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SAY HELLO TO MY BOOKS

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Qua | 21.12.16

Os primeiros dias da Maratona Literária Fusão 2

A segunda edição da Maratona Literária Fusão começou no sábado. Planeei ler em primeiro lugar "A longa estrada para casa", de Saroo Brierley. Achei que iria lê-lo todo durante o fim de semana. Mas em vez de ter um fim de semana tranquilo em casa, no quentinho, dedicado a leituras...foram dois dias em que pouco parei em casa. No sábado estive meio-dia a despachar compras de Natal, vim para casa pousar as coisas e arranjar-me para ir para um aniversário nesse dia à noite, sobrou-me ali uma horinha à tarde para ler. No Domingo tive um almoço de Natal com amigas e depois passei a tarde no Wonderland em Lisboa (muito fraco) e só à noite é que sosseguei em casa e me dediquei à leitura. Na segunda-feira li bastante à noite e ontem terminei o livro. Incrível. Só não digo que a história da vida de Saroo podia dar um filme, porque efectivamente, já deu e está no cinema neste momento. É uma história que tem tanto de inacreditável como de prazeirosa. Adorei. Quero fazer um post a falar do livro, mas só depois de ver o filme e o documentário. 

 

Comecei ontem à noite um livro que estou para ler há muito: A Christmas Carol, de Charles Dickens. Já conheço a história, já sei o que acontece, mas nunca tinha efectivamente lido o livro. Tenho uma edição em inglês e, por isso, acabo por ler mais devagar, porque vou parando a leitura para procurar o significado de algumas palavras que não conheça. Tenho um bom nível de inglês, mas considero que este exercício é excelente para aumentar mais ainda o vocabulário. Quero terminá-lo até amanhã, para inicar a terceira leitura da maratona, que será "Um rapaz chamado Natal". 

 

Seg | 19.12.16

Uma palavra tua, Elvira Lindo

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Peguei neste livro sem saber muito ao que ia. Tinha-o na estante há alguns anos, certamente oferecido por alguém. Li, numa das orelhas, que a autora é espanhola, estudou e cresceu em Madrid e actualmente vive nos EUA. Na sinopse percebi que se tratava de uma história de amizade entre duas mulheres, Rosário e Milagros, que trabalham como varredoras de ruas. Rosário é a narradora e a grande protagonista. É ela o fio condutor de toda a história, que basicamente fala de gente simples, com vidas complicadas.

 

O problema foi nada disto ser muito aprofundado. Tudo se centra em Rosário, na sua amizade pouco comum com Milagros, na dificuldade em lidar com a doença da mãe, com Alzheimer, na frustração que sente por não ter a vida que sonhou e na sua relação com um colega de trabalho de quem não gosta. Todo o enredo é pouco interessante. Não traz nada de novo. É um livro que fala da vida como ela é, sem floreados, com rancores, frustrações e aquele sentimento de acomodação, que tanto mal faz ao espírito de cada um. Mas não me consegui envolver com os personagens, sentir a dor deles ou desejar-lhes sorte. A história não me tocou, nem me marcou. 

 

Os constantes recuos no tempo para nos contar momentos e acontecimentos do passado, misturados com o presente, faz-nos ficar um bocadinho perdidos. O que menos gostei foi que toda a história parece um aglomerado de factos sobre aquela pessoa e as pessoas que a rodeiam. Não é uma história que se siga passo a passo, com vontade de saber como irá acabar. A trinta páginas do final, senti-me zero curiosa para saber o destino daquelas personagens, porque não me parecia que fosse acontecer nada de especial, tal como não aconteceu nada de especial no livro inteiro. Os três últimos capítulos são os mais fortes e onde realmente há um acontecimento marcante, mas senti que foi posto ali à pressão, um pouco forçado. E um livro não pode viver apenas dos três últimos capítulos. 

 

O livro é curto, mas ainda assim empurrei-o com a barriga. Andei a mastigá-lo mais tempo do que seria desejável. Não me empolgava. Segundo o Goodreads, duas estrelas significa "it was ok". É isso que sinto por este livro. Foi normal, leu-se, não me marcou, vamos seguir em frente. 

 

Título: Uma palavra tua

Autor: Elvira Lindo

Edição: Editorial Presença, 2010

Ano de publicação: 2005

 Nº páginas: 187

Sex | 16.12.16

Maratona Literária Fusão | Segunda Edição

A Maratona Literária Fusão voltou! Depois da primeira edição, que aconteceu no Verão, de 25 de Julho a 7 de Agosto, e que correu tão bem, a Cláudia e a Daniela voltaram a lançar o desafio, desta vez na época de Natal. A segunda edição vai decorrer de 17 a 28 de Dezembro (começa já amanhã), com 4 categorias diferentes e uma extra para quem completar as anteriores. Já escolhi o que vou ler para cada uma e, como estamos em clima natalício, não podia deixar de escolher dois livros ligados ao Natal. 

 

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"Agora é que é". Um livro que já insistiram mais de cem vezes para leres.

Harry Potter e a Pedra Filosofal, JK Rowling

É desta que entro no mundo Harry Potter. Era o empurrãozinho que precisava para começar a ler a série (que vai ser um dos projectos de 2017, mas falo nisso noutro post).

 

Ignora a capa e lê o livro. Escolhe um livro com uma capa feia que dói. 

A longa estrada para casa, Saroo Brierley

Não é uma capa bonita, mas também não é a capa mais feia do mundo. Só que queria mesmo incluir este livro na maratona, para lê-lo antes de ir ao cinema ver o filme. 

 

O ano está a acabar. Aquele livro que andas a dizer desde o ano passado que precisas de ler urgentemente. 

A Christmas Carol, Charles Dickens

Já o queria ler em alguns dos Natais passados e não aconteceu. É agora. Nesta edição com esta capa linda.

 

"O Natal é das crianças." Um livro com uma criança/adolescente como protagonista.

Um rapaz chamado Natal, Matt Haig

O título diz tudo. 

 

Extra (só para quem concluir as outras quatro): escolhe três livros, pede a um participante da "Maratona Literária Fusão" para escolher a próxima leitura. 

Não vou escolher livros para esta categoria para já. Caso consiga dar um bom avanço nos outros quatro, ainda leio mais um e nessa altura partilho qual. 

 

Podem ver como correu a primeira Maratona Literária Fusão aqui

Quem quiser participar fale com a Cláudia que ela trata de vos pôr no chat da Maratona no Facebook, onde todos os participantes interagem e falam sobre as leituras que vão fazendo (e não só...é toda uma salganhada de assuntos que se falam por ali). Vou partilhando as leituras no Instagram!

Seg | 12.12.16

Volta ao Mundo em Literatura: 12 meses, 12 países, 12 livros

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A ideia é simples: durante 2017 ler um livro por mês que seja de um país diferente do nosso, num desafio de conhecer outras culturas através da literatura. Eu já o faço e sei que muitos já o fazem, mas um incentivo extra nunca fez mal a ninguém. É só escolher 12 países diferentes e toca a andar. Diversificar leituras, ler histórias que nos chegam dos quatro cantos do mundo é o objectivo deste projecto. Viajar para sítios onde nunca fomos através de autores e culturas completamente diferentes da nossa.

 

Hoje partilho a minha escolha dos 12 países, espalhados pelos vários continentes. Escolhi apenas autores que nunca li para cada nacionalidade. No início de cada mês partilho o livro que irá ser lido de cada um. E no final de cada mês será publicada a opinião sobre esse livro. Não é necessariamente esta a ordem de leitura. 

 

Alemanha: Thomas Mann

Angola: Pepetela      

Austrália: Markus Zusak    

Canadá: Alice Munro  

Chile: Isabel Allende

França: Gustave Flaubert

Índia: Aravind Adiga

Itália: Primo Levi

Japão: Haruki Murakami

Nigéria: Chimamanda Ngozi Adichie      

Perú: Mário Vargas Llosa  

Rússia: Fiódor Dostoiévski

 

Para além de Portugal, exlcuí também deste projeto Inglaterra, EUA e Brasil, porque são os autores que mais leio e, como disse, o objetivo é diversificar. Se tiverem sugestões de outros países ou autores serão muito bem-vindas.

 

Quem quiser entrar neste desafio está à vontade para escolher os escritores e os países que quiser. Desde que sejam todos diferentes entre si e que não haja Portugal pelo meio... Vou partilhando os livros e os updates de leituras no Instagram a partir do início do ano. Ansiosa para começar. 

Sex | 09.12.16

Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago

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É difícil falar de um livro que mexe com a nossa cabeça. Que faz sentir medo, ansiedade, repulsa, nojo, compaixão... É difícil falar sobre um livro já tão lido e tão falado. É uma leitura que, por vezes, nos faz querer virar a cara para não ver, como fazemos nos filmes. Mas essa é a maravilha dos livros. Temos que olhar, ver, reparar em todos os pormenores que o autor imaginou, escreveu e deu ao mundo. 

 

É impossível não nos pormos, nem por um segundo, na posição daqueles personagens e pensar "E e fosse comigo? E se fosse na minha cidade, no meu país?". Dei por mim a pensar se conseguiria andar na minha rua, no meu bairro se não conseguisse ver. Se me sentiria perdida, se ia conseguir chegar aos lugares que queria. Dei por mim a pensar como ia reagir nas coisas mais básicas da vida como ir à casa de banho, dormir, comer e viver dentro de um espaço fechado com outros em igual condição. "Seria forte, fraca, ia tentar ajudar ou ser ajudada?". E a maior dúvida: sobreviveria?

 

Começamos a história com passos curtos, curiosos para saber o que sairá dali, desta permissa tão invulgar e simples, ao mesmo tempo, que é "E se, de repente, toda a gente cegasse?".

No início aquela sensação de "E se fosse comigo...?".
Depois, inevitavelmente, o pensamento "Coitados...que horror...deve ser uma sensação terrível."
A ansiedade: "Como é que eles se vão safar? Como vão conseguir viver naquelas condições?"
À medida que a história avança e que nos vamos apercebendo das condições precárias a que estão sujeitos, a ideia de que não iria aguentar...
Depois, o nojo, o quase vómito com os pormenores.
A revolta e a raiva com alguns personagens "Filhos da mãe dos cegos malvados!" e o sentimento de vingança.
A perplexidade: "Como é que é possível as pessoas serem tão más?".

Nas últimas setenta páginas do livro, a curiosidade para saber como irá terminar.

O respeito e admiração pela mulher do médico que só cresce durante todo o livro. É a minha personagem favorita!
No fim, a certeza de que os seres humanos, em condições extremas de sobrevivência, se comportam como verdadeiros animais.

 

Não há dúvida de que Saramago consegiu imaginar e montar com palavras um caos que seria real - ou pior - caso toda a população cegasse de repente, numa epidemia sem explicação, uma cegueira branca, luminosa, o "mal-branco" como é designado. O dia-a-dia torna-se uma verdadeira selva. O Estado Democrático e toda a organização social em que vivemos desmorona-se em poucas semanas. As pessoas começam a viver de uma forma quase primitiva, até pela comida têm que lutar. 

 

Nunca ficamos a saber o nome dos personagens. São referidos e caracterizados pela profissão ou por algum elemento próprio. Temos o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da pala preta, o rapazinho estrábico, o ajudante de farmácia, o ladrão, o motorista de táxi e por assim fora. Na verdade, é uma decisão fundamental do autor para transmitir a ideia de que, naquela realidade, o nome e o aspecto físico não interessam para nada.

 

Disse Saramago numa entrevista, há muitos anos:

"A história da humanidade é um desastre contínuo. (...) Coloquei-me a questão com uma limpídez absoluta: 'E se fossemos todos cgeos?'. Mas nós somos todos cegos... Cegos da razão! Porque não usamos a razão para defender a vida. Usamos a razão para destruí-la. (...) É contra isso que foi escrito o Ensaio sobre a Cegueira."

 

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Saramago escreve extraordinariamente bem, mas sem parecer que se sentou para escrever um livro. Escreve bem como se estivesse ali ao nosso lado, no sofá, a contar-nos uma história, com diálogos e comentários pelo meio que sentimos como se só nos tivesse a contar aquilo a nós. Foi o primeiro livro que li do autor. Ia a medo, confesso. Um prémio Nobel da Literatura, que muitos amam, outros não suportam, mas que todos admiram, no geral. De quem se critica ou elogia a falta de pontuação e parágrafos. Acho que foi isso que sempre me afastou dos livros dele. Agora, quero ler toda a sua obra, aos poucos. Em 2017 hão-de pousar mais dois ou três Saramagos na minha mesa de cabeceira.  

 

Tenho pena dos leitores do mundo que não falam português e não podem ler a obra na língua original. Certamente, nas traduções, se perde muito do que Saramago quis transmitir e como o quis fazer.

 

Gostei muito, muito deste livro. Entrou para a lista de melhores leituras do ano e de sempre. Marcou-me de uma forma especial, como acontece com todos os livros que mexem com os nossos sentimentos e com a nossa cabeça, e que sentimos que nos mudam como leitores. Este livro fez-me entrar na história e estar lá a viver aquele inferno com eles. Foi terrível, foi incómodo e só os grandes livros e autores conseguem isso. É um livro duro, intenso e inesquecível, que vai ficar comigo durante muito tempo. 

 

Título: Ensaio sobre a Cegueira

Autor: José Saramago

Edição: Caminho, 1995

Ano de publicação: 1995

 Nº páginas: 310