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SAY HELLO TO MY BOOKS

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22
Mai18

Dicas para os primeiros dias da Feira do Livro

A Feira do Livro está quase a começar. Yuhuuu! As montagens já estão em andamento e na sexta-feira, dia 25, começa oficialmente aquele que é o evento mais aguardado do mundo livrólico, seja para comprar, ver, passear, cheirar e entrar naquele ambiente único que já sabemos como é. Eu, pessoalmente, mais que as compras e promoções, adoro passear, calmamente, no meio das bancas, ir vendo o que há, folheando...uma sensação de calma e conforto. Sentem o mesmo? 

 

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Se gostam de Alfarrabistas, como eu, tentem ir mesmo nos primeiros dias, para apanhar livros em bom estado e a preços incríveis. Obviamente os alfarrabistas não são como as grandes editoras, não há cá reposições assim que sai um livro. Portanto, ou agarram a chance ou perdem-na para sempre. E se deixarem para os últimos dias, a selecção de livros que eles levam para a feira já vai estar muito escolhida e limitada.

 

Visitem o site da Feira antes de irem. Vejam quais são os Livros do Dia, verifiquem se os títulos que querem comprar estão por lá e, assim, organizam melhor as compras (e a carteira), já vão com uma ideia feita e não se mandam às compras por impulso assim que vêem aquelas bancas gordas e atraentes à vossa frente.

 

Façam uma lista dos livros que querem comprar e escolham as prioridades. Escrevam todos num papel, se tiverem 25 títulos e só puderem comprar, por exemplo, dez...escolham aqueles que querem ler num futuro próximo e vejam se estão com desconto, seja em Livro do Dia, em Hora H, etc. Se alguns não estiverem, substituam por outros da lista. Assim mantêm-se dentro do vosso plano.  

 

Dêem uma volta à Feira com tempo, antes de se porem a comprar. Vejam onde estão as editoras que mais gostam, recolham os folhetos de cada uma com informações sobre descontos e livros do dia. Perguntem se têm ou não Hora H. Façam por planear as compras,  depois de juntar toda a informação, para que possam fazer boas escolhas e conseguirem realmente descontos que valem a pena. Todos os anos oiço gente dizer que os descontos na Feira não valem nada. Acabo por partilhar as minhas técnicas e o quanto consigo poupar na Feira e as pessoas ficam admiradas. Acreditem que com planeamento e sabendo exatamente o que querem, que descontos há e quando, conseguem óptimos negócios.

 

O site da Feira já está on e já conseguimos ter uma ideia de quais os livros que vão estar com promoções dentro do "Livro do Dia", mesmo que ainda não esteja a lista completa. Partilho alguns dos que me saltaram à vista, no primeiro fim de semana. Alguns já li, outros estão na minha wishlist, mas todos com bons descontos.

 

25 de Maio (Sexta-feira)

 

A Força do Hábito - Charles Duhigg

Leya - PVP: 20,90€ / PVP FEIRA: 16,70€ / PVP DIA: 12,50€

A Juventude é uma arte (Pensamentos e Máximas) - Oscar Wilde

Nova Vega - PVP: 8,48€ / PVP FEIRA: 6€ / PVP DIA: 5€

As pessoas felizes lêem e bebem café - Agnés Martin-Lugan

Guerra e Paz - PVP: 15,50€ / PVP FEIRA: 12,40€ / PVP DIA: 9,30€

Danúbio - Cláudio Magris

Bertrand - PVP: 15,50€ / PVP FEIRA: 10,85€ / PVP DIA: 7,75€

Obra completa de Ricardo Reis - Fernando Pessoa

Tinta da China - PVP: 25€ / PVP Feira: 17,50€ / PVP Dia: 15,23€

Os Interessantes - Meg Wolitzer

Leya - PVP: 24,90€ / PVP Feira: 19,90€ / PVP Dia: 14,90€

Uma casa na escuridão - José Luis Peixoto

Bertrand - PVP: 17,70€ / PVP Feira: 12,39€ / PVP Dia: 8,85€

Viagem ao centro da Terra- Júlio Verne

Bertrand - PVP: 8€ / PVP Feira: 5,60€ / PVP Dia: 4€

 

26 de Maio (Sábado)

 

13 Reasons Why - Jay Asher 

FNAC - PVP: 11,75€ / PVP Feira: 9,40€ / PVP Dia: 7,05€

A Amante Holandesa - José Rentes de Carvalho

Bertrand - PVP: 8€ / PVP Feira: 5,60€ / PVP Dia: 4€

A Padeira de Aljubarrota - Maria João Lopo de Carvalho

Leya - PVP: 20,90€ / PVP Feira: 16,70€ / PVP Dia: 12,50€

Ernestina - José Rentes de Carvalho

Bertrand - PVP: 18,80€ / PVP Feira: 13,16€ / PVP Dia: 9,40€

Não se pode morar nos olhos de um gato - Ana Margarida de Carvalho

Leya - PVP: 17,50€ / PVP Feira: 14€ / PVP Dia: 10,50€

O Principezinho - Antoine de Saint-Exupéry

Leya - PVP: 5,50€ / PVP Feira: 4,40€ / PVP Dia: 3,30€

Os Homens que odeiam as Mulheres - Stieg Larsson

Leya - PVP: 20,90€ / PVP Feira: 16,70€ / PVP Dia: 12,50€

Os Romances de Machado de Assis - Machado de Assis

VASP Premium - PVP: 79,50€ / PVP Feira: 63,60€ / PVP Dia: 39,75€

 

27 de Maio (Domingo)

 

A Arte da Guerra - Sun Tzu 

Edições Sílabo - PVP: 15,55€ / PVP Feira: 12,40€ / PVP Dia: 9,30€

A Guerra dos Tronos - George R.R. Martin

Saída de Emergência - PVP: 19,03€ / PVP Feira: 13,32€ / PVP Dia: 9,52€

A Guerra não tem rosto de mulher - Svetlana Alexievich

20|20 Editora - PVP: 20,99€ / PVP Feira: 16,79€ / PVP Dia: 12,59€

A Rapariga no Comboio - Paula Hawkins

20|20 Editora - PVP: 18,79€ / PVP Feira: 15,04€ / PVP Dia: 11,27€

Americanah - Chimamanda Ngozi Adichie

Leya - PVP: 24,90€ / PVP Feira: 19,90€ / PVP Dia: 14,90€

Norwegian Wood - Haruki Murakami

Leya - PVP: 21,90€ / PVP Feira: 17,50€ / PVP Dia: 13,10€

O Fim da Inocência - Francisco Salgueiro

Leya - PVP: 15,50€ / PVP Feira: 12,40€ / PVP Dia: 9,30€

Portugal, Histórias e Lendas - Isabel Alçada / Ana Maria Magalhães

Leya - PVP: 16,50€ / PVP Feira: 13,20€ / PVP Dia: 9,90€

Que importa a fúria do mar? - Ana Margarida de Carvalho

Leya - PVP: 15,90€ / PVP Feira: 12,70€ / PVP Dia: 9,50€

Will & Will - John Green / David Levithan 

Leya - PVP: 15,90€ / PVP Feira: 12,70€ / PVP Dia: 9,50€

 

01
Mar18

TAG | Março Feminino

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Começa hoje o #marçofeminino yeeeeei e, para dar início ao mês e ao projeto, nada melhor que uma tag. É original, ligamos livros a categorias focadas no mundo feminino e criei-a precisamente para brincar com a condição de ser mulher, que tem tanto de díficil como de fascinante. É pró menina e prá menina, por isso gostava muito que todos respondessem, quer estejam a participar no projeto ou não. Taguem as vossas amigas e amigos, quero ver as vossas respostas! 

 

1. Aqueles dias do mês - Um livro que os homens nunca vão perceber.

Este livro grita força feminina. Quer queiramos, ou não, homens e mulheres são diferentes. Os homens por terem, obviamente, um corpo diferente, um lugar diferente na sociedade (principalmente em países subdesenvolvidos) ou simplesmente, por terem a sensibilidade de um nabo - há raras e boas excepções - dificilmente compreendem a sensibilidade e subtileza de alguns destes poemas. 

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2. Filha da mãe da depilação - Um livro que te arrepia só de pensar.

Já o disse antes, este livro mexeu muito comigo, deu-me nós no estômago e provocou-me sensações várias. Arrepia-me só de lembrar o que os personagens passaram e como seria se realmente acontecesse algo do género. 

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3. Aquele batom vermelho que dá um up a qualquer look - Um livro que te pôs bem-disposta/o num dia cinzento

Este como exemplo de qualquer um dos livros do Mário Zambujal que já li até agora. Sempre leves, despretensiosos, divertidos. Com aquela portugalidade típica que nos ensina a gozar com nós próprios. 

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4. Cérebro Feminino - Um livro que parecia confuso, mas acabou por fazer muito sentido.

Vou apontar este porque o li recentemente e ouvi muita gente dizer que era chato e confuso, principalmente as partes que pertenciam à história que o protagonista estava a escrever sobre os seus antepassados. Realmente pode tornar-se confuso, para quem não esteja atento, mas acaba por ter sentido no decorrer da narrativa e dar força à personalidade do protagonista. No fim, acho que tudo encaixou bem. 

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5. "Mulheres não percebem de futebol, nem gostam de cerveja" - Um livro que vomita clichés.

Esperava muito mais deste livro. Clichés atrás de clichés, não acrescentou nada à minha vida. 

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6. Mini-saia - Um livro curto, mas bom.

Gostei tanto deste livro. Ficamos com água na boca para mais. Mesmo que tivesse 500 páginas e 654380 cartas trocadas, seria sempre pouco. Não me canso de repetir: se são fãs de Jorge Amado e Saramago, não deixem de pegar nesta preciosidade. 

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7. Bolsa de Mulher - Um livro com muita coisa dentro, que te provocou várias emoções. 

Para não estar sempre a repetir os mesmos títulos, vou indicar este para esta categoria, porque meteu suspense, tristeza, desilusão, felicidade, medo, compaixão, revolta. Gostei muito. 9789722356176__capa livro_g.JPG

 

8. Mrs. Always Right - Como as mulheres têm sempre razão, escolhe um livro que aconselhas a toda a gente.

Os Contos do Oscar Wilde é daqueles livros que aconselho a miúdos e graúdos. Tão bons, tão intemporais. 

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9. Mas porque é que tenho que gostar de cor-de-rosa? - Um livro que toda a gente gosta, menos tu!

Taaanta gente a dizer coisas tão boas disto, a loucura à volta do livro, os prémios, blá blá blá. Gostei de algumas partes, mas a última...não me lixem. 

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10. Sutiã nosso de cada dia - Um livro que te incomodou ou um livro que foi um alívio chegar ao fim.

 Falei dele aqui. Não tenho muito a acrescentar. 

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11. Ir à manicure - Toda uma curiosidade sobre um livro que anda na boca do povo, mas ainda não leste.

Este é o livro que mais vi em blogs e em fotografias do Instagram no último semestre, seguramente. Está na lista para ler, mas depois de ter visto a série, perdi um bocadinho a vontade e ainda não a encontrei outra vez. 

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12. Fitas e lacinhos - O livro mais girly que já leste.

Tirando aqueles do género "Diário da Princesa", que li quando era mais nova, acho que o mais girly foi este. Típico livro do pinterest. 

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13. Girl Power - Uma autora que é uma mulher do caraças. Explica porquê. 

Maya Angelou (1928-2014). Foi uma escritora norte-americana, poetisa e activista dos direitos civis, que lutou ao lado de Martin Luther King e Malcolm X. Ser uma mulher negra e pobre nos EUA, na altura em que nasceu, não era fácil. Foi vítima de abusos sexuais em criança e passou anos sem conseguir falar com o trauma. Foi mãe solteira ainda adolescente. Mas era uma mulher de fibra e aos 17 anos tornou-se na primeira motorista negra de autocarros em São Francisco. #girlpower! Mais tarde, tornou-se na primeira mulher negra a ser argumentista em Hollywood. #aindamaisgirlpower! Na década de 50 afirmou-se como actriz, cantora e dançarina em várias peças de teatro. Resiliência é a palavra que a define. E é por isso que vou ler o seu livro autobiográfico "Sei porque canta o pássaro na gaiola", este mês. 

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14. Mulheres nos livros - Indica três livros com personagens femininas fortes.

As Serviçais. Todas incríveis. 

A Contadora de Histórias. Os capítulos da Minka, por tudo o que passou. 

Orgulho e Preconceito.Sou fã da Elizabeth Bennet desde a altura em que nem sabia bem o que era o amor.

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15. Mulheres nos filmes - Indica três filmes com personagens femininas fortes.

Kill Bill é dos meus filmes preferidos de sempre e a Uma Thurman está modo badass máximo. Adoro.

Elle. Porque tem uma protagonista que até hoje não esqueci. 

Three Billboards outside Ebbing, Missouri. Só queria ter metade da força desta mulher. 

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16. Ir em bando ao WC - Indica quem quiseres para responder.

Vou indicar estes nomes, mas está tuuudo convidado a responder! 

Carolina - Bárbara - Cláudia - Alexandra - Edite - Sónia - Jéssica - Cristina - Isaura - Dora - Elisa - Mafalda - Raquel - Daniela - Sofia - Inês - Magda

12
Fev18

MARÇO FEMININO 2018

O Março Feminino está de volta! Yuhuuu! Surgiu o ano passado e correu muito bem. O desafio era simples: ler apenas mulheres durante todo o mês. Podiam ser um ou dez livros, o importante era ler livros escritos por mulheres. As mais clássicas, as contemporâneas, as portuguesas, as estrangeiras, as de ficção, as de poesia...tanto faz. Se for uma mistura dessas todas, melhor ainda. Em 2017 correu muito bem, houve muitas participações e muita coisa boa a ser lida, como podem ver aqui. E, por isso, este ano volta o desafio, como não podia deixar de ser. É só mais uma desculpa para dar voz ao poder feminino na literatura. 

 

De 1 a 31 de Março vamos ler apenas livros escritos por mulheres. Vamos falar de escritoras e literatura, vamos partilhar as nossas preferidas, vamos ter conteúdos relacionados com o tema. Estão todos convidados a participar. É só pegarem nos livros e irem partilhando as vossas leituras nos blogs, canais e nas redes sociais com #marçofeminino (não se esqueçam do hashtag, para poder ir acompanhando as vossas leituras). Vou fazendo um apanhado dos posts ao longo das semanas, um apanhado geral das fotografias e leituras no fim e umas surpresinhas também pelo caminho. 

 

Já separei alguns livros para a TBR, que ainda não está fechada. Conto com vocês? 

24
Jan18

O Rei de Havana, Pedro Juan Gutiérrez

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Não gostei deste livro. Nunca tinha ouvido falar do autor, nem sabia do que o livro tratava, portanto não tinha expectativas. Estava a poucas semanas de viajar para Cuba e queria ler um autor cubano, especialmente um livro que se passasse em Havana, para conhecer um pouco mais da cultura deles. Encontrei "O Rei de Havana" na biblioteca e decidi que era este que ia ler. A contracapa deixou-me curiosa, lê-se "Uma espécie de Bukowski do Caribe ou de Henry Miller de Havana", escrito pelo Tribuna. Fasquia lá no alto, portanto. Adoro Bukowski, isto só pode ser bom, pensei eu. Pois foi mau

 

Custou-me muito ultrapassar as trinta primeiras páginas. Andei a mastigá-las tempo demais. Forcei-me a continuar. É a história de Reinaldo, um miúdo de 17 anos que foge do reformatório, sem família - de cuja morte foi acusado - e vai fazendo o que pode para sobreviver nas ruas pobres de Havana. Pede esmola, rouba comida, mete-se com mulheres e homens que lhe possam dar um espacinho para dormir, um bocado de comida e alguma atenção. Passa por várias situações complicadas - chamaria aventuras, se não fosse apenas o instinto de sobrevivência a falar mais alto - e acompanhamos esta jornada que se transforma num ciclo vicioso, numa espiral de autodestruição. Apaixona-se. Tem relações com várias pessoas ao longo de todo o livro. Rei, o nome pelo qual responde, é violento, mas também sensível. Sobrevive a cigarros, rum, marijuana e as migalhas que lhe vão caindo no estômago. 

 

Até aqui tudo muito bem. Não fosse a escrita de Pedro Juan Gutierrez ser "desgarrada, cruel, autêntica" como vem descrito também na contracapa. Eu descreveria-a como crua e demasiado real - baixo nível até. Não posso transcrever aqui nenhuma passagem com medo de ferir susceptibilidades e pior, haver menores de idade a lerem isto. Mas posso dizer que nunca tinha lido nada tão explícito em termos sexuais. Não só do acto em si, como de expressões, sensações, emoções dele e de pessoas que o rodeiam. Mas de forma feia e básica demais. Calão e asneiras para dar e vender frase-sim-frase-não. Depois, achei muito repetitivo. Acontecimentos da história que se vão repetindo, diálogos muito iguais entre personagens diferentes. Já revirava os olhos. Sinto que 95% do livro foi andar sempre à volta do mesmo, mudando só de cenário, mas sem acrescentar nada. Para minha surpresa, não desgostei do final. Previsível, mas trabalhado de uma forma que não estava à espera. Analisando o todo, acredito que Pedro Juan Gutierrez escreveu sobre uma realidade que conhece bem - isso é visível - mas sem grande esforço para tornar a obra um bocadinho mais literária. 

 

Podia processar o autor pelas rugas de expressão que ganhei por ter passado a leitura toda com a testa franzida, enojada, incrédula e aborrecida com certas descrições, diálogos e pormenores. Se me pedissem para resumir o livro, seria algo como: sexo - miséria - sexo - prostituição - álcool - sexo - violência - sexo - fome - sexo - pobreza - sexo, num cenário apocalíptico.

 

O livro foi lançado em 1999 e a história passa-se nos anos 90. Não duvido que se vivesse assim em Havana. Estive lá, vi a miséria de perto, prédios em ruínas com pessoas a viver lá dentro, crianças a pedir dinheiro, miúdas a prostituirem-se, pessoas com roupas velhas, sujas e rotas, etc. Acredito que há vinte anos, antes de ser levantado o embargo económico, comercial e financeiro imposto a Cuba pelos EUA, a realidade fosse cem vezes pior. Em teoria, a realidade está bem representada. Na prática, o conteúdo é mau. Considerei-o uma das piores leituras de 2017. E leva duas estrelas em vez de uma, pelo simples facto de retratar um período e um estilo de vida em Havana, que acho estar fiel à realidade. 

 

                                                                          

Título: O Rei de Havana

Autor: Pedro Juan Gutierrez

Edição: Dom Quixote, 2000

Ano de publicação: 1999

 Nº páginas: 193

06
Jan18

Volta ao Mundo em Literatura: 12 meses, 12 países, 12 livros | Conclusão

Este foi um desafio que criei para mim mesma, no início de 2017, como forma de me incentivar a ler autores de países que não lia tanto. Reparei que as minhas leituras, na maioria, recaíam sobre Portugal, Inglaterra, Estados Unidos e Brasil (o que não quer dizer que só lesses autores destas nacionalidades). Então decidi escolher 12 países, de continentes diferentes, e pré-defini um autor para cada um. Mantive a maior parte das escolhas, outras fui mudando durante o ano. É importante referir que escolhi apenas autores que nunca tinha lido. A verde estão os que li. 

 

Alemanha: Thomas Mann - Morte em Veneza

Angola: Pepetela      

Austrália: Markus Zusak    

Canadá: Margaret Atwood  

Chile: Isabel Allende - O Reino do Dragão de Ouro

Coreia do Sul: Han Kang - A Vegetariana

Cuba: Pedro Juan Gutiérrez - O Rei de Havana 

FrançaStendhal - O Vermelho e o Negro 

Índia: Aravind Adiga

ItáliaPrimo Levi - Se isto é um homem 

Nigéria: Chimamanda Ngozi Adichie      

Rússia: Fiódor Dostoiévski - O Jogador 

 

Os autores mudados foram:

França - inicialmente tinha escolhido Gustave Flaubert.

Canadá - inicialmente tinha escolhido Alice Munro.

 

Os países mudados foram:

Cuba - tinha definido ler algum autor do Perú para a América do Sul, mas li do Chile, mudei para Cuba e, assim, acrescentei América Central à lista.

Coreia do Sul - tinha escolhido Japão, mas surgiu a Han Kang que se tornou prioridade.

 

Conclusão:

Li 7 em 12. Não está mau, mas gostava de ter concluído o desafio. Confesso que fui dando prioridade a outras leituras. Mas há aqui autores que quero muito ler, por isso o desafio vai continuar em 2018. É um dos meus objetivos: ler os cinco que faltam. Nessa altura, farei o balanço de qual gostei mais, qual gostei menos, que culturas me encantaram mais, que autores quero continuar a ler e quais me deixaram de cabelos em pé. 

05
Jan18

O Say hello to my books em 2017

2017 foi um excelente ano para o blog (ainda que eu seja um bocadinho desnaturada e tenha alguns posts em atraso). Foi um ano em que me dediquei, partilhei opiniões, eventos, novidades, pensamentos literários e não só. Comecei-o em 2015, a meio gás, e só a partir do segundo semestre de 2016 é que comecei a levá-lo mais a sério, tanto aqui como nas redes sociais. Em 2017 ele já estava enraizado, mas comecei a senti-lo mesmo como uma parte de mim. De quem eu sou.  

 

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2017 foi o ano em que criei o Março Feminino. Foi o ano em que conheci muita gente destas andanças e criei ligação com várias. Foi o ano em que entrei num Clube de Leitura. Foi o ano em que voltei à Biblioteca. Foi o ano em que trabalhei na Feira do Livro. Foi o ano em que chorei pela primeira vez com um final. Foi o ano em que pedi o primeiro autógrafo (à Pilar del Rio). 

 

Em 2017 mais que dupliquei o número de subscritores aqui no Sapo Blogs. Não que o número seja o mais importante, mas sentir que o que escrevo chega a mais gente e que há tantas pessoas com interesse em ler o que tenho para dizer, é muito bom. Obrigada a quem chegou nos últimos tempos e a quem cá está quase desde o início. Tive vários posts destacados no Sapo Blogs. Tripliquei o número de visualizações. Curiosamente é do Porto que chega mais gente, logo a seguir Lisboa (muito pertinho) e depois Sintra, Setúbal e Vila Nova de Gaia, para meu espanto. Se forem de uma destas cidades acusem-se nos comentários! Quanto aos países, e excluindo Portugal, os cinco que mais lêem o blog são: Brasil, França, Alemanha, Estados Unidos e Reino Unido. Interessante. É engraçado perceber também que, mesmo hoje em dia, a grande a maioria das pessoa chega ao blog através do computador. E não é preciso dizer que 90% são mulheres (onde andam os homens leitores?)!

 

Instagram do blog também cresceu muito em 2017. É a minha rede social preferida, por isso fico feliz. Permite uma interacção quase instantânea com quem gosta das mesmas coisas e é uma ferramenta óptima para conhecer novos livros, autores, saber se um livro é bom e conhecer a cara das pessoas que estão por trás de outros blogs. 

 

E agora vamos a alguns dos posts que marcaram este ano: 

 

Os 5 posts mais lidos de 2017:

7 Mulheres incríveis na literatura que quero ler

A minha relação com a Feira do Livro e porque é que este ano vai ser diferente

Feira do Livro de Belém

Março Feminino | Vamos ler e ver apenas mulheres?

Jorge Amado, Saramago, Pilar e vinho tinto. Como foi a apresentação do livro?

 

Outros posts importantes este ano: 

O Diário de Anne Frank

7 Mulheres incríveis que já li

O que foi lido no Março Feminino?

Como foi trabalhar na Feira do Livro?

O primeiro livro que me fez chorar e porquê

 

Algumas reflexões mais pessoais:

VIDA | Um dia inspirador

VIDA | Amizade

VIDA | E esse Natal?

 

TAG's feitas em 2017:

Feira do Livro

Livros não lidos

Fim do Ano 2017

Clube dos Clássicos Vivos

 

04
Jan18

Objectivos literários para 2018

Não vou fazer grandes planos. Metas muito definidas atrapalham a liberdade de escolha para decidirmos o que nos apetece ler em cada momento. Vivendo e aprendendo. Mas há alguns desafios em que vou participar ao longo do ano e já estão definidos.

 

Janeiro, como tem sido nos últimos anos, terá algumas leituras ligadas ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial. E ainda a participação, neste mês, em "Um ano com a Jodi" (destas míúdas: Dora, Elisa e Isaura)

Em Março volto a fazer um Março Feminino, lendo apenas mulheres durante todo o mês, tal como aconteceu o ano passado. Ficam desde já convidados a participar (mas vamos falar disto mais para a frente). 

Em Abril mandar-me aos contos para o Abril Contos Mil da Mafalda

Novembro terá o Ler os Nossos, só autores portugueses, criado pela Cláudia

2018 inteirinho vamos continuar com as escolhas do Clube dos Clássicos Vivos

 

Objetivos literários gerais para 2018:

- Ler mais Biografias.

- Ler mais Contos.

- Ler Ficção Científica.

- Ler, pelo menos, mais 5 livros da lista "1001 livros para ler antes de morrer" (li apenas 18).

- Ler, pelo menos, um Saramago, um Eça, um de Agatha Christie e um de Jane Austen para continuar a demanda de ler toda a obra deles. 

- Acabar a saga Harry Potter, que ficou por terminar em 2017.

- Acabar a série A Amiga Genial, ainda só li o primeiro.

 

Continuar:

- a ler poesia.

- a ler novos autores portugueses. 

- a ler autores de países que nunca li. 

 

Livros que estavam em Desafios de 2017 (Volta ao Mundo em Literatura / 2017 Reading Challenge) e não foram lidos, mas vão sê-lo em 2018:

  • A Cor do Hibisco, Chimamanda Ngozi Adiche 
  • O Tigre Branco, Aravind Adiga 
  • A Rapariga que Roubava Livros, Markus Szuzak
  • Jaime Bunda agente Secreto, Pepetela 
  • A história de uma serva, Margaret Atwood 
  • Um calhamaço (livro com mais de 500 páginas) - Jane Eyre, Charlotte Bronte
  • Um livros com um título longo - Tieta do Agreste, pastora de cabras ou a volta da filha pródiga, Jorge Amado
  • Um livro publicado no ano em que nasci - Misery, Stephen King

 

Livros que não terminei (algures no tempo), por algum motivo, e que não passam de 2018:

  • 1984, George Orwell
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis
  • A Cidade e as Serras, Eça de Queirós
  • Tieta do Agreste, Jorge Amado

 

Em relação à compra de livros: não sou propriamente a louca que gasta ordenados em livrarias, mas mesmo assim acho que gastei mais do que devia, em 2017. O primeiro semestre foi óptimo, comprei apenas um livro por mês e sempre a aproveitar promoções ou livros usados. Depois desgracei-me completamente na Feira do Livro (aqui e aqui) e pensei que não comprava mais nada até final do ano...mas comprei. Não sou grande adepta de comprar novidades, por isso, com pesquisa e paciência vou encontrando bons preços nos livros que quero comprar. Mas, em 2018, vou tentar moderar as compras. E, além disso, seguir à risca estes pontos:

  • Dar uma valente diminuída aos livros por ler na estante. Para quê comprar mais se tenho vários à espera em casa?
  • Não deixar livros por terminar e acabar aqueles que ficaram a meio nos últimos tempos. Enquanto nos ocupamos com os que temos, não pensamos nos que nos faltam.
  • Requisitar mais livros da Biblioteca. Tenho a sorte de ter uma Biblioteca recheadinha no sítio onde moro. É aproveitar. 
  • Atacar estantes de amigos/familiares para sacar livros emprestados. Resulta bem, caso conheçam pessoas que também gostem de ler. 
  • Ler mais e-books. Não sou fã, até porque os que se encontram por aí, normalmente vêm em português do Brasil e não gosto. Mas se forem autores brasileiros, tudo bem. E há vários que quero ler este ano.