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SAY HELLO TO MY BOOKS

SAY HELLO TO MY BOOKS

07
Jan18

VIDA | O meu 2017

Entrei nos 30. 

Acabei de pagar o meu carro. 

Comecei a fazer voluntariado, semanalmente. 

Tornei-me madrinha da bebé mais querida, que selou uma amizade com mais de dez anos. 

Viajei para um país novo com uma das minhas pessoas preferidas no mundo. 

Aprendi a fazer tapiocas (e faço muita bem).

Descobri que tenho que começar a usar óculos e que os meus ouvidos são manhosos (a idade não perdoa). 

Perdi o meu avô. E foi doloroso. Fiquei "orfã" de avós. 

Voltei à Biblioteca. 

Deixei entrar pessoas novas na minha vida. E filtrei amizades. 

Atingi o meu recorde de número de horas passadas num avião: 10h. 

Trabalhei na Feira do Livro e foi uma experiência que levo para a vida. 

Apanhei alguns sustos. Foram controlados. 

Deixei de fazer fretes. Se não me apetece, não vou. Se não quero, não faço. 

Conheci mais sobre o Budismo e comecei a experimentar meditação. 

Ganhei paciência para coisas que achava que já não tinha. 

Entrei num Clube Literário.

Fui ao teatro. Ao cinema. A concertos. 

Fui para fora, cá dentro, várias vezes. 

Defini prioridades e segui-as. 

Foi o ano em que computador, máquina fotográfica e telemóvel se estragaram quase ao mesmo tempo. 

Foi ano de renovar Cartão de  Cidadão e Passaporte, isto é, tirar fotos manhosas que durante 5 anos vão ser o meu cartão de visita. 

Foi um ano em que chorei muito de tristeza, mas também chorei muito, agarrada à barriga, a rir. 

 

Foi um ano agridoce. O segundo semestre foi melhor que o primeiro. Não atingi alguns dos objetivos que queria, mas fiz check em outros. No geral, foi melhor que 2016. Aprendi muito sobre a vida e sobre mim, que é o mais importante. Venha 2018 e que seja tudo de bom.

 

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27
Dez17

VIDA | E esse Natal?

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Eu costumava adorar o Natal. Gosto de datas especiais, adoro o meu aniversário, o aniversário de pessoas próximas, gosto de entrar no espírito que estes dias pedem. Adorava enfeitar a casa, comprar decorações natalícias, fazer doces, e aproveitar os dias com a família, mesmo aquela que está longe e vemos pouco. Mas depois os anos passam, há pessoas importantes que já não estão cá, vamos sendo menos à mesa e o Natal passa a significar mais trabalho que diversão. Este ano senti esse peso. Continuo a gostar muito do Natal, mas este ano não estava no espírito certo. Talvez por ter viajado, estado no praia e no calor e entretanto voltar para o frio, para as mantas e para os pijamos polares deprimiu-me um bocadinho. Depois porque este foi o primeiro ano sem ter qualquer dos meus avós à mesa. Ainda assim eramos 15 e é bom ter por perto quem cá está. Gosto muito de estar com a família e isso é, realmente, o mais importante. Sempre foi. Tenho as minhas prioridades bem definidas nesse sentido. É bom juntar todos à mesa e conversar, entre uma boa garfada e um bom tinto. Contar as mesmas histórias engraçadas pela milésima vez. Rir vezes sem conta das mesmas piadas. Relembrar os que já foram. A troca de presentes é só um gesto simbólico do carinho que temos uns pelos outros. Claro que sabe bem. Não recebi livros (update: recebi um!), mas recebi um cheque Fnac que vai servir para comprar dois ou três. Só em 2018. 

 

Não tenho lido muito. A verdade é que este foi um Dezembro atípico. Não estava a sentir o Natal, não tive sequer vontade de estar debaixo das mantas a ler. Não tive vontade de ir para a cozinha fazer doces. Não tive vontade de ver filmes natalícios. Acho que toda a gente deve sentir isto em algum momento da vida. Para o ano será diferente, com certeza. Apesar disso, tive lanches e brunches de Natal com amigas. Tive o aniversário da minha mãe mal cheguei de viagem. Tive a festa de aniversário de uma das minhas melhores amigas no dia 23 de Dezembro. A desgraça alimentar começou logo aí. Esta semana tenho mais três jantares de Natal. Com amigos de sempre e com as pessoas dos livros. Gosto disso. Foi um mês cheio. Recheadinho de convívio, abraços e palavras bonitas. E isso é o melhor. Vai ser o primeiro ano, em muuuuito tempo, que fico em Lisboa na passagem de ano. Costumo sempre ir para fora, com amigos, durante vários dias. Vai ser diferente. Este ano houve muita coisa diferente. Eu estou diferente. E isso não é mau. É só estranho, até se entranhar. Venha o novo ano e tudo o que ele tem para oferecer. 

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02
Out17

VIDA | EM OUTUBRO QUERO...

 

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Compras velas para a época. 

Tornar a decoração da casa mais Outonal. 

Comprar mais sabores de chá. 

Voltar às sobremesas de forno.

Comprar uma manta nova, daquelas fofinhas e quentinhas. 

Festejar os 6 meses da minha afilhada querida, dia 15.

Voltar à meditação. 

Ter o novo Cartão de Cidadão e o novo passaporte nas mãos. 

Pagar o resto da viagem que vou fazer no final do ano.

Aumentar o exercicio físico para mais vezes durante a semana. 

Fazer a revisão do carro.

Ver o filme do mês para os 12 Filmes para 2017

Ver os regressos das séries que acompanho. 

Ler o livro para o Clube dos Clássicos Vivos. Ler um livro para o mês do horror.  Ler mais um Harry Potter. Ler mais um livro para os 12 meses, 12 livros. 

Ouvir muita música. Ir acrescentando sempre novas músicas às minhas playlists do Spotify (embora tenha o  grátis que só me deixa ouvir em "aleatório").

 

25
Abr17

VIDA | Uma desgraça nunca vem só

Neste caso, desgraças tecnológicas.

Em Janeiro, a minha máquina fotográfica Canon começou a dar problemas. A lente principal deixou de focar, deixou de fazer zoom, deixou de tirar boas fotos. Em Março foi o computador. O ecrã deixou de dar imagem, problemas na placa gráfica e mais uns quantos mais pequenos. Agora, foi o telemóvel. Já andava a ameaçar e foi à vida de vez. Não me posso queixar, toda a gente me dizia que os iphones só duravam três anos, o meu durou quase seis. Tinha planeado comprar um telemóvel novo em Junho, no meu aniversário, aquela altura em que acabamos por receber um dinheirinho extra. Era só ter esperado mais dois meses. Vou ter que adiantar a compra de um novo, num mês em que não me dava jeito financeiramente. 

Por outro lado, estou há dois dias em modo detox de telemóvel e não me tem feito confusão nenhuma. Até me sabe bem não andar com ele atrás, não estar sempre a receber notificações disto e daquilo. Só estou preocupada em conseguir recuperar algumas coisas mais recentes que lá tinha, como fotografias e vídeos. Mas já me disseram que é quase impossível. O que me dá uma neura gigante. 

O que vem a seguir? O carro empanar? A televisão dar o berro? O frigorifico deixar de funcionar? Já espero tudo. Mandem boas energias para esta fase passar!

 

06
Abr17

VIDA | Amizade

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As amizades que temos aos trinta, não são as mesmas que temos aos vinte. Nem nós próprios somos o mesmo tipo de amigos que já fomos. Aos vinte temos muitos amigos. Um grupo grande. Da escola, da faculdade, do bairro onde moramos, do trabalho, o que seja. Muitos amigos para ir a festas, a festivais de verão, ao café, ao shopping, à praia. Andamos sempre acompanhados de vários amigos. Os nossos aniversários são quase casamentos. Perdemos horas ao telefone com eles, porque são muitos. Todos sabem da nossa vida. Não temos grandes problemas, mas inventamo-los. Dramatizamos um namoro que termina, uma amiga que não nos respondeu logo à mensagem, mas também relativizamos o mundo. Nada é pesado o suficiente. Levamos a vida leve e os nossos amigos ajudam-nos nisso. Com eles ao lado é muito mais fácil e que sorte serem tantos. Temos amigos em todo o lado. Conhecemos muitas pessoas e divertimo-nos com a maior parte. Depois vêm os primeiros empregos. Os segundos. Os namoros sérios. O sair de casa dos pais e assumir responsabilidades de contas para pagar. Não podemos ir jantar tantas vezes fora. Festivais de verão já não dá. Só temos duas semanas de férias no verão e são para outras paragens. Praia com eles só aos fins de semana e vão poucos, porque os outros já não têm paciência para as filas da ponte. Vários cansaram-se de discotecas. Os telefonemas diminuem. As mensagens são mais espaçadas. Chegámos aos trinta.

 

Aos trinta há menos amigos. Uns ficaram pelo caminho. Foi duro fazer a transição. Olhar para trás e apercebermo-nos disso. Pessoas que achavámos que iam crescer ao nosso lado, ser nossos amigos quando tivessemos setenta. E afastaram-se, ou afastamo-los, a certa altura. É porque não era para ser. Depois há aqueles que a vida filtrou. Que não entravam dentro do verdadeiro significado da palavra amizade. Que estavam lá para marcar aquele período da nossa vida e nada mais. Deram a sua contribuição à nossa existência e foram à sua vida. Foram importantes nessa altura. Não fazem falta hoje. A vida a andou para a frente. Ficam as recordações e os álbuns de fotografias em discos externos com nomes estranhos. Hoje os convívios são outros. Começar a trabalhar, a ter namoros sérios, o peso da rotina e os horários loucos atrapalham. E afastam. As jantaradas em Lisboa mudam para jantarzinhos em casa de alguém. As noitadas até às 7h da manhã transformam-se em beber um copo e às 2h estar a cair para o lado. A conversa de café é mais séria, adulta, ninguém conta o último boato sobre a Ana que se enrolou com o Manel. Fala-se dos chefes autoritários e das folgas rotativas. Fala-se dos projectos a curto prazo, do carro novo que se quer comprar mas ainda não há dinheiro e da renda da casa que é alta como a merda. E se se fala disso, ainda bem. É sinal que ainda cá estão. Sobreviveram à batalha da mudança para a vida adulta. 

 

Porque há amizades que não resistem ao tempo. Uns mudam-se para outra cidade ou, até, para outro país. Há amizades que não resistem à distância. Há amigos que mudam, como nós mudámos. A forma de pensar, de estar, os gostos até. Crescimento é mudança. Amadurecimento. E às vezes amadurecemos trilhando caminhos diferentes. Tornamo-nos pessoas mais calmas ou mais enérgicas, mais caseiras ou mais viajantes, adoptamos uma vida fit ou somos mais sedentários, deixamos de ter vontade de sair à noite ou andamos sempre em festas. E, muitas vezes, as personalidades deixam de combinar. Nem todos vemos o horizonte com as mesmas cores. Nem todos sentimos a brisa no rosto da mesma maneira. Os anos passaram e a vida de cada um moldou-o de formas tão assimétricas que hoje já não encaixam em nós. Já não nos identificamos com o seu estilo de vida ou a maneira de pensar. Não percebemos como conseguiu votar naquele palerma. Não suportamos que só se queixe e nada faça para mudar. Não aguentamos que só olhe para o seu umbigo. E vamo-nos afastando, porque temos outros sítios e outras pessoas com quem preferimos estar. Vamos adiando aquele jantar combinado há muito, ou aquele café ao fim da tarde para pôr a conversa em dia. Nunca mais vai ficar em dia. As mensagens são menos frequentes. Telefonar já nem tem sentido.  Até que um dia nos apercebemo-nos que não estamos com eles há quatro meses. Que estranho. Há seis meses. Ah mas este fim de semana também não me dá jeito. E o tempo passa. 

 

Também há os que ficam. Os que são essenciais ao nosso bem-estar, aqueles que queremos levar para a vida. Aqueles que, mesmo que se tornem pessoas com as quais não nos identificamos a 100%, estamos ali para eles e eles para nós. Mesmo que tenham emigrado ou que já  tenham três filhos e só falem de bebés. Acompanhamos os desgostos e conquistas. Desabafamos. Ouvimos e somos ouvidos. Pessoas que estão lá com um abraço e uma palavra amiga quando estamos mal. Que, mesmo falando só uma vez por semana, sabemos que estão lá. Pessoas com quem continuamos a ter programas e a divertirmo-nos. Pessoas com quem queremos estar porque é bom. 

 

Depois, quem tem muita, muita sorte, tem aquele amigo. Que é como um irmão de outros pais. Que nos compreende e conhece como ninguém. Que sofre connosco as nossas dores e fica radiante com a nossa felicidade. Aquele amigo que nos adivinha os pensamentos e com quem o silêncio é confortável. Com quem as gargalhas chegam às lágrimas. Com quem tens uma linguagem própria. Aquele com quem te apetece estar, mesmo quando não te apetece estar com ninguém. A quem telefonamos só para contar aquela novidade a meio do intervalo da tarde no trabalho. Com quem trocas diariamente mensagens sobre tudo e mais alguma coisa. De quem sabes pormenores do namoro. De quem conheces de cor a decoração da casa. Aquele amigo que sabes que não gosta de tomate na salada, mas que põe canela em tudo. Aquele amigo que é "casa". Aquele amigo que é a outra metade da tua alma. Porque almas gémeas são os amigos. Aos trinta, ter um amigo assim é ouro. E o nosso coração brilha. E agradece. 

 

11
Mar17

VIDA | Um dia inspirador

Começo por dizer-vos que este "Vida" no título vai aparecer em todos os posts do blog que não tenham nada a ver com livros (ou filmes) e, assim, quem não tiver interesse nem precisa abrir o post. Usarei quando achar que faz sentido partilhar algo mais pessoal, quando quiser falar de temas do dia-a-dia, sem ser de leituras. 

 

Hoje quero partilhar alguns momentos do meu dia de ontem. Porque foi um dia inspirador, um dia em que saí da minha zona de conforto de várias formas e que me fez acordar, hoje, mais leve. Acho que partilhar boas experiências e mensagens positivas, acaba por transmitir boas energias à minha volta e, quem sabe, inspirar alguém a sair também da sua zona de conforto, a procurar o que lhe faz bem e fazer algo por si mesmo. Nem que seja resolver que é hoje que começa a fazer exercicio, que é hoje que vai ver aquele filme adiado há tantas semanas, que é hoje que manda mensagem àquele amigo com quem não fala há meses, que hoje vai parar de pensar em trabalho e aproveitar o dia lindo que está. 

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Ontem acordei bem-disposta, com um sol lindo, brilhante e quente lá fora. Decidi que era o dia perfeito para voltar ao ginásio, que andava a adiar há muito (é o mal da preguicite aguda). Vem aí o verão e é preciso tonificar. Não quero ter o corpo perfeito, não preciso perder peso, apenas sentir-me bem e mais leve. Andava a sentir-me sem energia e a verdade é que o exercício muda isso. Mas não me apetecia ir para as máquinas, para a passadeira, para bicicleta ou elíptica. Queria nadar, que é o meu desporto preferido. E foi o que fiz. Tirei o fato-de-banho, os ósculos e a toca do armário e lá fui. É um dos sítios onde mais me consigo libertar do mundo exterior. Aproveitei e fiz uma aula de hidroginástica também. É óptimo. Saí de lá muito mais leve, de corpo e de espírito. E mal sabia que isso foi apenas o início do dia. 

 

Trabalhei sem pressões. Ao meu ritmo, sem prazos loucos e gente chata à volta. Almocei ao ar livre. Comida saudável e um tempo maravilhoso que me aqueceu a pele e o coração. Entretanto recebo a mensagem de uma amiga: "Vou hoje a uma sessão de budismo, gostava mesmo que viesses". Na noite anterior, num jantar entre amigas, surgiu o tema religião, porque uma está grávida e tem dúvidas se baptiza ou não o filho. Levantou-se a questão. E eu, que não sou baptizada, não sou católica e não acredito (desculpem se ofendo alguém com estas palavras, mas para fazer um post destes tenho que ser totalmente sincera) disse que mais valia deixar o miúdo escolher um dia se quer ou não ser baptizado pela Igreja Católica. Um dia mais tarde pode informar-se e escolher o que lhe fizer mais sentido. Acabei por confessar que de todas as religiões, aquela cujos valores e filosofia me faziam mais sentido é o Budismo, por algumas coisas que já li. Acredita que devemos procurar a verdade dentro de nós e não nos outros e em coisas externas. No Budismo, o poder de mudança e equilibrio vem de dentro, não depende de factores exteriores, não põe nas mãos de nenhuma entidade celestial a responsabilidade de mudar a nossa vida. É por isso que a meditação tem um peso importante. É por isso que a mudança tem que ser dentro de nós e não esperar que seja no mundo. Porque quando queremos alguma coisa, não é rezar e esperar que um milagre aconteça, é termos a força para ir atrás, para fazer, para mudar e valorizarmo-nos neste processo. É uma filosofia muito mais vasta, mas não adianta entrar em grandes pormenores aqui. 

 

Confesso que já faço isso, há muito, por mim e não por nenhuma religião. Procuro crescer a nível emocional e ser eu própria a minha maior força. A cabeça comanda tudo. Devemos cuidar bem desta ferramenta, é a nossa maior arma contra a tristeza, negativismo, irritabilidade. Passei por várias coisas menos boas nos últimos dois anos. Todas as áreas da minha vida foram afectadas, numa corrente de azares e tristezas. Mas tenho tentado sempre ultrapassá-las com força de vontade e uma cabeça sã. Por isso, quando a minha amiga me mandou ontem aquela mensagem (ela que não sendo budista, já foi a várias sessões inspirada por outra amiga que o é efectivamente), não hesitei. Marcámos hora e local e lá fomos, ao fim da tarde. Não foi num núcleo budista. Foi uma sessão privada, erámos oito. A parte inicial foi a que estranhei mais, enquanto durou o Daimoku, a reza, em voz alta. Para perceberem: "Quando se entoa o Daimoku, a natureza de Buda dormente dentro das nossas vidas é convocada. Recita-se, em voz alta, para que a natureza de Buda (que está dentro de cada um de nós) se revele e nos acompanhe". É durante aquela reza que conseguimos abrir o nosso espirito e a nossa cabeça para o que precisamos. Absorvi tudo o que se passava naquele momento. Depois, passámos ao diálogo, à partilha de experiências, à informação sobre a história e a filosofia do Budismo, ao impacto que tem na vida de cada um. Foi muito bom. Fez-me muito sentido. Cada vez mais estou mais aberta a coisas que me façam sentir bem, que me acrescentem, que me façam evoluir. Sou uma curiosa do Mundo. E estou em constante evolução para me tornar numa pessoa melhor, mais calma, mais sábia, e que saiba ir levando a vida de uma forma cada vez mais leve e verdadeira. Não precisamos ter uma vida perfeita ou como imaginávamos que ia ser. Nunca é. E está tudo bem. Fui muito bem acolhida, sai de lá com a cabeça ainda mais aberta. E não meteu incensos, músicas zen ou barulhos de água a correr, ninguém fumou cenas estranhas, ninguém usou roupas esquisitas ou tentou evangelizar o vegetarianismo. São ideias pré-concebidas sobre o Budismo, que não correspondem à realidade. Vou voltar certamente. 

 

Para terminar, fui jantar com um amigo de quem estava afastada há muito tempo, de quem já fui muito próxima, e por vários motivos que agora parecem sem sentido, me fui afastando. Há pouco tempo ele passou por um acontecimento triste. Quis estar lá para ele. E estive. E ontem foi a prova de que quando a amizade é verdadeira, não se perde. A conversa fluiu, as piadas aconteceram e os desabafos também. Comemos bem, bebemos melhor ainda e fomos buscar o que erámos antes e que tinha ficado perdido pelo caminho com o tempo. 

 

A conclusão é que há dias que nos esfregam na cara o quão boa a vida é. Dias que nos mostram, como se nos quisessem provar algo que tinhamos esquecido, que há vários motivos para não nos deixarmos ir abaixo com o que não conseguimos mudar e que, aquilo que conseguimos efetivamente mudar, só depende de nós. Que podemos ser um sol, para nós mesmos e para os outros, nos dias mais cinzentos. E esse poder está na nossa mente. Ontem foi um dia inesperadamente bom. Foi um dia que fez sentido. E que me fez querer parar de me chatear no trânsito, parar de me queixar ao fim do dia quando as coisas correm menos bem, parar de ficar frustrada quando não atinjo todos os meus objetivos nos prazos a que me propus, parar de arranjar desculpas. E fazer acontecer.