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SAY HELLO TO MY BOOKS

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28
Set17

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, J.K. Rowling

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Alguns meses depois de ter lido Harry Potter e a Pedra Filosofal e Harry Potter e a Câmara dos Segredos, peguei no terceiro livro da série, com a certeza de que me ia saber muito bem voltar a este mundo mágico. Aqui levanta-se um bocadinho o véu sobre o passado da família de Harry Potter. Descobrimos mais pormenores sobre os seus pais, sobre as as amizades que tinham, sobre o que aconteceu no dia em que morreram, quem é culpado e quem não é. Acredito que ao longo dos vários livros sejam feitas mais descobertas sobre todos os mistérios que envolvem a família Potter. É esse o fio condutor que passa de livro para livro e nos deixa presos a esta história, além de ser delicioso conhecer a rotina, as particularidades e as peripécias que acontecem numa escola de magia. Percebo, hoje, o fascínio que Hogwarts desperta em tanta gente. 

 

Neste livro ficamos a conhecer melhor o funcionamento da prisão de Azkaban, aprendemos o que são DementorsPatronusAnimagus, conhecemos algumas passagens secretas de Hogwarts, torcemos no torneio de Quidditch e estamos sempre à espera do que vai acontecer a seguir. As personagens ganham profundidade aqui. Vamos conhecendo melhor cada uma, embora tenha pena de não ter visto mais da Professora McGonagall e do casal Weasley neste livro. Confesso que sempre achei a Hermione chatinha, desde o início da série, mas comecei a gostar mais dela no final deste volume. Sinto que o Harry está mais destemido, mais corajoso e mais confiante. Sempre gostei muito do Ron, e dos seus irmãos, e isso confirmou-se aqui também. Gosto da amizade dos três. Pura, com sinceridade e muito companheirismo, como as boas amizades devem ser. Sinto um enorme carinho por Dumbledore, pelo Hagrid, pelas corujas e todos os animais fantásticos que por lá andam, acho graça às figuras dos retratos, ao fantasma Peeves e aos Professores (a maioria, porque o Snape continua a irritar-me). Sinto estes livros como um bombom, aquele docinho no final da refeição que nos dá um verdadeiro prazer, sabem? 

 

Este livro teve um efeito interessante sobre mim. Sou pessoa de Verão, adoro o calor, sofro imenso com o frio e fico a sonhar com o regresso do tempo quente de Novembro a Abril. Adoro que Portugal tenha estes dias bons no Outono e, por mim, nunca descíamos dos 20º. Mas, enquanto lia esta história, fui ficando com vontade de ter uma mantinha em cima das pernas, de ir fazer um chá, acender umas velas e estar aconchegada no quentinho, enquanto chove lá fora. Fiquei com saudades do Natal, das luzes, da lareira acesa e dos doces da época. O bom é saber que ainda tenho mais quatro livros para ler até ao final do ano, que vão certamente apanhar esse clima.

 

Decidi que não vou ver os filmes só quando terminar os sete livros. Vou ver os três primeiros já. 

 

Título: Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Autor: J. K. Rowling

Edição: Editorial Presença, 2000

Ano de publicação: 1999

 Nº páginas: 411

03
Mar17

O Adversário Secreto, Agatha Christie

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Durante toda a leitura há duas perguntas que queremos ver respondidas: "Onde está Jane Finn?" e "Quem é Mr. Brown?". Este é segundo livro publicado por Agatha Christie e o primeiro com a maravilhosa dupla Tommy e Tuppence. Ficamos a saber como se conheceram, como começaram a trabalhar juntos e como se apaixonaram. Fiquei fã! Conhecemo-los solteiros, dois amigos de infância que se reencontram e que se envolvem, quase sem querer, numa arriscada aventura para encontrar uns documentos importantes para o governo britânico, antes que o misterioso e perigoso Mr. Brown lhes deite as mãos. Mas será que podem confiar em todos aqueles que se cruzam pelo seu caminho? As minhas desconfianças quanto à verdadeira identidade de Mr. Brown estavam certas e só me apetecia poder falar com os personagens e dizer-lhes "abram os olhos, não confiem nesse"!

 

Para quem só lê Poirot, não sabe o que está a perder. Sinto que estes dois personagens vivem na sombra da grande fama de outros detetives mais conhecidos de Christie, como Poirot e Miss Marple, e é uma pena. Vale a pena conhecer Tuppence Cowley, exuberante e "forreta", sempre atenta a novas formas de poupar uns tostões e Tommy Beresford, mais discreto, com gosto pela boa vida, inteligente e desenrascado. São uma dupla que se completa, com muita vida, energia, humor, desembaraço e romantismo pelo meio.

 

Lançado em 1922, neste livro notamos que Agatha Christie estava no início da carreira. Acho que o enredo traz um bocadinho de "palha" a mais e algumas voltas desnecessárias para o desenrolar da história. Tendo em conta que ela lançou mais de 80 policiais e este foi apenas o segundo, damos o desconto. Gostei muito, mais ainda do que "A primeira investigação de Poirot" ou "O Misterioso Caso de Styles", o primeiro livro que lançou e que li o ano passado.

 

Na verdade, comecei a ler os livros de Agatha Christie por ordem cronológica. Felizmente os meus pais têm, há muitos anos, a coleção Vampiro Gigante (da editora Livros do Brasil), que editou todos os policiais da autora, de acordo com a ordem de publicação. Aproveitando o projeto #bloodyqueen2017, criado pelas Marauders, voltei a encontrar-me com a rainha do crime, em Fevereiro. Nome incontornável da literatura mundial, em geral, e dos policiais, em particular, Agatha Christie tem o dom de nos fazer entrar nos livros à procura de pistas, sentindo-nos nós próprios verdadeiros detectives à procura de decifrar as charadas antes mesmo da autora nos apresentar a solução

 

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Sinopse:

1915. O navio de passageiros Lusitânia é bombardeado por forças alemãs. A bordo, um homem misterioso entrega uns documentos a uma jovem desconhecida, na esperança do naufrágio, pois ela teria maiores chances de sobreviver ao desastre, sendo mulher e tendo prioridade nos botes salva-vidas. Se os documentos caíssem nas mãos erradas, o futuro dos países aliados estaria comprometido. Alguns anos depois, Tuppence Cowley e Tommy Beresford, amigos de infância, encontram-se por acaso, em Londres. Tommy é discreto, Tuppence é exuberante. Juntos, formam o par perfeito para combater o crime. Pelo menos, é o que pensam quando se unem numa parceria a que chamam "Jovens Aventureiros Lda". Eles dizem-se "dispostos a tudo" mas quando os seus sonhos de aventura se realizam com muita rapidez e ainda mais perigo, sãoo obrigados a questionar os seus próprios limites.  Acabam envolvidos num mistério que envolve os tais documentos, o paradeiro desconhecido da rapariga misteriosa do navio e de um tal de Mr. Brown que deseja utilizar os documentos para ampliar seu poder pelo mundo. Tommy e Tuppence terão que usar tudo o que sabem para se antecipar a Mr. Brown e sua assustadora onipresença.

 

Título: O Adversário Secreto

Autor: Agatha Christie 

Edição: Livros do Brasil (colecção Vampiro Gigante)

Ano de publicação: 1922

 Nº páginas: 267

19
Fev17

Harry Potter e a Câmara dos Segredos, J.K. Rowling

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Voltei a Hogwarts com prazer. Duas semanas depois de ter lido Harry Potter e a Pedra Filosofal, entrei no segundo ano da Escola de Magia. Desta vez, já conhecemos bem os personagens, já temos ideias formadas de quem são os bons e os maus, o interessante é ir vivendo novas aventuras com eles, apesar de se avançar pouco, ou quase nada, no grande mistério da história: como conseguiu Harry Potter sobreviver a Voldemort em bebé e porquê? Calculo que isso só saberemos em algum dos livros mais para a frente. Depois de introduzido todo este mundo mágico no primeiro livro, noto que tanto Harry, como nós próprios enquanto leitores, já estamos mais habituados aos termos relacionados com magia, ao uso e particularidades da mesma e ao funcionamento de Hogwarts. É engraçado apercebermo-nos disso.

 

Neste segundo volume, o principal foco da história não são tanto as aulas e aprendizagem da magia como encontrámos no primeiro, mas o mistério sobre relacionado com a Câmara dos Segredos, criada por Salazar Slytherin, um dos fundadores da escola, que move os acontecimentos do livro e que concentra as atenções de alunos a professores. Todo o enredo se passa em torno da abertura da Câmara dos Segredos por alguém, sem se saber sequer onde ela fica, e de onde saiu algo que anda a petrificar alunos. Obviamente que tudo isto vai trazer à baila alguns segredos do passado, interessantes também para que o leitor compreenda mais um pouco o background do grande vilão da história. Gosto deste tipo de mistérios que só os livros de Fantasia nos trazem, onde qualquer explicação é possível e vai muito além do onde a nossa imaginação terrestre consegue chegar. Fico realmente surpreendida com as voltas que J. K. Rowling dá à história e de como tudo se encaixa no final. 

 

Em "Harry Potter e a Câmara dos Segredos", a autora acrescentou novos alementos, mas não acho que os personagens tenham tido uma grande evolução desde o livro anterior, sem ser o próprio Harry. Aliás, temos personagens com papéis importantes no primeiro volume que neste não acrescentam grande coisa como Snape, Draco Malfoy e a Professora McGonagall, por exemplo. Também esperava ver mais de Dumbledore e do próprio Hagrid. Tenho pena de J. K. Rowling não se ter focado mais em Herminione. Estava a gostar mais da miúda neste livro e, de repente, acontece algo que a faz estar "adormecida" durante vários capítulos. E não simpatizei com o elfo Dobby. 

 

Por outro lado, gostei muito do foco dado à família Weasley, aos pais de Ron, aos irmãos e à pequena Ginny. Acho-lhes imensa piada. Fiquei ainda mais fã da amizade de Harry e Ron. Adoro o bom coração do Hagrid e odiava algum dia ter que entrar naquela floresta, especialmente porque odeio aranhas e todo o capítulo "Aragog" me arrepiou até aos pelinhos da nuca. Achei engraçada a personagem da Murta Queixosa e a vaidade do professor Lockhart. E acho que este livro trouxe momentos deliciosos como a festa de fantasmas do Nick-quase-sem-cabeça, no Haloween. 

 

Confesso que, apesar de ter gostado bastante da leitura (como não?) não acho que esteja ao mesmo nível do primeiro livro. Não tive aquela ânsia de ler sem parar, não achei o enredo tão interessante. Só por isso dei-lhe 4 estrelas, em vez das 5 que dei ao primeiro. Mas já me tinham dito que seria assim durante toda a série, uns livros mais empolgantes que outros. É bom saber que ainda tenho mais cinco pela frente. Mesmo com uma visão e leitura mais adultras é interessante ver como a história nos absorve e como consigo soltar a imaginação de uma forma quase infantil. Acho que é precisamente isso que Harry Potter me tem ensinado, que nunca é tarde para ler, ver ou sentir alguma coisa e que, felizmente, mantemos sempre um lado mais inocente que nos faz vibrar com histórias que muitos dizem ser só para crianças. Não sei se vou vendo os filmes aos poucos (já vi os três primeiros há muito tempo, não me lembro praticamente de nada), ou se vejo todos quando terminar de ler a série. Agora venha o Prisioneiro de Azkaban!

 

Título: Harry Potter e a Câmara dos Segredos

Autor: J. K. Rowling 

Edição: Editorial Presença, 2000

Ano de publicação: 1998

 Nº páginas: 275

09
Dez16

Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago

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É difícil falar de um livro que mexe com a nossa cabeça. Que faz sentir medo, ansiedade, repulsa, nojo, compaixão... É difícil falar sobre um livro já tão lido e tão falado. É uma leitura que, por vezes, nos faz querer virar a cara para não ver, como fazemos nos filmes. Mas essa é a maravilha dos livros. Temos que olhar, ver, reparar em todos os pormenores que o autor imaginou, escreveu e deu ao mundo. 

 

É impossível não nos pormos, nem por um segundo, na posição daqueles personagens e pensar "E e fosse comigo? E se fosse na minha cidade, no meu país?". Dei por mim a pensar se conseguiria andar na minha rua, no meu bairro se não conseguisse ver. Se me sentiria perdida, se ia conseguir chegar aos lugares que queria. Dei por mim a pensar como ia reagir nas coisas mais básicas da vida como ir à casa de banho, dormir, comer e viver dentro de um espaço fechado com outros em igual condição. "Seria forte, fraca, ia tentar ajudar ou ser ajudada?". E a maior dúvida: sobreviveria?

 

Começamos a história com passos curtos, curiosos para saber o que sairá dali, desta permissa tão invulgar e simples, ao mesmo tempo, que é "E se, de repente, toda a gente cegasse?".

No início aquela sensação de "E se fosse comigo...?".
Depois, inevitavelmente, o pensamento "Coitados...que horror...deve ser uma sensação terrível."
A ansiedade: "Como é que eles se vão safar? Como vão conseguir viver naquelas condições?"
À medida que a história avança e que nos vamos apercebendo das condições precárias a que estão sujeitos, a ideia de que não iria aguentar...
Depois, o nojo, o quase vómito com os pormenores.
A revolta e a raiva com alguns personagens "Filhos da mãe dos cegos malvados!" e o sentimento de vingança.
A perplexidade: "Como é que é possível as pessoas serem tão más?".

Nas últimas setenta páginas do livro, a curiosidade para saber como irá terminar.

O respeito e admiração pela mulher do médico que só cresce durante todo o livro. É a minha personagem favorita!
No fim, a certeza de que os seres humanos, em condições extremas de sobrevivência, se comportam como verdadeiros animais.

 

Não há dúvida de que Saramago consegiu imaginar e montar com palavras um caos que seria real - ou pior - caso toda a população cegasse de repente, numa epidemia sem explicação, uma cegueira branca, luminosa, o "mal-branco" como é designado. O dia-a-dia torna-se uma verdadeira selva. O Estado Democrático e toda a organização social em que vivemos desmorona-se em poucas semanas. As pessoas começam a viver de uma forma quase primitiva, até pela comida têm que lutar. 

 

Nunca ficamos a saber o nome dos personagens. São referidos e caracterizados pela profissão ou por algum elemento próprio. Temos o médico, a mulher do médico, a rapariga dos óculos escuros, o velho da pala preta, o rapazinho estrábico, o ajudante de farmácia, o ladrão, o motorista de táxi e por assim fora. Na verdade, é uma decisão fundamental do autor para transmitir a ideia de que, naquela realidade, o nome e o aspecto físico não interessam para nada.

 

Disse Saramago numa entrevista, há muitos anos:

"A história da humanidade é um desastre contínuo. (...) Coloquei-me a questão com uma limpídez absoluta: 'E se fossemos todos cgeos?'. Mas nós somos todos cegos... Cegos da razão! Porque não usamos a razão para defender a vida. Usamos a razão para destruí-la. (...) É contra isso que foi escrito o Ensaio sobre a Cegueira."

 

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Saramago escreve extraordinariamente bem, mas sem parecer que se sentou para escrever um livro. Escreve bem como se estivesse ali ao nosso lado, no sofá, a contar-nos uma história, com diálogos e comentários pelo meio que sentimos como se só nos tivesse a contar aquilo a nós. Foi o primeiro livro que li do autor. Ia a medo, confesso. Um prémio Nobel da Literatura, que muitos amam, outros não suportam, mas que todos admiram, no geral. De quem se critica ou elogia a falta de pontuação e parágrafos. Acho que foi isso que sempre me afastou dos livros dele. Agora, quero ler toda a sua obra, aos poucos. Em 2017 hão-de pousar mais dois ou três Saramagos na minha mesa de cabeceira.  

 

Tenho pena dos leitores do mundo que não falam português e não podem ler a obra na língua original. Certamente, nas traduções, se perde muito do que Saramago quis transmitir e como o quis fazer.

 

Gostei muito, muito deste livro. Entrou para a lista de melhores leituras do ano e de sempre. Marcou-me de uma forma especial, como acontece com todos os livros que mexem com os nossos sentimentos e com a nossa cabeça, e que sentimos que nos mudam como leitores. Este livro fez-me entrar na história e estar lá a viver aquele inferno com eles. Foi terrível, foi incómodo e só os grandes livros e autores conseguem isso. É um livro duro, intenso e inesquecível, que vai ficar comigo durante muito tempo. 

 

Título: Ensaio sobre a Cegueira

Autor: José Saramago

Edição: Caminho, 1995

Ano de publicação: 1995

 Nº páginas: 310

 

11
Ago16

A primeira investigação de Poirot, Agatha Christie

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Agatha Christie dispensa apresentações. Há alguém que não conheça a rainha do crime? Em casa sempre vi o meu avô e o meu pai a lerem policiais (têm a coleção "Vampiro" inteirinha), especialmente Agatha Christe. Isto quer dizer que não tenho de procurar muito para encontrar qualquer livro dela para ler. E nunca tinha lido nenhum. Uma vergonha! Decidi mudar isso este ano, aliás, era um dos meus objetivos literários para 2016: começar a ler Agatha Christie. 

 

E onde melhor para se começar que o início mesmo? Resolvi começar a ler as obras dela por ordem cronológica. Não digo que o vá fazer com toooodas, mas talvez as dez primeiras sigam esta ordem. "A primeira investigação de Poirot", também conhecido como "O Misterioso caso de Styles" foi publicado em 1920 e foi com ele que entrei no mundo dos policiais - que é um género que não me despertava grande interesse até agora. Mas dizem que os gostos literários mudam ao longo dos anos e ando a verificar isso mesmo.

 

O enredo deste livro é simples. Uma velha rica idosa abastada morre por envenenamento e os suspeitos são vários, dentro da família e das pessoas que moravam na mesma casa. É aqui que Poirot nos é apresentado pela primeira vez: "não devia medir mais de 1,60m de altura, mas tinha um porte cheio de dignidade". É nesta obra que ficamos a conhecer as suas manias, tem ali um toquezinho de transtorno obsessivo-compulsivo com objetos fora do lugar e onde ficamos a conhecer também os métodos que utiliza para desvender os crimes.

 

Confesso que a minha primeira suspeita do assassino estava certa. Pelo meio mudei de opinião, mas afinal...a primeira impressão não falhou. Já me tinham dito que Agatha Christie era perfeita para Maratonas Literárias, porque líamos sem dar pelo tempo passar. A verdade é que a li na Maratona Literária Fusão e foi entretenimento puro. Eu própria me senti uma detective a juntar os pontos todos para chegar ao assassino. 

 

Dei-lhe 3 estrelas. É o primeiro livro de Christie. Acredito que a escrita dela tenha amadurecido ao longo dos anos, e que tenha aprimorado os crimes das suas personagens. Também acredito que me vá surpreender, mais ainda, com outras histórias e por isso as cinco estrelas ficam guardadas para livros em que a descoberta do assassino seja uma surpresa completa, daquelas de ficar de boca aberta. 

 

Sinopse:

O romance de estreia de Agatha Christie onde nos é apresentado Hercule Poirot, "um homenzinho de aspecto extraordinário. Não devia medir mais de 1,60m de altura, mas tinha um porte cheio de dignidade. O formato da cabeça era exactamente o de um ovo [...] usava um bigode muito espetado e muito marcial". Com ele aparece também o seu "Watson", que é o Capitão Arthur Hastings. Ambos se reúnem em Styles, onde o assassínio da idosa proprietária da casa faz recair suspeitas sobre diversas pessoas. Eis a oportunidade estupenda para o famoso detective belga pôr em acção as suas eficazes células cinzentas e revelar a verdade no último capítulo!

 

Título: A primeira investigação de Poirot

Autor: Agatha Christie

Edição: Livros do Brasil - Colecção Vampiro Gigante

Ano de publicação: 1920

 Nº páginas: 207

 

 

16
Fev16

O Diário da Nossa Paixão, Nicholas Sparks

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Tinha expectativas baixas para este livro e a verdade é que não conseguiu conquistar-me. Conheço os meus gostos e sei que este tipo de romances alimentados a clichés baratos não me enchem as medidas e estão longe de ser o meu género preferido. Mas nunca tinha lido Nicholas Sparks e já que há milhares de pessoas que amam os livros dele, sempre pensei que alguma coisa ele devia ter de especial. Nunca me entusiasmou mas queria lê-lo para formar a minha própria opinião e achei que devia começar com "O Diário da Nossa Paixão", já que adoro o filme. Prefiro ler primeiro o livro mas, neste caso, não me fez confusão já conhecer a história. Porque o que queria era conhecer a forma como tinha sido escrita. 

 

Percebi, nas primeiras páginas, que a adaptação cinematográfica tinha diferenças quanto ao livro. É normal. Descobri, no final, que a história contada no filme é cinquenta vezes mais interessante que a do livro. 

 

Achei a narrativa muito fraca. Os diálogos pouco credíveis. Em alguns pontos cheguei mesmo a achar a escrita amadora demais para os milhares de exemplares que este livro vendeu. Em alguns momentos senti que estava a ler aqueles romances de banca baratos. Chega a ser frustrante a forma como Sparks desperdiça uma história tão boa com uma escrita tão fraca. 

 

Um exemplo (com utilização de ele/ela mais vezes do que seria aceitável):

 

"Allie começou a tirar a camisa que ele lhe emprestara enquanto ele abria a porta, mas Noah fê-la parar.

- Fica com ela - disse - Quero que fiques com ela.

Ela não perguntou porquê, porque também ela queria ficar com a camisa". 

 

Senti que o autor contava o essencial e passava à frente, sem aprofundar, por exemplo, o passado familiar de Noah ou de quando esteve na Guerra ou ainda o relacionamento de Allie com o noivo, Lon. Temos sempre Lon como pano de fundo mas sem nunca conhecer realmente a história dos dois. Não sentimos nada quando ela fala dele, não sabemos pormenores do momento em que terminaram o noivado, nada. Teria sido interessante aprofundar essa relação para criar mais impacto na escolha dela por Noah. 

 

Mesmo quando Sparks descreve o encontro de Allie e Noah, passados catorze anos de se terem separado, toda a cena, os acontecimentos e os diálogos são muito superficiais. Não nos dá tempo para nos envolvermos com os personagens e com a sua história de amor. Se não fosse por gostar deles no filme, chegaria mesmo a afirmar que não gosto destes personagens literários. É pena que só as imagens tenham conseguido transmitir-me o sentimento entre eles, coisa que as palavras de Sparks não conseguiram. Uma desilusão. 2 estrelas. 

 

Agora vou ver o filme para compensar esta leitura.  

 

Sinopse: 

Todas as manhãs ele lê para ela, de um caderno desbotado pelo tempo, uma história de amor que ela não recorda nem compreende. Um ritual que se repete diariamente no lar de idosos onde ambos vivem agora. Pouco a pouco, ela deixa-se envolver pela magia da presença dele, do que lhe lê, pela ternura … E o milagre acontece. A paixão renasce, transpõe o abismo do tempo, as memórias perdidas, e por instantes ela volta para ele…

 

Título: O Diário da Nossa Paixão

Autor: Nicholas Sparks

Edição: Editorial Presença, 59ª edição (2014)

Ano de publicação: 1996

 Nº páginas: 158