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SAY HELLO TO MY BOOKS

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08
Set17

Travessia de Verão, Truman Capote

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Capote morreu em 1984. Travessia de Verão foi publicada pela primeira vez em 2006. Confusos? Na verdade, é mais um daqueles casos polémicos e divisores de opiniões em que terceiros publicam obras que não sabemos ao certo se os autores gostariam de ver tornadas públicas (como o Vai e Põe uma Sentinela, de Harper Lee). Será ético? O que aconteceu foi o seguinte: Capote começou a escrever este livro em 1943, mas acabou por deixá-la de lado quando as suas atenções se viraram para aquela que seria a sua estreia literária, "Outras Vozes, Outros Quartos", publicada em 1948. Apesar disso, Capote continuou a retocar aquela obra durante alguns anos até a pôr definitivamente de parte. Em 1966, depois do sucesso estrondoso de "A Sangue Frio" (um dos meus preferidos de sempre), Capote deixou o apartamento onde vivia em Brooklyn, abandonando todo o seu recheio, dando ordens ao porteiro para deitar no lixo o que tivesse ficado para trás. Não sei que onda divina passou pela cabeça do dito porteiro na altura, mas a verdade é que "salvou" uma caixa cheia de papéis e documentos e guardou-a consigo. Caixa essa que passou incógnita durante décadas, até à morte do senhor em 2004, quando um parente encontrou a caixa e decidiu vendê-la à Sotheby's que, por sua vez, pôs em leilão aquele espólio desconhecido de Capote, que incluía manuscritos de várias obras publicadas, cartas, fotografias e aquilo que parecia ser um romance inédito: quatro cadernos de escola e sessenta e duas páginas de notas que formavam o manuscrito de Travessia de Verão. O Fundo Literário Truman Capote detinha direitos de publicação de todas as obras de Capote e acabou por convencer a Biblioteca Pública de Nova Iorque, onde outros manuscritos e documentos do autor estão guardados, a comprar o resto dos documentos. 

 

Romance com pouco mais de cem páginas, passado em Nova Iorque logo a seguir à Segunda Guerra Mundial, conta a história de Grady McNeil, jovem de uma família rica, prestes a completar 18 anos, que os pais deixam sozinha durante o Verão, no apartamento onde vivem na 5ª Avenida, enquanto viajam pela Europa. Grady acaba por se envolver num romance com um judeu que vive em Brooklyn, um pouco mais velho, e que à primeira vista não parece ser o melhor para ela. Lembra-vos alguma comédia romântica de domingo à tarde? Pois. Mas esta foi escrita há 70 anos, quando a sociedade, as mentalidades, os hábitos e o socialmente aceitável não eram o que são hoje. Antes de qualquer comédia romântica de adolescentes ser pensada para cinema, já Capote escrevia uma. E bem. Uma história de amor, de juventude e de amor na juventude. Tão actual que podia ter sido escrita a semana passada. Tão actual que nos parece banal, mas não vamos esquecer-nos que foi escrita em 1943. E, por isso mesmo, o final surpreendeu-me. Deixa à imaginação de cada um, apesar de se perceber o que aconteceu. 

 

São 115 páginas, uma história curta, talvez até curta demais. Tenha pena que Capote não tenha aprofundado mais os personagens, não os tenha feito evoluir como poderia, não tenha desenvolvido e tornado mais complexo o enredo. Gostava de saber mais sobre a família de Clyde, o namorado - temos um cheirinho, bem bom por sinal, mas não passa disso - gostava de saber mais sobre os seus amigos, gostava de ver aprofundada a relação de Grady com a irmã, gostava de ver Peter, o amigo-apaixonado mais envolvido no final, enfim... A história acaba por ser demasiado rápida para deixar marcas a longo prazo, ainda que nos consiga envolver no momento da leitura e mostrar-nos como um romance simples, tão simples, pode ser bom. Porque Capote tinha uma escrita poética, um talento enorme em construir frases bonitas umas atrás das outras e assim formar uma obra segura, ainda que a escrita estivesse mais verdinha e menos polida nesse início de carreira. Ia sem expectativas, sem ter ouvido falar muito da obra, apenas com a certeza de que quero ler tudo de Capote. Foi uma boa surpresa.

 

Título: Travessia de Verão

Autor: Truman Capote

Edição: Dom Quixote, 2007

Ano de publicação: 2006

 Nº páginas: 115

26
Jul17

O Ano do Sim, Shonda Rhimes

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- Tu nunca dizes sim a nada. 

 Bastou esta frase, dita pela irmã num jantar de Thanksgiving, para que Shonda Rhimes tivesse um click e percebesse que tinha que mudar muita coisa. Ao longo dos anos tinha-se dedicado apenas ao trabalho e às filhas adotivas (de quem é mãe solteira) e tinha deixado o resto do mundo de lado, incluindo a própria saúde. Tinha medo de falar em público, de dar entrevistas, de grandes eventos, de sítios com muita gente e de ter os holofotes virados para si. Até que a irmã lhe disse essa simples frase, enquanto cortava cebolas na cozinha, que se tornou num verdadeiro "abre olhos" para Shonda. Decidiu passar um ano a dizer "Sim" a tudo o que antes respondia automaticamente "não". Fosse entrevistas nos maiores programas de TV, como Jimmy Kimmel e Oprah, fosse falar em público em cerimónias de entregas de prémios, fazer discursos em formaturas de Universidades, ou simplesmente a dizer "sim" à sua saúde em resposta à obesidade. Dizer "sim" a conversas difíceis em resposta a amizades tóxicas. Dizer sim a diversão, para além do trabalho. Dizer sim a tirar um tempo para brincar com as filhas. E isso mudou a vida dela. E são essas experiências que nos conta neste livro. 

 

"Perdermo-nos não acontece de repente. Perdermo-nos acontece um "não" de cada vez.

Não a sair esta noite. Não a rever aquela colega da universidade. Não a ir àquela festa. Não a tirar férias.

Não a fazer uma nova amiga. Perdermo-nos acontece um quilo de cada vez.

Quanto mais trabalhava, mais tensa andava. Quanto mais tensa andava, mais comia". 

 

Maaas (há sempre um mas) o livro não foi bem o que eu esperava. Tem reflexões interessantes, conselhos pertinentes e relatos de experiências que nos podem motivar a sair do conformismo e fazermos mais por nós próprios. Mas também tem muuuita palha. Tanta palha!!! Além de que repete várias vezes as mesmas ideias. Chega a ser um bocadinho aborrecido em certas partes. É, apenas, um livro engraçado em que ficamos a conhecer mais sobre uma mulher, negra, que conseguiu marcar o seu lugar num mundo de homens (brancos), conseguindo ainda levar para a televisão uma grande diversidade de personagens, que gerou bastante polémica, e pouco vista até então. Desde várias raças a todos os gostos sexuais, nas suas séries há de tudo. Quem acompanha Anatomia de Grey, por exemplo, sabe do que estou a falar. E é muito interessante entrar dentro da cabeça criadora deste mundo e de personagens tão icónicas como Meredith Grey e Christina Yang. Talvez por isso lhe tenha dado três estrelas (arrancadas a ferros). Entramos um bocadinho dentro de Shondaland (a sua produtora) e para quem é fã de Grey's Anatomy, Scandal e How to get away with murder isso tem algum significado. 

 

"Isto é quem sou. Silenciosa. Calada. Interior. Mais confortável com livros do que com situações novas.

Satisfeita por viver dentro da minha imaginação." 

 

Shonda confessa que "Christina Yang" era a sua voz no mundo. Tudo o que tinha receio de dizer ou fazer, punha a personagem a dizê-lo e fazê-lo. Sem medos. Também gostei, particularmente, de uma parte em que disserta sobre as amizades verdadeiras. Amizades que a vida se encarregou de autoselecionar. Deixou os bons, foi levando os tóxicos, os que não valiam a pena, aqueles que desistem de nós só porque ouvem uns "nãos". Aqueles que se aproveitam e que só lá estão porque precisam. Shonda mudou com o Ano do Sim, ficou mais aberta, mais disponível para a vida, mas também menos "capacho" dos outros. E com isto perdeu amizades. 

 

"Hoje vejo as pessoas pelo que são. E por quem sou com elas. Porque não se trata apenas

de me rodear de pessoas que me tratam bem. Também é rodear-me de pessoas cujos autoestima,

autorespeito e valores me inspirem a elevar o meu próprio comportamento."

 

Mas também faz sentido dizermos "sim" a quem vale a pena. Vamos adiando aquele café prometido há tanto tempo, vamos adiando aquele telefonema, aquele jantar, aquela conversa...até que o tempo passa e fica cada vez mais dificil retomar contacto. Porque a conversa já não flui tão bem, porque já se passou tanta coisa entretanto. E as pessoas vão-se afastando. Já aconteceu comigo. E com vocês também, certamente. Vamos dizendo "não" às vezes por preguiça, cansaço, estupidez, e a vida encarrega-se de ir fechando portas a cada "não" que damos. Acho que esta foi a parte que me fez mais sentido do livro. 

 

Concluindo, Shonda podia transmitir a mesma mensagem em metade das páginas. Também não fiquei com uma grande impressão dela como pessoa. Achei-a arrogante, convencida e até um pouco cliché, tentando não sê-lo. Mas fica o conselho "Sejam fazedores, não sonhadores" e a ideia de que qualquer pessoa que vos diga que está a fazer tudo perfeitamente bem é mentirosa. Toda a gente precisa de ajuda. Trabalhar em equipa, seja no emprego ou em casa, é sempre muito mais compensador. E aceitar que somos o melhor que temos, abrir um sorriso e dizer "sim" à vida. 

 

"Começo a apreciar os elogios. O facto de alguém se deter para me fazer um elogio significa algo para mim. 

Ninguém é obrigado a elogiar-nos. Fazem-no por gentileza. Fazem-no porque querem.

Fazem-no porque acreditam no elogio. Por isso, quando negamos o elogio de alguém,

estarmos a dizer-lhes que estão errados, que perderam o seu tempo.

Questionamos o seu gosto e a sua avaliação. Estamos a insultá-los.

Se alguém quiser elogiar-te, deixa-o elogiar-te."

 

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Título: O Ano do Sim

Autor: Shonda Rhimes

Edição: Marcador (2016)

Ano de publicação: 2015

 Nº páginas: 254

13
Jul17

Trinta e Oito e Meio, Maria Ribeiro

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A Maria é brasileira. É actriz. É apresentadora. E é escritora. A Maria é muito humana. Daquele tipo de pessoas que sabem descrever um sentimento com letra maíuscula, vírgulas e pontos de exclamação. "Maria escreve como quem conversa, e conversa como ninguém", descreve Gregório Duvivier, e ainda acrescenta "Ler a Maria é ganhar uma amiga de infância". Foi isso que senti. Que estava a ler uma amiga. Uma "miúda" como eu e como as minhas amigas, com inseguranças, certezas, angústias e dúvidas. A Maria fala do quotidiano de uma forma despretensiosa e muito natural. Os gostos e as referências, musicais e cinematográficas, vão acrescentando sabor a estas crónicas cheias do que é ser mulher, mãe, filha, amiga e mais um pontinho neste mundo grande. A Maria também não perde uma oportunidade para caricaturar alguns dos seus defeitos e é quase inexistente a vergonha ou pudor que tem a falar de coisas como a primeira vez, o sofrimento com a separação do ex-marido (actor Paulo Betti), de quando discutiu injustamente com uma das melhores amigas (Carolina Dieckman) ou até do partido que toma no estado político do Brasil. Fala muito de música, de cinema, de literatura e ficamos cheios de referências para ir pesquisar. Além de ser mentora de um canal no Youtube onde vários artistas brasileiros fazem sugestões de leitura: Você é o que lê, que sigo e gosto muito. 

 

Identifiquei-me com ela, apesar de não ter filhos, ela tem dois. Acabei de entrar nos 30, ela já passou os 40. Sou portuguesa de gema, ela é brasileirissíma. Tenho uma família unida, os pais dela separaram-se quando era adolescente. Tirando estas pequenas diferenças e o meu amor pelo verão (que ela dispensa) temos muito em comum. Lê-la, em algumas partes, foi como se entrasse na minha própria cabeça e conseguisse pôr em palavras muito do que já vivi e senti. Lê-la foi como fazer várias viagens ao fundo de mim, a memórias longínquas, ao meu passado, aos primeiros amores, às férias de família, a chegada à fase adulta sentindo que não estava preparada para isso, foi reviver desgostos de amor, reforçar o amor pelos amigos, e mais tanta coisa. Como dizem por lá, ela é muito "gostosa" de ler. Acho que se nota pela quantidade de marcações cor-de-rosa que se pode ver na foto. 

 

"É que, assim como qualquer pessoa com um mínimo de angústia, não sou quem gostaria de ser.

Meu «eu ideal» conheceria Machu Picchu e as savanas africanas, teria lido toda a obra do Tolstói

(em vez da colecção do Tintim) e pediria, com água na boca, salada com grelhado em todos os restaurantes". 

 

As suas crónicas são lidas  por milhões de brasileiros, semanalmente. Publicadas no jornal O Globo e na revista TPM, chegam-nos, agora, na forma de livro. Um livro bom de ler, que é um docinho ao final do dia, e que não queremos que chegue ao fim. Já era fã dela, dos valores e ideais que partilha (porque acompanho o seu trabalho) e agora, ainda mais. Só não percebo como é que não gosta do Verão. 

 

Título: Trinta e Oito e meio

Autor: Maria Ribeiro

Edição: Tinta da China (2016)

Ano de publicação: 2015

 Nº páginas: 174

12
Jul17

O Talentoso Mr. Ripley, Patricia Highsmith

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Há aqueles livros que sabemos à priori que vamos gostar. Além da capa maravilhosa da Relógio d'Água, o pouco que sabia sobre Tom Ripley interessava-me. Nunca tinha visto sequer o filme. E depois de ver a Tatiana Feltrin falar dele, trouxe-o para casa na FLL de 2016 e li-o em Março deste ano.

 

Publicado em 1955, é um thriller psicológico que nos guia pelos pensamentos mais macabros de Tom Ripley, ambicioso e manipulador. Sonha com dinheiro, sucesso e prestígio e é, por isso, que mal surge uma oportunidade para recomeçar a vida na Europa, não pensa duas vezes. Num bar, em Nova Iorque, é abordado por Herbert Greeleaf, empresário norte-americano, que o contrata - pensando que Tom era grande amigo do seu filho - para ir até Itália convencer Dickie Greeleaf a voltar para os EUA. Na verdade, Tom mal conhecia Dickie, mas aceitou a proposta com os olhos postos no pagamento e na possibilidade de conseguir fugir dos problemas e mudar de vida. Viaja, então, para Mongibello, em Itália, e é a partir daqui que a história se desenrola. Vamos descobrir aos poucos que Ripley, aparentemente tímido e educado, tem afinal um fundo negro e revoltado, insatisfeito com a vida. O seu grande talento é enganar os outros, é especialista em imitar pessoas - no jeito de falar, de vestir, de arrumar o cabelo - e até na falsificação de assinaturas. Acaba por conseguir enganar Dickie, que após estranhar este "amigo" que lhe aparece, passa a recebê-lo de braços abertos, apresentando-o a toda a gente na vila e a deixando-o ficar em sua casa, mesmo contra a vontade da namorada, Marge. Mas Tom, num misto de fascínio e inveja por Dickie, quer tomar o seu lugar, incorporando os seus tiques, roupas e modo de viver. Não vou contar mais para não entrar em spoilers mas posso dizer que Tom Ripley vai dar muitas voltas neste enredo, enrolando-se nas próprias mentiras e tentando safar-se de situações complicadas em que se mete. 

 

O mais engraçado é que, mesmo quando o círculo parece fechar-se, começamos a temer e a torcer por ele. Na verdade, queremos vê-lo dar a volta aos problemas, apesar de todos os crimes. E isto só é possível porque a autora nos faz entrar dentro da cabeça dele. O narrador segue o protagonista o tempo todo, sabemos sempre o que ele está a pensar, a planear e até os seus receios mais profundos. E isso é muito interessante. Acabamos a torcer por ele sabendo que é um criminoso e mau carácter. Estamos sempre à espera que seja apanhado, ao mesmo tempo que torcemos, em segredo, para que se safe. Achei a história muito bem montada. Dava por mim não só a pensar como Ripley ia sair daquelas embrulhadas, mas como é que a própria autora tinha envolvido tantos locais, pormenores e acontecimentos tão bem, que à medida que vamos avançando tudo se vai resolvendo e encaixando. Nem eu mesma imaginaria um caminho tão bom para o personagem. Patricia Highsmith soube encaminhar Tom Ripley numa história verosímel, interessante, de virar páginas atrás de páginas. Não caiu na tentação do facilitismo para explicar as coisas.  

 

Por fim, tenho que dizer que este livro foi como voltar a Itália. Ripley viaja por várias cidades italianas, algumas onde já estive, como Roma e Veneza, e bateu assim uma saudadezinha. 

 

Título: O talentoso Mr. Ripley

Autor: Patricia Highsmith

Edição: Relógio D´Água (2013)

Ano de publicação: 1955

 Nº páginas: 253

 

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Depois, vi finalmente o filme, de 1999. É bom, mas tem muitaaa coisa diferente do livro e não num sentido que me tenha agradado. Percebo que as adaptações são isso mesmo, adaptações. Mas acrescentarem personagens com muito peso na história que o livro não tem, mudarem radicalmente as atitudes e reacções de alguns personagens sobre certos acontecimentos ou, pior, alterarem completamente o final, não me deixa muito feliz. A personagem de Cate Blanchett não existe no livro e é a única mudança que não me faz tanta confusão. Percebo porque é que a introduziram no filme. Mas, por exemplo, no livro lemos como Tom se transforma para ficar parecido com Dickie. No filme não vemos isso, fica dificil acreditar que Tom (Matt Damon) se está a fazer passar por Dickie (Jude Law) e acabam por mudar radicalmente algumas cenas importantes da história por causa disso. E muito mais pormenores que se já leram e viram o filme vão perceber - não conto mais para não "spoilar". 

Portanto, mesmo que tenham visto o filme, não deixem de ler o livro, porque é bastante diferente. No livro entramos dentro da cabeça de Tom Ripley duma forma que o filme não consegue e, para mim, a história é muito mais vibrante quando lida. 

 

22
Mar17

O Reino do Dragão de Ouro, Isabel Allende

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Quando peguei neste livro, não esperava gostar tanto. Não se tornou num preferido, mas conseguiu fazer-me viajar até aos Himalaias e ao distante (e mágico) Reino do Dragão de Ouro. Fez-me viver uma aventura do outro lado do mundo, sentadinha e sossegada em casa. Não vou dizer que o livro me arrebatou, porque achei algumas partes um bocadinho cliché, noutras partes senti que a autora se repetia, houve um capítulo específico que achei muito enfadonho e o final foi o esperado.

 

Apesar disso acabou por ser, no geral, uma boa surpresa por se tratar de Realismo Mágico, género literário que ganhou notoriedade pelas mãos de escritores latino-americanos como Isabel Allenda, Gabriel Garcia Marquez e Júlio Cortázar. Caracteriza-se por incluir, na narrativa, experiências sobrenatuais em ambientes normai, por ter elementos mágicos ou fantásticos percebidos como parte da "normalidade" pelos personagens, por utilizar o lado intuitivo e sensorial como parte da percepção da realidade,por seguir tradições dissociadas da racionalidade moderna. Acabou por ser uma boa surpresa para quem anda a tentar ler mais Fantasia, como eu. 

 

É um livro que se destina a um público juvenil, mas não o achei demasiado "jovem". É o segundo volume de uma trilogia que se iniciou com "A Cidade dos Deuses Selvagens" e terminou com o "O Bosque dos Pigmeus". Eu não li o primeiro livro. Aliás, quando peguei neste nem sabia que era o segundo de uma trilogia. E não faz diferença nenhuma, porque não é uma história contínua. Todos os livros trazem as mesmas personagens, mas cada um relata uma aventura diferente, num país diferente. O primeiro livro passa-se na Amazónia, o segundo nos Himalaias e o terceiro em África. O jovem Alexander viaja com a sua avó, Kate Cold, jornalista da revista International Geographic, e é assim que vai conhecendo sítios e pessoas incríveis. Conhece Nádia no Brasil, no primeiro livro, e ela acaba por acompanhá-lo em todas as aventuras seguintes. 

 

Em "O Reino do Dragão de Ouro", o jovem Alexander Cold viaja com a sua avó, Kate Cold, e a sua amiga, Nadia Santos para o Reino do Dragão de Ouro, nos Himalaias, onde os espera muito mais que uma simples viagem turística. Vêem-se envolvidos com a Seita do Escorpião que foi contratada por um Coleccionador estrangeiro para roubar a estátua do Dragão de Ouro, símbolo máximo do reino, capaz de preservar a paz e prever o futuro da nação. Nessa jornada, enfrentam uma série de provações como animais selvagens, rapto e violência que põe em risco a sua vida. Acabam por ser ajudados por um monge budista e pelo seu discípulo, e ajudar também, eles próprios, a salvar o futuro daquele Reino. Pelo meio, fortalecem a amizade, conhecem lugares incríveis e vão prceber a importância de "ouvir com o coração", ter uma alma pura e confiar no poder da mente e do espírito. 

 

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Tenho que destacar o primeiro capítulo chamado "O Vale dos Yetis". É muito bom. Podia ser um conto por si só. É aqui que ficamos a conhecer o mestre Tensing e o seu discípulo Dil Bahadur, príncipe herdeiro, que passa doze anos sozinho com o monge, a receber formação fisíca e espiritual para um dia se tornar Rei.

 

"O seu papel era guiar o príncipe em cada fase da sua longa aprendizagem:

fortalecer o seu corpo e o seu carácter, cultivar a sua mente e

pôr à prova a qualidade do seu espírito."

 

É aqui que conhecemos yetis, seres quase primitivos, muitas vezes denominados como Abominável Homem das Neves, que vão ser muito importantes para a história. A autora acaba por nos fazer desejar que os yetis existissem mesmo. E tal como os yetis vão ter um papel importante, todas as personagens acabam por estar ligadas, desde o "casalinho" Alexander e Nadia, o monge e o príncipe, o Rei, a Seita do Escorpião, a jovem Pema e a estrangeira Judit Kinski. Vamos acompanhando esta aventura à medida que o enredo se desenrola, sempre guiados com um bocadinho de magia à mistura. 

 

Outra das coisas que mais gostei no livro foi, no meio de toda a ficção, as referências ao Budismo que o mestre Tensing ia fazendo. Disse-vos aqui que é um tema que me interessa bastante e foi muito bom ir apanhando certas frases e ideias que caiam ali no meio como um bombom.

 

"Cada um deve procurar a verdade ou iluminação dentro de si próprio, não nos outros ou em coisas externas. Por isso, os monges budistas não andam pregando, como os nossos missionários, passando, em vez disso, a maior parte das suas vidas em serena meditação, procurando a sua própria verdade". 

 

 (3.5*)

Título: O Reino do Dragão de Ouro 

Autor: Isabel Allende

Edição: DIFEL, 2004

Ano de publicação: 2003

 Nº páginas: 303

03
Mar17

O Adversário Secreto, Agatha Christie

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Durante toda a leitura há duas perguntas que queremos ver respondidas: "Onde está Jane Finn?" e "Quem é Mr. Brown?". Este é segundo livro publicado por Agatha Christie e o primeiro com a maravilhosa dupla Tommy e Tuppence. Ficamos a saber como se conheceram, como começaram a trabalhar juntos e como se apaixonaram. Fiquei fã! Conhecemo-los solteiros, dois amigos de infância que se reencontram e que se envolvem, quase sem querer, numa arriscada aventura para encontrar uns documentos importantes para o governo britânico, antes que o misterioso e perigoso Mr. Brown lhes deite as mãos. Mas será que podem confiar em todos aqueles que se cruzam pelo seu caminho? As minhas desconfianças quanto à verdadeira identidade de Mr. Brown estavam certas e só me apetecia poder falar com os personagens e dizer-lhes "abram os olhos, não confiem nesse"!

 

Para quem só lê Poirot, não sabe o que está a perder. Sinto que estes dois personagens vivem na sombra da grande fama de outros detetives mais conhecidos de Christie, como Poirot e Miss Marple, e é uma pena. Vale a pena conhecer Tuppence Cowley, exuberante e "forreta", sempre atenta a novas formas de poupar uns tostões e Tommy Beresford, mais discreto, com gosto pela boa vida, inteligente e desenrascado. São uma dupla que se completa, com muita vida, energia, humor, desembaraço e romantismo pelo meio.

 

Lançado em 1922, neste livro notamos que Agatha Christie estava no início da carreira. Acho que o enredo traz um bocadinho de "palha" a mais e algumas voltas desnecessárias para o desenrolar da história. Tendo em conta que ela lançou mais de 80 policiais e este foi apenas o segundo, damos o desconto. Gostei muito, mais ainda do que "A primeira investigação de Poirot" ou "O Misterioso Caso de Styles", o primeiro livro que lançou e que li o ano passado.

 

Na verdade, comecei a ler os livros de Agatha Christie por ordem cronológica. Felizmente os meus pais têm, há muitos anos, a coleção Vampiro Gigante (da editora Livros do Brasil), que editou todos os policiais da autora, de acordo com a ordem de publicação. Aproveitando o projeto #bloodyqueen2017, criado pelas Marauders, voltei a encontrar-me com a rainha do crime, em Fevereiro. Nome incontornável da literatura mundial, em geral, e dos policiais, em particular, Agatha Christie tem o dom de nos fazer entrar nos livros à procura de pistas, sentindo-nos nós próprios verdadeiros detectives à procura de decifrar as charadas antes mesmo da autora nos apresentar a solução

 

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Sinopse:

1915. O navio de passageiros Lusitânia é bombardeado por forças alemãs. A bordo, um homem misterioso entrega uns documentos a uma jovem desconhecida, na esperança do naufrágio, pois ela teria maiores chances de sobreviver ao desastre, sendo mulher e tendo prioridade nos botes salva-vidas. Se os documentos caíssem nas mãos erradas, o futuro dos países aliados estaria comprometido. Alguns anos depois, Tuppence Cowley e Tommy Beresford, amigos de infância, encontram-se por acaso, em Londres. Tommy é discreto, Tuppence é exuberante. Juntos, formam o par perfeito para combater o crime. Pelo menos, é o que pensam quando se unem numa parceria a que chamam "Jovens Aventureiros Lda". Eles dizem-se "dispostos a tudo" mas quando os seus sonhos de aventura se realizam com muita rapidez e ainda mais perigo, sãoo obrigados a questionar os seus próprios limites.  Acabam envolvidos num mistério que envolve os tais documentos, o paradeiro desconhecido da rapariga misteriosa do navio e de um tal de Mr. Brown que deseja utilizar os documentos para ampliar seu poder pelo mundo. Tommy e Tuppence terão que usar tudo o que sabem para se antecipar a Mr. Brown e sua assustadora onipresença.

 

Título: O Adversário Secreto

Autor: Agatha Christie 

Edição: Livros do Brasil (colecção Vampiro Gigante)

Ano de publicação: 1922

 Nº páginas: 267

26
Fev17

Óscares 2017 | Os meus palpites e desejos

É hoje a 89ª cerimónia dos Óscares!!! Depois de ver quase todos os filmes nomeados, digo-vos quais são os meus palpites para os vencedores e se vão ao encontro daqueles que gostava mesmo que ganhassem. 

 

MELHOR FILME

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Depois de ver os nove filmes posso dizer que este ano, em comparação com o ano passado, não houve nenhum que não gostasse (em 2016 achei A Queda de Wall Street chato e Brooklyn terrível). Este ano, gostando de todos, não nego que tenho os meus preferidos e que Fences e Arrival foram os que gostei menos, ainda que tenha gostado bastante.

A primeira parte de Fences entediou-me e há outros filmes de ficção científica que mexeram mais comigo que Arrival. As maiores surpresas foram Hell or High Water, que vi sem expectativas e fiquei presa ao ecrã, e Hacksaw Ridge que achava que não ia gostar e adorei. Manchester by the Sea foi o primeiro que vi e é, sem dúvida, o maior drama da lista.Está bem feito, tem as pausas dramáticas necessárias para a coisa funcionar e é muito real. A história de Lion está no meu coração, mas já tinha lido o livro e comparando os dois, o filme é inferior. La La Land não defraudou as minhas expectativas, mas entre isso e ser o melhor filme de sempre como muitos dizem, vai um longo caminho. Moonlight é muito bom, os actores são excelentes, conta uma história que tanto se passa em Miami como podia ser nos bairros pobres de Lisboa, por exemplo. 

Estou a torcer por Moonlight. Mas poderá ganhar La La Land. O ano passado fiquei surpreendida por Spotlight ter ultrapassado The Revenant na corrida e levar o Óscar para casa. Pode ser que Moonlight consiga também ganhar ao grande favorito. 

 

Podem ver a minha opinião mais pormenorizada sobre cada um dos filmes aqui: 

Moonlight / La La Land / Hacksaw Ridge / Manchester by the Sea

Hell or High Water / Arrival / Hidden Figures / Fences

 

 

MELHOR REALIZADOR

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O grande preferido é Damien Chazelle com La La Land. Todos os prémios de cinema que existem antes dos Óscares têm-no consagrado. Se fosse eu a escolher dividia-me entre Chazelle e Mel Gibson com Hacksaw Ridge. Está envolvido em várias polémicas, mas separando o homem insuportável do realizador, há planos de pormenores incríveis no filme. Mas acho que é mesmo Chazelle a levar a estatueta para casa. 

 

 

MELHOR ACTOR PRINCIPAL

 

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Depois de torcer com unhas, dentes e todas as partes do corpo pelo Leo DiCaprio, o ano passado, e ter feito uma festa quando ganhou (sim, estava acordada a ver em directo), este ano não torço dessa forma por nenhum dos actores. 

Captain Fantastic foi, talvez, o melhor filme de 2016, para mim. Viggo Mortensen está muito bem, mas não chega para um óscar. Depois temos Andrew Garfield, um miúdo que se portou à altura do papel. A cantar e a dançar entra o meu querido Ryan Gosling com todo o mérito da nomeação mas, comparando com um Denzel...são dois patamares diferentes, porque temos um Denzel Washington incrível em Fences, a fazer de Trox Maxson, papel que trouxe do teatro. Brilhante nos diálogos (quase monólogos) e em fazer-nos odiá-lo.

E, por mim, existe o Casey Affleck em Manchester by the Sea. Não tirando mérito aos outros, é "fácil" fazer um grande papel quando nos põem a dançar e a cantar ou quando nos põem num cenário de guerra...são ambientes que ajudam. Mas fazer o público sentir dor, angústia e desespero em pequenos gestos, olhares ou simples palavras não é tão fácil assim. Por isso, para mim ganhava o Casey Affleck. Acho mesmo que o Óscar estará entre ele e o Denzel. Qualquer dos dois que ganhe, fico feliz. 

 

 

MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL

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Começo por dizer que não vi Loving, portanto só vou falar das outras quatro nomeadas (perdoem-me!). Que quatro actrizes do caraças!

Meryl Streep não sabe o que é ser má actriz... Acredito que mesmo papel seja mau, seja incrivelmente interpretado por aquela mulher. É a actriz mais nomeada de sempre nos Óscares. Está óptima em Florence, mas acaba por ser a protagonista com menos intensidade de todas, na minha opinião. Quando soube que Natalie Portman ia fazer de Jackie pensei que não podiam ter escolhido melhor. E estava certa. Natalie mudou a voz, a postura, tudo para se parecer com a verdadeira. Merece, sem dúvida, esta nomeação (por outro lado achei o filme, no geral, fraquinho). A maior surpresa para mim foi Isabelle Huppert. Mal sabia do que se tratava Elle e fui completamente surpreendida pela sua interpretação. Adorei o filme, adorei a personagem dela e confesso, estou dividida entre Isabelle e Emma Stone, que está maravilhosa no papel de Mia, em La La Land. Conseguimos notar os seus toques pessoais na personagem e se fosse outra pessoa qualquer naquele papel não tinha a mesma piada. Entre Isabelle Huppert e Emma Stone, as duas vencedoras dos Globos de Ouro deste ano, não sei qual prefiro que ganhe. Sei que adorava ver a Emma com a estatueta na mão, mas se ganhar a Isabelle vou ficar muito feliz na mesma. 

 

 

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO 

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Não vi Nocturnal Animals, não posso falar do Michael Shannon, mas já ouvi dizer que é um dos preferidos. Gostei muito do Lucas Hedges, o actor mais novo desta categoria, em Manchester by the Sea e era bem capaz de lhe dar o óscar. O Dev Patel está bem em Lion mas já o vi a fazer melhor. Mahershala Ali é também um nome que tem sido muito falado, mas tenho pena de não o ter visto mais em Moonlight. Só entra na primeira parte das três em que o filme é dividido. Será que é o suficiente para levar o óscar para casa? Em Hell ou High Water, Jeff Bridges interpreta um Ranger do Texas, atrás de dois ladõres de bancos, mas não simpatizei com o personagem por aí além. É capaz de ser a categoria onde tenho mais dúvidas, por não tem um preferido. Mas dos quatro que posso falar, talvez vá para o Mahershala Ali

 

 

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA 

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Viola. Viola. Viola. Tem que ganhar a Viola Davis. Sou muito fã dela, é uma actriz brilhante que merece todo o reconhecimento possível. Se não estivesse a Viola nesta categoria, daria o prémio a Naomi Harris, por Moonlight, onde intepretra a mãe drogada do personagem principal. Vi-a há pouco tempo no filme Beleza Colateral e tinha-a achado uma actriz mediana. Fez-me olhar para ela com outros olhos depois deste papel. A Octavia Spencer está bem em Hidden Figures, mas não vamos comparar esta nomeação com a que teve em 2012 (e que ganhou) pelo papel de Minnie Jackson em As Serviçais. Temos também a Nicole Kidman em Lion que não está mal, mas é um papel normalzinho. E da Michelle Williams nem vou falar... Onde é que as três aparições da mulher no filme são motivo para uma nomeação a um óscar? 

 

 

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL 

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Aqui vou torcer por La La Land, acho que foi realmente uma lufada de ar fresco em Hollywood. Até porque muitas vezes os musicais que aparecem são a puxar ao drama e este, por outro lado, é bem alegre. 

Manchester by the Sea e Hell or High Water têm histórias que já vimos parecidas por aí. 20th Century Women é um filme que se vê bem, tem alguns pormenores no argumento que são interessantes, mas não é assim tão bom para ganhar um óscar. The Lobster não vi, é o único de que não posso falar. 

 

 

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO 

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Fences é adaptado de uma peça de teatro, e acredito que seja uma adaptação de qualidade. Os outros são adaptados de livros. O único livro que li foi A Longa Estrada para Casa (Lion), portanto em termos de comparação só posso falar desse. Sendo uma boa adaptação, não acho que seja a melhor do mundo. Há coisas que faria diferente. Quanto aos restantes três, talvez Arrival fosse o mais difícil de adaptar, ter que criar algo que não é real. Talvez vá para Fences, eu daria ao Arrival. 

 

Outros:

Quanto aos Filmes de Animação o único que vi foi Zootopia e, achando divertido e com pormenores muito bem apanhados, não me arrebatou. Se compararmos com Inside Out, que ganhou o ano passado e que adorei, Zootopia está um nível abaixo, na minha opinião.

Acho que La La Land irá levar os óscares de Melhor Banda Sonora, Melhor Fotografia e Melhor Guarda-Roupa. 

Não vi os filmes estrangeiros, os documentários nem as curtas-metragens, portanto não posso dar opinião nessas categorias. E também me abstenho de comentar aquelas mais técnicas como Melhor Montagem, Melhor Direccção Artística e Melhores Efeitos Especiais

 

Só por curiosidade... Repararam no cruzamento d actores entre Moonlight e Hidden Figures? Mahershala Ali, o Juan de Moonlight era o coronel que se casou com Katherine (Taraji P. Henson) em Hidden Figures, filme que tinha Janelle Monae como uma das três protagonistas que, por sua vez, entra também em Moonlight, como Teresa, mulher do Mahershala Ali. 

 

E vocês? Palpites, apostas, desejos? Quem acham que serão os grandes vencedores da noite? Vão ver em directo ou esperar para saber quem ganhou amanhã?