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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

Sab | 05.11.16

Abandonar livros ou não...eis a questão!

Esta é daquelas "manias" que cada um tem a sua. Muita gente tem facilidade em abandonar um livro quando não está a gostar, outros lêem até ao fim mesmo que seja a empurrar com a barriga. É daqueles temas em que cada um sabe de si e, por isso, vou apenas dar a minha opinião e contar as minhas experiências. 

 

Não sou pessoa de abandonar livros. Não gosto de sensação de deixar um livro a meio ainda que não esteja a gostar muito da leitura. Mas confesso que é raro não gostar de uma leitura. Porquê? Porque tenho cuidado nas minhas escolhas e tento pegar em livros que sei, à partida, que vou gostar minimamente. Informo-me sobre a obra, leio opiniões, vejo a classificação no Goodreads e tento escolher livros dentro dos géneros literários que mais gosto. Se já tive desilusões ainda que tente escolher bem as leituras? Claro que sim. Há livros que têm uma sinopse brutal, escritos por autores de que a maioria gosta, que estão dentro dos géneros que mais prazer me dão ler, mas depois a história não prende, os personagens não cativam, está mal escrito e não me agarra à história. Ainda assim, tento terminar a leitura. 

 

Secalhar isto é mais fácil com exemplos. Ora vejamos o caso de O Diário da Nossa Paixão. Adoro o filme (é um dos meus preferidos) gosto muito da história, dos personagens e do romance bonito do Noah e da Allie. Estava convencidíssima que ia adorar o livro, até porque Nicholas Sparks é um caso sério de sucesso com vários best-sellers no currículo. Nunca tinha lido nada dele, porque sempre tive ideia que era um bocadinho piroso, virado para clichés baratos, longe de ser a minha praia. Mas decidi dar uma oportunidade. E foi uma desilusão. Confirmei os clichés, os personagens eram menos profundos que no filme, cheguei mesmo a não simpatizar com eles no livro. Ainda assim, li-o até ao fim.

 

Proquê ler até ao fim? Primeiro, porque há livros em que a segunda parte é muito mais dinâmica que a primeira, é onde a acção se começa realmente a desenrolar e é aí que nos chega a ansiedade para saber onde e como irá terminar aquela história. Depois, porque gosto de pontos finais. Tenho um sério problema com reticências, com deixar tudo em aberto... No caso de "O Diário da Nossa Paixão" já sabia como terminava a história - ainda que algumas adaptações cinematográficas modifiquem os finais - mas na maior parte dos livros não faço ideia dos caminhos que o autor quer dar aos personagens e só o vou saber, lendo. Gosto de sentir que aquele livro é um capítulo fechado na minha história de leituras.

 

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Para terem uma noção, entre 2015 e 2016 só houve dois livros de que não gostei nada. Um já sabem qual é, o outro foi "O Mensageiro", de Andy Andrews. Tinha o livro parado na estante há algum tempo, oferecido por alguém que já nem me lembro quem foi. Nunca tinha ouvido falar muito sobre ele, mas a capa e o título deixaram-me curiosa. Imaginei como seria o enredo mas, em vez de uma história empolgante e bem escrita, sai-me uma espécie de auto-ajuda disfarçada de ficção, carregadinha dos maiores clichés que possam imaginar, com diálogos fraquíssimos, personagens criadas de forma amadora e uma escrita que quase parecia uma redação de um miúdo do secundário. Quanto mais lia, mais chocada ficava por perceber que é um autor conceituadíssimo nos EUA, com milhentas cópias vendidas e dezenas de livros publicados. Bem sei que os americanos não são exemplo para ninguém em termos intelectuais - falando no geral - mas, mais uma vez, li até ao fim.  

 

Esta mania de ler até ao fim serve para todas a obras? Estas duas de que falei têm em comum não passar das 200 páginas. Isso ajudou, claro. Confesso que no dia em que me meter num calhamaço de 700 páginas e se, chegando às primeiras duzentas, continuar intragável...talvez pense duas vezes se vale a pena estar a sofrer por mais 500 dolorosas páginas. Quando isso acontecer irei ponderar bem o caso. 

 

Agora vou contar-vos o único livro que "abandonei" sem abandonar na realidade. Trata-se de "Cem anos de solidão". O que aconteceu? Comecei a lê-lo há alguns anos, numas férias de verão, mas percebi que aquela não era a idade e muito menos a época do ano certa para lê-lo. Não tinha maturidade suficiente para entender tudo o que Gabriel García Marquez queria passar e muito menos capacidade de concentração para não me perder no meio das gerações da família Buendía, entre bolinhas de Berlim e putos a gritar na areia. Preferi parar, guardá-lo e pegar-lhe quando sentisse que era o momento certo. Hoje tenho a certeza que foi a melhor opção. 

 

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E vocês, costumam abandonar livros? Com facilidade ou com dor no coração? Têm um número de páginas até onde esperam que o livro fique bom? Contem-me as vossas experiências! 

 

Sex | 04.11.16

101 with Books - Setembro e Outubro

Falei-vos do projeto 101 With Books aqui, onde podem ver também a lista de momentos de leitura propostos. Nos dois primeiros meses de projeto foram vários os desafios que realizei e que partilhei no Instagram, mas faço aqui um apanhado de Setembro e Outubro. Houve chuva e houve céu azul, houve exercício físico e houve ronha, houve casa e houve rua... 

 

SETEMBRO 

 

63. Ler num dia sem nuvens no céu IMG_3322.JPG

 

72. Ler na cama IMG_3370.JPG

 

95. Ler um livro em apenas um dia IMG_3372.JPG

 

2. Ler na cidade 

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OUTUBRO

 

54. Ler depois de uma caminhada IMG_3968.JPG

 

38. Ler dentro do carro 

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26. Ler à luz das velas

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De todos os momentos aqui representados, aquele que me deu mais prazer foi ler dentro do carro com o mar ao fundo e uma chuvada daquelas a cair lá fora. 

 

Total: 7/101

 

Qui | 03.11.16

25 Factos Literários Sobre Mim

Sempre gostei de ler posts e ver vídeos sobre os factos literários de pessoas que sigo. Há quem faça 50, eu faço 25 porque sei que provavelmente nem assim vocês os vão ler todos... Um grande beijinho, desde já, a quem chegar ao fim. Digam-me se temos algumas manias parecidas!

 

1. Gosto de ler desde que me lembro de mim como pessoa. É amor antigo já. 

2. Não sou fã de e-books, prefiro os livros físicos.

3. Não preciso de estar no fim de um capítulo para pousar a leitura. 

4. Não me faz confusão sublinhar e escrever nos livros, faço-o quase sempre, desde que seja com lápis. 

5. Não julgo um livro pela capa. Há muito boas histórias escondidas dentro de capas terríveis. 

6. Gosto mais de clássicos do que de contemporâneos. 

7. Nunca chorei a ler um livro. Posso ter-me emocionado com algum acontecimento, mas chorar mesmo...nunca.

8. Não gosto de terminar rápido uma leitura, tipo em um ou dois dias. Fico com a sensação que não o aproveitei bem.

9. Antes de começar a ler um livro novo, leio a sinopse, leio as lombadas, a informação sobre o autor, as chamadas de capa, toda a informação que o livro tenha. 

10. Herdei o gosto pela leitura da minha família. Sempre vi os meus pais e os meu avós com um livro na mão, sempre tive a casa cheia de livros, sempre me incentivaram a ler.

11. Uso muitos post-its, daqueles pequeninos e coloridos, para marcar passagens de que gosto e que quero guardar, mas raramente pego neles para ir ler as passagens que guardei. 

12. Conjugo a cor dos post-its com as cores predominantes da capa de cada livro. 

13. Gosto de ver fotografias bonitas de livros no Instagram. 

14. Não compro livros todos os meses e, mesmo assim, tenho na estante mais livros não-lidos do que lidos.

15. A Anita faz parte da minha infância como leitora e sofri com a mudança de nome para Martine. 

16. Se a tradução não é boa, não consigo abstrair-me e isso acaba por influenciar o meu gosto pelo livro.

17. Gosto de conjugar as leituras com as estações do ano. Sou dessas. 

18. Quando era pequena, todas os meus presentes de Dia da Criança eram livros. 

19. Irrita-me quando a personagem no filme é totalmente diferente daquela que imaginei ao ler o livro.

20. Gosto de fazer listas de livros! Tipo: livros para ler no ano seguinte, livros para ler numa estação, livros que quero comprar, clássicos que tenho de ler, livros para ler com uma certa idade, marcar os que já li dos mil livros para ler antes de morrer ou dos 100 melhores livros do séc. XX, etc. 

21. Sou uma leitora lenta. Tenho noção que não leio rápido, vou saboreando, gosto de ler aos bocadinhos. 

22. Não consigo ler com barulho, seja da televisão, música ou pessoas a conversar. Desconcentro-me. Gosto de ler em sossego.

23. Escrevo sempre, num livro novo, o meu nome e a data/local onde o comprei, ou em que mo ofereceram.

24. Estou constantemente a ver promoções de livros na net, mesmo sem ter intenção de comprar.

25. Quando termino um livro de que gostei muito, fecho-o, encosto-o ao peito, e fico ali uns minutos agarrada a pensar nele. 

 

Facto extra: Acredito que há livros que escolhem a altura certa para chegarem até nós, e que são lidos no momento certo em que precisávamos de os ler. 

 

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Qua | 02.11.16

BookTag: Redes Sociais

Mais uma TAG Literária aqui no blog. Desta vez é para relacionar livros com Redes Sociais. Todos nós utilizamos pelo menos uma, se não mesmo várias ou todas as que aqui estão, por isso é um desafio fácil! Pelo menos, para mim foi. Confesso que não sei quem a criou, se souberem digam-me que ponho os créditos. 

 

Twitter: Um livro que queres compartilhar com toda a gente

Mataram a Cotovia, Harper Lee

É uma história incrível narrada por Scout, uma miúda de 8 anos, que vive com o pai, advogado, e o irmão em Maycomb, uma pequena cidade imaginária do Alabama. Conhecemos a rotina daquela cidade, dos seus habitantes e dos preconceitos vividos na primeira metade do século XX, mais precisamente nos anos 30. Fala de racismo, de injustiça, de crescer numa cidade onde os negros eram vistos como criminosos, mesmo sem se saber se tinham verdadeiramente culpa. Scout começa a refletir sobre estes tópicos a partir do momento em que o pai é chamado para defender um negro acusado de violar uma rapariga branca. Venceu o Prémio Pulitzer em 1961 e tornou-se num clássico da literatura americana do Séc XX, que toda a gente devia ler. 

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Facebook: Um livro de que gostaste muito e que foi recomendado por outra pessoa

Capitães da Areia, Jorge Amado 

"Uma obra que não podes deixar de ler", disse-me o meu avô quando me deu o livro. E claro que tinha razão. Li-o este verão e tornou-se num dos preferidos. É bonito, envolvente, por vezes duro, mas indispensável. 

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Tumblr: Um livro que leste antes de criar o blog e do qual ainda não falaste num post

Orgulho e Preconceito, Jane Austen

Podia escolher vários, mas vou dizer Orgulho e Preconceito que li quando tinha uns 14 anos, ou seja,  há muito tempo. Por ser um clássico que se tornou num dos meus preferidos e que faz parte da minha vida há tantos anos, nunca tive o ímpeto de lhe dedicar um post. Até porque é tão famoso e tão falado em todo o mundo, que acho que já ninguém aguenta grandes textos sobre ele. Se fizer um post será sobre a experiência de o ter lido quando ainda era tão nova e o que trouxe à minha vida de leitora.

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MySpace: Um livro que não tens intenção de reler

O diário da nossa paixão, Nicholas Sparks

Porque é muito fraco, cheio de clichés e não acrescenta nada ao meu crescimento como leitora. Ler uma vez já bastou e já foi perda de tempo suficiente. 

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Instagram: Um livro com uma capa bonita 

Mrs. Dalloway, Virginia Woolf

Esta capa do Clube do Autor é linda. Podia ter comprado qualquer edição da Mrs. Dalloway, mas esta conquistou-me. Infelizmente não acho que esta tradução seja a melhor e o livro acaba por perder com isso. Mas a capa, por si só, é linda e tem vários elementos ligados à história. É super primaveril, visto que a acção se passa num dia bonito e solarengo no início de Junho, tem o Big Ben a representar Londres (cidade onde moram os personagens), os passarinhos e as flores que representam o jardim onde acontecem algumas cenas da história e o relógio que marca as horas do dia para situar o leitor no tempo.

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Youtube: Um livro do qual gostarias de ver uma adaptação para o cinema

Até ao fim do Mundo, Maria Semple  

"Were'd you go Bernadette?", no original, não é uma obra-prima da literatura, na verdade é um livro simples, leve e divertido, que tem como personagem principal a Bernadette, mãe de família e louca q.b., que me fez rir bastante, uma personagens daqueles que gosto muito. Adorava vê-la no cinema. Andaram por aí uns rumores de que uma produtora estava à procura de atriz para este papel, e foram avançados alguns nomes, mas pelos vistos a ideia não andou para a frente... É pena.

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Skype: Um livro com personagens com os quais gostarias de conversar

Comer, Orar, Amar, Elizabeth Gilbert 

Gostava muito de ir tomar café e passar horas a conversar com a própria Elizabeth, visto que a obra é sobre uma viagem que a própria fez, durante um ano, a Itália, Índia e Indonésia. Identifiquei-me com muitas ideias, sentimentos e dúvidas que ela partilhou ao longo do livro e acho que era uma ótima companhia numa tarde de chuva com um chá à frente. 

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Vou desafiar a Cláudia, a Rita, a Daniela, a Sara e a Sweet a responderem a esta tag literária. Caso já tenham respondido deixem aqui nos comentários para ir ver :) 

Ter | 01.11.16

3 Contos de Terror de Stephen King

Queridas pessoas dos livros,

Bem-vindas a Novembro, mês que vai ser animado por aqui, com posts todos os dias, com muitas opiniões, muitos temas e muitos livros. Para começar, e na ressaca da noite de Halloween, vamos falar de 3 contos de terror escritos por Stephen King, um mestre deste género literário, como muitos afirmam. Os contos são do livro "O Turno da Noite" (Night Shift, no original), uma colectânea de pequenas histórias escritas por King entre 1976 e 1978. 

Confesso que não me assustei verdadeiramente com nenhum deles, adivinhei o final de um, outro conseguiu surpreender-me e um ainda me conseguiu enojar. Não é um género que leia muito, mas faz bem sair da zona de conforto de vez em quando e aproveitei o Halloween nesse sentido. 

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 PRIMAVERA VERMELHA

 

Num campus universitário nos EUA, em 1968, várias raparigas estudantes foram mortas misteriosamente e com contornos de malvadez, durante o mês de Março, quando o clima ainda gelava os ossinhos. Tudo aconteceu na chamada Primavera Vermelha, que dizem existir apenas de dez em dez anos. O assassino nunca foi descoberto, como nos conta o narrador, no presente. É também assim que ficamos a saber que agora, dez anos depois, novas mortes voltam a surgir, com as mesmas características e na mesma época do ano... 

 

King é mestre a descrever cenários. Conseguimos ter uma visão clara dos locais onde os acontecimentos se passam, conseguimos até sentir frio com as suas descrições do clima e do ambiente em que a acção se passa e conseguimos imaginar os personagens com os pormenores que nos conta sobre eles.

 

Como na maioria das histórias de horror, o tempo está frio, gelado, há neve, dias nublados e noites com nevoeiro cerrado, que nos transportam automaticamente para um ambiente misterioso. Confesso que desconfiei do final, e estava efetivamente certa sobre quem era o assassino, mas gostei bastante do conto. Até achei curto demais. 4

 

 "Veio o crepúsculo, e com ele a neblina, subindo pelas avenidas arborizadas devagar, quase pensativamente, borrando um a um os contornos dos prédios. Era uma névoa suave, mas de algum modo implacável e assustadora. Jack Salto-de-Molas era um homem, ninguém parecia duvidar disso, mas a neblina era sua cúmplice e era feminina...ou pelo menos assim me parecia."

 

 

 O HOMEM QUE ADORAVA FLORES 

 

Nova Iorque num final de tarde em 1963. Um homem com ar apaixonado desvia olhares por onde passa. Pára numa florista para comprar um bouquet a alguém especial, onde se perde numa conversa sobre flores e amor com o próprio florista. Tudo isto parece simples até chegarmos à penúltima página do conto. Não estava à espera deste desenvolvimento, apanhou-me de surpresa e gostei disso.

 

Adoro o facto de King ter conseguido passar a mensagem através do tempo e do clima, mais uma vez. Enquanto estamos no final de tarde, em modo lusco-fusco, com aquela luz maravilhosa de final de dia, toda a envolvente da história é romântica, fala-se de amor, de olhares apaixonados, mas quando chegamos à parte do crime a luz bonita dá lugar a uma noite escura e sombria. Gostei bastante deste conto. 4

 

"O ar estava leve e agradável, o céu escurecia aos poucos passando do azul ao suave e adorável violeta do crepúsculo. Há pessoas que amam a cidade e essa era umas das noites que justificava tal amor". 

 

 

O HOMEM DO CORTADOR DE RELVA

 

Harold Parkette, um pai de família dos subúrbios, desleixa o cuidado com a relva do jardim depois de um acidente com o seu cortador de relva ter morto o gato do vizinho. Decide vender a máquina e quando a relva já está completamente fora de controlo, meses depois, aceita finalmente contratar um serviço de jardinagem. Mal sabe ele o que está para vir... O novo contratado possui um método de trabalho pouco convencional que Harold vai descobrir da pior maneira...  

 

Sinto que este conto está dentro de um subgénero de terror nonsense, que ultrapassa um bocadinho os limites do bizarro. Ainda assim vale a pena ler. 3

 

"Harold não disse nada. Uma palavra ecoava sem cessar na sua mente e essa palavra era 'sacrifício'. Viu mentalmente a marmota ser expelida por baixo do velho cortador de relva vermelho. Levantou-se devagar como um velho paralítico. 

- É claro - disse, e só conseguiu acrescentar apenas - Deus abençoe a relva."

 

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