45. Ler com a companhia de outro leitor
46. Ler perto de uma árvore de natal
47. Ler no teu lugar preferido da cidade/vila onde vives
48. Ler perto de um monumento
49. Ler na escola
50. Ler junto da família
51.Ler à lareira
52. Ler mascarado
53. Ler a comer o teu doce preferido
54. Ler depois de uma caminhada
55. Ler à beira da piscina
56.Ler no sofá
57. Ler antes de dormir
58. Ler numa sala de espera
59. Ler depois de tirares um bolo do forno
60. Ler quando estiveres de férias
61. Ler com uma chávena de chá/café
62. Ler depois de veres uma adaptação cinematográfica
63. Ler num dia sem nuvens no céu
64. Ler numa rua com o nome de um escritor
65. Ler antes de um concerto
66. Ler debaixo das estrelas
67. Ler após assistires a um filme de terror
68. Ler sem o telemóvel e portátil por perto
69. Ler num dia chato
70. Ler num alfarrabista
71. Ler no dia do teu aniversário ou no dia do aniversário de alguém especial
72. Ler na cama
73. Ler num piquenique
74. Ler no escritório
75. Ler em frente a uma casa com janelas azuis
76. Ler no farol
77. Ler de pantufas
78. Ler um livro recomendado por um booktuber (se for por mim, melhor)
79. Ler um livro da lista 1001 livros antes de morrer
80. Ler um livro de capa dura
81. Ler um livro com uma capa linda
82. Ler um livro com imagens
83. Ler um livro de um autor vencedor do prémio Pulitzer
84. Ler um livro de não ficção
85. Ler no castelo
86 Ler na pista
87. Ler num dia ventoso
88. Ler num dia perfeito
89. Ler um livro com cheiro a novo
90. Ler um livro oferecido por alguém especial
91. Ler a ouvir a tua banda sonora preferida
92. Ler numa noite de insónias
93. Ler um livro de um autor vencedor de um prémio português
94. Ler um livro numa maratona literária
95. Ler um livro em apenas um dia
96. Ler um livro do género literário que menos gostas
97. Ler um livro com um título longo
98. Ler numa esplanada
99. Ler no meio do nada
100. Ler debaixo das mantas
101. Reler um livro especial, ou reler partes de um livro especial e partilhar com o mundo uma parte especial desse livro especial

 

Sempre que realizar um destes desafios venho aqui riscá-lo. Mas para me organizar e porque estes desafios não são só literários, mas também um bocadinho pessoais, imprimi a lista e vou registar qual o livro que estava a ler, o local e a data em cada um deles. Acho que vai ser giro daquia uns anos olhar para isto e relembrar momentos que passei, locais onde fui, pessoas com quem estive, etc. 

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E como estas coisas são giras é a partilhar, pelas redes sociais a hashtag oficial é #101withbooks, onde estão as fotografias que os participantes vão tirando, no geral, e a mesma hashtag com o número do desafio no final para cada um em particular, como por exemplo #101withbooks63. Assim podemos cuscar os desafios dos outros participantes. Vou registar os momentos todos no Instagram e no final de cada mês faço aqui no blog um apanhado dos desafios que já fiz. 

 

Há uma regra essencial: cada item/experiência equivale apenas para um momento, ou seja, se estamos na praia numa esplanada não podemos matar dois coelhos com uma cajadada só. Basicamente é usar a imaginação para concretizar cada experiência. O projeto é aberto a qualquer pessoa que queira participar :) Não se esqueçam é de dar os créditos à Cláudia. 

 

Qui | 08.09.16

Capitães da Areia, Jorge Amado

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Este livro foi tudo o que esperei que ele fosse. Real, emotivo e muito humano. É o livro mais vendido do Jorge Amado até hoje e é engraçado pensar que no ano em que foi publicado, em 1937, o governo brasileiro com o Estado Novo recém-implantado censurou-o, queimando centenas de exemplares da primeira edição em praça pública na Baía. Chegou a ser proibido e só em 1944 é que voltou às livrarias. Tudo porque, nesta obra, Jorge Amado retratou a realidade de muitas crianças e adolescentes a viver nas ruas de Salvador, vítimas do abandono e da miséria urbana, a roubar casas e pessoas para sobreviver.

 

Miúdos orfãos, sem família, que aprenderam a desenrascar-se sozinhos, que sobrevivem da criminalidade, chegando até a matar se for preciso. Auto-intitulam-se "Capitães da Areia", porque vivem na praia, numa casa abandonada que chamam de trapiche. 

 

"O Sem-Pernas ficou muito tempo olhando as crianças que dormiam. Ali estavam mais ou menos cinquenta crianças, sem pai, sem mãe, sem mestre. Nada possuíam além da liberdade de correr as ruas". 

 

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São malandros e espertos o suficiente para se safarem de situações complicadas como fugir da polícia, escapar do reformatório ou enganar famílias ricas mas, independentemente, do que fazem e de como a sociedade os vê, não deixam de ser crianças, com sonhos, com uma grande carência afectiva, que se deixam encantar com coisas que nunca tiveram. O capítulo "As luzes do Carrossel" dá-nos essa imagem perfeita.  A maioria dos personagens tem entre 10 e 15/16 anos. Já têm relações com mulheres, fumam, bebem e cuidam de si mesmos como adultos. Mas neste capítulo, quando um carrossel antigo chega à cidade, nenhum deles fica indiferente como se aquele objecto estivesse dentro de uma bolha mágica. Ficam maravilhados como se fossem crianças pequenas, enfeitiçados pelas luzes e pela música. É um capítulo tão bonito que nos enche o coração de uma tristeza e uma compaixão com aqueles miúdos quase como se estivessemos lá a assistir à cena.

 

"Escutavam religiosamente aquela música que saía do bôjo do carrossel na magia da noite da cidade da Bahia só para os ouvidos aventureiros e pobres dos Capitães da Areia. Todos estavam silenciosos. (...) Então a luz se estendeu sobre todos, as estrelas brilharam ainda mais no céu, o mar ficou manso e a cidade era como que um grande carrossel onde giravam em invisiveis cavalos os Capitães da Areia.

Nesse momento de música eles sentiram-se donos da cidade. E amaram-se uns aos outros, se sentiram irmãos porque eram todos eles sem carinho e sem conforto e agora tinham o carinho e conforto da música. (...)

E era uma valsa velha e triste, já esquecida por todos os homens da cidade". 

 

Outro capítulo de cortar o coração é aquele em que o Sem-Pernas, fingindo ser um orfão desamparado, consegue ser aceite por uma família rica, que vive numa boa casa e que o quer adoptar, sabendo ele à partida que não pode lá ficar... É tão triste. Não quero dar spoilers, mas preciso partilhar estes momentos com vocês porque mexeram comigo. 

 

Jorge Amado descreve os Capitães da Areia como um grupo de mais de cem miúdos, cada um com a sua personalidade. Mas mesmo sendo muito jovens e vivendo uma vida complicada, dentro do grupo existe uma ética, um respeito e um companheirismo muito grandes. O autor centra a história em Pedro Bala, o líder, e alguns dos seus amigos mais chegados, como Pirulito, Sem-Pernas, Professor, Boa-Vida e o Gato. Cada um com uma história de vida mais complicada que a anterior. Há vários capítulos com foco em cada um deles. E, se repararmos, todos eles são representações de sentimentos como o ódio, a esperança, a fé, a arrogância, a vaidade, a luta. E quando achamos que já conhecemos bem o grupo, chega a Dora, a única rapariga dos Capitães da Areia, que todos passam a ver como mãe, esposa e irmã, evidenciando a necessidade de carinho e "colo" maternal que nunca tiveram. 

 

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É uma história bonita, poética - lírica até - e triste, que nos faz desejar o melhor do mundo àqueles miúdos. Ainda bem que Jorge Amado não se deixou intimidar pela censura e que o livro conseguiu chegar até aos dias de hoje, onde (quase) 80 anos depois, o problema da criminalidade infantil em certos locais do Brasil continua actual. 

 

Cinco estrelas, porque não posso dar mais. Tornou-se num dos meus preferidos. 

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Título: Capitães da Areia

Autor: Jorge Amado

Edição: Martins Editora, 1971

Ano de publicação: 1937

 Nº páginas: 293

 

Qua | 07.09.16

O que li nas férias

Contei-vos aqui o que pretendia ler nas férias, já sabendo à partida que provavelmente não ia conseguir ler tudo e não consegui. Maaaaas tudo o que li valeu a pena, foram histórias e personagens que me fizeram imensa companhia. Daquele tipo de parar o livro para falar dele com quem está à nossa volta. 

 

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Então, li "Azeitona", do Bruno Miranda, em ebook, logo para começar. Apeteceu-me pegar nele depois de ter visto que a Joca gostou. Confirmei o que já sabia, não sou fã de ebooks, mas não me atrapalhou a leitura. Já publiquei opinião sobre o livro, gostei, dei-lhe 3.5 estrelas e não me arrependo nada de ter dado uma oportunidade a um livro de youtuber, ainda que seja um YA.

 

Depois peguei no brilhante "Capitães da Areia", do Jorge Amado. Maravilhoso. 5 estrelas. Tanta companhia que o Pedro Bala e os seus amigos do trapiche me fizeram na praia. Tomava banhos no mar algarvio a pensar nas praias e nas ruas da Bahia.

 

A seguir, finalmente, dei oportunidade à Elena Ferrante de me mostrar a loucura toda em que está envolvida no mundo literário. "A amiga genial" também foi uma leitura muito boa, muita praia e piscina fiz eu com a Lila e a Lenú. Ainda agora penso nelas. Quero ver se escrevo a opinião depressa, tenho muito para dizer sobre este livro. 

 

Uma entrada que não estava programada na TBR de verão foi a Lena Dunham e o seu "Não sou esse tipo de miúda". Uma amiga emprestou-me o livro e acabou por passar à frente de outros que tinha escolhido levar. Apeteceu-me. 

 

Pelo meio destes fui lendo uns contos do "Contos do Nascer da Terra" do Mia Couto. Li uns dez durante as férias. Vai continuar a ser lido aos poucos. 

 

Já no final das férias, no primeiro dia de Setembro, voltei ao Eça com o seu "A Cidade e as Serras". Li menos de metade e desde o fim de semana que não consegui ler praticamente nada, mas vai ser terminado agora em Setembro. 

 

O Pepetela, o Ken Follet e o Gregorio Duvivier foram só passear ao sul, mas vão ficar aqui pacientemente à espera da sua vez.

 

Seg | 05.09.16

Olá Setembro

Andei desaparecida destas bandas por estar fora de casa e não ter Internet como deve ser onde estava. Estamos no século XXI mas há sítios do Algarve que se mantêm livres da ditadura do wi-fi. E tenho que confessar que gostei disso. Liberta-nos um bocadinho do vício de estar sempre conectados com o mundo. Não deixei de ir pondo fotografias no Instagram do blog e no meu pessoal... Mas soube muito bem estar "desligada" em alguns  momentos.

 

Tenho opiniões de livros para publicar, tenho posts para ler e vídeos de canais literários que sigo para pôr em dia, tenho que vos contar o que consegui ler nas férias e o que pretendo ler a seguir, tenho tags literárias para responder, fotografias para partilhar e novos projetos de leitura que quero pôr em prática.

 

Por isso, Setembro começa cheio de força. A ver se ponho o blog em ordem para começarmos este novo ano (não sentem que os anos começam em Setembro?) como deve ser. 

 

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